Desde a sua origem que o conceito Lusofonia tem levantado grande controvérsia. Trata-se de uma ideia complexa e de difícil definição. Se para uns o Espaço Lusófono é visto como uma zona de intercâmbio entre povos, diversos, mas com uma cultura e língua que estão na base da construção da própria identidade Lusófona, para outros não passa de um conceito eurocêntrico.
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Falar de Lusofonia é falar, inevitavelmente, nas ex-colónias portuguesas que devido a diversas questões sociais, económicas, políticas e até culturais apresentam uma dada complexidade e singularidade entre si, no entanto um dos elementos comuns a estudar é, sem dúvida a Língua Portuguesa.
Desta forma entendemos que o conceito de Lusofonia engloba diferentes realidades pois o Espaço Lusófono é heterogéneo, sobretudo em questões culturais. Importa referenciar que quando abordamos o conceito de Lusofonia na Guiné-Bissau ou em Portugal, como já foi dito, algumas dimensões do conceito são ajustáveis ao contexto de cada país, pois é necessário nunca perder de vista a realidade socioeconómica, política e cultural de cada país da Lusofonia.
A Lusofonia, no nosso entender, deve entender-se como um espaço de diversidade cultural. O “mosaico mágico” de que alguns autores falam remetem-nos para a imagem do colectivo lusófono, onde do ponto de vista simbólico existe uma herança partilhada e onde se perspectiva um caminho percorrido e outro ainda para ser percorrido e partilhado.
Consideramos que a Lusofonia se caracteriza pela sua interdisciplinaridade e, em contexto universitário, é representada por todos nós, alunos, docentes, investigadores através de um discurso interdisciplinar.
A Lusofonia é também um conceito linguístico cuja aplicação advém em diferentes âmbitos e pode ser compreendida como um “conjunto de identidades culturais existentes em países falantes da Língua Portuguesa” (Evans, Kristensen, Uz e Beiroa cit in Oliveira, 2011: 55).
A Lusofonia tem de ser contextualizada com a realidade de cada país pois esta não é apenas um conceito linguístico, mas é também um conceito com uma dimensão social, política, cultural e ideológica. Eduardo Lourenço citado por Verónica Oliveira (2011) compreendeu a Lusofonia como a construção de um espaço de união e de fortalecimento da língua e Cultura Lusófona, como forma de resistência às forças homogeneizadoras: Defendeu o espaço da língua como a melhor forma de resistir melhor à pressão de outros espaços linguísticos.
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Em contraponto o autor Adriano Freixoto citado por Verónica Oliveira (2011: 59-63) defende que a Comunidade Lusófona é uma reinvenção do velho sonho imperial português, assim é importante apenas para os portugueses e não para os restantes povos lusófonos. Nos anos 80, alguns quadrantes em Portugal começaram a estruturar o discurso legitimador da Lusofonia voltou a incentivar a “velha política atlântica”: Depois de uma década o Estado português articulou o retorno daquela velha política do atlântico, sempre tão marcante na história do país, procurando uma aproximação com as suas ex- colónias espalhadas pelos cinco continentes, a partir do discurso da “herança cultural comum”.
Importa desmistificar a ideia de que a Lusofonia estará associada a qualquer Neo-Golonialismo, fazendo reviver os “fantasmas” do colonialismo ainda existentes nas ex-colónias, onde se vê na Lusofonia uma espécie de Império Colonial Português do século XXI através de uma releitura do luso- tropicalismo de Gilberto Freyre, que fundamentou ideologicamente a dominação colonial portuguesa durante o Estado Novo:
“No espaço intercultural lusófono coexistem pessoas diferentes, portadoras de diferentes culturas, mas que mutuamente reconhecem o seu direito de viver com uma língua comum, que é o lugar de onde se vê o mundo e em que se traçam os limites do pensar e agir, criando uma relação potencial de comunicabilidade, acúmulo de conhecimento e principal veículo da cultura” (Oliveira, 2011: 67).
