A constru¸c˜ao de ontologias ´e tratada na literatura atual sob o t´ıtulo de engenharia de ontologias (GRUBER, 2007), cujo objetivo ´e a prescri¸c˜ao de processos, atividades e t´ecnicas
aplic´aveis ao ciclo de vida de ontologias, tendo como paradigma o que se alcan¸cou na engenharia de software. Muito j´a se avan¸cou nesse sentido, notadamente na concep¸c˜ao do ciclo de vida de ontologias e na variedade de modelos metodol´ogicos e instrumentos aplic´aveis.
Considerando que ontologias s˜ao artefatos de constru¸c˜ao humana, Gruber (1993a) ressalta que ontologias s˜ao desenhadas (projetadas) e afeitas a escolhas feitas por algu´em (projetista/engenheiro) ou por um grupo. Portanto, para atender `a necessidade de crit´e- rios objetivos para direcionar essas escolhas, o autor prop˜oe cinco crit´erios principais, os quais ainda hoje s˜ao adotados na avalia¸c˜ao de ontologias. S˜ao eles:
Clareza Um especifica¸c˜oes estabelecidas na ontologia devem ser inequ´ıvoca, primar pela clareza e concis˜ao, de modo a maximizar o entendimento de suas defini¸c˜oes.
Coerˆencia As defini¸c˜oes da ontologia devem ter correla¸c˜ao direta com a realidade do dom´ınio estudado.
Extensibilidade A ontologia deve ser pass´ıvel de evolu¸c˜ao e adapta¸c˜ao para incorporar a evolu¸c˜ao do seu dom´ınio de representa¸c˜ao, bem como permitir a integra¸c˜ao com outras ontologias. Al´em disso, a ontologia deve antecipar os usos do vocabul´ario compartilhado, isto ´e, deve estar preparada para as atividades e tarefas que ser˜ao constru´ıdas com o seu vocabul´ario.
Minimiza¸c˜ao de vi´es Ontologias devem permitir a descri¸c˜ao objetiva da realidade alvo, por´em sem se comprometer, ou seja, adotar em seu bojo, as particularidades da forma e instrumentos de representa¸c˜ao ou com seu uso.
Minimiza¸c˜ao do compromisso ontol´ogico O comprometimento ontol´ogico deve ser o
m´ınimo necess´ario para suporte `as atividades que constituem o objetivo da ontologia, ou seja, esse comprometimento deve representar o conjunto m´ınimo necess´ario. Esse crit´erio pode ser implementado por meio de especifica¸c˜ao “te´orica fraca”, permitindo ampla gama de modelos, definindo apenas aqueles termos que s˜ao essenciais para o objetivo da ontologia e consistente com a teoria especificada.
A evolu¸c˜ao dos modelos metodol´ogicos para cria¸c˜ao de ontologias tem seu in´ıcio com (GR¨UNINGER; FOX, 1994;GR¨UNINGER; FOX, 1995), onde se prop˜oe, no contexto da cons-
tru¸c˜ao da ontologia TOVE3, um m´etodo baseado no uso de cen´arios de motiva¸c˜ao (est´orias
de problemas e exemplos encontrados no dom´ınio que justificam a necessidade da onto- logia) e quest˜oes de competˆencia (express˜ao, na forma de quest˜oes, dos requerimentos de informa¸c˜ao que ser˜ao atendidas pela ontologia e seu relacionamento com os cen´arios de motiva¸c˜ao). Em paralelo a essa iniciativa, Uschold e King (1995) prop˜oem, no projeto da
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Enterprise Ontology (EO)4(USCHOLD et al., 1998), abordagem metodol´ogica que tamb´em
utiliza quest˜oes de competˆencia. A proposta inova em dois aspectos. Primeiro, na propo- si¸c˜ao de crit´erios para escolha de m´etodo para identifica¸c˜ao de requerimentos: cobertura para as atividades de captura, aplicabilidade no dom´ınio escolhido, n´ıvel de detalhe (gra- nularidade) alcan¸cado na representa¸c˜ao de conceitos, e por fim, a curva de aprendizado do m´etodo. A segunda contribui¸c˜ao foi integra¸c˜ao da Teoria da Categoriza¸c˜ao de George Lakoff na metodologia de cria¸c˜ao de ontologias, motivado pelo argumento de que duas importantes atividades no desenvolvimento de ontologias s˜ao a identifica¸c˜ao de aspectos de interesse no mundo (objetos) e a cria¸c˜ao de termos para identific´a-los (categorias).
