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Pour une approche par les processus de l’enseignement de l’entrepreneuriat

L’ENSEIGNEMENT DE L’ENTREPRENEURIAT

2. Pour une approche par les processus de l’enseignement de l’entrepreneuriat

O critérios que conduziram à escolha da aldeia de Couce para a realização deste trabalho foram vários. Pretendia-se que o local tivesse uma fauna herpetológica variada e um rico imaginário popular. Estas características são facilitadas pela situação de ruralidade e de isolamento populacional e pela manutenção de um modo de vida tradicional na povoação. Além disso, o local apresenta outras características interessantes, nomeadamente a sua proximidade a centros urbanos e a importância da área envolvente, em termos ecológicos, geológicos, paleontológicos e paisagísticos. O número de habitantes, suficientemente reduzido para que todos pudessem ser entrevistados, e a facilidade de acesso ao local, pela sua proximidade, simplificavam, por outro lado, a realização do estudo empírico.

Depois de um primeiro reconhecimento da aldeia de Couce em Janeiro e Fevereiro de 2003, as visitas ao local concentraram-se nos meses de Julho, Agosto, Setembro e Outubro do mesmo ano, tendo todas as entrevistas sido realizadas nestes dois últimos meses. As deslocações à aldeia foram sempre feitas em carro próprio. A população de Couce recebeu-me afectuosamente, de uma maneira geral, apesar de alguns primeiros contactos se revestirem de alguma desconfiança e sobretudo surpresa. O facto de me deslocar sozinha e de vir de "tão longe" (desde Matosinhos, a 25 quilómetros de distância), provocava admiração e curiosidade nos habitantes, o que, ao mesmo tempo, facilitava os primeiros contacto com eles. Foram várias as pessoas, sobretudo as mais idosas, que me perguntaram no primeiro encontro: "Anda por aqui sozinha? Não tem medo?". Depois da estranheza, vinha o instinto protector: "Tenha cautela! Olhe que ainda lhe acontece alguma coisa!", alertando-me para o potencial perigo da presença de forasteiros.

O facto de estar sozinha, de ser mulher e de não estar ligada a instituições que pudessem interferir com o futuro da aldeia, trouxe vantagens, já que eu não representava uma ameaça aparente, permitindo que as pessoas falassem mais abertamente. Apresentando-me como professora de ciências, justificava as minhas frequentes e solitárias deslocações para um lugar tão distante, com a realização de um trabalho para a faculdade, o que tornava a minha presença séria, respeitável e mesmo digna de admiração.

Foram realizadas vinte entrevistas aos habitantes da povoação de Couce, encontrando-se nos organogramas seguintes a sua genealogia (Figuras 28 e 29) e na Tabela 3 a caracterização dos habitantes, em termos de idade, escolaridade e ocupação.

V - Investigação Empírica

Manuel Martins Florinda Moreira

não entrevistado não entrevistado não entrevistado Vergílio Martins

Manuel Moreira Florinda Baptista

Jorge Leão Margarida Moreira

José Leão Inês Moreira Manuel Almeida Fernando Ferreira Carlos Ferreira Margarida Ferreira Sílvia Ferreira Jaime Almeida Adão Almeida não habitante Ana Almeida Eva Almeida

Rosa Gonçalves Vítor Gonçalves

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V - Investigação Empírica

Tabela 3 - Caracterização dos entrevistados da povoação de Couce

Nome I d a d e Escolaridade Ocupação actual Ocupação anterior

José Leão 6 Frequenta 1.° ano Estudante Sílvia Ferreira 10 Frequenta 5.° ano Estudante Vítor Gonçalves 15 Frequenta 8.° ano Estudante

Carlos Ferreira 18 8.° ano Fábrica de persianas Jaime Almeida 19 7.° ano Construção civil

Rosa Gonçalves 22 9.° ano Empresa ramo automóvel (tubos) Inês Moreira 26 6.° ano Fábrica de confecções

Margarida Leão 29 6.° ano Fábrica de confecções Jorge Leão 35 6.° ano (5.° e 6.°

aos 18)

Construção civil (montagem de pavilhões pré-fabricados) Margarida Ferreira 36 4.° ano Fábrica ramo automóvel Vergílio Martins 38 6.° ano Serralharia

Fernando Ferreira 40 4.° ano Fábrica de persianas Motorista Eva Almeida 44 4.° ano Fábrica ramo automóvel

Florinda Baptista 53 4.° ano Doméstica Pastora, campo Manuel Moreira 54 4.° ano Minas - máquina de cortar pedra Serralheiro mecânico Ana Almeida 67 3.° ano (aos 18

anos)

Reformada, trabalha no campo Apanhar mato (queiró), fábrica de lousas Adão Almeida 69 Não foi à escola Reformado, trabalha no campo Abrir valetas Manuel Almeida 71 Não foi à escola Reformado, pastor Pedreira

Florinda Moreira 71 Não foi à escola Reformada, doméstica Apanhar mato, campo Manuel Martins 74 Não foi à escola Reformado, pastor Apanhar mato, ajudante

motorista, indústria

O grupo entrevistado inclui 17 adultos, cuja idade varia entre 18 e 74 anos, um jovem com 15 anos e duas crianças com 10 e 6 anos. Dos 20 entrevistados, 11 indivíduos são do sexo masculino e 9 do sexo feminino. O grupo apresenta características sócio- profissionais e de escolaridade homogéneas, segundo os grupos de idade. Assim, os adultos mais velhos (entre 67 e 74 anos) estão reformados e não frequentaram a escola. Os adultos cuja idade varia entre 26 e 54 anos trabalham no sector secundário (confecções ou fábricas de produção de peças para automóveis, por exemplo) e frequentaram a escola durante os 4 ou 6 anos de escolaridade obrigatória na época. Os jovens adultos de 18 a 22 anos trabalham também no sector secundário e frequentaram a escola até ao 7o, 8o ou 9o anos. Os três mais jovens habitantes são ainda estudantes.

