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Le cas de l’Angleterre et du Pays de Galles

B. LA NOUVELLE-ZÉLANDE

4. Le cas de l’Angleterre et du Pays de Galles

Como são sociáveis, os ratos e os camundongos devem ser alojados em grupos, evitando o isolamento, para assegurar que desenvolvam comportamento e fisiologia normais3.

Alojamentos adequados que considerem o ambiente físico e social desses animais, assim como colônias bem supervisionadas e manejos adequados, são indispensáveis para a produção de animais de alta qualidade23.

As necessidades físicas dos animais são supridas com dieta balanceada, clima controlado e boas condições de higiene, porém pode ocorrer estresse se o comportamento for restrito em condições de alojamento padrão.As gaiolas de laboratório geralmente não são adequadas para as necessidades comportamentais e psicológicas dos animais. Os hábitos dos roedores de explorar, descansar, escalar, limpar-se, procurar alimento, fazer ninho e comportar-se socialmente não são totalmente considerados. Nos biotérios, preocupa-se principalmente com o estabelecimento de normas de biossegurança e com a modernização do alojamento, com o intuito de minimizar variáveis, como doenças infecciosas, exposição a toxinas ou variações no ambiente. Contudo, essa padronização na manipulação dos roedores tem consequências adversas para os animais em termos de falta de complexidade em seu ambiente, limitando a capacidade dos animais de controlar seu ambiente físico e social23-27.

O que é enriquecimento ambiental?

O enriquecimento ambiental pode ser definido como uma alteração no ambiente dos animais cativos, fornecendo-lhes oportunidades de expressar seus comportamentos naturais28,29,30. É o termo usado para definir ações que visam aprimorar o ambiente,

reconhecendo o problema potencial do bem-estar associado com a restrição do comportamento nos sistemas de alojamento27.

A introdução do enriquecimento ambiental para roedores é um método usado para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar dessas espécies cativas25,30-33, permitindo-lhes

considerada “enriquecimento” se salientar o bem-estar animal e melhorar seu funcionamento biológico27,35.

Em 1959, Russel e Burch já consideraram o enriquecimento como uma necessidade ética no ambiente dos animais de laboratório, com o objetivo de introduzir o refine tanto na criação como na experimentação28 (Capítulo 2).

Na década de 70, o conceito de enriquecimento foi introduzido nos zoológicos e foi gradualmente adotado nos biotérios27. Atualmente, vem sendo bastante aceito em ambos os

locais36.

Os animais mantidos em ambientes altamente artificiais são modelos menos adequados para extrapolar resultados experimentais para humanos. Já os animais mantidos em ambientes enriquecidos podem ser mais estáveis tanto no aspecto fisiológico como psicológico, bem como melhor representantes das espécies, assegurando melhores resultados científicos32.

Nos biotérios, o enriquecimento é geralmente pouco utilizado, por representar um acessório extra na rotina de manejo diária. No entanto, a ausência de um esconderijo onde o animal possa se sentir seguro o impedirá de expressar comportamentos típicos e, consequentemente, diminuirá o bem-estar.

Como avaliar as estratégias de enriquecimento?

Para avaliar as estratégias de enriquecimento, primeiro devem-se compreender a história, o repertório natural, o estilo de vida e a complexidade do comportamento da espécie em questão25,37.

O enriquecimento ambiental não é um luxo opcional, mas é oferecido para atender às necessidades comportamentais dos mamíferos, permitindo-lhes expressar seu comportamento, o que refletirá na fisiologia e até na imunologia. Por isso, o enriquecimento deve satisfazer curiosidades, fornecer atividades divertidas37, permitir executar necessidades

fisiológicas e comportamentais, como manter relações sociais, descansar, construir ninhos, explorar, alimentar-se, roer e se esconder1.

É extremamente importante avaliar os benefícios para o animal e as preferências deste quando optar por determinado tipo de enriquecimento, bem como os efeitos que isso pode trazer sobre o comportamento típico da espécie, sobre os parâmetros fisiológicos, além do impacto nos resultados científicos e nas análises estatísticas. O resultado dependerá da linhagem, do tipo de enriquecimento e do parâmetro avaliado34. Por exemplo, diferentes linhagens de

O enriquecimento deve permitir que os animais sintam-se totalmente seguros. Por exemplo, ratos e camundongos necessitam de fendas ou algum material para fazer ninho, de modo que possam construir esconderijos. Além disso, essas espécies talvez se sintam seguras se tiverem contato físico com companheiros37. Apesar de muitas gerações de

domesticação, os hábitos de escavar e fazer ninhos persistem nesses animais25.

Os testes de preferência podem ser úteis para avaliar os tipos de enriquecimento, pois permitem aos animais escolher entre várias opções, além de prevenir a introdução de itens prejudiciais ou sem interesse para os animais29,38,39.

No Biotério da FCF-IQ/USP, o enriquecimento tornou-se um item importante nas seções de produção e experimentação dos ratos e camundongos, promovendo o bem-estar desses animais. Na escolha do tipo de enriquecimento levam-se em conta, entre outros fatores, as necessidades comportamentais de cada linhagem, bem como, o custo, a capacidade de manutenção da higiene e a resistência à autoclavação. Por se tratar de um biotério de grande produção de animais, alguns tipos de enriquecimento podem ficar inviáveis, por serem muito caros ou dificultar o trabalho realizado pelos funcionários e pesquisadores durante a troca dos animais.

Atualmente, o Biotério fornece como enriquecimento para ratos e camundongos: iglus, tubos de papelão e PVC, algodão, papel-toalha, papel em tiras e máscaras descartáveis. Além desses artefatos, a socialização desses animais é permitida, evitando-se mantê-los em grupos muito grandes ou isolados. Quando o isolamento é inevitável, algum artefato é introduzido na gaiola, com o intuito de evitar o estresse dos animais. Na seção de experimentação, por exemplo, são colocados iglus nas gaiolas metabólicas de camundongos isolados.

Testes relacionados à introdução de enriquecimento na produção dos ratos e camundongos foram desenvolvidos no Biotério. Tubos de PVC foram introduzidos em gaiolas de casais de ratos Wistar, cujos resultados mostraram uma tendência no aumento do número de filhotes nascidos em casais enriquecidos40. Em outro trabalho, o algodão foi introduzido

em casais de camundongos C57BL/6, sendo avaliados vários parâmetros reprodutivos (taxa de fertilidade, intervalo entre partos, prolificidade, número e percentagem de filhotes desmamados, percentagem de mortalidade pré-desmame e ganho de peso de filhotes desmamados). Foram observados redução na mortalidade pré-desmame e aumento no peso de filhotes mantidos em gaiola open cage enriquecida41.

A utilização do enriquecimento ambiental em biotérios está aumentando por razões éticas e científicas, porém atualmente nenhum manual de boas práticas de laboratório ou regulamento de bem-estar descreve o enriquecimento como um padrão42.

Pesquisas são necessárias para investigar os efeitos dos diferentes tipos de enriquecimento ambiental nos resultados experimentais e na variabilidade dos parâmetros fisiológicos43.

Refine versus padronização

Um exemplo de refine (Capítulo 2) é a estratégia de enriquecimento ambiental44,

pela qual se obtém um melhor entendimento das necessidades dos animais e dos fatores ambientais envolvidos no controle do comportamento42.

A implantação do enriquecimento é um tema polêmico, pelo fato de que possa perturbar a padronização ambiental, apesar dos benefícios para o bem-estar do animal de laboratório45,46.

O argumento de que o enriquecimento ambiental possa aumentar a variação dos dados, reduzindo a precisão e a reprodutibilidade dos resultados experimentais, torna-se um importante obstáculo na criação de uma habitação enriquecida para roedores de laboratório. Isso significa que mais animais seriam necessários para cada experimento, criando assim um conflito entre refine e reduce46.

Alguns autores, como Van de Weerd, Van Loo e Baumans44, entretanto, afirmam que,

quando o bem-estar dos animais é alcançado pelo programa de enriquecimento, estes sofrem menos estresse, têm mais saúde, há poucas perdas durante os experimentos e, assim, reduz- se o uso de animais. Um exemplo é o efeito benéfico do material para ninho.

Segundo Würbel e Garner46, é provável que as condições habitacionais de

camundongos de laboratório (pelo menos para as fêmeas) possam ser refinadas pelo enriquecimento ambiental, melhorando o bem-estar, sem afetar a padronização. Esses autores apoiam o enriquecimento do ambiente, porque acreditam que “o bem-estar é a melhor ciência”, mas, ao mesmo tempo, alegam que, para a experimentação animal ser verdadeiramente uma “boa ciência”, o conceito de padronização do ambiente tem de ser profundamente revisto.