Essas duas propostas convergiram para a Metodologia Unificada (USCHOLD; GR¨UNIN-
GER, 1996), que consolidou uma metodologia de cria¸c˜ao de ontologias com elevado grau de formaliza¸c˜ao. Trouxe consigo melhor detalhamento das atividades e associa¸c˜ao de t´ecnicas para sua execu¸c˜ao, resultando no roteiro de atividades mostrado a seguir, que exemplifica o grau de formalismo alcan¸cado nessa gera¸c˜ao inicial de metodologias.
Identificar prop´osito e escopo A partir da identifica¸c˜ao do problema e objetivo esta- belecido para a ontologia por meio dos cen´arios motivadores, estabelecer as quest˜oes de competˆencia.
Construir a ontologia Composta das seguintes atividades:
Capturar conceitos e relacionamentos Composta das seguintes tarefas b´asi- cas, observando o m´etodo escolhido de captura de requerimentos:
– Delimita¸c˜ao de escopo e identificar conceitos e relacionamen- tos chaves, utilizando m´etodos tais como brainstorming, uso de corpus de conhecimento, agrupamento de termos em ´areas afins;
– Definir conceitos e relacionamento de forma precisa em lin- guagem natural;
– Identificar termos para referenciar as defini¸c˜oes;
– Alcan¸car consenso sobre os termos e as defini¸c˜oes estabeleci- das.
Codificar Composta das seguintes tarefas:
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– Fixar a meta-ontologia (a ontologia de representa¸c˜ao); – Escolher a linguagem de representa¸c˜ao;
– Escrever a ontologia na linguagem escolhida; Integrar Integra¸c˜ao com ontologias existentes.
Avaliar a ontologia Por meio da aplica¸c˜ao do Teorema de Completude (USCHOLD; GR¨U-
NINGER, 1996, p. 9). Segundo o autor, dado o conjunto de axiomas da ontologia
(representados aqui por To), o conjunto de instˆancias (Tin), a formula¸c˜ao das ques-
t˜oes de competˆencia em l´ogica de primeira ordem (Q), e o conjunto de senten¸cas em l´ogica de primeira ordem (F) que definem as condi¸c˜oes sob as quais as solu¸c˜oes para o problema possam ser completas, os teoremas que definem a completude de uma ontologia s˜ao 5:
To ∪ Tin |= F , se e somente se, To ∪ Tin |= Q .
To ∪ Tin |= F , se e somente se, To ∪ Tin ∪ Q ´e consistente.
To ∪ Tin ∪ F |= Q ou To ∪ Tin ∪ F |=¬ Q .
Todos os modelos de To ∪ Tin est˜ao alinhados com a extens˜ao de um predicado P.
Documentar Registro das decis˜oes adotadas durante o processo de cria¸c˜ao da metodo- logia.
Outra das contribui¸c˜oes dessa primeira gera¸c˜ao de metodologias foi o estabelecimento de trˆes abordagens alternativas para a captura de conceitos e relacionamentos (USCHOLD; GR¨UNINGER, 1996, p. 21-23). Primeiramente, argumentam os autores no sentido de endere¸car cada ´area de trabalho (subdom´ınios do dom´ınio). Segundo, a gera¸c˜ao da hie- rarquia de conceitos, pode ser realizada por meio de trˆes abordagens distintas: bottom-up, middle-out ou top-down, para cuja escolha os autores prop˜oem os crit´erios a seguir.
