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b Perception of musical excerpts

Being moved: literally and metaphorically 1

F.3. b Perception of musical excerpts

Em junho de 1883, uma escola cujo funcionamento não acorria na cidade do Recife ou em qualquer outra da província de Pernambuco, foi saudada no Diário de Pernambuco: o Colégio Abílio, fundado pelo Barão de Macaúbas, professor Abílio César Borges, na praia do Botafogo, na Corte do Império. Pessoas convidadas para visitar o colégio naquela ocasião expuseram suas opiniões a respeito do fato. Em todos os textos publicados, as virtudes daquela instituição, do edifício no qual funcionava, seu pessoal docente, sua localização– a partir da qual se via “a parte mais elevada do Pão de Açúcar”, alguns “montes irregulares, abruptos, ensombrados de uma vegetação escura” tal como uma “o tom imprevisto de uma paisagem suíça” 220– e o novo método de ensino praticado naquela instituição, o

qual assim foi descrito:

“O método novo parte de um ponto completamente oposto. A criança começa por analisar, por ver. Só depois de ter adquirido a ideia mais lúcida das coisas, por uma espécie de conveniência intima, familiaríssima é que essa ideia sugerida pela observação se formula e de seus fins.” 221

.

O “método novo” ao qual os espectadores fizeram referência foi o chamado método Americano– também conhecido por “Intuitivo” e por “Lições das coisas”– uma das formas de ensinar mais divulgadas no norte da América, Europa e Brasil em fins do século XIX. Símbolo de modernidade pedagógica, ao mesmo tempo, foi tido como método popular, capaz de propagar nas escolas públicas conhecimentos úteis à vida prática dos alunos.

Conferências pedagógicas 222, relatórios sobre a instrução e artigos publicados em jornais comerciais e pedagógicos foram espaços nos quais os

220

Colégio Abílio – 20 de Maio de 1883, Publicações a Pedido, Diário de Pernambuco, Ano 59, n. 133, terça-feira, 12 de junho de 1883, p. 3, Caixa/Rolo 140, FUNDAJ, Recife – PE.

221

Idem.

222

As conferências pedagógicas eram reuniões de professores e outras autoridades ligadas a instrução nas quais vários temas relacionados à escola primária, como co-educação dos sexos, castigos, métodos de ensino, disciplinas, distribuição das meterias eram debatidos. Essa pratica foi muito difundida no século XIX tornando-se comum em países europeus e no Brasil. Segundo Daniel Cavalcanti de Albuquerque Lemos, o modelo das Conferencias Pedagógicas tornou-se popular devido a uma crescente exigência de formação dos professores primários e da constituição de um

101 pressupostos desse método e as vantagens de sua utilização foram divulgadas e discutidas. Para sistematizar os procedimentos através dos quais o método seria aplicado na sala de aula surgiram, em fins do século XIX, manuais de “Lições das coisas”, destinados ao uso dos professores das escolas primárias.

No Brasil as discussões em relação à utilização desse método estiveram atreladas aos debates que marcaram o fim do Império. A publicação do parecer de Rui Barbosa, sobre a “Reforma do ensino primário e várias instituições complementares da instrução pública” 223

e sua tradução do Manual de Lições de Coisas, de Norman Calkins, em 1886, são expressões deste processo.

No conjunto da historiografia acerca da história da alfabetização e da escola primária, as pesquisas a respeito do método intuitivo emergiram ao longo dos últimos dez anos e também são dispersas e pouco analíticas.

Destacamos, no entanto, Analete Regina Schelbauer, que estudou as discussões a respeito da utilização desse método nas escolas públicas e privadas da província de São Paulo através de editoriais, artigos, traduções, noticiários e anúncios publicados no jornal comercial “A província de São Paulo”, entre 1875 e 1890. Esta autora percebeu como o método intuitivo foi um foco de debate de pessoas ditas “ilustradas” e considerado uma proposta inovadora para o ensino, superior às já existentes. Schelbauer observou ter havido um embate entre os entusiastas do método intuitivo e o propagador do método João da Deus na província de São Paulo, o professor Antonio Zeferino Candido 224.

sistema de instrução pública em vários países, pois eram vistas como saída para desqualificação do professorado. In: LEMOS, Daniel Cavalcanti de Albuquerque. Professores em movimento: a emergência do associativismo docente na Corte Imperial. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011.

