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C ADRE LOGIQUE

Dans le document DOSSIER TECHNIQUE ET FINANCIER (Page 112-119)

Segundo Kossoy (2001. p.153), “as fotografias não são meras “ilustrações ao texto”. A imagem fotográfica informa sobre o mundo e a vida real, porém em sua expressão e estética próprias. Entendemos através da percepção desse teórico, que a fotografia aproxima o olhar com o conhecimento histórico, considerando que as imagens revelam dados e informações, materializadas através do papel. Nesse sentido, os técnicos do IPHAN apresentam a mesma percepção sobre os registros foto- gráficos. A imagem possibilita discutir a valorização dos bens culturais, oferecendo informações e características históricas, intrínsecas ao documento fotográfico.

Dessa maneira, a fotografia no processo de registro de patrimônio, representa com precisão uma evidência que possi- bilita discussões sobre a significância do monumento como uma representação de identidade de uma sociedade. Por essa razão, a fotografia é percebida pelo IPHAN como um elemento que articula a percepção do patrimônio e o registro do monumento.

Com efeito, a imagem passou a ser inserida no processo de levantamento técnico do monumento desde os primeiros momentos da criação do SPHAN, em 1937. A documentação fotográfica apresenta descrições ornamentais do imóvel e o estado de conservação, além de se constituir um documento passivo de análise e orientações para técnicas de preservação, restauro ou adaptações urbanas.

Segundo Lacerda (2008), a Biblioteca Nacional e os Arquivos da Comissão de Monumentos, na França, foram as ins- tituições que receberam inicialmente fotografias, no século XIX; no entanto, a produção fotográfica como documento passou a ser estimulada através de contratação de fotógrafos para que “se

reúna, de forma mais sistemática, imagens representantes dos edifícios classificados pelo patrimônio francês [...]” (2008, p.39).

Na afirmação de Lopez(2000, p.81), “[...] o conteúdo infor- mativo do documento não pode ser analisado no vazio; isto é, como se não houvesse materialidade [...] uma ação geradora do documento.” Entendemos assim que, ao captar as informações da fotografia, através de indagações referente a “como e por que”, no caso específico que estamos abordando, às razões pelo qual a fotografia foi realizada são evidentes, o documento imagético faz parte de um processo produzido para fornecer informações a um organismo técnico.

Imagem 1: Casa de Câmara e Cadeia - PILAR

Fonte: Nº Processo 0271-T-41 Livro Belas Artes Nº inscr.: 247-A; Vol. 1; F. 054 ;Data: 31/07/1941

Imagem 2: Fonte Pública do Tambiá

Fonte: Nº Processo 0127-T-38 – Livro Histórico Nº inscr.: 176; Vol. 1; F. 029; Data: 26/09/1941

Os profissionais da arquivística reconhecem a dificuldade desse gênero documental de ser adaptado aos conceitos da área. No entanto, Schellenberg (2006) afirma que a fotografia, como “documentos de arquivo” – records, atende totalmente aos crité-

rios exigidos para ser considerada como um ‘documento’:

Todos os livros, papéis, mapas, fotogra- fias, ou outras espécies documentárias, independentemente de sua representa- ção física ou característica, expedidos ou recebidos por qualquer entidade pública ou privada no exercício de seus encargos legais ou em função das suas atividades e preservados ou depositados para pre-

legítimos sucessores como prova de suas funções, sua política, decisões, métodos, operações ou outras atividades, ou em virtude do valor informativo dos dados neles contido. (SCHELLENBERG, 2006.p.41).

É necessário destacar que no processo de alterações no desenho urbano, a fotografia é essencial para a identificação dessas alterações, contribuindo com a visibilidade arquitetônica.

