3. L'initiation du mécanisme : une asymétrie réplicative
3.3 Les arrêts de fourches et les acteurs du CTS
Segundo Garcia (1988), a ideia de formação é o principal conceito da obra pedagógica de Edith Stein. Ao discutir a utilização do termos formação (Bildung) e educação
(Erziehung) Garcia (1988) afirma que Stein utiliza com mais frequência o primeiro, relacionando-o ao conceito de pessoa. Bildung é traduzido como formação ou educação, mas, segundo Stein (1999c), essas duas palavras não abarcam tudo o que ele compreende. Em última instância, Bildung significa “conduzir a uma sabedoria de vida, à realização plena de si” (STEIN, 1999c, p. 21). Na definição da autora, “formar é plasmar um material até fazê-lo assumir uma forma, com base em uma imagem” (STEIN, 1999c, p. 30). O termo formação é utilizado pela autora para referir-se a este processo nas substâncias inanimadas ou nos vegetais e nos animais. Ao processo de formação da pessoa, Stein denomina educação.
Esta distinção, porém, não ocorre apenas no nome. Ao discutir a ideia de formação, Stein (1999c) faz uma distinção entre as matérias inanimadas e as animadas e, dentro destas últimas, aborda as especificidades do processo formativo nos vegetais, nos animais e no homem. Nas matérias inanimadas, a formação acontece de acordo com uma forma exterior, imaginada por exemplo pelo artesão que talha um pedaço de madeira ou uma massa de argila; ou tirada de um modelo pronto. Além disso, a matéria inanimada depende necessariamente de uma intervenção externa, permanecendo imutável quando esta não acontece. A formação da matéria inanimada tem como modelo (ou como forma de referência) o projeto de quem a manipula.
Nos organismos vivos, ao contrário, é possível observarmos uma transformação de maneira autônoma, sem qualquer intervenção. As plantas, por exemplo, se transformam
aos nossos olhos, tomam forma autonomamente, sem a necessidade de nenhuma intervenção externa (STEIN, 1999c, p. 23). Isto, segundo a autora, pelo fato de existir uma ação plasmadora que acontece a partir do interior. Há um processo vital intrínseco,39 que faz, por exemplo, com que uma margarida cresça como planta de margarida e não como uma rosa. Nos seres animados, portanto, o modelo (ou a forma) não é externo, mas intrínseco a sua própria estrutura. O modelo não é algo pronto a ser imitado, mas um princípio dinâmico que constitui o organismo; um processo intrínseco que permite que ele se torne “si mesmo”.
Stein aborda as especificidades do processo formativo nos vegetais, nos animais e no homem de acordo com uma hierarquia pautada no grau de autonomia que estes organismos têm no processo. Nos três casos, modelo (ou a forma interior) pode sofrer modificações de acordo com as influências do ambiente. Nas plantas, por exemplo, a natureza do terreno e as condições atmosféricas podem inibir ou favorecer o processo formativo e podem provocar variações na forma original. De qualquer maneira, não podemos obter da planta algo que já não esteja inscrito nela. Neste processo dinâmico, os vegetais possuem um pequeno grau de autonomia, que consiste em assumir em si, daquilo que o circunda, as substâncias úteis ao seu desenvolvimento e elaborá-las, organizando a matéria de modo que ela alcance a forma presente como energia potencial na semente.
Nos animais, o processo é semelhante, embora o grau de autonomia seja maior devido a dois fatores: capacidade de locomoção e vida psíquica. A possibilidade de movimentar- se e a capacidade de perceber aquilo que favorece o seu desenvolvimento e o que pode ser nocivo (sensibilidade – vida psíquica) permitem que os animais tenham um movimento em favor da sua autoconservação, participando mais ativamente do processo formativo.
O mais alto grau de autonomia, entretanto, acontece no homem. Do ponto de vista dos vegetais e dos animais, é estrutural que eles se tornem aquele gênero específico. Na
39 A ideia de processo vital intrínseco nos seres animados vem da filosofia aristotélico-tomista, que o
pessoa, entretanto, esta referência estrutural não basta. Há sim o modelo (ou a forma) interno, que é referência para ele, que é dinâmico, e que lhe permite se relacionar com o ambiente de modo que o produto daquilo seja “ele mesmo”. Mas a pessoa tem que se trabalhar. O modelo não é algo pronto, é um ponto de referência interno que auxilia a pessoa no processo de escolhas e tomadas de posição, organizando seu percurso de forma que ele não se torne um movimento aleatório ou caótico.