223 Segundo Rosa Fátima de Sousa, esse documento é “uma das primeiras obras, e a mais completa

delas, sobre a organização pedagógica da escola primária e sobre política de educação popular produzida no Brasil no século XIX. Designado como relator da Comissão de Instrução Pública, ao estudo do projeto, Rui Barbosa buscou documentar amplamente o substitutivo, tomando como referência farto material bibliográfico especializado, vindo do exterior. Conforme indicações de Lourenço Filho, no parecer sobre o ensino primário foram citados 365 trabalhos, 179 em língua francesa, 129 em língua inglesa, 26 em português, 5 obras em língua alemã, 4 em italiano e 5 em espanhol. Muitas dessas obras referenciadas por Rui foram publicadas entre 1880 e 1882.” In: Souza, R. F. D. Inovação educacional no século XIX: a construção do currículo da escola primária no Brasil.

Cadernos Cedes, Ano XX, nº 51, nov, 2000, p. 10. 224

SCHELBAUER, A. R. Métodos de leitura em circulação no jornal A Província de São Paulo. In: 16º. COLE - No mundo há muitas armadilhas e é preciso quebrá-las, 2007, Campinas. Anais do 16º.

102 Claúdia Maria Mendes Gontijo 225, pesquisando a história da alfabetização no Espírito Santo, entre 1870 e 1920, analisou o método de ensino intuitivo cuja utilização foi imposta à escola primária daquela província através do Regulamento da Instrução Pública de 1882. Tanto o texto do regulamento, quanto o manual de “Primeiras Lições de Coisas” de Normal A. Calkins foram alvos da análise de Gontijo, que concluiu ter sido esse método um dos principais alicerces das críticas ao ensino mútuo e à memorização nas escolas daquela província.

Ana Carolina Neres 226 também investigou a utilização desse método no Maranhão, através do livro “O ensino Público” publicado por Almeida de Oliveira, em 1874. No livro “O ensino Público”, Almeida de Oliveira– que era, em São Luís, advogado, jornalista, deputado do Partido Liberal do Maranhão, republicano, professor e diretor de escola– discutiu os motivos do fracasso da escola pública estatal brasileira e, entre as soluções propostas para superar esse fracasso, propôs a adoção do método intuitivo, para o qual direcionou um dos capítulos de sua obra.

Vera Teresa Valdemarin, investigou entre 2000 e 2006, através do projeto “Estudando as Lições das Coisas”, algumas das cartilhas difundidas nas escolas brasileiras do século XIX, a saber: “Lições de cousas” de autoria do Dr. Saffray, “Plan détudes et leçons de choses” de Jules Peroz; “Exercises et travaux pour les enfantes selon La méthode et les procedés de Pestalozzi et de Froebel”, de autoria de Fany Ch. Delon e M. Delon, e “Primeiras Lições de coisas” de Norman Allison Calkins 227. Em um dos capítulos do livro “O legado educacional do século XIX” 228 e no livro, “Estudando as lições das coisas” 229

trouxe a público os resultados de sua investigação a respeito das bases epistemológicas sobre as quais o método de ensino intuitivo foi construído.

225 GONTIJO, Claúdia Maria Mendes. O método de ensino de leitura e da escrita concretizado no

método lição das coisas, Educ. Soc. , v. 32, n. 114, p. 103 – 120, jan-mar, 2011. Disponível em: http://www.cedes.unicamp.br/. Último acesso: 10 de novembro de 2011, p. 104.

226

NERES, Ana Caroline. Almeida de Oliveira e a defesa das lições de coisas na instrução pública (1843-1887). II Simpósio de História do Maranhão Oitocentista, 2011.

227

VALDEMARIN, Vera Tereza. O método intuitivo: os sentidos como janelas e portas. In: SAVIAN, Dermeval; ALMEIDA, Jane Soares de; SOUZA, Rosa Fátima de & VALDEMARIN, Vera Tereza. O

legado educacional do século XIX. Campinas: Autores Associados, 2ª Ed., 2006. 228

VALDEMARIN, Vera Tereza. Estudando a Lição das Coisas: analise dos fundamentos filosóficos do método de ensino intuitivo. Campinas: Editores Associados, 2004.

229

VALDEMARIN, Vera Teresa. Estudando as lições da sorte: análise dos fundamentos filosóficos do Método de Ensino Intuitivo. Campinas, SP: Editores Associados, 2004.

