12.2 Problème modèle et formulation NXFEM
13.2.3 Autres simulations
A utilização da Teoria das Representações Sociais, particularmente no Brasil, já estende-se a diferentes áreas do saber, configurando-se como um constructo interdisciplinar que colabora com a explicação de problemas relevantes para a saúde, meio ambiente, educação, entre outros. Segundo Machado (2003), o crescente número de pesquisas no âmbito da educação que se fundamentam nessa teoria pode ser decorrente do seu desenvolvimento e solidificação como suporte teórico-metodológico e da crise de paradigmas científicos que colocou em discussão a tradição cientifica cartesiana como método de compreensão da realidade. Uma interessante ilustração da vitalidade desta teoria na pesquisa da área educacional pode ser notada através da produção científica do Mestrado em Educação da UFPE. Levantamos essa produção considerando como critério que os trabalhos36 apresentassem a expressão “representações sociais” no título e constatamos um total de vinte e duas investigações, desenvolvidas entre os anos de 1986 e 2008.
Após o levantamento dos trabalhos, realizamos uma leitura cuidadosa dessas dissertações, orientando-nos por um roteiro que levava em consideração os principais aspectos norteadores de uma investigação apoiada na Teoria das Representações Sociais. Guiamos-nos pelas seguintes questões: 1ª) Quais são os objetos de representações sociais que têm sido pesquisados? Existem objetos mais pesquisados que outros? 2ª) Quais os sujeitos das representações sociais pesquisadas? 3ª) Quais os procedimentos de coleta de informações têm sido
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Nosso intuito em realizar uma leitura das dissertações e mapear o conhecimento produzido à luz da Teoria das Representações Sociais foi para mostrar a vitalidade dessa produção na área educacional. Reforçamos que realizamos essa revisão focalizando apenas à produção do Mestrado.
utilizados para identificar as representações sociais? 4ª) Quais os procedimentos de análise têm sido utilizados para captar as representações sociais? 5ª) Os estudos têm adotado a Teoria do Núcleo Central como referencial teórico-metodológico?
Ressaltamos que a maioria dos trabalhos a que nos referimos foi desenvolvido na década atual. Esse dado é importante, pois reafirma a vitalidade da Teoria das Representações Sociais nos últimos anos. Dos vinte e dois trabalhos analisados, constatamos que dezoito deles foram produzidos nos anos 2000 (ABRANCHES, 2000; LINS, 2000; MARQUES, 2000; COSTA, 2001; BAZANTE, 2002; FREIRE, 2002; LIMA, 2002; MENDES, 2002; SILVA, 2002; BARBOZA, 2003; CRUSOÉ, 2003; AMORIM, 2004; SANTOS, 2004; SILVA, 2004; FREITAS, 2005; SILVA, 2005; ALBUQUERQUE, 2007; ARRIBAS, 2008). Em relação aos demais trabalhos, constatamos que três deles foram realizados na última década do século passado, isto é, nos anos de 1990 (LEÃO, 1996; PEREIRA, 1996; NASCIMENTO, 1998) e apenas um estudo foi desenvolvido na década de 1980 (MEDEIROS, 1986).
Isto posto, cumpre destacar os achados concernentes à nossa primeira questão orientadora, qual seja: Quais são os objetos de representação pesquisados? Existe um objeto que seja mais pesquisado? Essa foi a nossa primeira preocupação, pois consideramos que não faz sentido falar nas representações de um dado sujeito social sem especificar os objetos representados. Identificamos, entre os vinte e dois trabalhos, que diferentes têm sido os objetos de representação. Não encontramos objetos que tenham sido consideravelmente mais estudados. Porém, identificamos que duas pesquisas estudaram representações sociais de gênero. Os demais objetos foram diversos: supervisão escolar, qualidade da
educação, estágio supervisionado, didática, sucesso e fracasso escolar, escola e escolarização, projeto político-pedagógico, uso do computador na escola, educação especial, cursos de capacitação, informática na educação, classes multisseriadas, interdisciplinaridade, educação patrimonial e patrimônio, magistério, o aluno da escola pública, o brincar, museu, inclusão escolar e coordenação pedagógica.
