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Architecture orientée clients pour une approche « CRM 360° »

II- Etude de cas : réseau de transport LiA au Havre

2.3. Vers une consolidation d’une base clients

2.3.3. Architecture orientée clients pour une approche « CRM 360° »

No que toca aos capítulos que integram os breves apontamentos sobre a morfologia e a sintaxe do Português, é mister sublinhar que a proposta de Oliveira, se comparada com a de Nebrija, implica uma redução da descrição quanto à matéria morfológica, porquanto não são abordadas classes de palavra

17 «[...] as dições cuja etimologia aq̉ buscamos ou são nossas proprias [...]. ou alheas [...]:

ou comũs [...]: τ cada hũa destas ou são apartadas [...] ou juntas [...]. ou são velhas [...] ou novas [...]. ou usadas [...]. Ou tabẽ sao proprias [...] ou mudadas [...] ou são premeiras [...]: ou tiradas» (Oliveira, 1536: f. [20r]).

18 Tal se torna explícito na defesa que faz Oliveira das «nossas dições», sublinhando a

antiguidade das palavras propriamente portuguesas, anteriores inclusive àquelas que entraram com a língua latina: «Poys se alguem me dixer q̃ podemos dizer como temos muytos vocabolos latinos τ que isto alcanção os homẽs doutos q̃ sabem lingua latina [...]. E não so latinos mas gregos arabigos castelhanos.franceses: τ toda q̃nta outra immundiçia poderem ajuntar. Preguutarlhey [sic] então que nos fica a nos? ou se temos de nosso alghũa cousa? τ os nossos homẽs pois são mais antigos q̃ os latinos nessa conuersação q̃ teuerão cõ os latinos: porq̃ tãbem não ensinarião? porq̃ serião em tudo τ sempre ensinados? eu não quero ter tam bayxo espirito τ cuidar q̃ deuo tudo: mas sempre afirmarey q̃ poys Quintiliano no primeyro liuro confessa q̃ os latinos vsauão de vocabolos emprestados quãdo lhos seus faltauão que tãbẽ da nossa lĩgua tomarão alghũs como nos tomamos da sua» (Oliveira, 2000[1536]: 281). Não parece haver dúvidas de que à referida afirmação subjaz a defesa do Português como língua, por assim dizer, primitiva no contexto ibérico, talvez como uma das 72 línguas originadas a partir da confusão babélica. Não fazemos, em todo o caso, uma apreciação negativa – contagiada pela nossa consciência linguística moderna – da proposta de Oliveira – como fez, com efeito, Eugénio Coseriu: «[...] Oliveira é, como acontece também com outros gramáticos sincronistas, um mau etimologista, e as suas ideias sobre a história da língua são, na maioria das vezes, ingénuas ou erradas» (2000: 32]) –. Enquadrado no contexto histórico, linguístico e cultural, Oliveira não faz senão dignificar a sua língua nacional por via do argumento da língua primitiva – anterior às outras –, tal como, aliás, certos autores tinham defendido na Península Ibérica, para o Basco (Etxebarría, 1999: 260-269) e para o Castelhano (Banher, 1966: 101-117; Binotti, 1995).

habitualmente descritas nas gramáticas renascentistas das línguas vulgares, como o particípio, o advérbio ou a interjeição, diferentemente da Gramatica

castellana, que estabelece dez partes da oração: «[...] serán por todas, diez partes

de la oración en el castellano: nombre, pronombre, artículo, verbo, participio, gerundio, nombre participial infinito, preposición, adverbio, conjunción» (1989[1492]: 175); por outro lado, a ordenação dos capítulos morfológicos diverge daquela que é apresentada na Arte castelhana do humanista andaluz. Oliveira inicia a exposição sobre as partes da oração com o artigo, para continuar com o nome, o verbo e a conjunção; por sua vez, Nebrija, na esteira da gramática latina renascentista, começa a matéria morfológica com uma pormenorizada descrição sobre o nome (1989[1492]: 176-191). De facto, como indica José Antônio Neto a propósito da descrição do artigo na gramática de Oliveira (1992: 122), este autor não apresenta definições sobre as diferentes classes de palavra, limitando-se apenas a caracterizar certos traços delas. Veja- -se, a respeito das partes da oração, a informação apresentada na Grammatica

da lingoagem portuguesa com a correspondente da Gramatica castellana:

Oliveira Nebrija

Nome

Os nomes se declinão em generos como moço.moça. τ em numeros como .moço τ moços. moça τ moças (2000[1536]:

304).

