3.9 Analysis of Several Random Times
4.2.3 Change of a probability measure
Já citado anteriormente um dos objectivos deste trabalho é entender de que forma o conhecimento e o discurso produzido pelo Capital Humano das Universidades do Espaço Lusófono determinam, e são determinados, os programas de mobilidade e cooperação num espaço em construção. O outro dos nossos objectivos é perceber como é que esse corpo de conhecimentos condiciona, e até que ponto, a autonomia académica e a mobilidade deste Capital dentro de toda uma dinâmica organizacional da Universidade. Ainda com base neste corpo de conhecimento e discursos produzidos pelo Capital Humano existente nas Universidades do Espaço Lusófono pretendemos perceber como é que estes são, ou não, delimitativos de territórios sejam eles académicos, económicos, sociais ou culturais.
Pretendemos, também, perceber de que forma é que este corpo de saberes transmitidos pela Universidade se transforma em retornos para o Capital Humano, retornos directos e indirectos.
O último objectivo deste trabalho é tentar demonstrar como é que através de um espaço de mobilidade e cooperação internacional entre Universidades é possível contribuir para afirmar uma posição de Geocentralidade de Portugal no contexto global.
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(58) Conforme descrição na página https://www.webqda.com/webqda/apresentação, em Agosto de 2013.
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Este objectivo está directamente relacionado com o conceito de Capital social, pois o que tentaremos demonstrar é como que através da formação do Capital Humano se criam importantes redes de partilha de diversos valores bem como de contactos. São estas redes, entre outros aspectos, que compõe o Capital Social e que tornam possível a construção de um espaço de Geocentralidade académica em contexto internacional (Cf. Introdução).
Assim, o nosso objecto de estudo assenta na mobilidade do Capital Humano das Universidades públicas dentro do Espaço Lusófono e na sua interacção com o Capital social. O nosso objecto empírico é a Universidade pública do Espaço Lusófono, de onde escolhemos apenas uma que funcionou como estudo de caso.
O ponto de partida para este modelo de análise foi saber como é que este corpo de saberes, conhecimentos e discursos, se transforma num corpo de poderes e até que ponto a posse de determinados conhecimentos e práticas, possibilita a este capital garantir o retorno do conhecimento e pratica adquiridos, não só retorno privado como garantir um retorno social, isto é, um retorno para a sociedade, externalidade, em particular para a sociedade lusófona. A questão dos retornos associados ao Capital Humano envolvidos na mobilidade dentro do Espaço Lusófono e através dos Programas de Cooperação e Mobilidade das Universidades Lusófonos foram o cerne desta investigação.
Sugerimos que os conceitos de Capital Humano e social estão interligados, pois é justamente a necessidade de formação do Capital Humano que incentiva a criação de determinados laços associados ao Capital social, nomeadamente da criação de redes e de pontos de contacto.
Apoiados numa perspectiva sociológica destacamos a coesão social como central nesta investigação, pois cremos que o Capital social gerado servirá não só para a construção de um espaço de Geocentralidade académica devido ao potencial das suas redes complexas, como será uma âncora para o Capital Humano do futuro.
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Neste ponto mencionamos as questões de partida que nos orientaram no início deste trabalho bem o respetivo modelo de análise. Assim, as questões de partida são: (i) Existe algum tipo de autonomia académica nos programas de Cooperação e Mobilidade dentro do Espaço Lusófono? (ii) A autonomia é total ou parcial? (iii) Que factores condicionam a construção do Espaço da Universidade dentro do Espaço Lusófono? (iv) Que retornos advêm da Cooperação e da Mobilidade, para a Universidade? (v) Quais os retornos para o Capital Humano (alunos, professores, investigadores)? (vi) Quais os retornos para o desenvolvimento local, regional ou do Espaço Lusófono? (vii) Existem retornos para a Lusofonia? (vii) É possível falar de uma Geocentralidade académica, ainda que lusófona? (viii) Será descabido criar uma rede de Universidades do Espaço Lusófono? (ix) O que traz o Capital social a este contexto? (Cf. Problemática e Questões de Investigação).
Com base nestas questões elaborámos as seguintes questões de investigação:
Questão 1: Será que os saberes, práticas e discursos académicos que estão na base da construção do Espaço da Universidade dentro do Espaço Lusófono e da sua respetiva autonomia académica condicionam, através da delimitação de espaços da Universidade e, respetivas, fronteiras académicas, o seu próprio desempenho académico e de investigação?
Questão 2: Será que os saberes, práticas e discursos académicos que estão na base da construção do Espaço da Universidade dentro do Espaço Lusófono e da sua respetiva autonomia académica condicionam, através da delimitação de espaços e fronteiras, o seu próprio desempenho ao nível da investigação e produção de conhecimento científico?
Questão 3: Será que os saberes, práticas e discursos académicos que estão na base da construção do Espaço da Universidade dentro do Espaço Lusófono promovem retornos directos e indirectos, sociais, económicos e culturais. Até que ponto esses retornos promovem o desenvolvimento do Capital Humano? E da Universidade?
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Questão 4: Será que os saberes, práticas e discursos académicos que estão na base da construção do Espaço da Universidade dentro do Espaço Lusófono promovem retornos directos e indirectos, sociais, económicos e culturais. Será que esses retornos promovem não só o desenvolvimento do Capital Humano como da própria Lusofonia?
Questão 5: Será que os saberes, práticas e discursos académicos que estão na base da construção do Espaço da Universidade dentro do Espaço Lusófono promovem, de certa forma, uma Geocentralidade académica?
Questão 6: De acordo com os saberes e práticas, da Universidade, partilhados pelos programas de mobilidade e cooperação internacional entre Universidades do Espaço Lusófono, seria possível criar uma rede das Universidades do Espaço Lusófono?
