II. Deuxième Partie : contributions
4. Processus d’analyse, d’identification et de formalisation du métier
4.2. Analyse centrée IHM
4.2.1. Analyse IHM-macro
A integração pode ser explicada pelos fatores psicológicos, conforme o destaque de Fiuza (2012). Contrapõe que existem poucas investigações e publicações científicas que envolvam aspectos da ciência psicológica, principalmente sobre discentes e menos ainda em relação aos cursistas da Educação a Distância. Sua pesquisa sobre adesão e permanência na EaD abrange os estudos de Vincent Tinto sobre evasão, persistência e permanência discente. Contudo, os estudos de Tinto (1975, 1997, 2006) não remetem aos alunos da EaD, mas outros autores, como Kemp (2001), Favero (2006), Santos et al. (2008), Ramos e Silva (2012), Ramos (2014), se apropriaram dos conhecimentos dele por entenderem que o foco abrangia as condições sociais e psicológicas de quem estuda, independente da modalidade de ensino.
Por conseguinte, Tinto (1975) – a partir das análises das teorias de Astin (1964), Eckland (1964), Lembesis (1965), McMannon (1965), Panos e Astin (1968), Sewell e Shah (1967), Wegner (1967), Wolford (1964), Spady (1970/71), Rootman (1972), Durkheim (1961), Chase (1970), Cope (1968/72), Hewitt (1969), Fenstemacher (1973), Jaffe e Adams (1970) – propõe um modelo de abandono e integração, com uma abordagem sobre os fatores que podem remeter os estudantes a obterem sucesso e permanecerem no curso ou escola até a diplomação. Com formação em física, filosofia, matemática, educação e sociologia, na biografia de Vincent Tinto consta que é professor universitário emérito da Universidade de
Syracuse e ex-presidente do programa de educação superior. Ao longo de sua carreira, recebeu inúmeros prêmios por seus estudos. Suas abordagens envolvem, dentre outros temas, o sucesso do aluno e o impacto das comunidades de aprendizagem, seu crescimento e
realização. Com 50 publicações, entre livros e artigos, suas pesquisas também se tornaram referência para pesquisadores que investigam assuntos ligados a evasão, persistência, retenção e permanência na educação. Seu curriculum vitae e resumo da biografia são divulgados pela Syracuse University (2016).
O modelo de integração dos estudantes proposto por Tinto (1975) distingue a integração em social ou acadêmica. A social considera as características individuais do estudante, sua formação antecedente à graduação, histórico familiar relacionado a valores e expectativas, experiências vividas durante o curso superior. A acadêmica abrange a interação discente, docente e o envolvimento dos alunos em atividades complementares.
Cislaghi (2008) destaca a necessidade e importância do estudante ter a visão sobre sua própria integração acadêmica a partir de dois fatores complementares entre si: a sua performance em relação às avaliações (recompensa explícita) e o seu desenvolvimento intelectual (recompensa intrínseca). Para tanto, ressalta a preocupação de Tinto (1975), precavendo que o estudante precisa manter o equilíbrio entre esses dois tipos de integração, porque se houver uma excessiva integração social, o aluno pode ficar com déficit em relação ao desempenho na acadêmica. Entretanto, se a integração social com seus respectivos colegas for forte perante a orientação acadêmica, tem a vantagem de se agruparem e promoverem apoio entre a equipe. Completa que se a integração social for intensa com professores, pode levar a um incremento ainda maior do que a integração que existe com os colegas, dessa maneira contribuindo para aumentar o nível de integração acadêmica. Ou seja, a integração social dosada deve ser incentivada por contribuir para melhorar o desenvolvimento acadêmico.
Bartholomeu, Nunes e Machado (2008) explicam que as habilidades sociais, em geral, são baseadas nas situações de integração social. Destacam que é relevante avaliar as condutas que levam à integração, mas é preciso ponderar que a interação que as pessoas estabelecem é modulada por certos componentes da personalidade. Esses podem favorecer o estabelecimento de padrão de interações sociais melhor ou pior, porque, de certo modo, informam as maneiras particulares de como as pessoas se comportam socialmente, assim como as gratificações e frustrações obtidas a partir do contato com outros indivíduos podem afetar a forma como se organiza sua personalidade.
Cislaghi (2008) apresenta outros modelos estudados nas últimas quatro décadas, que envolvem discentes, nos temas evasão e permanência, que tiveram como precursores Spady (1970); Tinto (1975); Bean (1980) e Pascarella (1980). Trata-se de modelos de evasão e permanência, com viés sociológico (SPADY, 1970; TINTO, 1975, 1993, 1997; NORA,
BARLOW e CRISP, 2005), psicológico (BEAN, 1980; PASCARELLA, 1980; ASTIN, 1985) e econômico (CABRERA; NORA; CASTAÑEDA, 1992).
A despeito da relevância e contribuição de todos esses autores, serão contemplados nesta pesquisa apenas os estudos de Tinto (1975) e Cabrera, Nora e Castañeda (1992), por apresentarem abordagens que melhor explicam as variáveis deste trabalho que permeiam integração e permanência. Contudo, Cislaghi (2008) salienta que as proposições que constam no modelo integrado de permanência de Cabrera, Nora e Castañeda (1992), por seu viés econômico, esclarecem o papel dos fatores financeiros na permanência de estudantes.
A Figura 4 apresenta a versão inicial do modelo de interação desenvolvido por Tinto.
Figura 4 – Modelo de Integração do Estudante proposto por Vincent Tinto.
O modelo descrito por Tinto (1975) na Figura 4 aceita como ponto central para o processo a noção de que a percepção da realidade exerce verdadeiros efeitos sobre o observador e, por várias razões, pessoas com diferentes características podem ter diferentes percepções mesmo que, aparentemente, de situações semelhantes. Afirma que dos atributos dos indivíduos relacionados ao abandono, as mais importantes dizem respeito às características da sua família, do próprio indivíduo, experiências educacionais antes da entrada na faculdade, e as expectativas futuras relacionadas às realizações educacionais. Considera o histórico familiar um ponto crucial que deve ser levado em conta ao analisar o desempenho pessoal do aluno ou sua opção pelo abandono.
Esse modelo reforça que a integração acadêmica dos sistemas sociais das instituições de ensino, da avaliação de custos, dos benefícios, e das alternativas para realização das atividades deve considerar como mais importantes as percepções do indivíduo. Além disso, ainda ressalta que é preciso levá-las em conta mesmo que influenciadas por ambas as características: individual e de seu ambiente universitário. Pondera que esse modelo precisa compreender os atributos de modo que o abandono do ensino superior permita a integração entre indivíduo e instituição de forma simultânea destaca (TINTO, 1975).
Em termos gerais, o nível socioeconômico da família parece estar inversamente relacionado ao abandono. As crianças de famílias de menor status apresentam maiores taxas de abandono do que as das famílias de maior status, mesmo considerando o nível de inteligência, segundo observações destacadas por Tinto (1975).
No artigo “Research and practice of student retention: what next?”, Tinto (2006) salienta que os alunos têm a habilidade de permanecerem conectados a suas comunidades passadas, família, igreja, tribo, e todas são essenciais para a sua persistência. Daí o motivo das instituições entenderem e buscarem formas de integrar os alunos. Compreende-se que a interação possa ser favorável para a permanência deles. Contudo, essa deve ocorrer na sala de aula, porque talvez este seja o único lugar onde vão encontrar uns aos outros.
Outro ponto importante é o envolvimento, que deve acontecer, principalmente, no primeiro ano de ingresso do estudante na faculdade. Esse é considerado o ano mais crítico porque é quando o aluno decide se fica ou se sai. Considera também relevante a capacitação de docentes. Sugere que as aulas nos primeiros períodos sejam ministradas por professores experientes e motivados e reforça
que “temos de parar de falar com professores sobre retenção de alunos e concentrar sobre as formas” como “suas ações podem melhorar a educação dos estudantes” (TINTO, 2006, p. 8).
Tinto (2006) sugere também que a instituição crie um programa de recompensa institucional a fim de promover comportamentos que reforcem o objetivo de melhorar a educação dos estudantes como um todo, e não daqueles têm maior habilidade ou competência prévia, porque o direito é de todos e não deve ser um privilégio dos bons alunos.
Destaca também que a instituição deve utilizar currículo variável, respeitar as questões pedagógicas de classificação e práticas de avaliação. Outro aspecto abordado por Tinto (2006) é em relação aos alunos de baixa renda. Assegura que um aluno com essa característica tende a não ter acesso à faculdade e, quando tem, opta por curso com duração de dois anos em vez de quatro porque, em geral, ou ele precisa trabalhar para ajudar no sustento da família ou porque esses cursos têm um custo menor.
O artigo de Cabrera et al. (1992), “The convergence between two theories of college Persistence”, publicado no Journal of Higher Education, utilizando as teorias de Tinto (1982, 1987), Bean (1998) e Hossler (1982), aborda as experiências do aluno com os componentes social e acadêmico da instituição, que contribuem para desenvolver os objetivos educacionais e compromissos com ela. Reforça que essas metas tendem a influenciar a vontade do discente para continuar persistindo.
Cabrera et al. (1992) corroboram com Tinto (1975) sobre a relevância do papel dos amigos, a influência dos pais e as questões financeiras que permeiam as experiências sociais e intelectuais experimentadas pelos alunos nas instituições e, por decorrência, a importância que o apoio financeiro exerce no processo de permanência. Concluíram que o fator financeiro influencia diretamente no ingresso e permanência do estudante na instituição. Outra vantagem é poder favorecer a interação social e acadêmica, uma vez que não precisará trabalhar para se sustentar, reduzindo assim as possibilidades de stress e cansaço. Ou seja, as condições financeiras favoráveis refletem de maneira positiva na situação socioeconômica de quem precisa estudar.
A partir dos estudos de Tinto (2006) e Cabrera et al. (1992) é possível concluir que um modelo de integração e persistência para permanência precisa levar em consideração fatores psicológicos dos alunos, a interação discente e docente, considerações sobre as experiências anteriores do cursista, seu desempenho escolar, necessidade de atenção redobrada e cuidados especiais para manter o curso atrativo
desde o primeiro período, o que talvez requeira designar docentes mais preparados e envolvidos com o curso. É recomendável um nivelamento, principalmente em relação às disciplinas-gargalos para os novos entrantes, e auxílio nas questões financeiras para ingresso e permanência, principalmente para os estudantes de baixa renda.