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de calefação: o ambiente B era um misto de apodyterium e vestíbulo que contava com uma parte do circuito de ar quente do hypocaustum, o ambiente E era um ambiente circular com 1,20 m de diâmetro destinado à sauna seca, erguida sobre o hypocaustum, o ambiente D tinha a forma retangular e três banheiras individuais para banho de imersão que eram aquecidas por uma tubulação subterrânea cujo ar quente era originário de um único forno, o ambiente G, um imenso thólos de 4,50 m de diâmetro, contava com nove banheiras individuais para banho de higiene e cuja água era aquecida por uma instalação localizada a sudeste do ambiente e na proximidade do forno. O banho de Gortys se definiria pela prática do banho de higiene e pelo banho de relaxamento com salas para ambas as práticas. Segundo o autor, o sistema de aquecimento deste balaneîon se descreve por uma única fonte geradora de calor, ao par, o recurso a possíveis braseiros como aqueles existentes posteriormente nas termas de Pompéia [47]. O forno se situa no ambiente Y e a difusão do calor se faria por uma rede subterrânea de canais ou tubulação que passava sob várias salas do edifício, no que Thébert classifica como um sistema de calefação constituído por um longo canal de calor se desdobrando em alguns percursos em anéis sob uma parte dos pavimentos.
O segundo tipo corresponderia aos balaneia no Egito ptolomaico que se caracterizou pela longa duração na manutenção do banho do tipo grego ao lado das mais avançadas instalações termais romanas.
O terceiro tipo de banho complexo diz respeito àqueles edifícios que emergiram no ocidente do Mediterrâneo, com destaque para a Sicília e a Magna Grécia, é considerado o grupo mais homogêneo dos três tipos. O principal elemento de distinção dos outros dois grupos é a substituição das banheiras individuais de imersão por uma piscina coletiva de imersão aquecida por um hypocaustum integrada numa ampla sala com bancos, à semelhança do que seria adotado posteriormente entre os romanos. Trümper atribui pelos menos quatro banhos a essa categoria: Mégara Hyblaea, Siracusa, Velia e o Banho Norte de Morgantina. A arquitetura destes edifícios se destaca por um espaço central que daria acesso a duas áreas separadas para banho de higiene e para o banho de relaxamento, a rotunda com as banheiras individuais com dois espaços contíguos e a um grande ambiente com uma piscina coletiva, respectivamente.
O sistema de aquecimento do hypocaustum no mundo grego até o final do século II e começo do I a.C. pode ser definido como um sistema primitivo de aquecimento subterrâneo do pavimento superior que por meio de canais ou tubos conectados aquecia os ambientes destinados a contar com banho quente ou morno e a prática do suor seco.
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Para Nielsen, a desvantagem desse sistema é o precário aquecimento de todo o pavimento, sendo que em geral apenas a área coberta pelos canais subterrâneos seria aquecida com alta temperatura, tornando inviável aos banhistas transitar sobre essas áreas, estando o resto do pavimento frio. De acordo com Redon e Fournet, ao estudarem o sistema de aquecimento no mundo grego, o aquecimento dos banhos tinha pelo menos que ter propósitos básicos, válidos tanto para os banhos gregos quanto para os romanos: o sistema de aquecimento deveria fornecer água quente para as banheiras, individuais ou coletivas, contando para isso com caldeiras e tanques de água quente ou morna para os banhistas, e geralmente situados do lado de fora do prédio; aquecer por meio de canais de hypocaustum as banheiras; aquecer espaços necessários e adequados para um banhos de vapor ou suor, secos ou úmidos (TRÜMPER, 2009:139-152; THÉBERT, 2003: 49-52; MALACRINO, 2010: 176-177; YEGÜL, 1995: 380; FOURNET, 2013: 239-240; NIELSEN, 1993: 6-8, 20-21).
