4. Est-ce la fin des chocs économiques?
4.2. Chocs liés aux prix des actifs
Crianças
Diversos autores na área da fisioterapia em pediatria recomendam a utilização dos jogos e das brincadeiras. O acerto da proposição pode ser observada na prática clínica, nos diversos contextos em que ocorrem os atendimentos. Ratliffe (2000) ressalta que os brinquedos e os jogos são componentes essenciais no atendimento de crianças, e que a sua utilização de maneira correta torna a fisioterapia eficaz. As recomendações sobre a utilização do lúdico nos atendimentos fisioterapêuticos apontam para a necessidade de participação e motivação, da criação de um contexto para os movimentos solicitados, da interação entre o fisioterapeuta e a criança, do favorecimento do desenvolvimento global, ou também, como uma estratégia para evitar o choro durante a execução dos procedimentos. Mitre (2000) relata que um importante aspecto da brincadeira é a possibilidade da criança adoecida deparar-se novamente com as suas potencialidades.
Segundo Burns e Macdonald (1999), o brincar deve ser utilizado, ao máximo, em todos os procedimentos fisioterapêuticos, como uma estratégia útil para incentivar a participação da criança para realizar as atividades desejadas. Vale destacar que, quando as atividades lúdicas são dirigidas pelo adulto com o objetivo de promover e potencializar a aprendizagem, surge a dimensão educativa (KISHIMOTO, 1995). Dessa forma, os jogos e as brincadeiras podem estar presentes tanto na avaliação, quanto nos atendimentos fisioterapêuticos.
Gusman e Torre (1998) recomendam que durante a avaliação sejam realizadas brincadeiras e haja um ambiente estimulante, que desperte o movimento e a locomoção na criança, sem a necessidade do fisioterapeuta manuseá-la. Assim, será possível observar o seu comportamento motor espontâneo, visto que a própria escolha de brinquedos e das atividades desenvolvidas terão importância no conhecimento da criança. Bomtempo (2000) salienta que, quando se quer conhecer bem uma criança, devem-se conhecer seus brinquedos e suas brincadeiras. Weber e Easley-Rosenberg (2001) alertam para o fato de que, quando realizada em um ambiente não natural, por examinador desconhecido, sem itens funcionais, e carência na identificação do estilo de aprendizagem e das diversas habilidades da criança, a avaliação irá proporcionar uma representação inadequada da criança. A observação da criança deve ser realizada em ambiente que estimule a exploração e a brincadeira, permitindo, assim, que os dados obtidos por meio da avaliação clínica (amplitude de movimento, palpação, inspeção, e outros), possam ser enriquecidos (WEBER E EASLEY-ROSENBERG, 2001).
No planejamento do programa terapêutico, o fisioterapeuta deve incluir o objetivo de instrumentalizar a criança para que ela possa interagir e brincar, seja com o adulto que cuida, seja com outra criança. A esse respeito, Shepherd (1995, p. 7) refere que “a fisioterapia deve oferecer à criança deficiente condições para ela conhecer o mundo e dele participar de forma ativa”. Levitt (2001) inclui nos objetivos da intervenção fisioterapêutica, o desenvolvimento de habilidades para que seja possível brincar e participar de atividades recreacionais, uma vez que a criança aprende a função motora com essa finalidade, além da necessidade de independência e interação com pessoas e objetos.
Finnie (1980) faz sugestões sobre como é possível facilitar o brincar da criança com déficit motor, como, por exemplo: observar as dificuldades e orientar posições mais estáveis e que favoreçam a coordenação olho-mão; indicar posicionadores e adaptações que promovam melhora da função motora; auxiliar a criança na conscientização de suas mãos, pois é um requisito para a sua utilização; orientar a escolha dos brinquedos disponíveis para a criança em casa; fazer adaptações em brinquedos para tornar possível o seu manuseio; e propor atividades lúdicas para os pais realizarem com a sua criança.
Durante os atendimentos, a presença de jogos e brincadeiras deve ocorrer, mas sempre vinculada a objetivos terapêuticos e de maneira intencional e planejada pelo fisioterapeuta. Fujisawa (2000) refere que a presença do lúdico na fisioterapia, caracteriza-se como uma atividade-meio, ou seja, um recurso que tem como finalidade facilitar ou conduzir aos objetivos estabelecidos. Entretanto, Friedman (1996) revela que os jogos e as brincadeiras são estratégias
metodológicas significativas e importantes, mas que não são os únicos caminhos existentes.
Toda atividade lúdica utilizada no atendimento deve ser intencional e planejada, porém isso não significa que os jogos e as brincadeiras decorrentes da interação entre fisioterapeuta e criança sejam apenas brincar, ao contrário, podem ser adaptados para o alcance de outros objetivos fisioterapêuticos. Também é preciso considerar que, mesmo que os jogos e as brincadeiras sejam planejados, muitas vezes, não é possível prever os rumos da atividade, já que dependem de fatores internos, de motivações pessoais e de estímulos externos e da conduta da criança (KISHIMOTO, 1995). O brincar ou a atividade lúdica sem relação com respostas motoras específicas pode estar presente no atendimento, quando o objetivo a ser alcançado é a busca de interação com a criança ou mesmo a interrupção do choro, o que ocorre com freqüência nos primeiros contatos com o fisioterapeuta. Portanto, o fisioterapeuta precisa ter sempre claro os seus objetivos com a criança, para que o lúdico seja um recurso terapêutico, mesmo em situações não previstas.