Entendemos o conceito de Lusofonia não como um conceito de base neocolonialista mas um conceito cuja construção resulta da vontade comum de união de todos os espaços envolvidos. Neste conceito cabem várias dimensões, assim: a dimensão politica através da definição de espaços políticos, a dimensão cultural através dos diversos valores culturais, onde poderemos incluir a nossa história em comum, e a dimensão social onde podemos enquadrar a Língua Portuguesa como elo de ligação ou como um elemento da identidade social de cada um.
É de salientar que este bloco de países independentes se une de livre vontade em torno de traços comuns da sua história e de interesses comuns
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mais actuais, sobressai a sua dimensão geográfica, pois este bloco caracteriza- se por um descontínuo geográfico. Descontinuo este que toca quatro dos cinco continentes tornando o Espaço Lusófono num bloco onde o Atlântico, para além dos continentes, assume um papel determinante. O Oceano Atlântico que desde o século XV tem um papel determinante na Historia do Espaço Lusófono pois se inicialmente permitiu a expansão marítima e a “descoberta” de novos mundos e se mais tarde foi fundamental para a manutenção do Império Colonial Português tal e qual como o conhecemos, já nos dias hoje o Atlântico simboliza a ligação entre os países deste bloco visto que representa o laço que fortalece a ligação entre todos os países envolvidos.
O bloco anteriormente citado fortalece as relações entre todos os países membros, por exemplo do ponto de vista económico, poderia impulsionar o Espaço Lusófono como um elo de intermediação com os diversos grupos económicos a que os seus membros pertencem. No plano político-estratégico, a CPLP, no fundo o bloco a que nos referimos, poderia ter um papel fundamental no que diz respeito à segurança do Atlântico Sul, pois na actualidade as questões económicas dividem o espaço internacional com as questões de cariz político e de segurança. É importante que todos os países que constituem a CPLP construam uma política externa de forma a optimizar os seus recursos e o facto de estarem na Comunidade bem como maximizar as oportunidades decorrentes da integração.
Julgamos ser importante uma reflexão sobre a construção de um espaço que integre todos os países que têm como língua em comum o português numa organização constituída por vários Estados. A construção do espaço da Lusofonia será uma construção que visa a cooperação e a mobilidade de forma a promover a livre circulação de pessoas e bens bem como de ideias e conhecimento. Esta construção social, sob a forma de cooperação e mobilidade, é a base de um desenvolvimento sustentável para todos os países integrados na Comunidade.
Também ao abordar o conceito de Lusofonia no século XXI consideramos que é importante equacionar a dimensão informacional neste conceito, pois as TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) vieram
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revolucionar a comunicação no mundo e o Espaço Lusófono não é uma excepção. Falar de TIC e de Lusofonia é falar de um ciberespaço Lusófono, fundamental se consideramos o Espaço Lusófono como parte integrante de uma Sociedade em Rede.
Estudos realizados no âmbito da implementação das TIC nos Países Lusófonos e da, possível, infoexclusão dos mesmos veio revelar que o Espaço Lusófono tem a quinta maior comunidade linguística com presença no ciber espaço à frente de utilizadores falantes de alemão, francês ou árabe (Macedo, 2011: 4-7).
Conforme Sousa (2006: 9) citado por Lurdes Macedo (2011: 7) a Lusofonia afigura-se com um processo de construção difícil pois comporta em si um espaço físico disperso pelo globo, com cidadãos de diferentes modos de vida o que nos conduz a uma diversidade de representações e significados simbólicos que, no entanto, se exprimem em Língua Portuguesa.
Lurdes Macedo (2011) faz uma reflexão baseada no equívoco lusocêntrico de Martins (2006) onde reconhece que as representações da Lusofonia nos podem conduzir a um prolongamento simbólico do período colonial enfatizando a relação colonizador/colonizado que poderá por em causa, devido a tensões do passado recente, a ideia pós-colonial de Lusofonia. No entanto a autora continua a sua reflexão por uma perspectiva de confluência de identidades e de espaços diversos, baseada em Cunha (2010) onde a Língua Portuguesa tem o papel central de unificadora de uma identidade transnacional, a Identidade Lusófona.