Por sua vez, o sistema de aquecimento no contexto itálico pré-hypocaustum se observa principalmente nos ambientes domésticos e rurais da Itália Central. O filósofo Sêneca, numa das suas mais famosas passagens nas Epístolas a Lucílio80, descreve o cenário dos banhos primitivos na villa de Cipião louvando a simplicidade daquelas instalações rudimentares e escuras, sem adornos luxuosos, ampla iluminação ou água de fontes termais ou límpidas. Uma das críticas de Sêneca jaz na temperatura dos banhos de sua época. Segundo o autor latino, caberia aos ediles do período republicano como Catão ou Fábio Máximo o controle da temperatura da água através das suas próprias mãos, ou seja, ás aguas deveriam estar numa temperatura agradável e conveniente, portanto uma crítica elogiosa sobre aquela época, e não como se habituou no século I d.C. a temperaturas tão altas capazes de queimar alguém vivo. Neste caso, para Sêneca, os
80Sed, di boni, quam iuvat illa balinea intrare obscura et gregali tectorio inducta, quae scires Catonem tibi aedilem aut Fabium Maximum aut ex Corneliis aliquem manu sua temperasse? Nam hoc quoque nobilissimi aediles fungebantur officio intrandi ea loca, quae populum receptabant, exigendique munditias et utilem ac salubrem temperaturam, non hanc, quae nuper inventa est similis incendio, adeo quidem, ut convictum in aliquo scelere servum vivum lavari oporteat. Nihil mihi videtur iam interesse, ardeat balineum an calcat. – Mas, bom deus, como seria agradável entrar naqueles banhos escuros e recobertos por estuque
de dois soldos, sabendo-os preparados para ti pelas mãos de um edil [magistrado] como Catão ou Fábio Máximo ou algum dos Cornélios! Esses muito nobres edis tinham também a tarefa de entrar nos locais destinados ao povo e de verificar-lhes a limpeza e a temperatura, que deveria ser correta e saudável, não como aquela recebida há pouco tempo, quente como um incêndio, ao ponto de ser boa para esfolar vivo um escravo. Apanhado em flagrante. Parece-me que agora não há diferença entre um banho quente e um escaldante (Epístolas morais a Lucílio, 86.10).
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romanos de sua época já não sabiam mais distinguir as diferentes temperaturas entre o morno e o quente.
Obviamente, a passagem de Sêneca refere-se a uma das mais antigas tradições dos banhos domésticos, principalmente no meio rural, que em termos latinos se define como lavatrina. A lavatrina, em seu componente tecnológico de aquecimento, se caracterizava como uma sala ou ambiente de banho localizado ao lado da cozinha da qual aproveita o forno para o aquecimento da água destinada ao banho de higiene, que era derramada na banheira ou tanque por um orifício vazado na parede (trua) entre os dois ambientes, e como recorda Sêneca a respeito dos hábitos camponeses e heróicos de banho de Cipião, provavelmente similar às lavatrinas - Quas nunc quorundam voces futuras credis? " Non invideo Scipioni; vere in exilio vixit, qui sic lavabatur." Immo, si scias, non cotidie lavabatur. Nam, ut aiunt, qui priscos mores urbis tradiderunt, brachia et crura cotidie abluebant, quae scilicet sordes opere collegerant, ceterum toti nundinis lavabantur. Hoc loco dicet aliquis: "olim liquet mihi inmundissimos fuisse. Quid putas illos oluisse?" Militiam, laborem, virum. Postquam munda balnea inventa sunt, spurciores sunt (Epístolas morais a Lucílio, 86.12)81.
Segundo Yegül (1995), com base nas pesquisas de Francesco di Capua, as tradições camponesas da Itália Central tinham profundas convicções na eficácia medicinal do banho de suor, uma prática possível de ser realizada em frente dos fornos antigos ou em salas específicas para esse propósito, como nas villae (casas de fazenda) com os seus caldários rústicos que se assemelhavam aos laconica ou assa sudatoria vitruvianos. Além deste primitivo caldarium, uma sala de passagem com uma temperatura média, semelhante ao tepidarium ou ao apodyterium das termas, se localizava ao seu lado e ambos se complementavam com a lavatrina. Em resumo, segundo o arquiteto americano, as casas de fazenda já contavam, principalmente no Lácio e na Campânia, com elementos de banhos que se estruturaram como as posteriores termas do período imperial inicial.
81Tradução – Que coisa pensas que alguém dirá agora? “Não invejo Cipião: realmente viveu no exílio
alguém que se lavava assim.” Antes, se queres saber, não se lavava nem mesmo todos os dias; segundo o relato dos escritores nos transmitiram os costumes arcaicos de Roma, os nossos antepassados lavavam os braços e as pernas todos os dias pois, evidentemente, exerciam conjuntamente trabalhos sujos, enquanto o resto do corpo o lavavam uma vez por semana. Alguém neste ponto diria: “É claro que eram muito sujos”. Para ti, que cheiro tinham? De soldado, de trabalhador, de homem. Depois da invenção destes banhos elegantes, há gente mais imunda.
