• Aucun résultat trouvé

Challenges and How to Overcome Them

Dans le document Saunder July 14, 2010 9:20 K11197˙Book (Page 104-108)

3.11 Risk Management

3.12.6 Challenges and How to Overcome Them

Este é o terceiro e último tipo de descrição identificado na composição das narrativas jornalísticas de Brasileiros. Este tipo descritivo também obedece à dinâmica de pausa na narrativa, porém sem se referir exclusivamente a um objeto, ou a um personagem. Na descrição episódica ocorre uma intervenção do autor na ação, a fim de fornecer uma informação dos bastidores da matéria. Ele pausa a reportagem para ilustrar um episódio particular do processo reportivo. Pode conter elementos da descrição indicial e da qualitativa, mas não depende de recursos estilísticos textuais, como adjetivações ou comparações, para fazê-lo. Este recurso também atende à função autoreferencial, na medida em que muda o foco narrativo para os bastidores da reportagem, com a contemplação da presença do repórter. Os exemplos a seguir ilustram a descrição episódica:

Como se verá nas páginas seguintes, o enredo não chega a ser muito original. É o drama secular das regiões remotas do Brasil, desde Pedro

Álvares Cabral, invadidas de uma hora para outra por forasteiros em

busca de suas riquezas naturais, colocando em risco a cultura de subsistência das populações nativas, que se organizam para resistir às mazelas do chamado progresso (o projeto de construção do Porto do Espadarte e o destino de outras regiões de manguezal estão nas páginas 59 e 66).

Nem bem terminei de lhe explicar os motivos de nossa visita e nosso narrador desandou a falar, dispensando o repórter de fazer perguntas.

‘Espera aí, deixa terminar de contar esta parte, depois eu chego lá...’, e

assim se passaram horas e horas, com Mestre Cristóvão reconstruindo sua história e a do lugar, nos mínimos detalhes, desde a hora em que nasceu.

17

(Brasileiros, Agosto de 2007, “Histórias de vida e de morte nos santuários ameaçados dos manguezais de Curuçá”)

No primeiro parágrafo o repórter desenvolve a argumentação referente ao tema abordado em terceira pessoa trazendo informações objetivas a respeito das regiões remotas do Brasil atingidas pelo chamado progresso. No segundo parágrafo o foco narrativo muda de direção. Sai de um discurso argumentativo e fixa-se uma narrativa episódica, um estória, em que se encontram dois personagens, o autor (repórter) e o personagem. A presença do narrador neste caso fica evidente com o uso da conjugação verbal em primeira pessoa, mas é possível identificar intervenções narrativas com narração em terceira pessoa. Como no caso abaixo:

As paredes do escritório no seu apartamento em São Paulo estão forradas de mapas de rotas aéreas, que a cada dia ganham novos traçados percorridos. A cidade de São Carlos (SP), sede do Museu Asas de um Sonho, idealizado pela TAM, aparece como um de seus destinos prediletos.

Seu filho mais velho, Leonardo, de 26 anos, chega à entrada do escritório e, à primeira vista, estranha a decoração. Convida o pai para almoçar. William declina num tom de voz mais baixo. Diz algo como "um almoço de trabalho com o jornalista Heraldo Pereira". E retorna aos aviões, que atravessaram sua vida desde a infância em rasantes sistemáticos.

(Brasileiros, Setembro de 2007, “Vôos de um Grande Repórter”)

Neste caso não é o autor que, assumidamente, pausa a reportagem, ele o faz utilizando a figura de um terceiro personagem que entra em cena, no caso, o filho mais velho de William Waack. O tom intimista é perceptível na sugestão de símbolos do cotidiano (ex: o filho que interrompe a conversa de um pai, o almoço, o trabalho). A narração dispensa o uso da primeira pessoa sem deixar de sugerir proximidade do autor ao ambiente narrado, presenciando e contando o episódio.

Na reportagem “Nas Pegadas de Rosa”, Brasileiros se propõe a revisitar os cenários que compõem a narrativa literária de Guimarães Rosa. O tema é bastante flexível a todos os tipos de descrição e formatações estilísticas alternativas. No trecho abaixo o que se destaca é o momento em que o texto lança luzes sobre si mesmo no processo de construção da reportagem.

Na volta para a cidade, encontramos novamente José Carlos Silva - terminando de carregar capim na sua carroça - e agradecemos pela dica que nos levou para dentro da história de "Sarapalha". Quando nos despedimos, meio desconfiado, ele não se agüenta e pergunta: "Mas, afinal, quem é esse tal de Guimarães Rosa? É algum político que vai disputar eleição aqui em Itaguara?

(Brasileiros, Março de 2008, “Nas Pegadas de Rosa”)

Novamente aparece o uso da primeira pessoa mas, até por ser o último parágrafo da reportagem, deixa menos marcante o traço intervencionista do autor. A descrição do episódio contempla a presença do repórter como um personagem que interage na construção narrativa.

O último exemplo, que segue abaixo, traz uma síntese das ferramentas possíveis de serem utilizadas na descrição intimista. De uma forma geral, o que se nos apresenta é uma fotografia, capturando o momento descrito e dando subsídios simbólicos para que a cena seja construída. As sugestões sensoriais não se limitam, nesta categorização, à visão descritiva, mas extrapola a outros sentidos, no caso do exemplo abaixo, o olfato. Apresentados os elementos da descrição, a reportagem retoma, no final do trecho, as informações apuradas durante a reportagem.

O cheiro de feijão com toucinho sendo cozido no fogão a lenha invade o lugar. É quase hora do almoço. Sentada num banco embaixo de uma das dezenas de árvores ao redor de sua casinha simples, Tia Aninha apóia-se na bengala. Os raios de sol atravessam frestas entre as folhas verdes e a luz toca o rosto que 70 anos de idade não conseguiram marcar com rugas. Na cabeça, um lenço, amarrado feito turbante, lembra as imagens das velhas escravas dos filmes e novelas. Altiva, cintura reta, Ana Teresa Barbosa da Costa é praticamente desconhecida pelo nome que recebeu na pia batismal. Acostumada a ser chamada de tia por todo mundo, ela é a mais antiga moradora do Quilombo Brotas, em Itatiba, na região de Campinas, interior de São Paulo, o primeiro em área urbana a ser reconhecido oficialmente no País. Tia Aninha tornou-se uma espécie de matriarca do lugar: bisneta do casal que iniciou a história desse quilombo, ela guarda a trajetória de seu povo e distribui a bênção diária a todos os moradores.

(Brasileiros, Novembro de 2008, “Quilombo Urbano”)

Neste exemplo ocorre, particularmente, um último tipo de descrição importante na composição das reportagens de Brasileiros: a descrição Cinematográfica, descrita por Gaudêncio Torquato como a “que destaca a luz, o jogo de luzes ou sombras sobre o

objeto observado”. (TORQUATO,1984:119) A cinematografia é identificada tanto na referencia explicita à luz – Os raios de sol atravessam frestas entre as folhas verdes e a

luz toca o rosto que 70 anos de idade não conseguiram marcar com rugas – como na

Dans le document Saunder July 14, 2010 9:20 K11197˙Book (Page 104-108)