statistiques : une revue des approches existantes
4.4 Imputation simple
4.4.4 Approches factorielles pour l’analyse exploratoire
Para além do projecto SaudAR, já referido anteriormente, vários outros estudos relacionando as doenças respiratórias crónicas com a qualidade do ar foram feitos em Portugal. O estudo PM Lx - Diagnóstico e Metodologia para o Estudo dos Efeitos das
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Partículas Finas na Cidade de Lisboa (Ferreira et al, 2009) permitiu identificar uma relação significativa entre a poluição do ar e o atendimento na urgência pediátrica por doenças respiratórias, para além de coincidências na distribuição espacial de PM10 e da
procura no atendimento pediátrico, na cidade de Lisboa. Um outro estudo, Saúde Ambiental em Ambiente Escolar (Fernandes et al, 2009) de acompanhamento de alu- nos adolescentes de escolas da cidade do Porto tendo por base o questionário do estudo ISAAC, caracterizou a qualidade do ar interior nas escolas e conclui que, embo- ra no geral sem associações estatisticamente significativas, as escolas com piores indi- cadores de qualidade do ar apresentavam maior prevalência de sintomas respiratórios.
De acordo com o Relatório do Observatório Nacional de Doenças Respiratórias (2006), a mortalidade por Doenças Respiratórias nas quais se inclui, a tuberculose, cancro do pulmão e doenças do Aparelho Respiratório que engloba, asma e doença crónica das vias aéreas, diminuiu no período 1998-2003 para todas as doenças, com excepção para o cancro do pulmão, cuja taxa de mortalidade aumentou 7,2%. No entanto o número de episódios ocorridos em ambulatório no ano de 2005, aumentou face ao ano anterior, como demonstra a tabela 3:
Tabela 3: Episódios de Doença Respiratória em Ambulatório -Retirado de Relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias 2006 (Fonte: Relatório anual GDHs, Instituto de Gestão Informáti-
ca e Financeira da Saúde, 2005)
Número de doentes saídos de internamento hospitalar 2004 2005 Variação Doenças Malignas Respiratórias 14.259 15.074 +5,7%
DPOC 8867 9.815 +10,6%
Pneumonia e Pleurisia Simples 18.863 22.790 +20,8%
Asma e bronquite 5.537 7057 +27,5%
Doença Pulmonar intersticial 884 900 +1,8%
Infecções e inflamações respiratórias 5.522 5.291 -4,7%
Total todos GDH 1.051,27 1.065,77 +1,4%
GDH: Grupo de Diagnóstico Homogéneo
Em Portugal, estima-se uma prevalência de asma de cerca de 10%, pelo que esta doença afecta aproximadamente um milhão de portugueses, com custos directos
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e indirectos muito significativos (Gaspar et al, 2006). O nosso país colaborou no ECRHS, tendo sido possível obter dados da prevalência de diversos sintomas de asma das regiões do Porto e de Coimbra, e no ISAAC durante as três fases do estudo. Neste últi- mo estudo, encontrou-se uma prevalência de asma de 12,8% em 94/95 e de 15,7% em 2000/2001, o que representa um aumento de 23%. Ou seja, também no nosso país se verifica um aumento das taxas de incidência e prevalência desta doença. (ONDR, 2007) Constatou-se no nosso país uma descida gradual das taxas de mortalidade por asma desde a década de oitenta até à presente década, e actualmente estas taxas são semelhantes às observadas em outros países desenvolvidos. Relativamente à distribui- ção das taxas de mortalidade pelos diferentes grupos etários, verifica-se que a morta- lidade por asma no grupo etário pediátrico é um evento raro, sendo as taxas mais ele- vadas encontradas nos indivíduos com mais de 65 anos. No ano de 2004 apenas ocor- reu um óbito de asma em crianças (Taxa de mortalidade por asma por 100 000 habi- tantes=0,06%) para 88 óbitos em idosos (Taxa de mortalidade por asma por 100 000 habitantes=4,91%). Existe alguma variação regional destas taxas, sendo possível identi- ficar regiões com valores superiores às taxas nacionais, como é o caso das regiões Cen- tro, Alentejo e Madeira, uma região com taxas inferiores, a região Norte, e as restantes regiões com taxas semelhantes ao total nacional.No seu relatório de 2007, o Observa- tório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), refere que a descida das taxas de mortalidade permite sugerir que tenham existido significativos progressos nas tera- pêuticas instituídas.
No estudo realizado por Gaspar et al (2006), foram analisadas taxas de inter- namento hospitalar por asma, em Portugal Continental, entre os anos de 1995 e 2005, tendo-se vindo a assistir a uma diminuição progressiva e sustentada (-44%). Em 1995, a taxa de internamento foi de 54,07 por 100 000 habitantes, enquanto em 2005 a taxa de internamento foi de 28,81 por 100 000 habitantes. No entanto, os dados de 2006 contrariaram a tendência de descida verificada, verificando-se um aumento de cerca de 15,5% (ONDR, 2007).