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Podemos dizer que o foco principal dos banhos domésticos rurais do início do século II a.C. era a sua proximidade com a cozinha, com a qual compartilhavam o forno e o fogo para o aquecimento da água da caldeira e do ambiente de banho. Outro artifício para o aquecimento dos ambientes domésticos ou dos banhos era a utilização de um braseiro móvel em épocas mais frias, principalmente nos laconica e caldaria que não contavam ainda com um hypocaustum como aquele que aquecia os alvei nos Banhos republicanos, como o exemplar ricamente decorado existente na terma do Fórum em Pompéia doado por Nigidius Vaccula. Para Adam, o recurso a esse sistema móvel de aquecimento tinha o inconveniente da intoxicação por dióxido de carbono se mantido acesso durante a noite em ambientes com pouca ventilação, além de apresentar uma calefação ambiental medíocre. (YEGÜL, 1995: 50, 377; NIELSEN, 1993: 13, ADAM, 2011: 287-288, MALACRINO, 2010: 177, 180).
A atribuição da invenção do verdadeiro hypocaustum por Sergio Orata em c. 100- 80 a.C., ainda que já seja um assunto polêmico ultrapassado pela descoberta arqueológica de uma sala com hypocaustum na terma da fase II de Fregellae datada do século II a.C., não deixa de ser relevante a sua exposição aqui. Esse “inventor” do hypocaustum romano ou balneae pensiles foi creditado em várias passagens nos autores latinos como Cícero, primus balneola suspendit (Hortensius, fgt 76)82, em Valério Máximo, C. Sergius Orata pensilia balinea primus facere instituit; quae impensa, levibus initiis coepta, ad suspensa calidae aquae tantum non aequora penetravit (Valério Máximo, IX 1.1)83 e Plínio o
Velho, Ostrearum vivaria primus ommnium Sergius Orata invenit in Baiano aetate L. Crassi oratoris ante Marsicum bellum, nec gulae causa, sed avaritiae, magna vectigalia tali ex ingenio suo percipiens, ut qui primus pensiles invenerit balineas, ita mangonicatas villas subinde vendendo (História Natural, IX, 79. 168)84 pela sua descoberta do sistema de aquecimento termal com base no seu cultivo de ostras e pela observação do aquecimento natural das águas dos campos de Baiae próximo ao Vesúvio. De qualquer maneira, sendo ou não um personagem real Sergio Orata não é mais considerado o inventor do hypocaustum na literatura arqueológica há um bom tempo devido às
82 Tradução – a primeira casa de banho suspensa. 83
Tradução – C. Sérgio Orata a primeira casa de banho suspensa feita e instituída; o que custas, da primeira suspensa iniciada, ter passado através do mar, em suspenso, não só para a água aquecida.
84 Tradução – a primeira pessoa que construiu uma “fazenda de ostras” artificial foi Sérgio Orata, que a estabeleceu em Baia, na época de L. Crasso o orador, pouco antes da guerra Mársica. Foi construída por ele, não para a satisfação da gula, mas da avareza, como planejou fazer um grande rendimento através do exercício da sua ingenuidade. Ele também foi o primeiro a inventar os banhos suspensos, e depois de comprar as villas e adaptá-las, ele as vendeu novamente.
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descobertas arqueológicas na Itália como no ambiente 15 da terma da fase II em Fregellae [45] e na terma de Estábia do IV período em Pompéia com a instalação dos hypocausta nos ambientes quentes [47], ambas datadas no século II-I a.C., ou o caldarium de banho IV em Olímpia na Grécia, com uma datação problemática entre 100 e 50 a.C. Assim, talvez Orata tenha apenas utilizado e popularizado o artifício por meio do seu comércio (YEGÜL, 1995: 377-379; THÉBERT, 2003: 80-83; NIELSEN, 1993: 21-22; ADAM, 2011: 288).
A seguir, exporemos as principais características do hypocaustum romano percebidas pelos especialistas modernos com base na bibliografia consultada. Naturalmente, muitos deles tratam apenas das características estruturais gerais que definem essa parte do complexo de aquecimento das termas. Assim é o caso de Carmelo Malacrino (2010: 181-182), Inge Nielsen (1993: 14), Jean-Pierre Adam (2011: 290-291) e Fikret Yegül (1995: 356-357), que descrevem a estrutura desse complexo. Embora já tenhamos iniciado este sub-tópico com uma descrição geral, queremos apresentar como eles entendem esse componente do complexo de calefação termal.