Diversos estudos têm reforçado a inclusão dos jogos e das brincadeiras no atendimento fisioterapêutico. A grande maioria deles relaciona o lúdico com a aprendizagem motora da criança. As crianças no seu dia-a-dia realizam tarefas que exigem desempenho motor e cognitivo simultâneos. Segundo Huang e Mercer (2001), os fatores cognitivos que mais interferem na performance motora são estimulação, atenção, memória, motivação e julgamento. Tais fatores cognitivos
podem ser suscitados mediante a inclusão de atividades lúdicas, por meio da realização de tarefas que envolvam ações intencionais da criança.
Connolly (2000) entende que o desenvolvimento motor é caracterizado por duas mudanças fundamentais: aumento de diversificação e de complexidade. Nesse sentido, Choshi (2000) sugere que as tarefas solicitadas às crianças na aprendizagem motora não sejam fixas, permitindo a introdução de modificações para que haja motivação e evolução no grau de dificuldade. Assim, os jogos e as brincadeiras propostos devem ser variáveis, considerando-se também o interesse, visto que Venguer (1986) relata que os motivos que originam uma atividade diferem de uma criança para outra.
Por outro lado, Pellegrini (2000) ressalta a importância da prática no aprendizado, caracterizada como atividade organizada que consiste na repetição de uma mesma tarefa ou ação motora, com o intuito de promover melhora na performance. Essa prática pode ser observada no trabalho pediátrico, quando a atividade proposta é motivadora para a criança, passando a ser solicitada e realizada diversas vezes, tendo como possibilidade a melhora na ação motora.
A introdução de tarefas concretas para o aprendizado motor na fisioterapia tem sido enfatizada por diversos autores, tais como Van der Weel, Van der Meer e Lee (1991), Burns e Macdonald (1999), Abbott et al. (2001), Thorpe e Valvano (2002), devido, principalmente, à contextualização e à intencionalidade do movimento executado pela criança.
A intencionalidade tem como base a criação de uma ação conseqüente, a exigência direta das coisas ou do meio circundante (VYGOTSKY, 1995b). Os movimentos realizados, decorrentes dos jogos e das brincadeiras, são intencionais e contextualizados, e não um movimento sem significado. Por exemplo, o movimento de extensão dos membros superiores para receber a bola é diferente da extensão como um exercício, pois a atividade de pegar a bola exige uma elevação dos braços simétrica, posicionamento na direção do objeto, controle postural, e fornece feedback do seu desempenho e a continuidade de movimentos para alcançar o objetivo da atividade; além disso, promove benefícios sociais e cognitivos.
Neste trabalho serão abordados apenas os jogos e as brincadeiras, apesar de Huizinga (1990, p. 41) abranger em ludus, “os jogos infantis, a recreação, as competições, as representações litúrgicas e teatrais e os jogos de azar”. Embora também existam várias conceituações e caracterizações de jogos e brincadeiras, inclusive a discussão de diferenças e especificidades, esses termos serão utilizados sem a preocupação de distinção e indicarão a manifestação do lúdico. A música e o cantar foram considerados como manifestação do lúdico somente nas situações de interação e associação com alguma outra atividade, como, por exemplo, o balançar no ritmo da canção. Quando o fisioterapeuta ou a criança cantavam isoladamente, enquanto algum procedimento específico era realizado não foi considerado como a manifestação do lúdico.
Quanto aos brinquedos, será considerado como suporte da brincadeira o estimulante material que faz fluir o imaginário infantil (KISHIMOTO, 1997b). Neste trabalho também não houve a preocupação de distinguir o jogo, enquanto material, do brinquedo.
3 MÉTODO
Em vista dos objetivos anteriormente propostos, foi realizado um estudo descritivo, uma vez que, segundo Triviños (1987), este tipo de estudo tem como propósito a descrição “exata” dos fatos e fenômenos de determinada realidade. Especificamente, os estudos descritivos denominados estudos de casos têm como objetivo a descrição aprofundada de determinada realidade (ANDRÉ, 1995). Dentre os vários tipos de estudo de caso, Bogdan e Biklen (1992) destacam o estudo de caso observacional, que enfoca uma organização específica ou algum aspecto da organização, tais como: local específico na organização, grupo de pessoas específicas e alguma atividade em particular. Assim, pode-se denominar o estudo descritivo realizado de estudo de caso observacional, visto que os participantes envolvidos na pesquisa eram estagiários do quarto ano do curso de graduação em Fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina, tendo sido o foco a utilização dos jogos e das brincadeiras no atendimento ambulatorial de crianças.
A seguir são apresentados: as características dos participantes, o contexto do estágio supervisionado, a descrição do ambiente físico, a relação dos materiais disponíveis, os procedimentos para as coletas de informações (I – observação sistemática e II – anotação da evolução do prontuário), e por último, o tratamento e a análise dos dados.