Ao analisar a estrutura organizacional verificou-se na entrevista com a gestora, que é jornalista de formação e pós-graduada em gestão pública e em comunicação pública; que o setor de comunicação da ALRN tem, atualmente, 24 funcionários, os quais ocupam as seguintes funções: 1 diretora - 1 chefe de gabinete - 2 coordenadores - 4 assessores de imprensa - 2 administrativo - 3 fotógrafos - 3 publicitárias - 8 repórteres; esses servidores estão distribuídos em dois turnos (manhã e tarde). É relevante destacar que ao ser questionada a respeito do organograma do setor, o mesmo não foi elaborado, mas destacou que as funções são bem definidas.
A entrevistada explicou que trabalha no setor há 5 anos, e que o modelo adotado nos dias de hoje atua “de forma integrada com comunicação interna; reuniões; relatórios diários de atividade e mensuração de resultados através do
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clipping impresso, online e das mídias TV e rádio”. Salientou ainda, que utilizam os “dados do site e das redes sociais e pesquisas internas juntos aos setores, ou seja, o endomarketing”. Esses aspectos são relevantes, uma vez que se percebe a integração com toda a ALRN, não funcionando separadamente.
Ainda na entrevista, buscou-se entender se o setor apresenta uma política de comunicação para nortear as atividades. A gestora afirmou que sim, e indagou que “a cada semestre é montado um planejamento para o setor com avaliação do semestre anterior e perspectivas para os próximos meses/anos”. Essa afirmativa expressa o desenvolvimento do planejamento das atividades do setor, fazendo com que se possa avaliar seus pontos fortes e fracos, como também, as oportunidades e ameaças (matriz SWOT).
Na sequência a gestora esclareceu como funciona a política de comunicação adotada ao dizer que “é feito um planejamento descrito em detalhes e apresentado a presidência da Casa sobre a viabilidade técnica e financeira; além dos temas das campanhas também terem relação com a atuação parlamentar”.
Diante do exposto, cabe dizer que a comunicação pública, bem como, as instituições públicas têm o dever de informar, escutar, considerar a relação social com os cidadãos, estabelecer diálogos, promover o debate público e a prestação de serviços, estabelecendo-se como um espaço de discussão pública e tomada de decisões (NOVELLI, 2012). Assim, a comunicação pública deve agir de acordo com necessidades e interesses dos cidadãos e não o contrário (2007).
Ainda definindo conceito de comunicação pública, Duarte fala sobre a interação entre os interlocutores do processo comunicativo. Duarte (2007) pondera que a comunicação pública envolve a possibilidade do cidadão obter informação, de opinar em relação aos assuntos políticos de ter garantia de que sua ideia será ouvida, prevalecendo um processo em que as opiniões divergentes são expostas com respeito e haja estímulo a participação de todos.
Para possibilitar a delimitação da coleta de dados, a análise e interpretação objetiva, foi extraída da literatura da comunicação pública os quatro eixos centrais preconizados por Duarte (2007) que permitem à comunicação de interesse público ocorrer de forma a viabilizar a cidadania: a Transparência, o Acesso, a Interação e a Ouvidoria Social. Resultou-se no quadro de categorização dos estudos selecionados, conforme mostra o Quadro 06.
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Quadro 06 – Categorias analisadas segundo os eixos propostos
Categorias Resumo
Transparência Trata dos meios de comunicação que ofertam informações sobre a Política Pública ou programas a ela associados ou discute a incorporação de valores éticos pelos agentes públicos envolvidos com a Política Pública ou programas a ela associados a partir da perspectiva da comunicação utilizada.
Acesso Apresenta as facilidades ou dificuldades em acesso à informação sobre a Política Pública ou programas a ela associados por conta de questões como, linguagem, barreiras criadas pelos agentes/organizações públicas, etc. Bem como discute a facilidade ou não do acesso à informação especificamente pelos meios técnicos usados (Tecnologias da Informação e Comunicação – TICS).
Interação Trata da criação, manutenção e fortalecimento de instrumentos de comunicação que são usados para facilitar o diálogo entre os envolvidos na Política Pública ou programas a ela associados.
Ouvidoria Social Avalia os meios de comunicação utilizados para conhecer e compreender a opinião pública e os diversos segmentos sociais ligados à Política Pública ou programas a ela associados. Também busca analisar a adoção das proposições da sociedade que foram elencadas através de canais de comunicação utilizados no âmbito da Política Pública.
Fonte: Duarte (2007).
A análise detalhada dos dados sob a luz do conhecimento teórico exposto na revisão bibliográfica permitiu a identificação de lacunas existentes no modelo atual do Setor de Comunicação da Assembleia Legislativa quanto à abordagem dos eixos centrais para a comunicação de interesse público: a Transparência, o Acesso, a Interação e a Ouvidoria Social (DUARTE, 2007). Na busca pela identificação do modelo atual de gestão delimitado ao Setor de Comunicação da ALRN, fez-se uma análise cruzando-a com os quatro eixos definidos por Duarte (2007), obtendo o resultado demonstrado no Quadro 07.
Quadro 07 – Resultados do Modelo Atual de Gestão
Eixo Fragilidade Potencialidades
Transparência - Não possui organograma;
- Não tem atribuições dos profissionais definidas;
- Não apresenta relatório de gastos com publicidade.
- Equipe multidisciplinar e numerosa apta a trabalhar o avanço deste item.
Acesso - Portal repleto de recursos tecnológicos, mas não apresenta todas as informações com facilidade.
- Equipe de TI completa para estruturar mudanças que ampliem a transparência.
Interação - Baixo índice de interação;
- Poucos canais de interação, com exceção das redes sociais.
- Número expressivo de seguidores nos perfis das redes sociais, podendo ampliar interação.
Ouvidoria Social - Não existe Ouvidoria. - Proposta de criação de Ouvidoria em curso, permitindo a participação da sociedade.
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Sendo assim, o modelo atual de gestão do Setor de Comunicação da ALRN, ainda que eficiente do ponto de vista da comunicação pública, da publicidade de boa qualidade e de uma assessoria de imprensa proativa, apresenta falhas consideráveis quando confrontado pelos eixos de Duarte (2007).