Com o advento da tecnologia (robotização, mecanização, automação etc.), a mão de obra passou também por profundas transformações. Muitas funções e cargos deixaram de existir e, em contrapartida, novas funções apareceram com novas exigências de seus ocupantes. No entanto, a exploração da mão de obra continua a mesma, só mudando de roupagem.
Os escravos no mundo do trabalho moderno recebem nomes sugestivos, tais como: capital intelectual, colaboradores, talentos humanos, parceiros, talentos intelectuais etc.
De acordo com Marx (1980), o operário (o trabalhador, de uma forma geral, em qualquer situação, que nada mais é do que força de trabalho), irá empregar todo seu tempo disponível a serviço da reprodução ampliada do capital, não dispondo de qualquer tempo para Educação, para o desenvolvimento intelectual, para preencher funções sociais, para o convívio social, para o livre exercício das forças físicas e espirituais, desvirtuando-se assim, de aspectos relacionados à sua qualidade de vida.
Novas tecnologias aparecem e novos requisitos na força de trabalho são necessários. Druck (2001) discute a respeito da qualificação, da empregabilidade e da competência, estabelecendo nexos entre esses três atributos. Muito do que se discute é mito e argumenta que há outra realidade por traz do discurso ideológico, em que algumas afirmações sobre a superioridade do trabalhador mais escolarizado são questionadas.
Com base nisso, Druck (2001) evidencia que
[...] na literatura marxista da Sociologia do Trabalho, o debate toma outro caminho à medida que a noção de qualificação e desqualificação está vinculada à concepção de alienação do trabalho. Assim, a divisão social do trabalho sustentada na separação entre o trabalho manual e o trabalho intelectual - como elemento fundamental do processo de trabalho capitalista, desde a cooperação, a manufatura e a grande indústria - desenvolve-se de forma a subordinar o trabalho ao capital e, para garantir o processo de extração da mais valia, é indispensável o controle, a gerência, a disciplina, a hierarquia e a expropriação do saber do operário para transformá-lo em monopólio de capitalista. No entanto, esse processo de controle não se realiza sem lutas e contradições, em que as relações de forças entre operários e capitalistas podem alterar o grau de subordinação e de desqualificação ou qualificação dos trabalhadores (DRUCK, 2001, p.12).
Novas formas de exploração do trabalho aparecem com novas roupagens e ideologias subjacentes. Em nome da modernização tecnológica e organizacional, em nome das exigências do mercado e da competitividade, em nome da globalização, a classe dominante desenvolve uma política com relação ao trabalho e ao emprego, que é marcada pela perversidade e por uma relação de forças desfavorável aos trabalhadores e a suas organizações, que, fragilizados pelo desemprego, pela
informalidade e pela precarização, não conseguem romper com esse quadro (DRUCK, 2001).
Acontece que, na prática, o que se tem é outra coisa. Druck (2001) aponta que a empregabilidade não passa de um rótulo para tentar unir adaptabilidade, flexibilidade e criatividade. A empregabilidade foi um termo recentemente criado, com o intuito de enquadrar o trabalhador moderno às necessidades do empregador de mão de obra qualificada e barata. Exige-se do candidato a uma vaga que ele já esteja completamente qualificado para poder concorrer a uma vaga no mercado de trabalho.
O pior é que, com isso, transferiu-se a responsabilidade dessa qualificação para o próprio trabalhador, ou seja, se ele não se emprega é porque não estudou, não se qualificou, não investiu em si mesmo. Como consequência, o Estado e o sistema capitalista ficam isentos da responsabilidade e do custo de formar adequadamente o indivíduo para assumir um posto de trabalho. Isso, no final das contas, não passa de uma perversidade explícita, pois, para garantir as condições de competitividade, o trabalhador necessita de abrir mão de uma série de coisas, tais como família, amigos, convívio social, tudo isso com o objetivo de priorizar os objetivos da empresa, vestir a camisa da empresa (DRUCK, 2001).
No Brasil, observa-se, nesse início de século, uma epidemia de qualificação que parece substituir, aos poucos, a epidemia da qualidade total da década de 1990. O debate acerca da necessidade de qualificar a força de trabalho em nosso País tomou conta de todos os setores da sociedade. A qualificação tem sido colocada como a grande solução para os problemas de desemprego e de subemprego no Brasil.
Segundo Pochmann (2001), o mito da qualificação e da empregabilidade encontrou na concepção de competência um sentido mais perverso ainda, pois se trata agora de responsabilizar os indivíduos que trabalham por desenvolver aptidões e habilidades requeridas pelas mudanças tecnológicas e organizacionais que criam novas situações de trabalho, a fim de garantir produtividade e competitividade às empresas.
A nova roupagem da escravidão é defendida por meio da ideologia do comprometimento organizacional, da iniciativa e da completa motivação, que são exigidas pelos empregadores como atributos natos de seus colaboradores ou candidatos a uma vaga de emprego. E, com isso, mais uma vez, quem sempre sai
perdendo é o trabalhador que, além de gastar muito tempo em sua formação profissional, não encontra trabalho e se frustra, porque a ideologia dominante é a de que ele é incompetente. Só que a realidade é a falta de vagas para todas as pessoas que se profissionalizam e têm uma alta empregabilidade.
As transformações econômicas e políticas pelas quais o mundo passa, bem como a crescente utilização da informática e tecnologias associadas, têm alterado profundamente as relações produtivas e sociais. O volume de informações produzido em decorrência das novas tecnologias é constantemente superado, colocando novos parâmetros para a formação do cidadão. Vivemos na chamada sociedade do conhecimento (DOWBOR, 2001 apud ZIDAN 2011).
De acordo com Zidan (2011), o desenvolvimento científico-tecnológico exige uma aprendizagem constante por parte de todas as pessoas, que precisam estar preparadas para aprender ao longo da vida, podendo intervir em um novo cenário em constante evolução e adaptar-se a ele. Isso traz como consequência uma necessidade de autonomia, de criatividade e de autocrítica na obtenção e na seleção de informações, assim como nos processos de aprendizagem.
Por meio da manipulação não linear de informações, do uso de redes de comunicação e dos recursos de multimídia, o emprego da tecnologia de informação e comunicação promove, além da aquisição do conhecimento, o desenvolvimento de diferentes modos de representação e compreensão do pensamento. Ao mesmo tempo em que possibilitam representar e testar ideias, os computadores introduzem diferentes formas de atuação e interação entre as pessoas (ZIDAN 2011, p. 100).
A modalidade de ensino a distância (EAD), de forma especial, pode beneficiar-se das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação, que oferecem diversos tipos de recursos e ferramentas que favorecem e auxiliam a criação de um ambiente de aprendizagem. Podem dar suporte ao trabalho pedagógico desenvolvido, mesmo com todas as dificuldades, críticas e controvérsias inerentes a essa nova modalidade de qualificação.