Nombre es una de las diez partes de la oración, que se declina por casos, sin tiempos, τ significa cuerpo o cosa

(1989[1492]: 176). Substantivo

e Adjectivo [Os nomes ajetivos τ

denotativos não tẽ çerto genero por si (2000[1536]: 306).]

Adjectivo se llama, por que siempre se arrima al substantivo; substantivo se llama por que está por sí mesmo, τ no se arrima a otro ninguno (1989[1492]: 177).

Pronome [Contudo nos tambẽ temos

casos em três pronomes: os quaes são. eu. me. mi. tu. . te. ti. se. si (2000[1536]: 311).]

Pronombre es una de las diez partes de la oración, la cual se declina por casos, τ tiene personas determina-das. E llámase pronombre, por que se pone en lugar de nombre proprio (1989[1492]: 192).

Artigo

Os artigos na nossa língua diuersificão ou varião a forma de sua voz em generos: numeros τ casos. em generos como .o. τ .a. τ ẽ numeros como .os. τ .as τ em casos como o. do. ω. o. α. dα. a. α.: os. dos. ω. os. αs. dαs. as. αs (2000[1536]: 301-

302).

Este [concerto] he o ajuntamento dos artigos os quaes juntos com os nomes declarão nelles tudo o que os casos Latinos τ antros Gregos os casos τ artigos juntamente

(2000[1536]: 310-311).

[...] [Os artigos] añadimos al nombre para demostrar de qué género es (1989[1492]: 194).

Verbo

Avendo de falar da analogia dos verbos não dizemos que cousa e verbo nẽ quantos generos de verbos temos: porque não e desta parte a tal accupação: mas so mostraremos como são diuersas as vozes desses verbos em generos: cõgujações. modos. tẽpos. numeros.τ pessoas. τ tambẽ com em cada genero. cõjugação. modo. τ tempo. numero τ pessoa desses verbos se proporcionão esas vozes τ medẽ hũas por outras

(2000[1536]: 311).

Verbo es una de las diez partes de la oración, el cual se declina por modos τ tiempos, sin casos. E llámase verbo, que en castellano quiere dezir palabra, no por que las otras partes no lo sean palabras, mas por que las otras sin ésta no hazen sentencia alguna, ésta, por ezcelencia, llamóse palabra (1989[1492]: 196).

Particípio

[Tãbẽ tẽ os nossos verbos gerũdios como sendo: amando: fazendo. τ partecipios como lido.amado: regido: lẽnte: regente: perseuerãte

(2000[1536]: 313).]

Participio es una de las diez partes de la oración, que significa hazer τ padecer en tiempo como verbo, τ tiene casos como nombre; τ de aquí se llamó participio, por que toma parte del nombre τ parte del verbo (1989[1492]: 203).

Gerúndio

Gerundio en el castellano es una de las diez partes de la oración, la cual vale tanto como el presente de infinitivo del verbo de donde viene, τ esta preposición en

(1989[1492]: 201).

N o m b r e participial infinito19

Una otra parte de la oración tiene nuestra lengua, la cual no se puede reduzir a ninguna de las otras nueve, τ menos la tiene el griego, latín, ebraico τ arávigo. E por que aún entre nos otros no tiene nombre, osemos la llamar nombre participial infinito: nombre, por que significa substancia τ no tiene tiempos; participial , por que es semejante al participio del tiempo passado; infinito, por que no tiene géneros, ni números, ni casos, ni personas determinadas (1989[1492]:

205).