103 Para Valdemarin, apesar dos autores dos manuais atribuírem a inspiração e base teórica a Froebel e Pestalozzi, o método de ensino intuitivo foi elaborado a partir das ideias empiristas, cujas bases remontam aos séculos XVII e XVIII e às obras de Francis Bacon, John Locke e David Hume. Considerando fundamental compreender como essas teorias do conhecimento foram convertidas em prescrições metodológicas para ensinar a determinados indivíduos, a autora investigou, além dos manuais de lições das coisas já citados, os livros “Novum Organun” de Francis Bacon, “Ensaio acerca do entendimento humano”, de John Locke e “Investigação acerca do entendimento humano”, de David Hume, obras que, segundo sua interpretação, forneceram a base para a construção do método em fins do século XIX 230.

Nas palavras de Valdemarin:

“Bacon e Hume vão priorizar a experiência, considerando-a o momento decisivo do conhecimento, uma vez que ela se constitui na oportunidade para que sejam produzidas as impressões que permitirão a elaboração dos princípios. (...) Locke, priorizando a construção das ideias intermediárias em vez da experiência, também busca garantir metodicamente os meios para sua obtenção, estabelecendo regras com as quais o intelecto poderia operar com maior eficácia” 231.

Valdemarin ainda advoga para esse método a responsabilidade por ter aberto as portas das escolas europeias, americanas e brasileiras para as várias inovações didáticas pois, devido à prerrogativa de que o aprendizado necessita de várias experiências concretas, com determinados objetos, vários suportes para o ensino foram inventados nesse período 232. Caixas de cores e formas geométricas, gravuras, coleções de objetos variados construídos de madeira, aros e linhas de diversos tipos de matérias e etc. foram construídas para o uso da escola primária, a qual também passou a agregar objetos como globos terrestres, mapas, coleções de insetos, esqueletos humanos, réplicas de partes do corpo humano, animais em vidros. 230 Idem, p. 5-6. 231 Ibidem, p. 100. 232

VALDEMARIN, Vera Teresa. Estudando as lições da sorte: análise dos fundamentos filosóficos do Método de Ensino Intuitivo. Campinas, SP: Editores Associados, 2004, p. 104.

104 Não por acaso, em janeiro de 1882, o professor Manoel Barbosa de Araújo adicionou ao anúncio no qual comunicava ao público “os resultados dos exames de línguas e ciências prestados pelos alunos” do Colégio 7 de Setembro, do qual era diretor, a imagem de um globo terrestre, um telescópio e um conjunto de réguas para aulas de geometria.

Imagem 13: Parte do anúncio dos resultados dos exames prestados pelos alunos do

Colégio 7 de Setembro.

Fonte: Colégio Sete de Setembro, Ano de 1881 – Resultado dos Exames de línguas e

ciências prestados pelos alunos desse colégio, sob a direção do bacharel Manoel Barbosa de Araujo, Publicações a Pedido, Diário de Pernambuco, Ano 58, nº. 7, terça-feira, 10 de Janeiro de 1882, Caixa/Rolo 135, p. 3, FUNDAJ, Recife – PE.

No livro autobiográfico “O Ateneu”, escrito por Raul de Pompeia a respeito de sua experiência no colégio “Abílio”, o qual era regido pelos pressupostos do método intuitivo– conforme dissemos anteriormente–, encontramos uma descrição dos objetos didáticos à disposição de professores e alunos naquela escola. Quando descreveu seu primeiro dia de aula, Sergio, personagem principal da história, apresentou as dependências da escola nos seguintes termos:

“... as coleções, em armários, dos objetos próprios para facilitar o ensino (...). Das paredes pendiam as cartas geográficas, que eu me comprazia de ver como um itinerário de grandes viagens planejadas. Havia estampas coloridas em molduras negras, assuntos de história santa e desenho grosseiro, ou exemplares zoológicos e botânicos, que me revelavam direções de aplicação estudiosa em que eu contava triunfar.” (grifo meu)

233

.

233

105 Diferente dos métodos de João de Deus e Castilhos, o método intuitivo foi concebido como método geral e as cartilhas produzidas para orientar a prática dos professores que optavam por seu uso continham, a exemplo da de Norman Allinson Calkins, prescrições metodológicas para o ensino de todos os conteúdos da escola primária. Formas geométricas, cores, números, aritmética (soma – subtração – divisão – multiplicação - frações), sistemas de medidas (peso, comprimento, profundidade, distância), desenho linear, tempo, som, leitura e escrita, ciência natural (também chamada de lições de coisas), anatomia humana e educação moral

234

.

