2.2 Acquisition de l’anglais langue maternelle (L1)
2.2.2 Acquisition du rythme de la langue maternelle
Assistimos a mudanças na nossa sociedade com o passar do tempo. Essas mudanças influenciam a nossa cultura e consequentemente o jogo de futebol. Assim, é de extrema importância perceber e compreender as tendências evolutivas do jogo de futebol.
Se tivermos presente alguns dados, de caráter quantitativo, da análise do jogo de futebol, observamos que o número de acontecimentos aumentou na unidade de tempo. Com efeito, no quadro da dinâmica dos esforços, produzidos pelos jogadores ao longo do jogo, triplicou nos últimos 30 anos. Daqui se infere, que no plano tático os jogadores cobrem uma maior área de terreno de jogo (tanto na fase ofensiva, como defensiva). Esta “pequena” constatação veio a implicar, por sua vez, uma diminuição do tempo e do espaço para a resolução tático-técnica de uma dada situação, tendo-se ou não a posse da bola. Na atualidade, cada jogador executa em média 360 a 400 intervenções (de curta até dois segundos, média até cinco segundos ou longa duração até oito segundos) por jogo. Este facto determina quatro esforços por minuto. Mas se utilizarmos o tempo real de jogo (excluindo as paragens que representam cerca de 30% do seu tempo total) este valor sobe para seis, isto é, observa-se um comportamento visível de dez em dez segundos, com ou sem a posse da bola, com uma determinada intenção, finalidade e duração. A tendência destes valores no futuro é de aumentarem, não tão rapidamente como no passado, mas a melhorarem no domínio da qualidade do complexo decisão / ação e, em especial, na maior duração de cada esforço produzido (Castelo, 2009).
Vales (2015) resume aquelas que são as principais peculiaridades estruturais e coletivas do futebol, tratando-se de ser:
a) Uma atividade desportiva com um formato de fase alternada, determinado basicamente por o facto de ter ou não ter a posse de bola;
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b) Atividade desportiva com alto conteúdo tático-estratégico, em que os jogadores devem manifestar, desde um plano coletivo, uma intensa atividade colaborativa para superar em conjunto a oposição ativa e inteligente que representa a equipa adversária (organização e coerência global);
c) Atividade desportiva onde predominam as tarefas relacionadas com a construção ofensiva e construção defensiva, sobre as de finalização ofensiva e aquelas em que se evita o golo adversário;
Figura 4 - Tempo de jogo e tarefas consubstanciais (Vales, 2015).
d) Atividade desportiva com uma dinâmica de situações de jogo de tipo descontínuo, observando-se de forma intercalada sequências de jogo ativas e passivas durante os jogos;
e) Atividade desportiva em que as equipas manifestam claramente uma maior capacidade defensiva do que ofensiva, tanto nas subfases do jogo pertencentes ao jogo dinâmico, como nas ações distintas que caraterizam o jogo com bola parada;
f) Atividade desportiva em que as equipas assumem preferencialmente formatos defensivos estruturados a partir da adoção de posicionamentos conservadores, com a participação de todos jogadores e a manifestação de atitudes defensivas agressivas (pressing);
g) Atividade desportiva em que as equipas assumem preferencialmente formatos ofensivos caraterizados pela participação direta de grupos reduzidos de jogadores sobre a bola e pelo predomínio do jogo interior sobre o jogo exterior;
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h) Atividade desportiva com uma baixa frequência de golos por jogo (2.63 golos/jogo), circunstância que determina que o aproveitamento das situações de finalização ocorridas no decorrer do jogo seja um feito decisivo no resultado final dos jogos;
Quadro 1- Evolução média dos golos / jogos nas principais ligas europeias (adaptado de Vales, 2015).
País/Época França Inglaterra Espanha Itália Alemanha Média 75/76 3.01 2.66 2.50 2.27 3.29 2.74 80/81 2.80 2.70 2.70 1.91 3.39 2.70 85/86 2.45 2.78 2.63 2.05 3.24 2.63 90/91 2.16 2.65 2.23 2.22 2.74 2.40 95/96 2.32 2.60 2.69 2.66 2.71 2.59 00/01 2.48 2.61 2.88 2.75 2.98 2.74 05/06 2.13 2.48 2.46 2.61 2.80 2.49 10/11 2.92 2.79 2.74 2.51 2.92 2.77
i) Atividade desportiva em que 64% dos golos obtidos por uma equipa resultam do jogo dinâmico, estando precedidos de ações coletivas cuja estrutura espacial, temporal e modal são de complexidade intermédia. Por outro lado, 36% dos golos resultam de ações de bola parada que apresentam um nível de complexidade estrutural reduzida.
Vales (1998), em jeito de resumo, apresenta uma tabela onde esboça as principais mudanças ocorridas no jogo, do ponto de vista tático estratégico, assim como as principais repercussões dos mesmos nas exigências funcionais solicitadas, tanto em termos condicionais como em termos técnico táticos.
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Quadro 2 - Resumo das principais transformações do jogo nos últimos anos (adaptado de Vales, 1998 cit. por Vales, 2015).