Segundo Filippi, Lima e Carvalho (2002), as informa- ções contidas na imagem devem seguir uma padronização na ficha catalográfica, com uma descrição que deve identificar, de maneira clara e objetiva, os detalhes da fotografia, bem como, contextualizar brevemente o histórico do visual, e sempre man- ter as informações do processo, ao qual se refere. No entanto, o acervo documental pesquisado demonstrou algumas fragilida- des nessa técnica de identificação, possivelmente pela ausência de discussões com profissionais da área

Na percepção de Lacerda “[...] as fotografias têm sido, no entanto, pouco problematizadas [...]”(2008, p.76). Conforme a autora, a ênfase é para os documentos de gêneros textuais, no entanto, o gênero textual não possibilita visualizar o registro da materialização das expressões, como ocorre na visualização de bens patrimoniais. No caso do acervo fotográfico em questão, as imagens são as seguintes:

Tabela 1: Acervo Fotografico de Bens Patrimoniais - PB 1. ACADEMIA PARAIBANA DE LETRAS

2. BOMPRECO – CAMPINA GRANDE 3. ANTIGA CADEIA PUBLICA (Tombado) 4. CANHÕES

6. CAPELA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO 7. CAPELA DE NOSSA SENHORA DE ASSUNÇAO 8. CAPELA DE TAMBAÚ

9. CASA DA PÓLVORA (Tombado-ruínas) 10. CASA DE CÂMARA E CADEIA – PILAR

11. CONVENTO E IGREJA DA NOSSA SENHORA DO CARMO 12. CONVENTO E IGREJA DE SANTO ANTONIO (Tombado) 13. CONVENTO E IGREJA SÃO FRANCISCO (Tombado) 14. CORREIO ANTIGO

15. ENGENHO AURORA – ITAMBE 16. ENGENHO DA GRAÇA (Tombado) 17. ENGENHO ITAPOA – PILAR

18. ENGENHO PATROCÍNIO – SANTA RITA (Tombado) 19. ESTAÇÃO FERROVIARIA – CAMPINA GRANDE 20. FÁBRICA DE VINHO TITO SILVA (Tombado) 21. FAZENDA ACAUÃ – SOUZA (Tombada) 22. FAZENDA SERROTÃO – CAMPINA GRANDE 23. FONTE DO TAMBIA

24. FORTALEZA DE SANTA CATARINA (Tombado) 25. IGREJA DA MISERICÓRDIA (Tombado) 26. IGREJA DE NOSSA SENHORA DA PENHA 27. IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS NEVES 28. IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

29. IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO – POMBAL 30. IGREJA DE SÃO MIGUEL – BAIA DA TRAIÇÃO 31. IGREJA DE TAMBAÚ (DEMOLIDA)

32. IGREJA DO POÇO 33. IGREJA E CASA – SOUZA 34. IGREJA MATRIZ – CABEDELO

35. IGREJA MATRIZ –MAMANGUAPE – CAMPINA GRANDE 36. IGREJA NOSSA SENHORA DA GUIA (Tombado)

37. IGREJA NOSSA SENHORA DAS BATALHAS – SANTA RITA (Tombado) 38. IGREJA NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO

40. MUSEU DO ESTADO DA PARAÍBA

41. ORDEM 3ª DE NOSSA SENHORA DO CARMO (Tombado) 42. ORDEM 3ª DE SÃO FRANCISCO (Tombado)

43. PALÁCIO EPISCOPAL 44. PLANTA DA CIDADE 45. PORTO DE CABEDELO

46. SOBRADINHO – CATOLÉ DO ROCHA 47. TEATRO MINERVA – AREIA 48. TEATRO SANTA ROSA

49. VISTA E PAISAGENS – BAIA DA TRAIÇÃO

Fonte: Dados extraídos do acervo do IPHAN-PE (2014).

O cenário apresentado contextualizou uma breve trajetó- ria do patrimônio e da fotografia. O interesse pelo contexto nos conduz ao questionamento maior apresentado no artigo, que é a compreensão do princípio orgânico na guarda deste acervo documental. Para isso, tomamos como base alguns referenciais teóricos e depoimentos dos entrevistados.

ANÁLISE DO PRINCÍPIO ORGÂNICO SOBRE O

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