Segundo Stein, a formação da pessoa acontece a partir da integração de fatores internos, externos e do livre arbítrio daquele que é formado. No caso dos fatores internos, como vimos, temos o modelo (ou forma), o princípio vital inerente a sua estrutura, que aponta para os limites e as possibilidades do processo evolutivo. Para Stein, não é possível desenvolver nada que já não esteja presente na pessoa ainda que em forma potencial ou embrionária. Este princípio vital encontra-se no núcleo pessoal de cada indivíduo, na
alma da alma,40 de onde brota sua essência. O núcleo contém as predisposições originárias da pessoa, as potencialidades possíveis de serem desenvolvidas. Ele imprime sua marca em todo o desenvolvimento da pessoa; tanto na corporeidade como nas qualidades psíquicas e espirituais.
Como vimos anteriormente, Stein elabora a noção de pessoa em torno de três instâncias principais: corpo, alma e espírito. Essa divisão, entretanto, é feita apenas por força didática, porque na prática, a autora as descreve como uma unidade indivisível, como realidades estritamente imbricadas. A alma ocupa um lugar intermediário entre o corpo e o espírito. Ela está unida tanto ao primeiro como ao segundo, possuindo faculdades chamadas inferiores ou sensíveis (que lhe permite tecer as relações com o mundo) e
faculdades superiores ou espirituais (ligadas ao conhecimento: inteligência, memória, vontade). A alma é como um espaço que une as instâncias corpórea e espiritual. Segundo Rus (2006, p. 96), para indicar a estreita ligação que une a parte superior e a parte inferior da alma, Edith Stein afirma que não há conhecimento sensorial possível sem uma atividade do espírito. Ambas atividades estão intimamente entrelaçadas, pois os sentidos fornecem a matéria a partir da qual o espírito age, trabalha, se comporta. O espírito recebe aquilo que os sentidos lhe apresentam, conserva aquilo que lhe penetra
e o chama em momento oportuno com as outras percepções e as associa (por
comparação, generalização, etc.), chegando assim, aos conhecimentos abstratos. Também a vontade se ocupa dos objetos que lhe fornecem os sentidos.
Ao mesmo tempo em que a alma é a forma essencial do corpo – dá vida ao corpo –, ela tem uma existência própria, superior a ele e, nesse sentido, dizemos que ela é espírito. Baseando-se na visão de Tereza D´Ávila a respeito da interioridade do ser humano, Stein compara a alma a um castelo que abriga o Eu, entendido como a pessoa inteira a qual pertence o corpo, a alma e o espírito. A alma é como um castelo que possui muitas moradas, das quais a mais profunda e interior é o núcleo. Dentro desse castelo, o Eu pode mover-se livremente, ora caminhando em direção à superfície, ao exterior; ora em direção à profundidade interior da alma, aproximando-se do núcleo (RUS, 2006, p. 106).41 Quanto mais próximo de seu núcleo a pessoa (ou o Eu) caminha, mais próxima ela está de atingir uma existência autêntica, no sentido Heideggeriano do termo (RUS, 2006, p. 125). É importante esclarecer, entretanto, que este movimento é dinâmico e que a existência autêntica é um apelo interior que coloca a pessoa em movimento e que lhe permite, sim, caminhar em sintonia com o seu núcleo, sem, contudo permanecer de forma constante nesta situação. Como dissemos, ora o Eu se move em direção à profundidade interior, agindo de acordo com o núcleo, ora ele se dispersa em ações aleatórias ou em modelos externos, distanciando-se de seu ponto de referência. Além disso, o fato de alguns atos não partirem necessariamente de um enraizamento profundo do Eu na alma não quer dizer necessariamente que eles não sejam autênticos. Stein distingue níveis de profundidade diferentes nas decisões de uma pessoa. A decisão de fazer uma caminhada, por exemplo, é menos profunda que uma decisão profissional (RUS, 2006, p. 88).