Com o advento dos exercícios de intuição, os processos de memorização– baseados apenas na leitura de sentenças– deveriam ser abolidos da vida escolar e substituídos pelos princípios de observação e trabalho. Através da observação os alunos deveriam progredir da percepção para a ideia, do concreto para o abstrato, do simples para o complexo, dos dados para o julgamento. Através do trabalho se propunha fazer da educação na infância uma oportunidade para a realização de atividades semelhantes às da vida adulta 235.

Na província de Pernambuco o “Método de Ensino Intuitivo” foi um dos mais divulgados através do periódico Diário de Pernambuco e outros meios também. Em junho de 1887, foi publicada uma série de quatorze artigos sobre a “Metodologia – Lições das Coisas” na coluna “Instrução Pública” explicitando, como o título dos artigos já sugere, meios práticos para utilização do método nas escolas primárias da cidade.

No primeiro artigo 236, o autor– cujo nome está ilegível no microfilme– dissertou a respeito da história do uso do método na província até então. Segundo ele, desde dezembro de 1876 o ponto “Lição das cousas, suas vantagens, plano a seguir neste ensino e objetos que nele devem ser preferidos” fez parte do “programa de pontos para serem discutidos, à escolha dos professores, nas conferências

234

CALKINS, Norman A . Primeiras lições de coisas: manual de ensino elementar para uso dos pais e professores. In: BARBOSA, Rui. Obras Completas. Rio de Janeiro. Vol. XIII, Tomo 1, 1886, Pp.

565 – 573. Disponível em:

http://docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=ObrasCompletasRuiBarbosa&pesq=Licao%20d as%20Coisas. Ultimo acesso em: 30 de Agosto de 2012.

235 Idem, p. 92. 236

Metodologia – Lição das Coisas I, Instrução Publica, Diário de Pernambuco, Ano 68, n. 125, quinta-feira, 2 de Junho de 1887, p. 2, Caixa/Rolo 157, FUNDAJ, Recife – PE.

106 pedagógicas” E embora nenhum professor tenha apresentado qualquer trabalho pedagógico sobre o tema, dois professores dissertaram sobre ele.

“Em 1881, na conferência promovida pelo Grêmio dos Professores Primários, uma matéria foi produzida a respeito do tema pelo professor Cyrillo da Silva Santiago e impressa em folheto. Em 1883, o periódico do “O Grêmio dos Professores”

237

, publicou uma tradução feita pelo Dr. Ayres de Albuquerque Gama238 de um trabalho de F. Buisson sobre o ensino intuitivo e os “programas de pontos para os exames de habilitação e concurso para provimento de cadeiras de instrução primária” elaborado pela Escola Normal em 1882, 1883 e 1884. Além disso, também trouxe a luz uma série de pontos sobre as “lições das coisas” e afirmou: “Pelos antecedentes que assim deixamos registrados, vê-se que o assunto não é novidade entre nós; ele deve ser bastante conhecido, ao menos pelos que têm cumprido os trabalhos a que nós temos referido e pelos alunos da Escola Normal, onde seguramente pela sua importância e utilidade geralmente reconhecidas desde muito tempo, e por ser obrigatório ali o seu ensino, as lições de coisas não terão sido consideradas como utopia e estrangeirice” (grifo meu). 239

.

A sutileza do autor dos artigos publicados no Diário de Pernambuco ao começar a sequência de textos sobre o método, relembrando as ocasiões anteriores nas quais ele foi abordado na província, faz pensar na possibilidade dele, apesar de todos os esforços dos entusiastas do método, não ter sido aceito plenamente pelos professores da província. Poderia ser visto por alguns como uma “utopia”– levando em conta sua aplicação demandar o uso de uma série de utensílios pedagógicos de difícil aquisição para boa parte dos professores–; como uma “estrangeirice”; ou,

237

O Grêmio dos Professores Primários foi uma associação composta por professores de instrução primária, inaugurada oficialmente em 25 de março de 1878, que funcionava no sobrado de nº 7 da Rua do Cabugá. O seu objetivo era promover o aperfeiçoamento da instrução na província e, para tanto, realizava conferências pedagógicas e promovia a impressão de compêndios para o uso dos professores da cidade, além de manter uma biblioteca pública em sua sede. In: ALMANACK Administrativo, Mercantil, Industrial e Agrícola da Província de Pernambuco para o anno de 1881. Recife, Tipographia Mercantil, 1881, p. 138-139, APEJE, Biblioteca, Recife – PE.

