A importância do ensino superior é reconhecida a nível europeu. Vários estudos, como
Education at a glance, 2012, OCDE, EUROSTAT, entre outros, provam que quanto mais alto é o nível de ensino, maiores são os benefícios. Inclusive, estes estudos referem que a educação é muitas vezes a melhor ferramenta para a criação de riqueza e felicidade (Copeland, 2014; Rego, C. et al., 2013; Vieira & Vieira, 2013; Vieira; Vieira & Raposo, 2013; Education at a glance, 2012, OCDE; Kezar, A. et al. 2008; Ramphele, et al., 2000).
Na generalidade dos casos, os estudantes e famílias entendem que formar-se no ensino superior é um investimento para uma vida melhor no futuro, para enfrentar de forma mais vigorosa o mercado de trabalho, obter melhores remunerações e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida (Rego, C. et al., 2013, p. 239). Neste sentido, um diploma é muitas vezes considerado um passaporte para uma vida pessoal mais satisfatória e uma vida profissional mais bem remunerada. Por isso, referimos algumas teorias que consideram o ensino superior, não como um bem de consumo, mas sim como um investimento. Exemplos destas são a teoria do capital humano de Becker (1964), ou a teoria da sinalização de Spence (1973). A teoria de Becker referia que o ensino superior era um meio para obtenção de conhecimentos e de competências que aumentavam a produtividade pessoal e a probabilidade de conseguir empregos com melhores remunerações, fazendo com que os custos de oportunidade de curto prazo associados à frequência do ensino superior fossem compensados por uma melhor remuneração ao longo da vida profissional. A teoria de Spence considerava que o ensino superior era um “meio de sinalizar a qualidade individual perante potenciais empregadores que, num contexto de informação assimétrica, não podiam identificar à priori os empregados mais produtivos, usando o seu nível de educação como proxy para a capacidade individual” (citado por Vieira & Vieira, 2013, p. 206; Rego, C. et al., 2013). Spence (1973) considera que um diploma universitário é um
sinal que distingue de todos os candidatos a um emprego, os que merecem salários mais elevados (citado por Vieira & Vieira, 2013; Rego, C. et al., 2013).
O ensino superior é, realmente, importante pois este traz diversas vantagens às sociedades, quer sociais, quer políticas. Este melhora as vidas individuais e enriquece toda a sociedade, o que “indica uma mescla substancial entre os interesses privados e os interesses públicos no ensino superior” (Ramphele, et al., 2000, p.49). O ensino superior aumenta as remunerações e a produtividade, o que faz com que os indivíduos e os países, simultaneamente, fiquem mais ricos. Pode, ainda, encorajar a iniciativa e a independência (Ramphele, et al., 2000; Copeland, 2014; Rego, C. et al., 2013; Vieira & Vieira, 2013; Vieira; Vieira & Raposo, 2013;
Education at a glance, 2012, OCDE; Kezar, A. et al. 2008).
Os benefícios da educação superior, para quem detém um diploma universitário (17 anos de educação), podem ser entendidos como benefícios “privados”, no entanto, são também benefícios públicos, pois “uma melhor formada força de trabalho contribui para aumentar os fluxos de impostos, melhorar os cuidados de saúde, melhorar o capital institucional, e por aí em diante” (Ramphele, et al., 2000, p.50).
É pertinente referir que o impacto macroeconómico da educação é forte porque, tal como os indivíduos com educação superior alcançam maior sucesso no mercado de trabalho, também “as economias com taxas de escolarização e número de anos de estudo maiores conseguem ser mais dinâmicas, competitivas nos mercados globais, e melhor sucedidas em termos de rendimentos per capita mais elevados” (Ramphele, et al., 2000, p.50).
O ensino superior é uma questão de interesse público porque ele se relaciona com o desenvolvimento económico e social. A formação dos jovens neste grau de ensino pode e leva ao “desbloquear o potencial a todos os níveis da sociedade, ajudando as pessoas talentosas a ganhar formação avançada independentemente do seu nível de partida” (Ramphele, et al., 2000, p.50). É de interesse público, também, porque quanto mais cidadãos formados no ensino superior tiver um país, melhor será a geração de investigação e de conhecimento, o que é verdadeiramente significativo para a economia, que permite envolver-se no comércio escolar e científico com as outras nações, além de gerar conhecimento (Ramphele, et al., 2000).