19 O nombre participial infinito é, segundo afirma Antonio Quilis, «una creación de Nebrija

para explicar la forma perifrástica auxiliar con haber; por eso, según Nebrija, la mujer no dirá io e amada, sino io e amado, ni se dirá: Un grande tropel de cosas las cuales has hechas, sino las cuales has hecho» (1989: 40).

Preposição

Preposición es una de las diez partes de la oración, la cual se pone delante de las otras, por aiuntamiento, o por composición (1989[1492]: 207).

Advérbio

Adverbio es una de las diez partes de la oración, la cual, añadida al verbo, hinche, o mengua, o muda la significación de aquél

(1989[1492]: 209)20.

Conjunção

Conjunción es una de las diez partes de la oración, la cual aiunta τ ordena alguna sentencia (1989[1492]: 211).

1920

Do confronto apresentado, verifica-se que o objectivo de Oliveira não é senão caracterizar as partes da oração, por assim dizer, nucleares – o substantivo e as partes relacionadas com ele: o artigo e o pronome, e o verbo – para constituir a oração. De resto, já vimos, no passo reproduzido sobre o verbo, que Oliveira torna explícita a sua recusa em definir as classes de palavra «porque não e desta parte a tal accupação»; um comentário semelhante aparece no início do capítulo XLIII, dedicado ao artigo: «nam dizemos aindagora neste lugar nẽ livro que cousa he artigo: nem tampouco mostramos q̃l oficio tem: porq̃ aqui não falamos se não das formas ou figuras das vozes ou dições (2000[1536]: 301). A abordagem «formal» de Oliveira talvez deva ser relacionada com uma análise dos factos de língua numa perspectiva sintagmática; assim parece acontecer, por exemplo, no desenvolvimento da matéria sobre os artigos, a respeito dos quais se realçam sobretudo as propriedades sintácticas, enquanto índices casuais que materializam as funções oracionais (Oliveira, 2000[1536]:

19

20 Por sua vez, a interjeição é integrada, no plano gramatical de Nebrija, no advérbio: «Los

latinos [...] pusieron la interjectión por parte de la oración, distinta de las otras; pero nos otros, a imitación de los griegos, contamos la con los adverbios. Assí, que será interjectión una de las significaciones del adverbio, la cual significa alguna passión del ánima, con boz indeterminada (Nebrija, 1989[1492]: 210).

302-303). O caso de Nebrija é, pelo contrário, bem diferente, porquanto a abordagem se situa no plano predominantemente paradigmático21.

No que se refere à sintaxe, não se pode dizer com certeza que Oliveira se baseie na gramática castelhana de Nebrija:

Oliveira Nebrija

Sintaxe

Agora vejamos da cõposição ou conçerto que as partes ou dições da nossa lingua tẽ antre si como em qualq̃r outra lingua: τ esta he a derradeira parte desta obra: a qual os grãmaticos chamão cõstruição (2000[1536]: 313).

En el libro passado diximos apartada mente de cada una de las diez partes de la oración. Agora, en este libro cuarto, diremos cómo estas diez partes se an de aiuntar τ concertar entre si. La cual consideración, como diximos en el comienço de aquesta obra, los griegos llamaron syntaxis; nos otros podemos dezir orden o aiuntamiento de partes

(1989[1492]: 215).

No entanto, Oliveira utiliza, na definição, um termo que já aparece em Nebrija (‘conçerto’ / ‘concertar’). Por outro lado, o gramático português parece indicar que as regras sintácticas estão presentes em todas as línguas... Talvez esta afirmação tenha sido inspirada na reflexão que o humanista andaluz leva a cabo no fim do capítulo I do livro IV, no sentido de as regras sintácticas serem inerentes a qualquer língua:

Este concierto de las partes de la oración entre sí es natural a todas las naciones que hablan, porque todos conciertan el adjetivo con el substantivo, τ el nominativo con el verbo, τ el relativo con el antecedente; mas, assí como aquestos preceptos son a todos naturales, assí la outra orden τ concordia de las partes de la oración es diversa en cada lenguaje (Nebrija, 1989[1492]: 216).