Retomando a noção de formação de Stein, vimos que ela é compreendida como formar (ou plasmar) uma matéria de modo que esta tome a forma de uma imagem. Esta ação plasmadora acontece a partir do interior, do próprio núcleo, que age de forma dinâmica sobre o corpo e a alma, servindo como referência para o seu desenvolvimento. Eis a contribuição do fator interno. Mas, para que a formação aconteça, tanto o corpo como a alma precisam de material constitutivo adequado, e este material é retirado do mundo externo. Vemos aqui a contribuição dos fatores externos para formação. No caso do
corpo, o material adequado são as substâncias que provêm do mundo material. Já a alma, necessita de alimento espiritual, denominado por Edith Stein (1999c) de bens
culturais. Bens são as provisões adquiridas do ambiente externo pela alma, que possuem um valor para a finalidade formativa, ou seja, que servem de alimento espiritual para a constituição do mundo interior. Esses bens são culturais na medida em que são produtos do espírito humano, suscitados pela criatividade. “Eles têm uma existência autônoma, desvinculada de seu autor. (...) O que constitui o seu valor é algo de espiritual. Um elemento de vida espiritual é misteriosamente aprisionado neles e pode ser captado pela alma que entra em contato com eles” (STEIN 1999c, p. 26).42
Como acontece essa apropriação do material externo pela alma? É pelas suas faculdades espirituais que essa apreensão é possível. A dimensão espiritual implica a possibilidade de abertura para o outro, para as coisas e para si mesmo (COELHO JUNIOR e MAHFOUD, 2006). Stein afirma que o órgão que abre o mundo para a alma é o
intelecto (verstand), definido por ela como o olho espiritual da alma (STEIN, 1999c, p. 26).
Os sentidos e o intelecto são os órgãos encarregados de procurar o material espiritual. Eles possuem uma força íntima denominada ânimo (Gemuet), que Stein descreve como o complexo de afetos e sentimentos que têm a capacidade de sentir quais das provisões adquiridas pelos sentidos e pelo intelecto têm valor para a finalidade formativa e quais não o têm (STEIN, 1999c). Isso quer dizer que nem todo o material trazido à alma serve para a formação. Aquilo que os sentidos e o intelecto assumem e acumulam na memória permanece matéria morta se não é acolhida no íntimo da alma, pelo núcleo. Stein a compara a um alimento não assimilado, que não apenas não contribui para a constituição do organismo como o pode prejudicar, como um corpo estranho que deve ser expelido. Ao contrário, aquilo que é acolhido no íntimo da alma se torna parte integrante, “componente tão inseparável quanto carne e sangue o são do corpo” (STEIN, 1999c, p. 28).
Segundo Rus (2006), a alma é capaz de ser receptiva aos valores em geral, mas nem todas as pessoas são igualmente receptivas aos mesmos valores. É necessária uma
abertura e uma disposição da alma para se deixar transformar por esses valores. Essa receptividade está mais ligada à vida afetiva e volitiva que ao intelecto, pois, como vimos, uma memória ou um pensamento não necessariamente tocam a alma, ou seja, não necessariamente têm uma influência sobre ela. Nesse sentido, Stein fala de uma educação para a receptividade da alma, e isto através da educação dos sentimentos. Segundo Garcia (1988, p. 90), “educar os sentimentos para a autora é formá-los para captar o valor”.
O tema da formação da afetividade é apresentado por Stein ao falar da alma feminina. Para a autora o centro da alma feminina é afetividade e, por isso, a importância em formá-la (STEIN, 1999a). Segundo a autora, a afetividade se manifesta em sentimentos (alegria, tristeza), disposições (jovialidade, abatimento), atitudes (entusiasmo, revolta) e emoções (amor, ódio), que são expressão do confronto do ser humano com o mundo. É a afetividade que movimenta o ânimo e, para despertá-lo, faz-se necessário colocá-lo em contato com algo que emocione, que o faça experimentar o prazer de lidar com o que é belo e bom. Mas, segundo a autora, o contato com o belo e o bem não é suficiente para a formação, porque a vida colocará a criança também em contato com o negativo. Nesse sentido, Stein fala da necessidade de formar a capacidade de discernimento, de maneira que a pessoa aprenda a fazer escolhas. A autora afirma que as tomadas de posição de seu ambiente ajudam a criança a criar um senso para o valor das coisas. O papel do educador é fundamental nesse sentido. Seu entusiasmo, por exemplo, desperta nela entusiasmo.
