Para a identificação das respostas emitidas pelas professoras, adotamos como critério a numeração correspondente a cada professora participante. A partir das perguntas do questionário e dos discursos produzidos pelo GD, serão apresentadas as categorias e a análise de dados.
Classificamos as respostas obtidas através do Questionário como Q - P1 a Q - P21. Já para identificação das transcrições do GD, usamos a sigla GD – P1 a GD - P4, já que foram 4 professoras que participaram.
Para o tratamento e análise dos dados, levantaremos categorias de análise que nos conduzam a algumas evidências sobre o início da docência e sua prática pedagógica. Utilizaremos a Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2011), que consiste em um conjunto de técnicas que objetiva analisar as características das
mensagens, seu contexto ou significado, assim como a influência social expressa nas falas dos sujeitos.
Para a categorização dos dados coletados através do questionário, enfatizamos que as categorias não foram construídas a priori, mas emergiram de uma análise sistemática dos dados coletados. Utilizamos a Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2011), entendendo que a produção de conhecimento deve ser realizada de forma sistemática e rigorosa, assim como o referido método possibilita.
Bardin (2011, p. 37) define a Análise de Conteúdo como:
[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos a condições de produção/ recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.
Assim, pretendemos analisar o contexto das mensagens emitidas nos questionários, bem como as condições que induziram ou produziram as mensagens. Para tanto, a análise foi organizada em torno dos três polos indicados por Bardin (1977, p. 89): a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.
Na pré-análise, organizamos os dados coletados a partir dos documentos selecionados, que foram submetidos à análise e formulação de hipóteses, através do Questionário (Q) e as transcrições do GD em tabela, para posterior análise. Após a organização dos dados na tabela, realizamos a leitura flutuante, que permite conhecer o texto com profundidade, respeitando a regra da exaustividade proposta pela Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011). Assim, a leitura foi realizada de forma a esgotar as representações do texto.
Após a pré-análise, foi possível “apreender as ligações entre as diferentes variáveis” (BARDIN, 2011, p. 93), facilitando, assim, a construção das hipóteses. Dessa forma, os recortes do texto emergiram e possibilitaram a categorização dos dados.
Já a exploração do material consiste na decodificação das mensagens emitidas através da organização dos dados. A codificação é a transformação dos dados do texto “por recorte, agregação e enumeração” (BARDIN, 2011, p. 97), que permite a representação do conteúdo. Assim, os dados organizados em unidades permitiram a descrição das características presentes no conteúdo do texto.
Emergiram como unidade de registro as seguintes palavras: formação inicial, clima, prática pedagógica, dificuldades, alunos inclusos e planejamento do professor. Como pontua Bardin (2011, p. 98), “todas as palavras do texto podem ser levadas em consideração”, transformando-se em palavras-chave. Outro fator preponderante para obtenção das palavras-chave foi a frequência que tais palavras apareciam. Assim, entendemos que “a importância de uma unidade de registro aumenta com a frequência” (BARDIN, 2011, p. 102) em que aparece no texto.
Diante das unidades de registro levantadas, iniciamos o processo de análise qualitativa dos dados obtidos. Para Bardin (2011, p. 108), a análise qualitativa corresponde a um processo intuitivo e maleável, ou seja, adaptável a questões não previstas.
A análise qualitativa das unidades de registro permitiu a divisão dos “componentes das mensagens” (BARDIN, 2011, p. 111), que a autora nomeia de categorização. Assim, as categorias de análise “são rubricas ou classes, que reúnem um grupo de elementos (unidades de registro) sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão dos caracteres comuns” (BARDIN, 2011, p. 111) dos elementos que emergem dos dados coletados. A utilização da Análise de Conteúdo propostas por Bardin (2011) permitiu que chegássemos às categorias apresentadas no Quadro 2, a seguir.
Categorias Subcategorias
1 – A chegada na escola Como foi a recepção.
Organização e distribuição das turmas. Dificuldades encontradas.
2 – Clima da escola A organização da escola.
Dificuldades encontradas no relacionamento com o coletivo da escola.
3 – Prática pedagógica Organização do espaço e do tempo em sala de aula. O planejamento e o currículo.
Alunos inclusos e a organização da prática.
Comportamentos incorporados na prática pedagógica.
4 – A formação permanente dos professores iniciantes
A busca por formação continuada fora e dentro da escola. Fragilidades e contribuição quanto ao apoio da equipe pedagógica.
5 – A formação inicial projetada na prática das professoras
iniciantes
6 – Ser professora: as imagens da profissão
Quadro 2 – Categorias e subcategorias que permeiam a prática pedagógica das professoras iniciantes Fonte: Questionário e Grupo de Discussão (GD) aplicados pela autora
Entendemos que a classificação dos elementos em categorias necessita de análise individual, mas também investigação da relação existente entre elas. Por fim, o último polo indicado por Bardin (2011) consiste no tratamento dos resultados obtidos e sua interpretação.
Convém ressaltarmos que as categorias apresentadas no Quadro 2 não foram selecionadas a priori, mas emergiram como resultado de uma classificação progressiva dos elementos, no agrupamento e reagrupamento de categorias (BARDIN, 2011).
Ao relatarem sobre as dificuldades encontradas e na organização de suas práticas, as professoras revelam como constroem a aprendizagem da docência, como lidam com as experiências, os saberes e as relações interpessoais, enfim, como efetivam sua prática pedagógica.