3 RESEAUX DE COMMERCIALISATION ET FORMATION DES PRIX
3.1 C IRCUITS DE COMMERCIALISATION
3.1.1 Circuits de commercialisation du manioc frais
Foi realizada uma pesquisa, através do acesso ao site das IFES, e também através de email encaminhado aos gestores do FORPLAD, sendo obtido ao final, dados de 43 Instituições de Ensino Superior, com informações dos valores praticados por cada uma delas, a fim de subsidiar e comparar o presente estudo.
Dos dados obtidos, constatou-se que para os alunos que fazem parte dos programas de assistência estudantil, a grande maioria das IFES não cobra pela refeição, tanto no café da manhã, como almoço e jantar.
Para os alunos de graduação que não fazem parte do programa, no entanto, o valor da refeição é cobrado. O maior valor encontrado na cobrança foi de R$ 6,30 no café da manhã pela UFRRJ. Já no almoço e no jantar o maior valor foi de R$ 13,05, também pela UFRRJ.
Foi constatado que muitas instituições não servem café da manhã a toda comunidade, e sim somente aos alunos dos programas de assistência aos alunos da Casa do estudante. Logo, as refeições ficam restritas ao almoço e jantar.
Foi observado que algumas Universidades fazem distinção no preço cobrado para servidores técnicos e servidores docentes, sendo elas: UNILAB, UFMG, UFF e UFPR.
Destaca-se, que apenas a UFPEL cobra a refeição por massa consumida (grama), independentemente da categoria que o colaborador se enquadra.
Com relação à refeição servida aos visitantes, apenas a UnB faz a diferenciação de preço com relação aos servidores e terceirizados. No restante, o mesmo preço é praticado para as três categorias.
Com relação ao custo da refeição, poucos dados foram obtidos. Destaca-se que o maior valor encontrado foi na UnB, sendo R$ 8,74 no café na manhã, R$ 14,76 no almoço e R$ 14,50 no jantar. Em segundo lugar, a UNIPAMPA com R$ 12,20 no almoço e jantar. O menor custo encontrado foi da UFAM, sendo R$ 1,82 no café da manhã e R$ 6,21 no almoço e jantar.
Seguem as tabelas com os cinco maiores e menores preços cobrados dentre as IFES estudadas:
Tabela 2 – Cinco maiores preços cobrados pelas IFES no café da manhã, almoço e jantar para alunos de graduação e pós-graduação
Tipo de Refeição
Preço por IFES
Café da manha R$ 6,30 UFRRJ R$ 5,60 UFMG R$ 4,57 UFGD R$ 3,55 UNIFAP R$ 3,50 UFOB Almoço e jantar R$ 13,05 UFRRJ R$ 12,20 UNIPAMPA R$ 9,90 UNIFAP R$ 9,75 UFGD R$ 7,97 UNIFAL
Fonte: Elaboração própria.
Tabela 3 – Cinco menores preços cobrados pelas IFES no café da manhã, almoço e jantar para
alunos de graduação e pós-graduação
Tipo de Refeição
Preço por IFES
Café da manha R$ 0,25 UFMT R$ 0,50 UFJF R$ 1,00 UFSM R$1,10 UFC R$ 2,00 UFPEL Almoço e jantar R$ 0,70 UFF R$ 0,80 UFPI R$ 1,00 UFPA R$ 1,10 UFC R$ 1,25 UFMA
Fonte: Elaboração própria.
Tabela 4 – Cinco maiores preços cobrados pelas IFES no café da manhã, almoço e jantar para
servidores técnicos, docentes e terceirizados
Tipo de Refeição
Preços por IFES
Café da manha R$ 6,30 UFRJ R$ 6,00 UFMG R$ 4,57 UFGD R$ 3,50 UFPR R$ 3,55 UNIFAP Almoço e jantar R$ 13,05 UFRRJ R$ 12,20 UNIPAMPA R$ 11,62 UFABC R$ 11,40 UFOB R$ 10,49 UFPE
Fonte: Elaboração própria.
Tabela 5 – Cinco menores preços cobrados pelas IFES no café da manhã, almoço e jantar para
servidores técnicos, docentes e terceirizados
Tipo de Refeição
Preços por IFES
Café da manha R$ 0,50 UFJF R$ 2,00 UFPEL R$ 2,50 UnB, UFBA, UNIRIO R$ 2,68 UNIFAL R$ 3,00 UNFEI Almoço e jantar R$ 1,25 UFPI R$ 1,40 UFJF R$ 1,50 UFRPE R$ 2,00 UFPA R$ 2,50 UnB, UFBA
Fonte: Elaboração própria.
