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Palo Alto.

CRITERE 4 Reconnaissance-Valorisation-Hiérarchie-Autorité

3.3 ANALYSE DES ENTRETIENS

3.3.4 Analyse de l’entretien du sujet 4 (cf Annexe )

Considerando e ponderando a complexidade e a dinamicidade do processo educativo, o tema Currículo, seu papel no contexto educacional e o papel das instituições de ensino, torna-se fundamental a compreensão de seu significado para a escola e para a sociedade, considerando que a construção do conhecimento é a compreensão de significados e, o Currículo deve ter significados.

Conforme o dicionário Houaiss, Currículo é definido como “programação de um curso ou de matéria a ser examinada”. O Dicionário Interativo da Educação Brasileira (DIEB, 2013) define currículo como o “Conjunto de disciplinas sobre um determinado curso ou programa de ensino ou a trajetória de um indivíduo para o seu aperfeiçoamento profissional". Do ponto de vista etimológico, o termo currículo vem da palavra latina Scurrere, correr, e refere-se a curso, à carreira, a um percurso que deve ser realizado. É utilizado para designar um plano estruturado de estudos, pela primeira vez em 1633, no Oxford English Dictionary, inserida no campo pedagógico, o termo passou por diversas definições ao longo da história da educação. Tradicionalmente o currículo significou uma relação de matérias/disciplinas com seu

corpo de conhecimento organizado numa sequência lógica, com o respectivo tempo de cada uma (grade ou matriz curricular). Esta conotação guarda estreita relação com “plano de estudos”, tratado como o conjunto das matérias a serem ensinadas em cada curso ou série e o tempo reservado a cada uma.

O currículo escolar poderia ser analisado a partir de dois grandes eixos: as concepções tradicionais ou conservadoras e as concepções críticas. Com origem nos Estados Unidos, tanto as visões conservadoras como as críticas influenciaram sobremaneira o campo no Brasil, de plano de estudos o conceito evolui para a visão de currículo como a totalidade de experiências vivenciadas pela criança, sob a orientação da escola, levando em conta e valorizando os interesses do aluno. O foco do currículo foi deslocado do conteúdo para a forma, ou seja, a preocupação foi centrada na organização das atividades, com base nas experiências, diferenças individuais e interesses da criança. A partir da obra The Curriculum, de Franklin Bobbitt (apud GOODSON, 1995), publicada nos Estados Unidos em 1918, o currículo firmou-se como campo de reflexão e de estudos. A emergência desta concepção está associada à racionalidade instrumental e técnica.

No Brasil, este enfoque deu origem ao tecnicismo com ênfase na construção científica de um currículo que desenvolvesse os aspectos da personalidade adulta então considerada ‘desejáveis’, preconizando a especificação de objetivos e seus correspondentes conteúdos, com especial atenção ao “como fazer e controlar” o processo educativo.

As diferentes concepções de currículo pautam-se em uma visão redentora frente à relação educação e sociedade, com respostas diferenciadas na forma, mas defendendo e articulando um mesmo objetivo – adaptar a escola e o currículo à ordem capitalista, com base nos princípios de ordem, racionalidade e eficiência. Os teóricos, críticos à realidade marcada pelas injustiças e desigualdades sociais, empenharam-se em denunciar o papel da escola e do currículo na reprodução da estrutura social e apontar caminhos para a construção de uma escola e um currículo afinados com os interesses dos grupos oprimidos.

Duas correntes têm sido mais divulgadas e influentes no campo da teoria curricular crítica no Brasil: a Sociologia do Currículo, com origem nos Estados Unidos, e a Nova Sociologia do Currículo, com origem na Inglaterra. A Sociologia do

Conforme Souza (2005), a Nova Sociologia da Educação (NSE), com origem na Inglaterra, tem em Michael Young seu principal representante e nasce do esforço dos sociólogos britânicos em redefinir os rumos da Sociologia da Educação, a partir dos anos sessenta. O resultado foi concebê-la como uma sociologia do currículo. Nessa direção, a NSE foi a primeira corrente sociológica voltada para o estudo do currículo, fundamentada na fenomenologia e no neomarxismo. Ressalta que é fundamental analisar os pressupostos que comandam a seleção e organização do conhecimento escolar, pois, estes estão intimamente relacionados ao processo de estratificação social.