Em dois dos casos a escolarização foi iniciada ou completada já na idade adulta.

A maior parte dos habitantes começou a trabalhar muito cedo. Os mais velhos referem que, desde a sua infância (desde os 5 anos, no caso do Sr. Manuel Martins, por exemplo), iam ao monte apanhar queiró, que depois de amarrada em molhos era vendida aos padeiros de Valongo, para ser queimada nos fornos a lenha. Mesmo os mais jovens abandonaram cedo a escola e iniciaram a sua actividade profissional, quer por insucesso escolar, quer por necessidades económicas, quer por uma questão de tradição.

O capital cultural que possuem, pouco reconhecido (nomeadamente em meio escolar), pressagia grandes dificuldades no seu percurso.

O equilíbrio numérico entre homens e mulheres, a diversidade de idades e o facto de toda a população potencialmente activa ter emprego mostram a vitalidade desta aldeia. A actual população activa tem baixa escolarização e profissões no ramo industrial, o que representa um aumento do capital económico e cultural relativamente à geração anterior, sem escolarização e com ocupação na agricultura de subsistência ou nas minas. De uma maneira geral, para além das suas profissões, quase todas as famílias cultivam, pelo menos, um quintal e possuem um pequeno rebanho de gado ovino ou caprino, o que contribui para a estabilidade da economia doméstica.

Relativamente à religião, embora não tenham sido recolhidos dados sistemáticos quanto às convicções e práticas religiosas dos habitantes de Couce, alguns entrevistados assumiram-se como católicos, as crianças são baptizadas e frequentam a catequese e os matrimónios são católicos. Excepção feita à D. Ana Almeida, que era uma católica diligente e que é, desde há nove anos, testemunha de Jeová. Esta mudança não parece ter causado perturbações na sua integração familiar ou social, vivendo cada um a sua fé. As entrevistas à população de Couce foram todas realizadas no local, junto às casas ou no campo, e a diferentes horas do dia, consoante a disponibilidade dos habitantes e a oportunidade. Quase todas foram realizadas sem marcação, imediatamente após a minha solicitação.

As entrevistas foram realizadas individualmente, excepto em dois casos, em que as circunstâncias propiciaram uma entrevista comum a duas pessoas. A maior parte dos habitantes tinha um comportamento discreto e deixava os entrevistados a sós. Foram poucas as situações em que estiveram presentes outras pessoas para além dos entrevistados e, quando isso aconteceu, raramente intervieram, embora a sua presença não fosse indiferente. A maior parte das entrevistas foi curta, durando apenas alguns minutos; apenas em três casos a entrevista demorou cerca de meia hora.

Três dos habitantes de Couce não chegaram a ser entrevistados, uma vez que, apesar de várias tentativas, não foi possível falar com eles, devido ao seu comportamento esquivo. Trata-se dos três filhos do mais idoso habitante da aldeia que vivem ainda na casa paterna. Houve, por outro lado, três entrevistados que não habitam efectivamente em Couce, mas que mudaram de casa para a povoação contígua há poucos anos e que continuam a fazer a maior parte da sua vida na aldeia - Vergílio Martins, irmão dos anteriormente referidos, que vem todos os dias a Couce tratar das pombas de concurso e dos cães de caça, e Ana Almeida e Adão Almeida, que cuidam da maioria das terras cultivadas, têm um rebanho de cabras e uma casa na aldeia. Pelo menos um dos membros do casal desloca-se diariamente a Couce para roçar mato, andar com o gado

V - Investigação Empírica

ou tratar das culturas agrícolas. Por razões de comodidade da análise, foram considerados pertencentes às famílias nucleares mais próximas.

As fotografias mostradas nas entrevistas encontram-se reproduzidas nas Figuras 2, 3, 4 e 5, e a escolha das espécies - sapo-corredor (Bufo calamita), salamandra-de-pintas- amarelas (Salamandra salamandra), lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e cobra-de- água-de-colar (Natrix natrix) - baseou-se no facto de que estas espécies são comuns na região, e suscitam, em geral, vivas emoções na nossa sociedade ocidental.

Para além da identificação do entrevistado e da recolha de informações relativas à sua idade e ocupação, a entrevista obedeceu genericamente a um pequeno guião, elaborado previamente e baseado nas fotografias das espécies herpetológicas, que consistia nas seguintes questões:

Como se chama este animal? Toda a gente lhe chama assim? Costuma encontrar este animal?

O que faz quando o vê? O que é que sente? Porquê? O que é que estes animais fazem? Porque é que existem? O que devemos fazer em relação a eles?

Tratava-se de um guião de orientação geral, que não foi seguido rigorosamente. As primeiras questões eram repetidas para cada uma das quatro fotografias apresentadas e as últimas referem-se ao conjunto dos animais, sendo feitas no final da entrevista.