O Gráfico 16, mostra os valores cobrados pelas Universidades, evidenciando a posição onde a UnB se encontra.
Gráfico 16 – Valores cobrados para os estudantes de graduação
Fonte: Elaboração própria. 0 2 4 6 8 10 12 14
UFSJ UFPI UFPA UFCA
UFMA UFJF UFES UFRPE UFRJ UnB UFBA
UFT
UFSM UFG UFPE UFOP UFOB UFMG UFAM UFGD
5 ANÁLISE DOS DADOS APRESENTADOS
Por meio das informações apresentadas nesse estudo, constatou-se alguns aspectos que podem ser melhor estudados pela alta Administração da Universidade, buscando meios alcançar o equilíbrio o sistema financeiro/econômico do Restaurante Universitário.
Dessa forma, seguem algumas considerações a respeito dessa pesquisa:
- O primeiro tópico a ser considerado será o de discriminação de preços – a quem
deveria se aplicar valor de R$ 2,50 cobrado por refeição (almoço e jantar)?. No grupo três, está servidor, o terceirizado e os alunos da pós graduação. É pertinente todos eles pagarem o mesmo valor?
- O segundo tópico a ser considerado é o não reajuste do valor de R$2,50.
- O terceiro tópico é o custo do contrato frente ao que as outras IFES pagam.
- O quarto tópico é a pertinência de servir todas as refeições a todos os grupos de
forma indiscriminada.
Em relação à primeira questão, a de discriminação de preços, no grupo três há cinco tipos de consumidores: alunos de graduação, pós-graduação, servidores, professores e terceirizados. O consumidor servidor (professor ou técnico administrativo) e o terceirizado, como já mencionado no texto, recebem auxílio alimentação. No caso do servidor, ele recebe um valor no contracheque de R$ 458,00 por mês e no caso do terceirizado, ele recebe R$ 649,00 por mês repassado pela empresa contratada, significando que eles podem arcar com o valor integral da refeição.
Já os alunos da pós-graduação, que possuem uma graduação, uma formação, uma profissão, precisam realmente ser subsidiados se não participarem do programa de assistência? Os alunos que precisam de subsídios são aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade sócio- econômica, devendo ser devidamente comprovado essa necessidade.
Ocorre, que a Universidade subsidia para ambos os casos a diferença cobrada pela Empresa Sanoli, por refeição, ou seja, em torno de R$ 12,50 de subsídio por refeição, no jantar e no almoço e uma diferença em torno de R$ 7,20 no café da manhã.
Partindo dessas informações, considera-se que o subsídio deve existir para quem precisa, e para quem não precisa ele deve ser eliminado, considerando que no caso de terceirizados e servidores acaba sendo um duplo benefício, conforme já relatado através nesse trabalho. Essa forma de distribuição acaba por beneficiar quem não precisa ao invés de beneficiar um número maior de alunos de graduação que precisam desse aporte, e não contribui para manutenção do equilíbrio econômico.
Em relação ao segundo tópico, sequer se conseguiu documentação referente ao último reajuste. Conforme relato de servidores mais antigos, o valor de R$ 2,50 está sendo cobrado desde 1994, com a chegada do plano real.
Esse valor não está condizente com a realidade atual. De 1994 para 2017, passaram-se mais de 23 anos. A economia mudou, os valores incidentes na alimentação também mudaram. Tudo está
mais caro. O custo de vida em Brasília é o terceiro mais caro no País. E de acordo com a correção pelo IGP-M (FGV), o valor de R$ 2,50 atualizado, seria de R$ 15,31.
O reajuste de preço é uma forma de reequilíbrio econômico-financeiro pela defasagem de preço. Seria uma das soluções reais para adequar a realidade da Universidade ao custo da refeição. Esse aumento pode acontecer de forma gradual, a cada três meses, para que a comunidade possa se adequar ao aumento.
Em relação ao terceiro tópico, ou seja, os valores do contrato vigente, deve-se observa que nesse ano de 2017, a Universidade sofreu um corte de 40% no seu orçamento. O valor recebido por ela, não arca com todas as despesas até o final do ano. O contrato com a Empresa Sanoli deve ser revisto e reajustado.
Há uma diferença muito grande entre o valor obtido com a venda dos tíquetes e o valor do custo com a manutenção do restaurante.