21 No caso referido da descrição do artigo, José Antônio Neto sublinha a divergente

análise sobre os casos em Oliveira e em Nebrija: «Oliveira’s approach in reference to the cases, it seems, differs from Nebrija’s in the sense that Oliveira puts emphasis on the function of the article in front and in combination with nouns, while Nebrija focus is on the Latin declension, that is, the structure of the sentence depends on whether the noun shows the genitive, dative, or some other case» (1992: 128).

5. Conclusões

Ao longo dos apartados anteriores, verificámos que Oliveira é um profundo conhecedor dos saberes que Antonio de Nebrija transmitiu na sua

Gramatica castellana; a tal deve ter ajudado a composição do manuscrito sobre

a obra do Nebrissense. Vimos, no entanto, que Oliveira, na referida cópia, não se limita apenas a reproduzir de forma literal os conteúdos da gramática do humanista andaluz; pelo contrário, em certos trechos chega a reformular, suprimir, acrescentar ou mesmo redistribuir a matéria. Pode dizer-se que, partindo da gramática castelhana de Nebrija, em certos casos, suprime informações que – provavelmente – não eram do agrado do sentimento nacional do gramático português; introduz e desenvolve ideias exclusivas do autor português, reordena conteúdos, altera exemplos... Talvez, segundo ficou dito, toda essa tarefa tivesse como objectivo a utilização dos dados linguísticos sobre o Castelhano para a redacção de uma Arte – stricto sensu – da língua portuguesa, projecto este que não foi concretizado.

Pensamos que esta atitude, por assim dizer, crítica das ideias contidas na Gramática castellana se pode também detectar na Grammatica da lingoagem

portuguesa. Oliveira, leitor atento da Arte castelhana nebrissense, aproveita

frequentemente motivos argumentativos e propostas gramaticais do humanista de Lebrija; no entanto, parece-nos igualmente evidente que não é infrequente a reformulação deles e mesmo a reacção, no plano discursivo, perante certos argumentos de tipo ideológico. É muito provável que uma das manifestações deste confronto argumentativo – em nosso entender, pouco estudada pelos investigadores – resulte ser a incipiente configuração daquilo que poderia designar-se de «teoria do Português primitivo» – aspecto que muito acertadamente salientou José Eduardo Franco22 –, num contexto cultural

22 «Atente-se ao facto de que se enquadrava no fito programático do projecto gramatical

de Oliveira a defesa da tese de um desenvolvimento original da Língua Portuguesa, autónoma da Língua Latina, a partir de uma matriz primigénia, que remontaria aos míticos povoadores bíblicos do território português. Estes povoadores teriam fundado Portugal a partir de uma terra «erma» (Franco, 2000: 36). Seguindo Franco, não podemos, por isso, concordar com a interpretação – a nosso ver, errada – que José Luis Rodríguez faz de um passo bem conhecido da Grammatica da lingoagem portuguesa – «E pois a gramatica e arte q̃ ensina a bem ler τ falar: saybamos quem primeiro a ensinou τ onde τ como: porq̃ tambẽ agora a possamos vsar na nossa antigua τ nobre lingua» (Oliveira, 2000[1536]: 248) –: «Fernão de Oliveira – afirma o referido investigador – fala da “nossa antiga e nobre língua” [...], digna de ser posta em arte, mas como sintagma isolado, com objectivo intensificador» (Rodríguez, 2005: 611, n.ª 45). À luz de outras passagens da obra gramatical de Oliveira (cf. supra, nª 17), julgamos que não se pode justificar uma interpretação figurada das palavras do gramático renascentista.

em que se pretende dignificar a língua nacional, tratando de a identificar – tal como outros autores fizeram, durante os séculos XVI e XVII, a propósito do Basco e do Castelhano – com uma das 72 línguas originadas pela confusão babélica.