Module IGBT
3.9. Autres applications envisageables pour le module de conversion
Sintetizando o que encontramos em cada texto analisado, podemos dizer que os faits divers apresentam o seguinte plano global dos conteúdos temáticos: os textos devem ter título e lide contendo informações sobre o acontecimento: o quê, com quem, quando e onde os fatos se passaram. O título e o lide não têm ao mesmo tempo todas essas informações, mas um complementa o outro, de forma que até o final da leitura do título e do lide o leitor saiba do que trata o fait divers e decida se quer ou não continuar sua leitura, para conhecer mais detalhes do ocorrido.
Como explicitado em Lage (2010), na notícia, os fatos são contados por ordem de motivação em relação ao fato principal, transformados em circunstâncias dele, como explicações. Ainda segundo o autor, faz-se o uso de pirâmide invertida para que os fatos sejam contados em ordem de importância, nunca em ordem cronológica. Aqui, como já comentamos, é o momento em que, em sua estrutura, o fait divers diverge da notícia, pois após o lide os fatos geralmente são contados em ordem cronológica, a partir do aspecto que o jornalista selecionou como o mais importante a ser contado. Na notícia, não é necessária a cronologia, explica-se o que houve a partir do que se julga ser mais importante a fim de esclarecer os acontecimentos.
Geralmente, no último parágrafo, há informações sobre o desfecho da situação até o momento da escrita do fait divers, assim haverá informações de como termina a situação,
como o indivíduo responsável por atos ‘infratores’ foi punido pela sociedade, ou como a situação é vista por autoridades. Chamaremos tal desfecho de “desfecho social”, como já comentado no Capítulo 267 desta dissertação. Índices de como a situação termina às vezes já são presentes no título e/ou no lide, mas a informação, de maneira completa, só vai estar desenvolvida nesse desfecho, no último ou nos últimos parágrafos do texto.
Em nosso texto de referência de análise, o título « Trois mois de prison ferme pour avoir insulté des gendarmes sur Facebook” », contém as informações do que se passou, um insulto proferido no Facebook contra policiais levou alguém a três meses de prisão. Podemos considerar esse como o fato mais importante selecionado pelo autor do texto, ou seja, a partir de comentários de uma rede social, um indivíduo pôde ser condenado à prisão. Um fato fora do comum e de certa maneira, curioso, não só para o público do jornal, mas para o público usuário dessa rede social, que pode se ver na situação do condenado.
O lide, ou primeiro parágrafo do texto, inicia com a informação do momento de julgamento do acontecimento (vendredi), especificando melhor os envolvidos, dizendo quem foi o responsável pelo ato, onde vive e, através de discurso direto de um outro veículo de comunicação, traz detalhes como a idade do autor. Certamente informações relevantes e consideradas importantes porque esclarecem o que foi anunciado no título. As informações que compõem título e lide se complementam: O lide traz: a) quando o julgamento ocorreu: Vendredi; b) com quem: un habitant de Locmaria-Plouzané; c) o que se passou: condamnation à trois mois de prison pour insulte sur Facebook e d) onde: Locmaria- Plouzané. O lide traz, desta forma, mais detalhes das informações presentes no título. Neste último, só havia as informações do que ocorrera e a punição aplicada: três meses de prisão por insulto pelo Facebook. Munido dessas informações, o leitor tem a possibilidade de escolher continuar a ler ou não o texto do fait divers.
A estrutura desse gênero, organizada em forma de pirâmide invertida, tem seu início no título e no lide, em que geralmente as informações do que se passou são dadas logo no início, ou seja, fora da ordem da narrativa tradicional, já se sabe o que ocorreu e que fim a situação teve. A partir do 2º. parágrafo, as informações trazidas contam detalhes do acontecido, “como se fossem explicações”. Temos então, a partir desse parágrafo, a narração dos fatos que justificam o fato principal noticiado, com a intenção do produtor do texto em estabelecer uma ordem cronológica, iniciando pela estrutura “Tout commence...”. Vejamos:
“Tout commence en janvier dernier lorsque ce jeune homme au casier judiciaire déjà lourd est contrôlé un soir en état d’ivresse en voiture.. Il lui faudra rentrer à pied. Une promenade nocturne qui lui reste en travers de la gorge. Le jeune homme le fait savoir sur son profil Facebook où il déverse publiquement des injures contre les gendarmes qui l’on contrôlé. « Rien ne changera pendant six mois, jusqu’à la découverte du profil par les principaux intéressés », raconte Le Télégramme.
Poursuivi pour « outrage à personne dépositaire de l’autorité publique », un délit punissable de six mois de prison et de 7500 euros d’amende au terme de l’article 433-5 du Code pénal, l’homme, absent à l’audience, a finalement écopé vendredi de trois mois de prison ferme. Il devra en outre verser des dommages et intérêts aux gendarmes. »
A explicação dos principais fatos é apresentada, sendo a seguinte: o rapaz passou por um controle de ingestão de álcool e foi autuado. Por esse motivo, teve de voltar para casa a pé. Isso o levou a publicar em seu perfil do facebook o que ocorrera, com a publicação de injúrias contra os guardas responsáveis. Através do discurso indireto, é dito que os principais interessados, em um período de 6 meses, procuram e encontram o perfil do autor das injúrias. Um fato é apresentado como consequência do anterior, mas não há elementos de conexão evidentes, apenas a justaposição de frases.
O desfecho social, aqui, está presente com o fato de o rapaz, apesar de ter faltado à audiência, ser incriminado por três meses.
Quanto aos tipos de discurso que caracterizam o fait divers, podemos dizer que todos os textos analisados desenvolvem-se em relato interativo. Ou seja, o narrar dos faits divers é disjunto, implicado. Geralmente há referências de tempo dêiticas que localizam o discurso narrado em relação ao momento da enunciação dos fatos pelo jornalista: data da notícia acima do texto, uso de advérbios de tempo e marcadores temporais.
Os marcadores temporais constantes de nosso texto-exemplo fazem referência à data de publicação do texto, em 02 de outubro de 2010. O lide já traz um marcador, “vendredi”, que localiza o momento de enunciação do texto em relação aos acontecimentos, pois inferimos que se trata da última sexta-feira: “[...] un habitant de Locmania-Plouzané a été condamné vendredi à trois mois de prison ferme”. Outros marcadores também ancoram o fato
à situação de enunciação, como “janvier dernier”.
Quanto aos tipos de sequência, os faits divers têm segmentos de sequência narrativa, porém organizam-se em ordem diferente da narrativa tradicional com início, meio e fim. A ordem do fait divers propõe uma situação inicial que expõe o fato ocorrido a ser noticiado em seu aspecto mais importante ou interessante para o leitor, como analisamos anteriormente.
Assim, os fatos são contados de modo a explicar os eventos anteriores, chegando-se à situação final do evento principal, no momento em que o texto foi escrito para publicação.
A própria macro organização de um texto desse gênero, composta por meio da pirâmide invertida, foge à estrutura da narrativa convencional, não trazendo, portanto, nem conflito, nem tensão. Em sua explanação sobre os tipos de sequência presentes nos textos, Bronckart (2007) traz a noção de script, que adotamos para caracterizar o gênero fait divers, e é tida como a narrativa, feita de maneira cronológica e sem o estabelecimento de conflito.
Nas análises realizadas, apenas um dos textos que tomamos para análise do gênero teve um elemento de tensão presente, o T8. Por isso, consideramos o script como característico dos textos de fait divers, ressalvadas exceções.