O valor cobrado por refeição, tem o mais alto custo do País, dentre as 43 IFES estudadas. O que faz com que o contrato celebrado entre a UnB e a Empresa Sanoli possua esse desnível tão grande em relação às outras instituições.
Já em relação ao quarto tópico, o fornecimento de todos os tipos de refeição a todos os grupos, foi observado também, que o grupo que mais consome o café da manha é o da assistência estudantil. Uma observação interessante, a exemplo de algumas Universidades, seria oferecer essa refeição somente aos alunos que fazem parte do programa de assistência estudantil, com o objetivo de baixar os valores que são repassados pela Instituição e também não abrir em alguns dias específicos, como sábados, domingos e feriados.
O intuito desse estudo, é pensar em uma maneira de equilibrar o sistema de contas. É pensar em um sistema que permita subsidiar aqueles que precisam sem afetar a sustentabilidade de todo sistema. É pensar em um nível de equilíbrio nas finanças públicas, em que as receitas são iguais aos gastos, de modo que a Universidade tenha que interferir o mínimo possível no equilíbrio econômico.
6 CONCLUSÃO
Este trabalho teve como objetivo principal estudar a eficiência econômica do contrato da terceirização do Restaurante Universitário da Universidade de Brasília, enfatizando os custos, receitas e subsídios implícitos em tal sistema e as consequências financeiras para a Universidade. Dessa forma, buscou–se discutir o sistema do ponto de vista econômico e financeiro, de uma perspectiva de eficiência e de custo-benefício, e de uma perspectiva de política pública assistencial (com possível viés de equidade) por seu caráter de subsídio à população universitária.
Ao analisar o contrato com a Sanoli comparado à assimetria de informações, conclui-se que a Sanoli sempre receberá o valor estipulado no contrato, independentemente de sua performance. Não há como identificar o lucro e o custo real obtido pela empresa, ou saber se ela é eficiente ou não. As informações disponíveis são aquelas repassadas pela própria empresa, logo, ela não tem incentivo para ser eficiente de modo que não é um bom contrato para a UnB. Existe um claro conflito de interesse, sendo a UnB a principal, aquela que delegou o serviço, e o agente a Sanoli. O ideal é minimizar o custo de verdade.
Essa discriminação de preço tem que ocorrer de acordo com a elasticidade de cada grupo, de acordo com a proposição clássica da economia. Para quem não tem assistência deve haver um subsídio mas nem todos possuem a mesma situação econômica, está ocorrendo favorecimento de um grupo em detrimento ao outro. A assistência está ocorrendo de forma implícita porque a Universidade não tem uma política clara de assistência estudantil.
Assim, diante dos dados analisados, pôde constatar que hoje a Universidade subsidia uma parcela muito grande da comunidade acadêmica, fazendo com que o subsídio repassado pela Universidade, no ano de 2016, chegou perto dos 20 milhões de reais.
Conclui-se com a pesquisa que o valor de R$ 2,50 que atualmente é cobrado pelo RU, está defasado, merecendo com que seja revisto, afim de se adequar à realidade orçamentária, financeira e econômica do País. Além disso, sugerimos uma revisão do atual contrato de concessão do RU, pois os valores cobrados por refeição estão em um nível muito alto, chegando a ser o mais caro do Brasil. Se destaca também a possibilidade do fechamento do RU em alguns períodos específicos (feriados, sábados e domingos como também no café da manhã) por atingir a uma parcela muito pequena da comunidade acadêmica.
Além do mais, a pesquisa evidencia que a política do RU proporciona ao grupo III, que é composto por servidores, terceirizados e estudantes da pós-graduação, um duplo benefício, tendo a Universidade que arcar com a diferença de custo significativo dentro do orçamento recebido anualmente.
Nisto nota-se que o RU fornece refeição bem abaixo do custo, balanceada e saudável à comunidade da Universidade de Brasília, visando apoiar o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão, minimizando a evasão e favorecendo a diplomação, e tem contribuído, de forma importante, no desenvolvimento da educação que é o propulsor do desenvolvimento econômico do
país e da região Centro-Oeste como um todo, no entanto gera aos cofres públicos um dispêndio além do que se pode arcar.
Contudo, estudos futuros que buscam analisar o retorno financeiro de um novo contrato, bem como de um aumento escalonado de valor cobrado por refeição poderão contribuir ainda mais com o trabalho em questão, visto que neste estudo. Por fim, o estudo pode corroborar com futuras discussões da Universidade em relação às melhorias na gestão universitária e na construção de políticas públicas direcionadas à comunidade acadêmica da universidade.
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