Falamos até aqui do material necessário à formação, e da receptividade da alma à este material. Mas, para que a alma se forme, não basta receber o material adequado. Ela necessita organizar e plasmar este material espiritual. Na medida em que o material é organizado, a alma se trans-forma (toma nova forma) e cresce, desenvolvendo-se em um duplo sentido: no sentido geral, como uma alma humana; e no sentido de suas particularidades, como alma única, singular.43 Na estrutura natural da alma existe uma
forma originária onde há um centro e uma periferia – lembremos da comparação citada anteriormente, da alma como um castelo que possui diversas moradas. Dentre os
43 Stein afirma, entretanto, que esses dois sentidos não são pensados separadamente, mas como uma
realidade indivisível, pois não existe alma que possa existir de outra maneira que em forma individual (STEIN, 1999c, p. 28).
materiais assumidos por ela, existem aqueles que pertencem à superfície-periferia e aqueles que pertencem à profundidade-centro. Supõe-se que os materiais devam ser ordenados conforme o lugar que eles ocupam e o significado que possuem na constituição do macrocosmo. O órgão que coordena a disposição do material na alma segundo esta ordem é a razão (STEIN, 1999c).
Dissemos anteriormente que a formação da pessoa acontece a partir da integração de fatores internos, externos e do livre arbítrio daquele que é formado. Vimos até aqui a importância dos fatores internos e externos. Vimos que a formação é um processo que parte do interior, das disposições originárias presentes em toda alma humana, que possibilitam o desenvolvimento em uma determinada direção. Vimos também que as forças da alma só conseguem operar quando dispõem de um material, proveniente do mundo externo, que as alimente (STEIN, 1999a). É importante notar que este material externo pode ser trazido de forma sistemática (na ação educativa) ou como influências aleatórias do ambiente. Tentaremos compreender, agora, o papel do livre arbítrio nesse processo.
Segundo Edith Stein (1999c, p. 30), toda educação é autoeducação. Isto significa que as ações dos órgãos espirituais que trazem à alma o seu nutrimento são uma ação livre. O corpo e alma são submetidos à vontade que pode selecionar ou repelir aquilo que lhe chega do exterior. “Em certa medida cabe a nós decidirmos se e como queremos fazer funcionar o nosso intelecto e, consequentemente, o quanto queremos ampliar o nosso mundo espiritual, o que queremos acolher em nós dos elementos culturais” (STEIN, 1999c, p. 26). Nessa livre escolha, a pessoa pode posicionar-se de diferentes maneiras. Pode omitir-se de decidir, escolhendo de modo arbitrário (sem o uso da razão), e pode também querer superar os limites naturais contidos em sua essência pessoal. Nesse caso, ela acaba distanciando-se de uma autêntica formação, aliena-se de si mesma e passa a viver de aparências (STEIN, 1999c). Esse é o perigo de processos imitativos através dos quais o sujeito aspira algo que não é parte do projeto traçado pela sua natureza. Como dissemos anteriormente, quanto mais próximo do núcleo o Eu caminha, mais perto ele está de atingir a autorrealização ou uma existência autêntica. Isto porque a autorrealização relaciona-se à realização da plena liberdade, da posse de si mesmo. A formação implica que o homem tome posse de si mesmo e, para isso, a alma precisa chegar a ser ela mesma em um duplo sentido: conhecendo-se a si mesma e tornando-se
ela mesma. Ora, é no centro da alma, no núcleo, que o homem entra verdadeiramente em relação com ele mesmo, que ele pode concentrar todo o seu ser, penetrar sua vida psíquica e descobrir o seu singular modo de ser, atingido uma liberdade maior para tomar decisões (RUS, 2006).
Vimos, portanto, a importância da interioridade e do livre arbítrio para a formação da pessoa. Vimos como a vida pessoal se origina no centro da alma e como o Eu pode oscilar a sua direção ora para o interior, caminhando para uma vida livre e autêntica, ora para a superfície, onde corre o risco de dispersar-se em modelos externos que não correspondem às suas possibilidades de realização. Ao abordar o tema da educação, Edith Stein afirma que é papel do educador auxiliar o educando a “viver a partir de sua alma”, explicitando com isso a importância das referências internas para a formação (RUS, 2006, p. 181).