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Para efeito dessa explica¸c˜ao, ´e importante definir, no contexto da matem´atica os conceitos de com- pletude, corretude e consistˆencia como segue (RUSSELL; NORVIG, 2003, p. 194-211): Uma l´ogica ´e um modelo de representa¸c˜ao de conhecimento em que se utilizam assertivas sobre o mundo, constru´ıdas de acordo com uma sintaxe definida em uma linguagem de representa¸c˜ao. Essas assertivas s˜ao denominadas senten¸cas. A linguagem assim estabelecida tem uma semˆantica que define as condi¸c˜oes de verdade de cada senten¸ca em rela¸c˜ao ao mundo representado, o modelo. Nesse modelo l´ogico ´e poss´ıvel construir o racioc´ınio l´ogico em que s˜ao estabelecidas consequˆencias l´ogicas entre senten¸cas. Formalmente a defini¸c˜ao de consequˆencia l´ogica ´e como segue: α |= β (lˆe-se α “entails” β) se, e somente se, em qualquer modelo em que α ´e verdade, β ´e tamb´em verdade, ou seja, em qualquer modelo em que α ´e verdade,β ´e necessaria- mente verdade. Essa defini¸c˜ao permite derivar conclus˜oes, ou seja, realizar inferˆencias l´ogicas. Inferˆencias l´ogicas constituem um meio de gerar novas senten¸cas a partir de senten¸cas pr´e-existentes. A partir dessa constru¸c˜ao, pode-se expressar os teoremas de completude, corretude e consistˆencia. Corretude: uma l´ogica ´e dita correta se todas as senten¸cas geradas por inferˆencias de um modelo s˜ao consequˆencias l´o- gicas das senten¸cas do modelo. Completude: uma l´ogica ´e dita completa se todas as senten¸cas que s˜ao consequˆencias l´ogicas do modelo podem ser derivadas por inferˆencias nesse modelo. Um modelo l´ogico ´e consistente se, e somente se, n˜ao ´e poss´ıvel deduzir logicamente duas senten¸cas que se contradizem.
– Identifica¸c˜ao de caracter´ısticas comuns, que representa a facilidade provida pela abordagem para identifica¸c˜ao de conceitos e relacionamentos comuns, ge- rando categorias de mais alto n´ıvel.
– N´ıvel de detalhe, capacidade de identificar detalhes do dom´ınio (conceitos es- pec´ıficos e instˆancias).
– Consistˆencia e acur´acia. – Estabilidade das defini¸c˜oes.
– Esfor¸co, representado pelo trabalho necess´ario para criar a taxonomia ou o retrabalho advindo de inclus˜oes de novas defini¸c˜oes.
Segundo a an´alise dos autores, a abordagem bottom-up resulta em grande n´ıvel de de- talhe e especificidade alta dos conceitos, com boa identifica¸c˜ao de generaliza¸c˜oes uma vez que resulta de uma constru¸c˜ao embasada em detalhes identificados no dom´ınio. Por´em, requer grande esfor¸co para criar a ontologia, dificulta a identifica¸c˜ao conceitos comuns, au- mentando o risco de inconsistˆencias e gerando maior retrabalho em vista da instabilidade resultante.
A abordagem top-down ´e fundamentada na divis˜ao do dom´ınio em categorias de alto n´ıvel, que gera melhor controle sobre o n´ıvel de detalhe, mas pode gerar escolhas impo- sitivas sobre categorias de alto n´ıvel (uma vez que s˜ao escolhidas arbitrariamente e n˜ao resultante de uma constru¸c˜ao que leva a elas). Podem gerar problemas de estabilidade nas categorias de alto n´ıvel e por conseguinte, retrabalho. Al´em disso, argumentam os autores que a identifica¸c˜ao de conceitos comuns advindos dos relacionamentos subsumidos nos detalhes do dom´ınio pode ser prejudicada, resultando em problemas de acur´acia.
Na abordagem middle-out, considerando a citada teoria de categoriza¸c˜ao, trabalha-se primeiro com os conceitos mais importantes para o objetivo da ontologia. Esses conceitos fundamentais, identificados como b´asicos s˜ao o ponto a partir do qual se irradia as gene- raliza¸c˜oes e especializa¸c˜oes. Pela mesma raz˜ao facilitam a identifica¸c˜ao de caracter´ısticas comuns entre elementos do dom´ınio. Essa abordagem provˆe equil´ıbrio em rela¸c˜ao ao n´ıvel de detalhe das categorias, minimizando o trabalho e aumentando a estabilidade, j´a que as generaliza¸c˜oes est˜ao embasadas nos conceitos mais importantes da ontologia. Assim, minimiza-se tamb´em o retrabalho.
