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PARTIE II ROLE DES FACTEURS ENVIRONNEMENTAUX DANS LA DISTRIBUTION DES

II.2. La compétition pour la lumière dans l'océan

II.2.5 Les phycobilisomes de Synechococcus

II.2.5.3. Biosynthèse et attachement des phycobilines

O pressuposto de igual valor das culturas é parte importante da teoria multicultural tayloriana, contudo, não estão suficientemente claros quais os caminhos a serem adotados para tornar esse pressuposto efetivo. Em nosso entendimento, o pressuposto de igual valor nos leva à fusão de horizontes, ponto não plenamente desenvolvido por Taylor. A fusão de horizontes é tema para o quarto e último capítulo do presente trabalho.

Com relação ao pressuposto de igual valor podemos afirmar que está conectado à política da diferença. Mais precisamente ao aspecto universalista presente na política da diferença. Para entender esse ponto é preciso lembrar que aparentemente somente a política da dignidade possuiria universalidade manifesta no potencial humano presente em todos nós. Contudo, o pressuposto de igual valor visa ampliar esse aspecto apontando para o fato de que as diferentes formas culturais podem possuir um valor intrínseco para além do potencial humano partilhado. Nesse sentido, deve-se respeitar a dignidade, mas também o valor das culturas: “através das quais os indivíduos poriam em prática sua humanidade e exprimem as suas personalidades únicas.” (ROCKEFELLER, 1998, p.105).

No parágrafo anterior falamos em valor que as culturas podem possuir, pois o pressuposto de igual valor ainda não é um reconhecimento efetivo. O pressuposto é

extremamente importante para uma teoria multicultural que não esteja em busca de um reconhecimento homogeneizante, mas também que vise dar um passo além com relação ao etnocentrismo. Como Taylor afirma:

Deve haver alguma coisa entre, por um lado, a exigência não genuína e homogeneizante de reconhecimento do igual valor e, por outro lado, o auto- enclausuramento nos critérios etnocêntricos. Existem outras culturas e a necessidade de vivermos juntos, tanto em harmonia numa sociedade, como à escala mundial, é cada vez maior. (TAYLOR, 1998, p.93).

Para Taylor esse equilíbrio é possível através do pressuposto de igual valor, pois pode garantir uma consequente avaliação adequada das diferentes culturas. O objetivo pretendido pelas culturas minoritárias, de forma geral, não é a condescendência, ou a simples tolerância, mas um reconhecimento efetivo de que possuem algo importante para contribuir para seus membros, mas também para a totalidade da sociedade na qual fazem parte. Nesse sentido, busca-se um equilíbrio entre um universalismo abstrato baseado em critérios etnocêntricos e um relativismo ingênuo que a tudo aceitaria como valioso.

Wolf apresenta uma importante objeção ou complementação à argumentação tayloriana. Para a professora da Universidade da Carolina do Norte não há problema em se buscar uma profunda compreensão das demais culturas no intuito de aumentar e melhorar nosso conhecimento sobre outras formas de interpretar o mundo. Contudo, talvez, esse não seja o bem mais significativo, pois ao entrar em contato com outras manifestações culturais: “acabemos por nos reconhecer como uma comunidade multicultural e assim reconhecer e respeitar os membros dessa comunidade em toda a sua diversidade.” (WOLF, 1998, p. 102).

Nessa linha a simples diversidade se constitui como um valor importante e representaria a possibilidade da existência de sociedades multiculturais que valorizariam a coexistência de diferentes formas culturais em seu interior. Esse é sem dúvida o objetivo final de todas as teorias multiculturais, mas há um problema que deve ser enfrentado: toda a diversidade é bem-vinda ou existem práticas culturais que não deveriam ser aceitas? Pensemos, por exemplo, em práticas que claramente atentem contra os direitos fundamentais, deveríamos aceitar tais práticas em nome da diversidade?

Parece-nos que Wolf não apresenta uma resposta satisfatória a esse questionamento que, ao menos, de forma embrionária, podemos encontrá-la na teoria tayloriana. A diversidade é um valor fundamental para uma teoria multicultural, mas existem algumas situações em que se faz

necessário uma valoração mais adequada das práticas em questão. Por isso, em nosso entendimento o pressuposto de igual valor abre a possibilidade para uma análise mais abrangente e que nos permite compreender com profundidade quais os valores e práticas estão colocadas em questão. É claro que é necessário ir além do simples pressuposto, faz-se necessário encontrar um mecanismo adequado para efetivar esse pressuposto, mas como já afirmamos essa é uma discussão para o próximo capítulo.

Habermas também faz uma crítica a Taylor nesse ponto afirmando que a presunção de igual valor não poderia sustentar sua teoria do reconhecimento. (HABERMAS, 1998, p. 147). Contudo, em nosso entendimento, o pressuposto não é o ponto de sustentação do reconhecimento, pois a base para o reconhecimento está no conceito de identidade como acima discutimos. O pressuposto de igual valor abre a possibilidade de avaliação das práticas culturais no sentido de compreendê-las com maior profundidade e, consequentemente, perceber o seu valor.

O pressuposto é desnecessário quando já existe uma disposição para se compreender as outras manifestações culturais de forma integral. Nesse sentido, o pressuposto apenas garante que não existam pré-compreensões ou pré-julgamentos que deturpem a análise cultural. São dois os momentos em que o pressuposto se mostra fundamental: na análise dos currículos escolares e na análise de práticas culturais totalmente distintas entre si. Nesses momentos é crucial que as partes envolvidas estejam plenamente dispostas a compreenderem-se mutuamente para alcançar uma resolução satisfatória.

O pressuposto, em última instância, significa abertura para a compreensão, do contrário é “preciso ser extremamente arrogante para, a priori, deixar de parte esta possibilidade.” (TAYLOR, 1998, p. 93). Essa importante possibilidade abre caminho para a fusão de horizontes e para a possibilidade da elaboração de adequados juízos de valor. Tal elemento é importante no âmbito geral da teoria tayloriana como apresentaremos no capítulo seguinte. Além disso, depois de, no primeiro capítulo termos marcados os pontos da discussão e nos capítulos seguintes termos apresentado as teorias de Kymlicka e Taylor, é chegado o momento de compreendermos até que pontos essas teorias respondem aos desafios multiculturais, até ponto podemos aproximá-las e em que pontos elas se distanciam.

4. É O MULTICULTUALISMO UNIVERSALISTA POSSÍVEL? UM ENCONTRO