238 O professor Ayres de Albuquerque Gama, foi uma figura ativa nos assuntos da educação pública e

particular na década de 1880, além de ter sido professor da Escola Normal, sócio do Grêmio dos Professores Primários desde 1881, foi eleito membro do Conselho Literário entre os anos de 1885 e 1887, professor de Geometria, História, Alemão e Italiano do colégio Prytaneo.

239

107 simplesmente, ter sido preterido em detrimento de outros métodos com os quais os professores já estivessem mais familiarizados.

Outra preocupação do autor do artigo foi explicar uma série de questões a respeito do método, a começar por definir “o que se entende por lições de cousas”, passando por “seus fins e vantagens” e um exemplo de “lição de cousas acerca da atmosfera” 240

, para a qual o professor não precisaria de nenhum instrumento especial, a não ser estimular os alunos a observarem o meio ambiente. Entre as vantagens do método, ele destacou:

“(...) alargar a esfera das ideias e conhecimentos dos alunos, prepará-los para as realidades da vida prática, enriquecer o vocabulário dos meninos, habituando-os à precisão e propriedade dos termos, a correção da linguagem. Concorre, pela sua flexibilidade, pela variedade dos objetos de que se ocupa, pela sua forma, pelo seu processo, que tanto cativa a atenção dos alunos, – para facilitar a transmissão do ensino e amenizá-lo.” 241.

Como já dissemos, o método intuitivo era global, feito para ser usado em todos os conteúdos da escola primária, no entanto, ao autor do artigo importou esclarecer que os professores tanto podiam utilizar os seus preceitos “como curso regular” ou como “parte distinta entre as do programa escolar”, servindo ocasionalmente ou constantemente ao “propósito de qualquer das outras lições” 242

do currículo. Possivelmente, tanto houve escolas nas quais o método intuitivo se tornou regra para todas as disciplinas, quanto houve escolas nas quais ele esteve presente auxiliando em apenas algumas disciplinas para as quais se revelasse útil. Apenas três escolas anunciaram aplicar em sua rotina pedagógica o método Americano, o Colégio Americano do Instituto Inglês Pernambucano, o Colégio Americano para Meninas e o Curso Minerva.

O Colégio Americano do Instituto Inglês Pernambucano foi fundando na Estrada de João de Barros, em janeiro de 1881, funcionando, segundo a descrição

240

Metodologia, Lição de Coisas II, Instrução Pública, Diário de Pernambuco, Ano 63, n. 126, sexta- feira, 3 de junho de 1887, p. 3, Rolo/Caixa 157, FUNDAJ, Recife – PE.

241 Idem. 242

108 do diretor Willian T. Robison, assinante dos anúncios da escola, em uma chácara cuja casa:

“(...) reúne todas as condições higiênicas necessárias; está em perfeito estado de asseio, é bastante arejada, sobretudo na parte destinada para os dormitórios e dispõe de um vasto sítio com espaço suficiente para exercícios e recreio dos educandos(...)” 243

.

O programa de ensino do Colégio Americano do Instituto Inglês era composto de um curso primário, no qual constava “ortografia, leitura, caligrafia, aritmética, gramática, geografia, escrituração, elocução, desenho e música vocal, ensinados em inglês e português” 244

, e o secundário acadêmico, cujos conteúdos iam muito além dos exigidos pelos exames da Faculdade de Direito do Recife, contemplando:

“(...) inglês, português, francês, alemão, latim, grego, filosofia natural, anatomia, fisiologia, higiene, botânica, mineralogia, zoologia, química, geologia, aritmética mental, prática comercial, álgebra, geometria, trigonometria, astronomia, história geral, antiga e moderna, especial da Europa, Estudos Unidos e Brasil, filosofia mental, moral, lógica, retórica e economia política” 245

.

Tendo em vista, talvez, atrair o público católico, do currículo da escola foi propositalmente excluída a religião e a respeito dessa exclusão o diretor Robinson explicitou:

“É escusado dizer que o diretor e os professores envidarão todos os esforços a bem do adiantamento dos alunos,