Se atendermos ao número médio de golos marcados por jogo em campeonatos do Mundo, verifica-se que desde Uruguai 1930 até Alemanha 2006 este vem descrescendo, atingindo o limite inferior em Itália 1990, rodando desde então esse nível (Castellano, 2009). Barreira et al. (2013) acrescentam que no Mundial 2010 se verificou um acréscimo de 0,04 na média de golos por jogo, situando-se em 2,27.
Figura 5 - Evolução da média de golos marcados por jogo ao longo da história dos campeonatos do Mundo de futebol, desde Uruguai 1930 até Alemanha 2006 (Castellano, 2009).
Caraterísticas do Jogo Consequências condicionais
Consequências técnico – táticas
Elevação do ritmo de jogo
Maior número dos deslocamentos de grande intensidade
Maior velocidade na atuação (cognitiva – operativa) Limitação da iniciativa ofensiva /
defensiva do adversário
Maior número de duelos com contacto
Mais recursos ofensivos e defensivos Relevância do jogo com bola
parada
Aumento do número das disputas em jogo aéreo
Especialização técnico – tática
Polivalência funcional dos jogadores
Aumento do número de intervenções
Repertório técnico – tático mais amplo
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Por sua vez, Hughes e Franks (2005) analisaram a média de golos por cada 1000 posses de bola nos campeonatos do Mundo de 1990 e 1994, revelando uma ligação forte entre a quantidade de uma variável de processo com a de produto final (golo).
Figura 6 - Média de golos marcados por cada 1000 posses de bola nos mundiais de 1990 e 1994 (Hughes & Franks, 2005).
Os mesmos autores (Hughes & Franks, 2005) sugerem que equipas bem- sucedidas (Liga dos Campeões, Campeonatos do Mundo, Campeonatos Europeus), não recorrem ao jogo direto, há padrões de jogo para as equipas bem-sucedidas e mal sucedidas. Jones (2004), Lago & Martin (2007) encontraram que as equipas de topo têm mais posse de bola que os seus adversários, sugerindo que preferem controlar o jogo. Bloomfield (2005) mostrou que as três melhores equipas na Primeira Liga Inglesa, na temporada 2003-2004 (Chelsea, Manchester e Arsenal) dominaram a posse de bola contra os seus adversários ganhando, perdendo ou empatando. Isto indica-nos, segundo Lago (2009) que a posse é afetada pelo resultado, mas existem equipas que seguem diferentes estratégias (ter mais ou menos posse de bola), o que reflete o estilo individual, as ideias do treinador, as caraterísticas dos jogadores, o orçamento da equipa, a filosofia de jogo e a tradição e cultura dos clubes.
Num artigo recente publicado pelo jornal espanhol “Marca”, analisou-se a posse de bola das equipas que competiram na “La Liga” Santander 2018-2019. Apesar de existirem equipas bem-sucedidas com mais posse de bola mas também com menos posse de bola, verificámos que entre os dez primeiros classificados houve sete equipas com mais posse de bola e três com menos
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posse de bola (como é o exemplo do Atlético de Madrid que foi a 11ª equipa com mais posse de bola mas que acabou em terceiro classificado; ou do Valência que foi a 13ª equipa com mais posse de bola mas que acabou em quarto classificado; ou do Getafe que foi a equipa que teve menos posse de bola mas que acabou num honroso quinto lugar. Estes dados mostram-nos que há padrões de jogo para as equipas bem sucedidas e mal sucedidas, contudo, também é possível ter sucesso apresentando outro tipo de estratégia que não seja a de posse de bola.
Antes disso, Hughes & Franks (2005) verificaram que entre 1990 e 1994, o jogo direto era mais “usual”. E no campeonato do Mundo de 1990, 84% dos golos surgiram após a realização de quatro ou menos de quatro passes. Já em 1994, foram 80% dos golos a surgirem após quatro ou menos passes.
Figura 7 - Número de passes realizados (posse de bola) antes de alcançar o golo. Dados recolhidos nos jogos do campeonato do Mundo de 1990 e 1994 (Hughes & Franks, 2005).
Na perspetiva de Vales (2015), as principais mudanças observadas, em relação aos aspetos coletivos do jogo podem apresentar-se nos seguintes pontos:
a) O futebol contemporâneo carateriza-se pela presença de uma elevada igualdade no rendimento manifestado pelas equipas, sendo difícil encontrar atualmente, no alto rendimento, jogos de futebol em que as diferenças entre uma e a outra equipa sejam muito elevadas;
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Quadro 3 - Evolução da percentagem de jogos, do Campeonato do Mundo de Futebol, com resultado equilibrado, isto é, empatado ou com diferença máximo de um golo (adaptado de Vales, 2015).