Stein afirma que não estaremos nunca em grau de colocar as mãos com segurança infalível na educação do outro. Segundo ela, a intervenção no processo educativo consiste somente em trazer o material mais apropriado possível do ambiente, e o portar de forma tal, que suscite no educando o desejo de assumi-lo. Entretanto, se será verdadeiramente assumido e o que acontecerá depois disso – o que acontece no interior da pessoa – já não é mais papel do educador (STEIN, 1999c).
Além disso, Stein nos lembra que o trabalho humano de formação é apenas um dos fatores que intervém no processo de formação. Há também o papel da natureza e de outras influências que não é possível identificar completamente e nem enfrentar com absoluta segurança quando identificados. A autora nos lembra que o trabalho de formação costuma ser encerrado muito antes que o processo de formação esteja concluído e que pode ser considerado um grande sucesso quando o educando está disposto a prosseguir por conta própria.
As considerações acima nos remetem a uma característica muito importante a qual Stein (1999a) se refere ao falar do educador: a humildade. Ela afirma que a incerteza do trabalho formativo ensina o educador a encarar sua atividade com humildade. Por outro lado, a incerteza não deveria deixá-lo cético em relação a sua ação, pois muito se pode fazer pelo educando. Afirma que o educador pode agir no educando pela palavra que
ensina, pela ação pedagógica e pelo exemplo próprio, sendo este último, o melhor recurso educacional (STEIN, 1999a). Para ela, só uma pessoa formada pode formar. E isso exige do educador uma constante autoeducação. Em seus ensaios pedagógicos encontramos algumas frases da autora que expressam esta ideia:
As crianças na escola...não precisam apenas daquilo que temos, mas também daquilo que somos.
Todo trabalho educacional deve ter como base o amor que é perceptível em qualquer repreensão e que nem deixa aflorar o temor. O melhor recurso educacional não é a palavra docente e, sim, o exemplo vivo, sem o qual as palavras permanecem inócuas. (STEIN, 1999a, p. 13)
Para Stein, (1999a, p. 14) “a educação e o educador formam uma unidade orgânica”, ou seja, para ela, os objetivos e os meios da educação não são absolutos mas variam de acordo com a personalidade do educador, com sua visão de mundo, seus princípios e convicções, sejam eles tácitos ou expressos.
Seguindo essa mesma lógica, a autora nos lembra que tudo o que o interior da alma assimila acaba formando a alma e a pessoa toda, e que qualquer contato com pessoas – seu exemplo, seu comportamento para com o próprio jovem ou para com outras pessoas – pode ter o máximo efeito formativo, mesmo que não exista uma intenção formadora. Nesse sentido, ela afirma que a formação planejada deveria contar com essas influências espontâneas, tentando ganhar influência sobre o meio (STEIN, 1999a, p. 235).
Stein (1999a) afirma, ainda, que o essencial na formação humana é o ser humano, ou seja, o ser humano que acompanha e cuida do outro enquanto está fisicamente desamparado, mas que o acompanha também no caminho para a vida do espírito, colocando a pessoa em contato com a diversidade dos campos da cultura e ajudando-a a conhecer o campo que lhe é indicado por seu talento natural (STEIN, 1999a, p. 236).
Entramos aqui na visão da autora a respeito do sentido e da finalidade da escola. Para ela (STEIN, 1999a), a escola ultrapassa a função de substituir as comunidades educativas originais (família, por exemplo). Acredita que o trabalho de formação planejado, realizado por pessoas ou associações não deve ser subestimado. Como exemplo, cita a influência dos partidos políticos e do movimento feminista em seu
tempo. Por outro lado, afirma que o conflito entre instituições educativas pode ser evitado se cada uma se limitar a executar aquilo que corresponde ao seu próprio sentido e fim (STEIN, 1999a, p. 235).
Afirma também, que a escola não tem a função de “transmitir um extrato compendioso de todas as áreas do saber de nosso tempo”, pois, “mais vale a tentativa de educar pessoas que sejam suficientemente inteligentes e esforçadas para serem capazes de apropriar-se de qualquer matéria que venha a ser importante para ela” (Stein 1999a, p. 145).44
Segundo Stein (1999a), a escola possui o papel específico de introduzir a pessoa nos campos da cultura e ativar suas forças formadoras. Isso porque a vida no espírito se ascende tanto pela convivência com pessoas intelectuais, como no encontro com aquilo