Tendo origem no grego, o hypocaustum descreve um espaço vazio abaixo dos pavimentos dos banhos quentes. Este espaço vazio se compunha de um pavimento ou piso suspenso que se apoiava sobre pilares erguidos com tijolos quadrados do tipo bessales de 0,20 m de lado dispostos numa grade regular e espaçada igualmente entre eles, tendo a altura das pilae variando entre 0,60 a 1,00 m. Sobre cada pilar se assentavam os cantos de quatro tijolos quadrados bipedales com 0,60 m de lado que suportavam o peso da concretagem de argamassa hidráulica com 0,20 m de espessura e do revestimento pétreo ou musivo, sendo que o total das suspensurae alcançariam em torno de 0,30 a 0,40 m de espessura, como já expusemos no começo. Na perspectiva de Nielsen, que também é a nossa, poderia se falar tanto do hypocaustum como elemento estrutural e vazado do sistema de aquecimento quanto do sistema de hypocaustum que englobaria as suspensurae ou hypocaustum, o praefurnium e as concamerationes.
Para Taylor, a importância do hypocaustum, um componente estático da estrutura edilícia termal, se dá na sua capacidade de distribuir o gás quente e a fumaça dos fornos até as paredes duplas e as chaminés numa rede labiríntica, portanto a sua construção deveria estar em sintonia com todo o complexo do sistema de aquecimento. Ao lado disso, o próprio sistema como um todo deveria ser capaz de aquecer toda a área coberta pelo pavimento superior e inferior, assim como regular a temperatura de aquecimento das
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piscinas que se constroem sobre os pilares inseridos na câmara do hypocaustum por meio maior número de fornos acoplados à mesma (TAYLOR, 2003: 84-86).
A pesquisa realizada por Jean- Marie Degbomont (1984: 97-132) nos é valiosa por causa da percepção diferenciada que o arqueólogo nos apresenta acerca dos termos e das disposições arquitetônicas e tecnológicas dos banhos romanos. Tendo consciência de que o foco da análise dele foram os banhos domésticos da Bélgica romana muitas das informações podem ser aplicadas às termas públicas também. No caso do hypocaustum, o autor emprega em sua pesquisa um termo diferenciado – câmara de calor – por acreditar que seja o mais adequado para diversos autores e pela inexistência de termo equivalente em latim. Degbomont não considera, portanto, adequado o uso do termo latinizado do grego – hypocaustum, o que em si parece mais objetivo ao se considerar a tradução literal do termo. Ao contrário do termo latino solum definido no Dictionnaire Méthodique, o pesquisador emprega o termo area para o pavimento da câmara de calor, estando de acordo com o uso corrente na maior parte com a literatura arqueológica e clássica.
Com relação à estrutura básica que compõe esta câmara de calor ou hypocaustum, Degbomont não traz grandes novidades se comparamos com os outros especialistas na arquitetura romana. Para as pilae, tirando a descrição tradicional sobre a sua composição estrutural à base de tijolos sobrepostos e argamassa ou argila como ligante, elas se dividiam em clássicas, segundo a prescrição vitruviana das pilae com dois pés de altura (c. 0,60 m) e de tijolos bessales ou em diversos formatos, e os diversificados, com o emprego de tubuli, monólitos ou colunas. Os componentes mais interessantes são os dois pavimentos, superior (suspensura) e inferior (area), e as paredes que cercam a câmara. No que diz respeito às areae, à parte as prescrições de Vitrúvio com relação ao tipo de tijolo a ser assentado – sesquipedales, o pesquisador francês descreve a forma como o pavimento era construído. Sobre a terra já aplainada se colocavam pedras planas na posição vertical devido à maior resistência e entre elas cascalhos menores formando um leito rochoso sobre o qual se disporia uma camada espessa de argamassa hidráulica para, em seguida, assentar as placas de lateres coctis quadradas ou de tegulae, ou também apenas uma concretagem mais fina e nivelada, em geral de opus signinum também. A estrutura tripla das areae se assemelha à descrição de Vitrúvio para a construção dos pavimentos romanos tradicionais (ver tópico sobre a técnica dos pavimentos). Já os revestimentos das paredes da câmara de calor, eram assentados em fiadas com tijolos cozidos devido às suas qualidades refratárias, em geral de formato retangular. O ponto de interesse nas paredes dos ambientes quentes, afora a própria técnica de construção delas,
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é a maneira como a passagem do ar quente se fazia entre a câmara e os tubos e as tégulas. Na junção entre as paredes do hypocaustum, as concamerationes e a suspensura havia um vão ou espaço livre de interligação que possibilitava ao ar quente subir pelos vãos parietais até as abóbodas. Acerca das informações sobre as suspensurae das termas, o autor nos esclarece que a análise dos vestígios arquitetônicos das termas surpreende pela maneira como os antigos construtores foram fiéis às recomendações de Vitrúvio sobre a maneira correta de construção e os materiais empregados para estes pavimentos suspensos, ou balnea pensiles.