Pr´oximo ao final da d´ecada de 1990, consolida-se uma busca pela defini¸c˜ao e pa- droniza¸c˜ao do ciclo de vida de ontologias, e pelo estabelecimento de m´etodos e t´ecnicas
aplic´aveis a cada etapa desse ciclo de vida. A partir de projeto de desenvolvimento de ontologia na ´area qu´ımica, tendo como pano de fundo a preocupa¸c˜ao com a formalidade do processo de cria¸c˜ao de ontologias, Fern´andez-L´opez, G´omez-P´erez e Juristo (1997) prop˜oem a METHONTOLOGY, metodologia de desenvolvimento e manuten¸c˜ao de onto- logias, baseada em abordagem de prot´otipos evolutivos e busca pelo padr˜ao de ciclo de vida de software tal qual o IEEE Standard for Developing Software Life Cycle Processes, 1074-1995. Nessa abordagem ressalta-se a necessidade de evolu¸c˜ao das ontologias em con- sonˆancia com a evolu¸c˜ao cont´ınua do seu respectivo dom´ınio, preocupa¸c˜ao alinhada com a revis˜ao de cren¸cas e manuten¸c˜ao de verdade.
Introduz-se, tamb´em, a preocupa¸c˜ao com a gest˜ao do projeto de cria¸c˜ao de ontologias. Resulta em conjuntos distintos de atividades para tratamento de planejamento dos tra- balhos, a saber: atividades que comp˜oem o ciclo de vida da ontologia propriamente dita (especifica¸c˜ao, conceitua¸c˜ao, integra¸c˜ao e implementa¸c˜ao); e atividades que perpassam esse ciclo de vida (captura de conhecimento, documenta¸c˜ao, avalia¸c˜ao).
Fern´andez-L´opez (1999) e Corcho, Fern´andez-L´opez e G´omez-P´erez (2003) em an´alise comparativa entre as metodologias, linguagens e ferramentas para constru¸c˜ao e uso de ontologias, concluem ser fact´ıvel a busca pela engenharia de ontologias em vista da seme- lhan¸ca de atividades com a engenharia de software, mesmo considerando que software ´e um artefato sint´atico computacional, enquanto que ontologia ´e um artefato semˆantico. O resultado das an´alises, mesmo considerando os quatro anos passados entre essas duas, ´e que nenhuma das metodologias avaliadas ´e totalmente madura quando comparadas com o padr˜ao.
Em (CORCHO; FERN ´ANDEZ-L ´OPEZ; G ´OMEZ-P´EREZ, 2003) ´e efetivamente proposto um modelo referencial para engenharia de ontologias composto de trˆes conjuntos de processos. O primeiro processo trata de gest˜ao de projetos de cria¸c˜ao de ontologias, que objetivam planejar e gerenciar os recursos alocados para o desenvolvimento da ontologia. Comp˜oe- se de atividades relativas a inicia¸c˜ao do projeto, monitoramento e controle de projeto e gest˜ao de qualidade da ontologia,
O segundo processo, ´e relativo ao pr´oprio ciclo de vida de ontologias, estruturado em trˆes subprocessos:
Processos pr´e-desenvolvimento Composto de atividades iniciais quanto a explora¸c˜ao
de conceitos e identifica¸c˜ao de ontologias j´a existentes relativas ao dom´ınio em foco. Processos de desenvolvimento Composto das atividades de levantamento e an´alise de
requisitos, desenho (projeto) e implementa¸c˜ao.
Processos p´os-desenvolvimento Composto de atividades relativas ao uso e evolu¸c˜ao
da ontologia criada, incluindo: instala¸c˜ao, opera¸c˜ao, suporte, manuten¸c˜ao e desati- va¸c˜ao da ontologia.
O terceiro, e ´ultimo, processo constitui uma coletˆanea de subprocessos que s˜ao ne- cess´arios como apoio aos dois processos acima mencionados. S˜ao propostos cinco desses processos de apoio: subprocesso de aquisi¸c˜ao de conhecimento, verifica¸c˜ao e valida¸c˜ao, gest˜ao de configura¸c˜ao, documenta¸c˜ao, e treinamento.
Em (STAAB et al., 2001), a proposta metodol´ogica On-To-Knowledge, observa-se a tentativa da estrutura¸c˜ao de um ciclo de vida de ontologias integrado aos processos de gest˜ao de conhecimento organizacional. Nessa proposta, o ciclo de vida de ontologia est´a inserido nos metaprocessos de gest˜ao de conhecimento, ou seja, o conjunto de atividades necess´arias para a introdu¸c˜ao de novos sistemas baseados em conhecimento, e prop˜oem
uma abordagem metodol´ogica que estende o m´etodo CommonKADS (SCHREIBER et al.,
2000), metodologia de desenvolvimento de sistemas baseados em conhecimento, introdu- zindo diretrizes e guias metodol´ogicos para o desenvolvimento de ontologias.