Época Campeonatos do Mundo
% Jogos equilibrados (resultado final – empate ou
diferença de um golo) 1930 - 1940 Uruguai 30, Itália 34, França 38 45,3%
1950 - 1960 Brasil 50, Suiça 54, Suécia 58 42,1% 1960 - 1970 Chile 62, Inglaterra 66 53,1% 1970 - 1980
México 70, Alemanha 74,
Argentina 78 60,2%
1980 - 1990 Espanha 82, México 86 62,5% 1990 - 2000 Itália 90, EUA 94, França 98 70,2% 2000 - 2010 Coreia-Japão 02, Alemanha 06,
África do Sul 10 66,1%
Segundo os dados apresentados, verificamos que quase 70% dos jogos terminaram com resultados muito ajustados, em que a diferença de golos entre as equipas é nula ou no máximo de um golo. Em sintonia com o apresentado, no Mundial da Coreia e Japão em 2002, as estatísticas publicadas pela FIFA no final do campeonato, mostravam que em 82,8% dos casos, a equipa que marcava o primeiro golo, ganhou ou empatou o jogo. No campeonato mundial de África do Sul, em 2010 observou-se que a distribuição média da posse de bola também esteve muito igualada, com valores médios entre os 55% / 45%. (Vales, 2015);
b) O “efeito globalização”, caraterístico das ordens políticas e económicas, também já chegou ao futebol. Verifica-se uma grande mescla de culturas futebolísticas, provocado pelo mercado de transferências de jogadores. No campeonato do Mundo de futebol de 2010, jogado em África do Sul, quase 60% dos jogadores participantes jogavam em ligas estrangeiras.
c) Encontramo-nos num estado evolutivo do jogo em que, como existe uma diminuição dos espaços disponíveis para a construção do jogo ofensivo e um notável incremento da pressão sobre o portador da bola, as defesas impõem-se aos ataques, produzindo um tipo de jogo “bloqueado”.
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d) De forma paralela à progressiva instauração de formatos posicionais cada vez mais conservadores, também destaque para a presença de estruturas de jogo de maior intensidade e exigência tática, baseadas na imposição de ritmos de jogo cada vez mais elevados. Assim, de um ponto de vista defensivo, as equipas de futebol, com o intuito de dificultar ao máximo a manobra ofensiva do adversário, centram os seus objetivos na busca de uma rápida recuperação da bola, a partir da aplicação predominante de métodos defensivos de caráter pressionante. Por outro lado, de um ponto de vista ofensivo, esta progressiva aceleração do jogo caraterística do futebol contemporâneo, manifesta-se também na intenção por parte das equipas de quererem surpreender a organização defensiva do adversário logo após a recuperação da posse de bola, buscando e aproveitando os espaços livres através de um passe rápido da defesa para o ataque.
e) Por último, e tal como está apresentado na figura seguinte, parece claro que as equipas de futebol obtêm cada vez mais golos e um maior rendimento nos lances de bola parada ofensiva. A maior dedicação ao treino deste tipo de ações e o aparecimento de jogadores especialistas na execução das mesmas justifica que, na atualidade, mais de 30% dos golos ocorridos em jogos de futebol de alto nível sejam obtidos a partir de cantos, livres diretos e indiretos, penaltis.
Figura 8 - Evolução dos golos conseguidos a partir de lances de bola parada nos últimos campeonatos do Mundo de futebol (Vales, 2015).
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Salinas & Salinas (2010) cit. por Pedreño (2018) estudaram o Mundial realizado em África do Sul e verificaram que 31% dos golos obtidos por cada equipa resultaram de lances de bola parada.
Uma vez expostas as caraterísticas mais importantes relativas à evolução do jogo desde um plano coletivo, Vales (2015) expôs os traços mais representativos da evolução do jogo a nível individual, focando a análise tanto em aspetos de natureza energético funcional como em aspetos técnico táticos:
Em primeiro lugar, em relação à evolução dos aspetos de natureza condicional, o jogador de futebol, com o objetivo de adaptar-se adequadamente ao processo de intensidade crescente que o jogo experimentou ao longo do tempo, teve de melhorar progressivamente os seus índices físicos, mostrando maior disponibilidade para suportar a fadiga e manter um alto nível de eficiência técnico tática (Vales, 2015).
Em segundo lugar, e analisando a evolução dos aspetos individuais do jogo, têm-se assistido: a) ao desaparecimento do jogador especialista de forma restritiva, passando a aparecer um tipo de jogador que responde a um modelo funcional e que apresenta um claro equilíbrio entre a universalidade e a especificidade, isto é, aquele jogador que tem capacidade para participar com eficácia em diferentes subfases do jogo e em diferentes zonas do campo mas que também domina uma faceta concreta do jogo, relacionada com a posição específica que ocupa dentro do sistema de jogo da equipa. Segundo Vales (2015), observamos que o jogador de futebol tende a jogar de forma mais dinâmica e flexível, no qual o seu raio de ação não se encontra limitado unicamente em torno da posição base que lhe foi atribuída; b) Finalmente e em relação à posição específica do guarda-redes, também se observa uma maior implicação deste no desenvolvimento do processo ofensivo da equipa, como resultado do seu maior repertório técnico tático. O guarda-redes assume agora um maior protagonismo quer em situações de contra-ataque, com rápida execução do passe, na tentativa de aproveitar o desequilíbrio momentâneo do adversário, quer em situações de ataque posicional, que se
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traduzem no desenvolvimento da função de apoio, para minimizar os efeitos de uma pressão avançada por parte da equipa adversária.