Portanto, a descrição do autor latino no começo deste tópico é válida para a descrição construtiva deste pavimento erguido sobre pilares. O dado original é sobre a espessura desta tripla camada que compunha as suspensurae termais, pois elas deveriam proteger os banhistas das altas temperaturas alcançadas no subsolo.
Para finalizar, uma última questão que merece apenas uma breve menção, devido ao fato que tanto Yegül (1995: 380-381) quanto Nielsen (1993: 17-18) a abordam numa exposição técnica e longa que para o nosso objetivo aqui seria inviável. Trata-se do nível de temperatura alcançado dentro das termas por meio do sistema completo do hypocaustum (piso, parede e forno), ou através da pergunta feita pelo pesquisador americano Fikret Yegül – Quão quente era um banho romano? –, lembrando que os antigos não tinham como medir científica e adequadamente o nível da temperatura e umidade dentro de um espaço fechado aquecido. Uma alusão é feita à passagem de Sêneca sobre a comparação entre o calor dos banhos da época imperial e aquele de Cipião no período republicano, já aludido por nós anteriormente.
A temperatura dentro dos ambientes aquecidos das termas poderia variar devido a fatores como tempo de aquecimento promovido pelo balneator (administrador dos banhos), a temperatura dos pavimentos e das paredes também poderia variar enormemente para cima a ponto de os banhistas necessitarem utilizar sandálias no interior dos edifícios. Yegül cita a experiência realizada na terma do Fórum em Óstia na qual chegou-se a uma média de 37,8 º C para o pavimento.
Já no relato das experiências científicas promovidas por pesquisadores alemães e austríacos focalizando os pavimentos suspensos, as paredes tubuladas e as piscinas levavam por meio da vaporização da água a um ambiente altamente sudorífero. Em síntese, segundo Nielsen, a temperatura dentro de uma terma do século I d.C. poderia ser realmente muito alta por causa de fatores como o aquecimento da suspensura, a tubulação parietal que promovia a passagem dos gases quentes em direção ao exterior e a radiação
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solar através de amplas janelas. No caldarium a temperatura chegaria a 50ºC, as piscinas teriam uma variação em torno dos 40º C, e nos laconica e sudatoria em torno dos 80ºC, extremamente alta.
17. Seção de um hypocaustum85.
85 Tradução para o português das legendas em inglês: A. argamassa de cal; B. tubuli; C. argamassa de tijolo moído (opus signinum); D. revestimento com placas de mármore; E. pavimentação em laje de pedra do piso; F. argamassa; G. concretagem da suspensura; H. tijolos bipedales; I. pilae de tijolos bessales; J. abertura do forno (praefurnium).
143 | P á g i n a Material laterício termal nas Hispaniae – já tratamos sobre os materiais laterícios num contexto geral construtivo romano, inclusive fornecendo um quadro com as descrições terminológicas dos principais tipos. Aqui utilizaremos como base os estudos de Carmen Fernández Ochoa (1999: 291-305, 2004: 167-185) e Lourdes Roldán Gómez (1987: 101-202, 1999: 179-204, 2008: 749-773), pelo simples fato de que ambas as pesquisadoras tiveram a oportunidade de analisar in loco a maioria, se não todos, os sistemas de aquecimentos termais na Península Ibérica e propor uma análise tipológica e descritiva dos elementos em terracota que fazem parte da estrutura termal.
Assim, introduziremos os resultados da longa pesquisa realizada por Fernández Ochoa ao longo da década de 1990, uma síntese um pouco mais completa do que aquela