Relativamente aos internamentos hospitalares, existem variações regionais, apresentando as regiões do Algarve, Centro e Lisboa e Vale do Tejo as taxas de inter- namento mais elevadas, e a região Norte e Alentejo as mais baixas. Os autores suge-
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rem várias justificações para estas diferenças, como sejam as diferentes realidades de assistência médica, e as redes de referenciação do sistema de saúde. Relativamente à distribuição etária destas taxas, o maior número de internamentos correspondeu ao grupo etário 1-15 anos, correspondendo a 81,64 por 100 000 habitantes no ano de 2005 (1269 internamentos pediátricos por asma). Note-se que o número mais alto de internamentos ocorreu na faixa etária até aos quatro anos (correspondendo a mais de 20% do total de internamentos por asma), reflectindo estes dados a tendência interna- cional de que o grupo de maior risco é o grupo de crianças até aos 5 anos de idade.
Este decréscimo das taxas de internamento hospitalar poderá ser um indicador de que os doentes no ambulatório estarão a ser melhor controlados, até porque o número de doentes parece ter vindo a aumentar [Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR, 2006). No entanto, um estudo efectuado nas Farmácias Portu- guesas tendo por base o questionário ACTTM (Asthma Control Test), verificou que a asma só estava controlada em 7,9% da população asmática inquirida, contra 61,2% que tinham a doença não controlada.
Apesar de os indicadores referidos anteriormente serem favoráveis a ONDR (2006) aponta alguns constrangimentos para o controlo e prevenção desta doença. É referido que continuam a existir distorções na prescrição de broncodilatadores, indi- ciadores de má prática clínica nalguns casos; há indicadores de alguns erros de prescri- ção, de comunicação médica e de ensino do doente, apesar dos esforços de ensino continuado já realizados; o peso financeiro dos medicamentos continua alto e é factor de não cumprimento das medicações; o regime de comparticipação do Estado nos medicamentos para o tratamento da asma é inadequado e injusto.
Relevante é ainda o facto de os custos directos (custos hospitalares, assistência médica, medicação) com a asma terem aumentado 44% entre 1995 e 2005, represen- tando cerca de metade dos custos com as doenças alérgicas (ONDR, 2006).
Quanto à DPOC, entre nós calcula-se que sofram desta doença indivíduos entre os 35 e os 69 anos correspondendo a 5,42% da população (Rodrigues et al, 2003). Aci- ma dos 60 anos a prevalência é de 13% no homem e 10% na mulher (ONDR, 2006). A doença atinge mais os homens do que as mulheres devido ao maior número de homens fumadores, já que o tabaco é considerado o maior factor de risco para o
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desenvolvimento desta doença. Com o aumento do número de fumadoras, espera-se no futuro que esta diferença se reduza. Anualmente morrem cerca de 8,7 por 100.000 habitantes por DPOC. Apesar destes números, a ONDR refere que as taxas de incidên- cia e prevalência continuam a parecer subestimadas.
A DPOC é responsável por uma elevada frequência de consultas médicas e de serviços de urgência, assim como por um significativo número de internamentos hospi- talares, frequentemente prolongados, além de contribuir para o consumo de medica- mentos e de oxigenoterapia e ventiloterapia domiciliárias de longa duração.
Esta doença encontra-se sub-diagnosticada no nosso país, facto comprovado por rastreios espirométricos recentes e inquéritos sintomáticos, efectuados um pouco por todo o país, apontando uma prevalência de obstrução brônquica elevada.
Os custos directos em Portugal decorrentes de DPOC, num período de cinco anos (de 1998 a 2002) e em matéria de internamentos hospitalares, aumentaram signi- ficativamente, assim como a taxa de letalidade intra-hospitalar. Ou seja, num intervalo de 5 anos, o número de internamentos por DPOC, em Portugal, aumentou 5%, tendo crescido os seus custos de uma forma despropositada, já que representam um acrés- cimo de 10% (Direcção Geral de Saúde, 2004).
A tabela seguinte (tabela 4) demonstra as variações positivas no movimento hospitalar de doentes com DPOC nos anos 2004 e 2005.
Tabela 4: Movimento Hospitalar de Doentes com DPOC em 2004 -2005
Retirado de Relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias 2006 (Fonte: Relatório anual GDHs, Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde, 2005)
GDH Internamentos Dias Internamento Outros Episódios
Ambulatório 2004 2005 Δ% 2004 2005 Δ% 2004 2005 Δ% DPOC 8805 9772 +10.9 88729 91571 +3.2 8867 9815 +10.7 Bronquite e asma 12668 14330 +13.1 80708 96428 +19.5 5537 7057 +27.5 Bronquite sem asma 9843 11747 +19.3 Total* 18648 21519 +15.4 169437 187999 +10.9 14404 16872 +17.1
*inclui casos de asma
Tal como para a asma, existem variações regionais nas taxas de mortalidade, tendo a região Norte o maior número de óbitos por 100 000 habitantes. Relativamente aos dados de internamento, existe uma grande heterogeneidade regional. Estes dados
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parecem no entanto enviesados pelas diferenças na capacidade de resposta, uma vez que na região de Lisboa, o pico de internamentos verificado não encontra paralelo com a taxa de mortalidade. Deste modo, os dados de mortalidade parecem ser mais adequados para retratar a realidade nacional.
O projecto GEOfases (Análise Geográfica de Factores Ambientais e Socioeco- nómicos em Saúde; INSA, 2007) permitiu analisar as taxas de mortalidade e interna- mentos por doença respiratória (J00-J99 de acordo com a CID-10) a nível distrital e concelhio, para o período de 2000-2004. As regiões com maiores taxas de mortalidade são Alentejo e as Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, e os distritos com maior número de internamentos hospitalares são Portalegre, Castelo Branco, Guarda e Área Metropolitana de Lisboa.