Admitindo que não podemos falar em representações sociais de alguma coisa sem especificar o sujeito social que representa, ou seja, que “uma representação é sempre uma representação de alguém, tanto quanto de alguma coisa” (MOSCOVICI, 1978, p.27) buscamos identificar, também, quais eram os sujeitos das representações sociais pesquisadas nos trabalhos analisados. Identificamos que diversos têm sido esses sujeitos. Porém, constatamos que existe um grupo mais pesquisado: os professores da educação básica. Dos vinte e dois trabalhos, verificamos que quinze deles tiveram como participantes esses sujeitos. Destacamos que a maior parte desses participantes eram profissionais que lecionavam em instituições escolares da rede pública de Pernambuco. Os demais trabalhos tiveram como participantes: docentes do ensino superior (01), docentes e alunos do ensino superior (01), alunos da educação básica (01), supervisores (01), coordenadores (01), conselheiros (01) e pais e alunos da educação básica (01).
Considerando que para a realização de uma pesquisa é necessário escolher os procedimentos de coleta de informações e, ainda, que estas decisões estão diretamente relacionadas com o referencial orientador da pesquisa, no caso, a Teoria das Representações Sociais, buscamos verificar, também, quais os procedimentos de coleta têm sido utilizados para identificar as representações. Constatamos que vários tem sido esses procedimentos. No entanto, constatamos
que o meio mais utilizado para identificar as representações é a entrevista. Dos vinte e dois trabalhos, dezenove deles fizeram uso desse procedimento. Na seqüência aparecem: o questionário (10), a Técnica de Associação Livre de Palavras (09), a observação (02), análise de documentos (02), diário de campo (02), grupo focal (01), desenhos (01) e seminário (01). Cumpre destacar que mais da metade dos trabalhos analisados utilizaram mais de um procedimento de coleta. Tal dado confirma Camargo (2005) quando coloca que devido a complexidade do fenômeno, é freqüente a necessidade de várias técnicas, isto é, de estudos plurimetodológicos.
Partindo do entendimento de que não é possível eleger um instrumento de coleta de informações sem definir como o material coletado será analisado, ou seja, que a técnica de coleta guarda estreita relação com o tratamento dos dados, buscamos verificar os procedimentos de análise utilizados pelos pesquisadores para prover uma análise das representações sociais. Identificamos que o recurso mais comum é a Análise de Conteúdo. Dos vinte e dois trabalhos, dezoito deles se referem a esse procedimento de análise. Tal dado é relevante, pois corrobora Sá (1998) quando afirma que a prática articulada mais comum de pesquisa combina a coleta através de entrevistas individuais com a técnica de Análise de Conteúdo. Cumpre destacar que outros recursos também foram mencionados: Análise fatorial de correspondência (04), categorias (02) e o cálculo de freqüências (02). É prudente pontuar que um dos estudos não informou como analisou as informações coletadas
Como já evidenciamos, a Teoria das Representações Sociais desdobra-se em, pelo menos, três correntes teóricas complementares e, por elegermos para este trabalho a abordagem complementar da Teoria do Núcleo Central, buscamos saber,
também, se existiam estudos apoiados nesse referencial. Nosso levantamento mostrou que a Teoria do Núcleo Central, apesar de ter trazido inestimáveis contribuições à compreensão dos fenômenos representacionais, não tem sido um referencial utilizado de maneira significativa nessa produção. Constatamos que dos vinte e dois trabalhos analisados, apenas três se apoiaram nesse referencial. Esse dado chama atenção, pois conforme Alves-Mazzotti (2002), a abordagem estrutural, ao aprofundar as relações entre representações e práticas apresenta especial relevância para educadores e interessados em promover mudanças nas condutas. Ressaltamos, ainda, a importância desse referencial no âmbito educacional para analisar mudanças nas representações em função de novas práticas educacionais.
O levantamento da produção do conhecimento em representações sociais apresentado nos possibilita reafirmar a vitalidade dessa teoria, bem como identificar pistas acerca do que e como se tem pesquisado no campo educacional. Embora essas dissertações não incidam sobre a produção do conhecimento total desenvolvida no campo da educação, nos permitiu identificar, como vimos, que diversos tem sido os objetos de representações sociais estudados, os sujeitos que representam e os procedimentos de coleta e de análise utilizados. Porém, mostraram, também, que a Teoria do Núcleo Central, abordagem complementar que fundamenta este trabalho, não tem sido um referencial utilizado de maneira significativa nessa produção. Esta seria, pois, mais uma razão da relevância desta pesquisa. Como veremos, pautadas nesse referencial, usamos tanto procedimentos clássicos, quanto alguns diferenciados para o alcance do nosso objetivo e reconhecemos que os mesmos constituem-se como caminhos interessantes a se percorrer em direção ao incremento da produção do conhecimento nesse campo.