A educação superior é fulcral porque “evita que os estudantes se tornem “balcanizados” num estreito conjunto de disciplinas e amplia a coesão entre coortes nos quais os estudantes mais talentosos e motivados são familiarizados com um corpo essencial de conhecimento” (Ramphele, et al., 2000, p.120). Assim, a educação superior também promove uma ampla abertura de espírito, pensamento crítico e aptidões de comunicação, sendo essencial numa democracia efetivamente participativa (Ramphele, et al., 2000, p.120).
A formação de ensino superior é significativa no desenvolvimento dos indivíduos porque os prepara para uma carreira e proporciona uma ampla experiência de vida, fazendo com que o indivíduo se sinta confiante na sua área de trabalho. Tais habilidades podem trazer realização pessoal e satisfação, bem como uma carreira de sucesso (Copeland, 2014).
A formação universitária é um dos determinantes mais significativos do desenvolvimento económico e social. Quanto maior o nível educacional da população, melhores são as perspetivas de desenvolvimento sustentável e de competitividade internacional de um país. “Seria assim expectável que, pelo menos onde as restrições financeiras não o impedem, fosse garantido acesso ao ensino superior a todos os candidatos que reunissem as condições necessárias” (Vieira; Vieira & Raposo, 2013, p. 221; Copeland, 2014; Rego, C. et al., 2013; Vieira & Vieira, 2013; Kezar, A. et al. 2008; Education at a glance, 2012, OCDE; Ramphele, et al., 2000).
Achamos relevante referir os mitos que existem em torno do acesso às universidades que, muitas vezes, fazem com que os alunos desistam, por isso devem ser ultrapassados pela importância que o ensino superior suporta. Neste sentido, há sete mitos comuns sobre a universidade que devemos considerar antes de decidir que a educação superior não é o caminho certo a seguir. São eles: 1. A universidade é muito cara - é importante saber que existe uma quantidade significativa de dinheiro em bolsa disponível a partir do governo que irá abranger a maioria da taxa de matrícula para o ensino superior. 2. Não há vagas para conseguir ajuda
financeira, por isso o estudante já tem de ter poupanças - para os alunos carenciados existem, realmente, apoios financeiros. 3. A universidade é para jovens e não para adultos - a maioria dos alunos que frequentam muitas universidades são adultos e não apenas jovens, nunca é tarde demais para ingressar na universidade. 4. Só vai para a universidade quem tem membros da
família que frequentaram a universidade - em cada família, alguém tem que ser o primeiro embora alguns membros da família não o entendam, terá de ser discutida a lista de benefícios para ajudar a compreender as escolhas de ir para o ensino superior. No entanto, é natural que os filhos de um formado no ensino superior esteja mais propenso a ir para a universidade. 5. Não
ingressa na universidade o aluno que não gosta de matemática, não gosta de redigir textos longos - é importante estar informado de que há vários tipos de programas curriculares diferentes nas universidades, alguns cursos não exigem matemática. Além disso, as universidades públicas oferecem muitos programas de formação profissional. 6. Não ter o perfil de um universitário - as universidades têm pessoas de mais variados estilos económicos, sociais, géneros e religiões, não há um perfil único. 7. Não consegue ingressar em nenhuma universidade - as faculdades públicas possuem um acesso aberto e selecionam os candidatos de forma criteriosa e segura. Existem muitas universidades e, em cada uma delas, há cursos distintos. É de sublinhar que as
universidades públicas oferecem mais do que a formação profissional e técnica, pois também oferecem um currículo de educação geral (Kezar, A. et al. 2008).
A educação superior é realmente significativa, pois uma geração mais qualificada pode ambicionar uma sociedade com mais qualidade de vida e responder, eficazmente, aos problemas sociais (Education at a glance, 2012, OCDE; Ramphele, et al., 2000). “O diploma superior faz a diferença – para melhor” (Bento, 2014, p. 6).