Com base no quadro teórico, que orientou esta investigação, surgiram as hipóteses anteriormente citadas que traduzem uma problemática inerente a um conhecimento teórico e prático baseado no domínio de determinados saberes transmitidos pela Instituição Universidade. Assim, na construção do Espaço da Universidade dentro do Espaço Lusófono assume-se como uma estratégia de poder no que toca à autonomia e delimitação de territórios académicos e de investigação.
A complexidade de estratégias associadas a esta problemática justifica a escolha da unidade social de análise, a Universidade, onde estão presentes os saberes, as tecnologias e as práticas de cariz técnico dominadas apenas por alguns indivíduos, que se assumem como Experts, dentro do contexto académico, tendo em conta os seus conhecimentos específicos.
Neste modelo pretendemos privilegiar a análise das relações estabelecidas entre os actores das Universidades estudadas, bem como as interacções dos mesmos com o seu corpo de saberes e práticas envolvidas na construção da sua profissão académica/investigação bem como da sua autonomia. Tendo em conta as hipóteses colocadas, esta investigação parte do princípio, de acordo com a observação, que existe um corpo de saberes, conhecimentos e práticas, que pertencem a estes académicos, os quais se
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expressam no dia-a-dia na Universidade. Pretendemos perceber como é que o domínio desses mesmos saberes desenha o espaço académico e de investigação destes académicos.
Nesta investigação fizemos a caracterização da Instituição Universidade e foram privilegiados alguns aspectos, simbólicos, relacionados com o espaço e com o tempo bem como o modelo de organização da Escola.
As questões colocadas remeteram-nos para um modelo de análise assente em várias dimensões, a dimensão da caracterização da Instituição Universidade e do respetivo modelo de organização académica, a dimensão baseada nas relações interpessoais, competências e as estratégias utilizadas, a dimensão da autonomia académica, a dimensão socioeconómica e a dimensão cultural.
Na dimensão acerca das relações interpessoais, competências e estratégias é importante salientar que o domínio do corpo de saberes e práticas está relacionado com o espaço profissional dos diferentes grupos profissionais presentes, docentes e não docentes, bem como dos limites desse mesmo espaço. No entanto, importa referir que não é só os saberes e as práticas que estão envolvidas neste processo também a tecnologia que está presente, encontram-se também presentes diversos esquemas de diferenciação do corpo de saberes, a partir do domínio de uma parte muito particular do corpo de saberes ou da própria tecnologia utilizada.
A referida dimensão dá conta dos mecanismos, sejam eles estratégias académicas e de investigação ou simplesmente estratégias decorrentes dos frutos das relações interpessoais, que os académicos utilizam de forma a tirar maior partido dos programas de mobilidade e cooperação, seja no âmbito da sua carreira como docentes, no âmbito da sua carreira como Diplomados ou no âmbito da própria investigação científica e produção de conhecimento.
Na dimensão da autonomia, onde foi importante analisar a origem do corpo de saberes académicos bem como de que forma é que estes estão presentes no seu dia-a-dia académico e na construção dos seus discursos. Nesta dimensão foi analisado os momentos de autonomia destes académicos,
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onde e como se manifesta, quais as estratégias utilizadas no complexo processo de diferenciação intra e inter tendo como referencia a área do conhecimento, sobretudo em questões ligadas à investigação e produção de conhecimento científico.
Consideramos que a questão anteriormente citada é importante pois julgamos estar directamente relacionada com a opção por diferentes programas de mobilidade e cooperação, logo directamente relacionado com o Espaço que a Universidade irá ocupar, neste caso, em contexto Lusófono.
A dimensão socioeconómica, propriamente dita, é onde se trata dos retornos directos e indirectos para o Capital Humano. É nesta dimensão que abordámos a questão das externalidades e de que formas estas externalidades são passíveis de ser a base de um desenvolvimento. Esta dimensão remete- nos para as potencialidades da mobilidade do Capital Humano no que diz respeito à partilha de saberes e práticas académicas e de produção de conhecimento científico.
Esta dimensão remete-nos, ainda, para os poderes do Capital Humano, isto é, bastante interligada com a dimensão anterior da autonomia, nesta dimensão podemos analisar de que forma é que a Universidade através do seu Capital Humano consegue construir e manter o seu espaço dentro do Espaço Lusófono, tendo em conta os retornos directos e indirectos sobre esse mesmo Capital.
Por fim, a dimensão cultural. Nesta dimensão analisámos de que forma a mobilidade do Capital Humano afeta e/ou transforma a Lusofonia e vice- versa, de que forma os diversos aspectos da Lusofonia afetam e/ou transformam o próprio Capital Humano.
Este modelo analítico está também, em parte, assente na análise de dados quantitativos que nos remetem através das questões formuladas para as dimensões socioeconómica e cultural, em particular, dos alunos que frequentam ou frequentaram os programas de mobilidade e cooperação. Assim, temos uma análise quantitativa que nos permite estabelecer correlações entre diversas variáveis socioeconómicas e culturais e que auxiliam na
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compreensão deste fenómeno. Já a análise qualitativa através da decomposição dos discursos produzidos consegue dar-nos conta do quão complexo e diversificado, ao nível social, económico, académico e cultural, podem ser os programas de mobilidade e cooperação bem como uma série de valores a eles inerentes.
O que norteia todo este modelo analítico, e é transversal a todo o modelo, é o conceito de Capital social, pois é em torno de pontos de contacto e redes que se torna possível transformar o Capital Humano e estabelecer as correlações acima referidas bem como, embora de forma complexa, construir um espaço georreferenciado academicamente.