Souza (2005), acrescenta que

Esta crítica abalou os fundamentos e a hegemonia do paradigma técnico de currículo colocando em evidência a subordinação histórica do campo aos princípios regulação e controle social. Dessa maneira, as teorias críticas do currículo de natureza sociológica passaram a escrutinar os conteúdos de ensino e sua transmissão desnaturalizando o currículo, apontando-o como uma construção social e ressaltando as suas relações com o poder e com a produção de subjetividades. (p. 80)

Considera-se que a ação humana está motivada por uma intencionalidade. A intencionalidade não é algo individual. As intencionalidades se cruzam, conforme Severino (2002, p.91), “Conceitos e valores são as referências básicas para a intencionalização do agir humano, em sua abrangência”. Assim sendo, a dimensão subjetiva do indivíduo forma a intenção, e que de acordo com o autor, torna-se sensível a valores do seu agir e capaz de elaborar sentidos. O currículo deve ser estudado em seu produto.

De acordo com Vasconcellos (2009), existem muitos conceitos de currículo, cada um marcado por sua respectiva visão de mundo (reflexo do lugar social, político, histórico e geográfico do sujeito que o enuncia) e posicionamento. Uma contextualização sobre o tema, currículo vem do latim Curriculum, carreira, curso, percurso, lugar e que passa a ser aplicado às instituições de ensino, a partir dos séculos XVI/XVII.

Na atualidade o termo currículo é frequentemente utilizado nas instituições de ensino para indicar um conjunto de formulações, tais como: representações, saberes, programas, disciplinas, estruturas, e de experiências, entendidas como: atividades, práticas e vivências, com o objetivo de formação dos sujeitos, não apenas dos alunos, mas também dos educadores, gestores e

comunidade, de acordo com o que propõe os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC). Trata-se, portanto, da organização dos saberes, pessoas e recursos no espaço e no tempo da escola, com objetivos definidos, acompanhada de avaliação. Portanto, currículo, do ponto de vista teórico-metodológico, é da ordem da mediação; sendo resultado da tensão entre a intencionalidade e a realidade.

Os estudos sobre currículo possibilitam a reflexão crítica e coletiva sobre o recorte da cultura, sobre o conhecimento a ser ensinado e as atividades a serem desenvolvidas.

De acordo com Libâneo (2004): o currículo é o conjunto dos conteúdos escolares e das práticas formativas – saberes, competências, habilidades, valores, atitudes – trabalhados pela escola e pelos professores de modo explícito ou implícito, por meio de práticas pedagógicas e docentes. O currículo concretiza, põe em ação, as intenções e orientações expressas no projeto pedagógico-curricular. É igualmente necessário considerar-se o currículo oculto, que corresponde àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores provenientes da experiência cultural, dos valores e significados trazidos pelas pessoas de seu meio social e vivenciados na própria escola, ou seja, das práticas e experiências compartilhadas na escola e na sala de aula. (p. 266-267)

De acordo com Goodson (1995) há conflitos em torno da definição de currículo escrito e que esses conflitos mostram que:

(...) uma prova visível, pública e autêntica da luta constante que envolve as aspirações e objetivos da escolarização (...) O currículo escrito não passa de um testemunho visível, público e sujeito a mudanças, uma lógica que se escolhe para, mediante sua retórica, legitimar uma escolarização... o currículo escrito estabelece a lógica e a retórica da matéria (...) o que aparece é apenas o aspecto mais tangível(...). (p. 17)

Assim, valoriza-se a ideia de currículo pré-ativo (currículo como matéria de ensino) e de currículo escrito. O currículo escrito, na sua forma pré-ativa, oferece um roteiro que legitima seu discurso a tal ponto que ele fica vinculado à padronização de recursos, à atribuição de status, à padronização de exames e interesses de carreira.

O entendimento dos conflitos em torno dessa definição pré-ativa de currículo escrito pode ajudar a entender melhor que, essa definição pré-ativa não só é constitutiva da própria construção de currículo, como também pode-se

compreender até que ponto essa definição aponta para determinados valores e objetivos que tendem a estabelecer.

Portanto, o conceito de currículo é muito amplo e sofreu modificações com

o objetivo de atender aos anseios sociais e realidades distintas. Em consequência disso, precisa ser compreendido no contexto social em que está inserido e oferecer à sociedade, princípios, valores que busquem desenvolver práticas pautadas em interesses educacionais.

4.2 HISTÓRICO DOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL -