4.1 L OGIQUE DE GESTION DES SEDIMENTS DRAGUES
4.1.4 Caractérisation du caractère « immergeable » des sédiments
Em nossa sociedade capitalista atual, que vive a era da globalização, a cidade é vista como o progresso e o campo como atraso. A partir dessas representações é comum o fortalecimento de certas identidades em detrimento de outras. Com base na análise das entrevistas, ficou evidente a importância e a necessidade de uma educação apropriada para quem vive no campo, que seja capaz de romper com essa dicotomia do rural como algo a ser superado e o urbano como desenvolvimento, como futuro.
Nota-se que os alunos camponeses vêm para a cidade em busca de escolarização, sobretudo a partir do Ensino Fundamental II, pois não há instituições que a ofertam próxima a localidade em que vivem. Porém, as escolas de caráter urbanocêntrico não contemplam a realidade dos sujeitos do campo ocorrendo uma desconexão entre os conteúdos trabalhados na escola e a prática e vivência do cotidiano.
Os estigmas sobre os conteúdos rurais permeiam no ambiente escolar urbano e os alunos camponeses, quando inseridos nessas instituições, se deparam com toda estereotipação do campo e do rural, sendo muito recorrente o sofrimento do
bullying em decorrência disso. Por essa razão, a tendência é que esses
camponeses internalizem todos esses estigmas e queiram se desvincular do campo ao associarem seu sofrimento ao fato de ser camponês, sendo isso um fator extremamente nocivo à reprodução social do campesinato.
Todos os entrevistados expuseram a dificuldade de se adaptarem a esse modelo educacional urbanocêntrico, por serem provenientes de outra realidade que não a cidade, e serem estereotipados diante um ambiente no qual sua percepção de mundo não é, na maioria das vezes, levada em consideração nas práticas de ensino. Esse conjunto de fatores leva ao surgimento de um sentimento de inferioridade, muito nocivo para o processo de aprendizagem e quase sempre ligado a desmotivação em frequentar a escola.
Ao explorarmos o cenário das escolas urbanas que atendem camponeses, como a que foi parte dessa pesquisa, é notório que existem diferenças, já que estamos
44 diante de públicos distintos – alunos que residem na cidade e alunos que residem no campo, e que, portanto, estão inseridos em espaços com conteúdos sociais distintos (urbano-rural). Entretanto nota-se que essa diversidade não é trabalhada de forma apropriada, considerando que os alunos camponeses possuem um modo de vida completamente diferente. Dessa forma, a escola tradicional-urbanocêntrica em vez de contribuir no sentido de superar o preconceito, acaba reforçando-o. Portanto é possível afirmar que esse é um ambiente de desigualdades, dado que os valores culturais desses alunos não são valorizados igualmente como os valores urbanos.
Diante dessas questões, torna-se evidente a substancialidade das escolas do campo para a reprodução social do campesinato.
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