Al´em dessa contribui¸c˜ao, a proposta On-To-Knowledge, traz consigo a iteratividade no processo de desenvolvimento de ontologias em dois aspectos. O primeiro consiste em ciclo interno ao processo de desenvolvimento entre atividades de refinamento e avalia¸c˜ao da ontologia em rela¸c˜ao ao dom´ınio mapeado. O segundo, consiste na introdu¸c˜ao do processo de manuten¸c˜ao da ontologia no contexto de processos organizacionais. Assim, a evolu¸c˜ao da ontologia passa a fazer parte das atividades da organiza¸c˜ao como um todo. Al´em disso, a metodologia prevˆe o reuso de ontologias pr´e-existentes e outros tipos de recursos de conhecimento, tais como fontes documentais e sistemas de informa¸c˜ao.
A preocupa¸c˜ao com a reutiliza¸c˜ao est´a presente desde o trabalho de (KNIGHT; LUK,
1994), consolidado na metodologia SENSUS (SWARTOUT et al., 1997). Essa abordagem
constitui um m´etodo de constru¸c˜ao de ontologias a partir de bases de conhecimento de grande volume, introduzindo a preocupa¸c˜ao com o reaproveitamento de recursos tais como ontologias gen´ericas e ontologias de grande volume (WordNet6 e dicion´arios). Juntamente
com reutiliza¸c˜ao, a abordagem permite o uso distribu´ıdo de ontologias (para aplica¸c˜oes ou para criar nova ontologias) baseado na Web, promove a extens˜ao baseada nas necessidades identificadas durante seu uso e a iteratividade do processo de constru¸c˜ao de ontologias.
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A preocupa¸c˜ao com reutiliza¸c˜ao de ontologias aparece em outras propostas tais como (KIETZ; M ¨AEDCHE; VOLZ, 2000; NOY; MCGUINNESS, 2001; OHGREN; SANDKUHL, 2005), mostrando a centralidade desse tema em metodologias para desenvolvimento de ontolo- gias. Al´em do reuso, Kietz, M¨aedche e Volz (2000) prop˜oe metodologia e conjunto de atividades de suporte para a aquisi¸c˜ao autom´atica de conceitos e relacionamentos. A
abordagem, denominada (KA)2, provˆe aprendizado autom´atico de ontologias por meio
do uso de algoritmos automatizados para aquisi¸c˜ao de conceitos de fontes digitais tais como documentos e Intranets, classifica¸c˜ao terminol´ogica e aprendizado de relacionamen- tos a partir de reconhecimento de padr˜oes. A abordagem provˆe adicionalmente toda uma arquitetura gen´erica para o tratamento automatizado das fontes de informa¸c˜ao.
A segunda gera¸c˜ao de metodologias, configurada pelas abordagens discutidas acima, configuram um amadurecimento do campo no que tange ao fluxo de atividades de desenvol- vimento de ontologias e uso de t´ecnicas dispon´ıveis para aux´ılio na cria¸c˜ao de ontologias. As principais evolu¸c˜oes observadas nessa s˜ao:
Iteratividade Com objetivo de facilitar a abordagem de dom´ınios extensos e acompanhar a evolu¸c˜ao do dom´ınio modelado na ontologia, introduziu-se a iteratividade entre as atividades de processo de desenvolvimento (FERN ´ANDEZ-L ´OPEZ; G ´OMEZ-P´EREZ; JURISTO, 1997;STAAB et al., 2001; OHGREN; SANDKUHL, 2005).
Reutiliza¸c˜ao A consolida¸c˜ao dos projetos de ontologias em artefatos efetivamente dis- pon´ıveis para a comunidade de usu´arios, remete a uma nova problematiza¸c˜ao para sua reutiliza¸c˜ao (FERN ´ANDEZ-L ´OPEZ; G ´OMEZ-P´EREZ; JURISTO, 1997;NOY; MCGUIN- NESS, 2001;STAAB et al., 2001; OHGREN; SANDKUHL, 2005).
Automa¸c˜ao Incorpora¸c˜ao das t´ecnicas de aprendizagem de m´aquinas para a descoberta e extra¸c˜ao de conceitos e relacionamentos (SWARTOUT et al., 1997).