Para a autora deste estudo, Lurdes Macedo, podemos estar na presença de um novo paradigma comunicacional baseado na utilização das info- tecnologias o que desemboca num ciberespaço, o ciberespaço lusófono. Um lugar virtual onde se comunica, partilha conhecimentos e divulga conhecimentos em português. Poderá ser a nosso ver um novo lugar da Lusofonia na Sociedade em Rede, e na construção deste espaço na rede global a Universidade através da transmissão de saberes e práticas têm um papel fundamental:
93 “Parece convocar o ciberespaço enquanto um novo lugar da lusofonia, no qual se estabelecem redes virtuais de comunicação entre cidadãos que, dispersos por todos os cantos do mundo e pertencentes às mais diversas etnias e culturas, pensam, sentem e falam em português” (Macedo, 2011: 7).
Para nós, neste trabalho, optámos por aquele conceito de Lusofonia que a autora Lurdes Macedo (2011) citou como “para outros, ainda...”. Partilhamos a ideia de que o melhor conceito que, a nosso ver, caracteriza Lusofonia é o conceito do “mosaico mágico” onde 240 milhões de cidadãos em todo o mundo dão forma a uma comunidade de cultura em construção, segundo a autora que se baseou em Brito e Hanna (2010).
Seguindo a mesma reflexão, partimos do princípio de que a identidade está sempre incompleta, segundo Butler (2000), este entendimento procura enfatizar e compreender o cruzamento das diferentes culturas lusófonas num tempo marcado pela Globalização (Macedo, 2011: 8). Apesar desta construção estar a ser realizada ao longo dos cinco séculos de história comum.
É importante, a nosso entender, acentuar que é esta reorganização do espaço e do tempo que torna possível a construção, ou a reconstrução, diária do Espaço Lusófono no mundo, pois segundo os autores, Brito e Hanna (2010: 78), esta reorganização do espaço e do tempo da Lusofonia promove as oportunidades de comunicação bem como a mobilidade de cidadãos lusófonos acentuando “as cores do mosaico”.
Partilhamos a ideia de que esta construção, hoje no Século XXI, se faz em parte na rede virtual onde a lonjura se encurta e o tempo está à “distância
de um clique”. Neste contexto virtual a Universidade é um veículo por
excelência devido aos dispositivos informáticos à disposição de alunos, docentes e investigadores o que a torna numa potencial (re)construtora do Espaço Lusófono.
Se porventura entendemos, como Lurdes Macedo, que o Espaço Lusófono virtual unifica um Espaço Lusófono disperso pelo globo e acelera a comunicação e a partilha de conhecimento também entendemos que o conceito de Lusofonia assente na mestiçagem e no hibridismo poderá ser um
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“novo modelo geopolítico”, através da sua pluralidade e das suas “redes de conhecimento”, virtuais ou não, o que desta forma reforçará a sua posição no contexto internacional já que os fluxos de informação são suportados pelo mesmo veículo linguístico, daí ser importante a defesa e a difusão do uso da língua como elo de ligação.
Partilhamos a visão de Vamireh Chacon (2002) apresentada no Futuro
Politico da Lusofonia, onde o autor reflecte sobre a importância da existência
de uma valência geoestratégica e geoeconomia que dê a possibilidade aos Países Lusófonos participarem na sociedade dita “global”, que para o autor nada mais é, do que uma sociedade de cultura hegemónica que ameaça outras culturas, segundo ele mais fracas, como a Lusófona.
No trabalho acima citado o autor teoriza sobre uma prática sustentada e sustentável que traduza as necessidades e os interesses dos Países Lusófonos. Chacon (2002) equaciona a possibilidade de um espaço económico e linguístico onde seja reforçada a defesa e afirmação da Cultura Lusófona. Este espaço que o autor fala, só fará sentido segundo o próprio graças a uma integração e uma interligação entre os países que constituem o Espaço Lusófono. Esta visão vai de encontro ao conceito por nós apresentado de Lusofonia, pois a construção de um espaço de pluralidade e diversidade que partilha uma cultura e uma língua é necessariamente um espaço de interligação e de integração onde impera a necessidade de reforçar laços económicos, sociais, políticos e culturais. É, a nosso ver, este reforço de laços que poderá tornar o Espaço Lusófono não só sustentável como um espaço geoestratégico. No fundo este espaço formará um bloco, ou seja, uma união de estados independentes que se unem pela sua livre vontade.
O Espaço Lusófono é herdeiro de uma vasta herança cultural bem como de um património cultural vasto que se estende pelos quatro cantos do mundo, assim e a nosso ver a importância geoestratégia deste espaço assenta no desenvolvimento económico, social político e também cultural. Aliás, Chacon (2002) defende esta perspectiva ao afirmar que a importância geoestratégia dos países lusófonos pode contribuir, inclusive, para o desenvolvimento económico e social dos mesmos bem como para o reforço dos laços culturais
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entre os demais. Por exemplo, a vontade da Indonésia em ser país observador da CPLP poderá funcionar como um fortalecimento dos laços dos países da Lusofonia com a Indonésia bem como dinamizar, do ponto de vista estratégico, uma integração social, económica, cultural e até mesmo política com outros países vizinhos.
Já foi dito que a Lusofonia se constitui com base na diversidade dos países que a compõe, apesar de existir uma herança cultural comum cada um tem a sua identidade muito própria e que não se pode aniquilar, antes pelo contrário. É certo que existe uma maior proximidade entre alguns países e um maior distanciamento entre outros, no entanto, consideramos importante que os mesmos se alinham por comunhão de interesses, isto é convergem para um mesmo ponto da rede lusófona através de interesses em comum, estratégicos, económicos ou políticos. Voltamos a citar Chacon, quando diz: “Os Estados
guiam-se por interesses reais” (Chacon: 2002: 138).
A construção do Espaço Lusófono, a construção do conceito de Lusofonia é, e poderá ser feita, com base na integração e cooperação a vários níveis, não só no nível económico que por certo tem a sua importância, mas também a outros níveis como o político, diplomático, social ou o cultural. É óbvio que não será só a Língua Portuguesa em comum ou uma herança cultural em comum que vai unir os Países Lusófonos, em torno deste processo de construção de um espaço estrategicamente competitivo de miscigenação de ideias, mas será com certeza uma importante alavanca. O que queremos dizer é que é importante na construção deste espaço, da Lusofonia, em contexto internacional consolidar laços económicos, políticos ou diplomáticos mas, também, é importante fortalecer os laços culturais e afirmar a nossa Identidade Lusófona, que no fundo é um conjunto de identidades.
O Espaço Lusófono apresenta um cariz multicultural e é definido por vários autores, metaforicamente, como “mosaico mágico”, o que remete directamente para as várias dimensões do conceito de Lusofonia: (i) identidade ou um conjunto de identidades, (II) cultura comum, (III) língua portuguesa, (IV) espaço geográfico disperso.
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Importa referir que no presente, depois da queda do Império Colonial Português e do processo de descolonização os laços mantiveram-se e actualmente a Lusofonia é o alicerce do diálogo intercultural bem como, também, pode ser a base para ampliar a acção da CPLP em contexto económico, politico, diplomático ou social.
O Tenente-Coronel João Luís Leal (2007) no seu artigo “Análise geopolítica e geoestratégia de Portugal” em determinada altura faz uma análise à pluralidade de fronteiras e cita Adriano Moreira (1996) dizendo que no século XXI e depois do desmembramento do Império Colonial Português existe uma necessidade de se articularem “novos” conceitos, isto é, existe a necessidade de adoptar novas atitudes de forma a darmos uma resposta eficaz à realidade nacional e internacional (Leal, 2007: 4). O autor refere, ainda, a importância assumida pela nossa fronteira cultural, que segundo ele e baseado em Ramalho (1998) se estende do espaço europeu até aos países lusófonos, razão pela qual Portugal, em particular, tem vindo a apostar na solidariedade com os membros da CPLP, justamente de forma a preservar a dita fronteira cultural.
É certo que a Língua Portuguesa é um dos aspectos culturais de maior relevância pois é ela que funciona como elemento de coesão entre o povo lusófono. Como tal é importante reconhecer a sua função de elo de ligação entre os países membros da CPLP. No entanto, também é importante assinalar que a Língua Portuguesa além de elemento de unidade e coesão é também um instrumento de difusão da Cultura Lusófona (Leal, 2007: 14).
A nosso ver é necessário, e para além da questão cultural e linguística, reforçar o processo de tomada de consciência da importância que pode ter o Espaço Lusófono em contexto internacional, pois é necessário a adopção por parte dos países da CPLP uma estratégia conjunta de actuação com base na intensificação da cooperação em todas as áreas da sociedade. Julgamos que esta meta poderia ser atingida se a CPLP coordenasse os trabalhos através do incentivo ao diálogo político entre os países membros e à posteriori com outros organismos internacionais.
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Partilhamos a ideia do Tenente-Coronel Leal (2007) quando este afirma que a CPLP veio institucionalizar o grande espaço em contexto internacional que é o Espaço Lusófono, bem como alargou o conceito de Lusofonia a áreas da sociedade civil para além da área cultural conduzindo, assim, a um reconhecimento internacional e a uma projecção nos contextos geopolíticos e geoestratégicos ocupados pelos países membros (Leal, 2007: 6).
A perspectiva teórica por nós seguida neste estudo no que diz respeito à CPLP encara esta realidade como um vasto espaço geográfico descontínuo cujas suas fronteiras são a fronteira cultural e linguística como sendo inquestionável, como também julgamos ser inquestionável o facto desta mesma realidade ser uma realidade política em contexto internacional. Uma realidade que é construída diariamente e tem como um dos pilares a cooperação e é nesta base teórica que desenvolvemos o ponto seguinte.
Hoje, os países membros da CPLP são autónomos e soberanos na gerência dos seus assuntos internos de cada Estado ao mesmo tempo que partilham uma realidade cultural e uma identidade, a identidade Lusófona. A sua aposta assenta no reforço dos laços de cooperação entre os referidos Estados, com vista a um desenvolvimento económico e social dos seus habitantes.
Em nosso entender a CPLP, actualmente, reflecte a construção de um espaço transnacional de cooperação. Assente no património imaterial, a língua e a história comuns, esta promove a coesão através de uma aposta numa interacção entre as nações que a compõe promovendo a cooperação a vários níveis, económico, social, politico, técnico, entre outros.
No entanto, o Espaço Lusófono não é homogéneo e existem disparidades entre os países da CPLP, já para não falar do seu afastamento geográfico. A este contratempo associa-se os escassos recursos necessários para o funcionamento da organização.
De acordo com o parágrafo anterior e de acordo com a nossa perspectiva sobre o Capital Humano entendemos ser importante maximizar os investimentos em educação, pois estes representam de acordo com os
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objectivos da CPLP, uma multiplicação dos benefícios socioeconómicos e uma maior divulgação da Língua Portuguesa. A aposta na maximização de investimentos na educação é, a nosso ver, um importante vector de retornos quer para o Capital Humano quer para o próprio Espaço Lusófono. Consideramos relevante e de acordo com Gary Becker (1993) que o investimento em Educação seja visto, efectivamente como um investimento e não como um custo pois este está directamente relacionado com o crescimento económico e melhoria da qualidade de vida das sociedades.
Sendo a temática deste trabalho a cooperação e mobilidade entre Universidades do Espaço Lusófono, dando uma especial atenção à perspectiva do Capital Humano cabe-nos dizer que o aprofundamento da cooperação no Espaço Lusófono é decisivo para a construção de uma rede global onde a Língua Portuguesa pode ser o ponto de alavancagem necessário para conseguir atingir o desenvolvimento desejado.
As Universidades do Espaço Lusófono têm tido um papel activo neste desafio pois, tem com as suas acções de cooperação e mobilidade, conseguido transpor o plano nacional para o plano lusófono e consequentemente para o plano global. Por este motivo julgamos ser da máxima importância a CPLP desenvolver os mecanismos de cooperação ao nível do Ensino Superior. Estes