Papel prec´ıpuo em Sistemas Baseados em Conhecimento Ontologias estabele-
cem os “itens de conhecimento” para os quais se constroem processos e sistemas baseados em conhecimento que d˜ao suporte ao seu ciclo de vida (STAAB et al., 2001).
Aproxima¸c˜ao de engenharia de software A busca pelo amadurecimento das abor-
dagens continua perseguindo a meta de aproxima¸c˜ao do paradigma da engenharia de software, resultando em inser¸c˜ao de atividades relativas `a gest˜ao de projetos de desenvolvimento de ontologias e na configura¸c˜ao do ciclo de vida de ontologias (FERN ´ANDEZ-L ´OPEZ; G ´OMEZ-P´EREZ; JURISTO, 1997;CORCHO; FERN ´ANDEZ-L ´OPEZ; G ´OMEZ-P´EREZ, 2003).
Entretanto, mesmo considerando a evolu¸c˜ao dos m´etodos Corcho, Fern´andez-L´opez e G´omez-P´erez (2003) concluem que da an´alise das caracter´ısticas das metodologias evidencia-se o pouco alinhamento entre a pr´atica e as proposi¸c˜oes de modelos de refe- rˆencia. Al´em disso, as abordagens n˜ao s˜ao unificadas, cada grupo aplica sua pr´opria metodologia.
A Web Semˆantica (BERNERS-LEE; HENDLER; LASSILA, 2001), proposta de constru¸c˜ao
de estrutura para a informa¸c˜ao na Web, dotando-a de conte´udo semˆantico, incentivou
diversos modelos e tecnologias para tornar expl´ıcito o significado de dados e informa¸c˜oes, de modo que programas de computadores possam realizar inferˆencias e agir de forma “inteligente”, cooperando entre si e com o ser humano. Dentre as tecnologias da Web Semˆantica, destaca-se o uso de ontologias, que floresceu em grande quantidade. Desde ent˜ao, gra¸cas a sua caracter´ıstica natural, ontologias atendem a requisitos fundamentais para ferramentas da Web Semˆantica.
Como resultado pr´atico contido na busca da Web Semˆantica, (TUDORACHE; VEN-
DETTI; NOY, 2008) observa que o uso de ontologias ampliou-se de tal forma que uma
pessoa ou pequeno grupo n˜ao conseguia mais desenvolvˆe-la efetivamente, isto ´e, o desen- volvimento de ontologias se tornou uma empreitada comunit´aria.
Esse ´e o contexto de requerimentos para os quais se observou as evolu¸c˜oes das aborda- gens metodol´ogicas. A seguir s˜ao apresentadas trˆes metodologias maduras, para as quais se observou convergˆencia na literatura.
Uma das abordagens mais completas ´e o projeto NeOn. O projeto financiado pela
European Commission’s - 6th Framework Programme (NEON-PROJECT, 2009), integrou o
trabalho de 14 institui¸c˜oes em 6 pa´ıses no per´ıodo de mar¸co de 2006 a fevereiro de 2010. O projeto teve como objetivos principais o avan¸co no estado da arte em engenharia de ontologia e tecnologias da Web Semˆantica e o provimento de m´etodo efetivo, associado a ferramenta de suporte, para desenvolvimento de novos tipos de aplica¸c˜oes semˆanti- cas. Os resultados alcan¸cados foram a defini¸c˜ao de uma infraestrutura de referˆencia para constru¸c˜ao e manuten¸c˜ao de aplica¸c˜oes semˆanticas de larga escala, e uma plataforma de engenharia de ontologia - NeOn Toolkit.
O projeto NeOn reconhece a diversidade de ontologias existentes, linguagens e ferra- mentas utilizadas e o elevado esfor¸co para cria¸c˜ao de ontologias a partir do zero. Em vista disso, fundamenta-se no conceito de rede de ontologias (HAASE et al., 2006, p. 12) como o foco para o ciclo de vida de ontologias. Uma rede de ontologias constitui-se de uma cole¸c˜ao de ontologias inter-relacionadas por meio de mapeamentos, integra¸c˜ao modular, versiona-
mento ou dependˆencia. A proposta descrita detalhadamente nos entreg´aveis do projeto (SU ´AREZ-FIGUEROA et al., 2008; SU ´AREZ-FIGUEROA et al., 2009;SU ´AREZ-FIGUEROA et al.,