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9. Mise en pratique du microlearning

9.1 Analyse du site www.researchdatamanagement.ch

A região Noroeste do estado do Paraná tem traços fortes da nucleação das escolas localizadas em comunidades rurais. As “escolas rurais” foram centraliza- das nas cidades, sendo que nestas investiu-se em estruturas físicas possibilitando incorporar as crianças do campo, o que deu continuidade ao êxodo rural e a promo- ção da agricultura voltada ao agronegócio.

De acordo com informações de pessoas que vivenciaram as transforma- ções do espaço nestes municípios, nos anos de 1950 a 1960, esta Região era uma das maiores produtoras de

café, mantidas em gran- des colônias de terra, res- ponsável por um intenso fluxo de migrantes pau- listas e nordestinos que buscavam trabalho nas lavouras cafeeiras. Po- rém, as mudanças na polí- tica agrícola e a geada, no período da década de 60, foram responsáveis pela desestabilização do café

35 Cintya é coordenadora do setor de educação da brigada Salvador Allende, e da Escola Itinerante Carlos Marighella. Cursou Magistério e atuou como educadora nesta escola desde sua criação. Jurema de Fá- tima acompanha as Escolas Itinerantes no Paraná e atuou na Escola Carlos Marighella como coordenadora no período de 2004 a 2007. Cursou Pedagogia da Terra pela UNIOESTE, campus de Francisco Beltrão. O texto é fruto do processo de uma reflexão coletiva. Contou com a participação dos educadores e educadoras da escola, sendo eles: Adangley Souza da Rosa; Alessandro José D. da Silva;; Cleide Machado; Elizete dos santos Morais; Gilmara Soares da Silva; Maicon Dieckson L. da Costa; Márcia Dotto; Silvana Knopf; Tânia Aparecida de O. Santos. Considerando que pessoas que nessa caminhada educadores que estão atuando em ou- tras escolas fizeram parte desse coletivo sendo, Alan Santos de Morais; Alcione Nunes Farias; Lílian Martins, Maria Viviane dos Santos Moutinho; Romeu Manuel Petry e Wellington Leno Lima.

como economia principal, dando lugar à criação de gado de corte na região, o qual exigia menor necessidade de trabalho assalariado no campo.

Essas mudanças contribuíram para a aceleração da nucleação das escolas rurais, onde muitas crianças de algumas fazendas e sítios de pequenos agricul- tores chegavam a ficar em torno de quatro horas por dia em ônibus para chegar à escola.

1.1. O MST na região

A década de 90 caracterizou-se por iniciativas de lutas no campo da Refor-

ma Agrária e da educação, como a teimosa prática do acampamento do MST da

fazenda Cobrinco, município de Guairaçá.

A região Noroeste sofria então, uma onda de forte repressão, devido à ten- tativa do governo em abafar a luta dos homens e das mulheres que se organizam para ocupar terras improdutivas.

Durante esse período, a luta pela resistência na terra foi acompanhada de lutas pela legalidade da escola neste acampamento, que mantinha aulas com crian- ças da Educação Infantil aos anos iniciais do Ensino Fundamental, sendo que os educadores eram da comunidade acampada. Essa prática não foi legalizada, pois o município não se propôs a reconhecer a “Escola do Acampamento”, sendo assim, todo esse período estudado não fez parte da vida escolar legal dessas crianças.

Em 2001, o acampamento foi despejado pelo efetivo da brigada militar do

Estado e, após três dias, a fazenda foi novamente ocupada, e ali as famílias Sem Terra permaneceram por aproximadamente seis meses. Nesse segundo despejo, as famílias foram deslocadas para os fundos de um assentamento no município de Terra Rica. Durante esse período de espera as crianças continuaram estudando, porém nas escolas públicas da cidade. O acampamento improvisado na reserva do assentamento, não comportava estrutura física e humana, pois poucos educadores permaneceram no acampamento, impossibilitando a continuidade do trabalho com essas crianças.

Os despejos foram enfraquecendo a permanência das famílias mobiliza- das, ocasionando desistência de algumas. Outras se deslocaram para outros mu- nicípios como: Querência do Norte, Itaguajé e Lapa, onde integraram-se a outros acampamentos que precisavam ampliar o número de pessoas. No final do ano de 2002, as famílias que haviam permanecido no acampamento se mudam para o as- sentamento Sétimo Garibalde, também no município de Terra Rica. Neste espaço foram fortalecidas diferentes iniciativas de massificação aumentando o número de pessoas acampadas, chegando a comportar 200 famílias no acampadas. Mais tarde

juntaram-se com outros acampamentos e ocuparam a Fazenda Santa Filomena, localizada no município de Planaltina do Paraná.

A organização do Movimento na região Noroeste e a prática educativa das Escolas Itinerantes nos acampamentos, principalmente neste contexto de luta pela terra e pelo direito à educação, é uma iniciativa ousada que possibilita a retomada da escola colada à dinâmica de vida desses sujeitos que se formam na relação com o trabalho no campo. A Escola Itinerante pode enraizar-se na comu- nidade onde se insere e tornar-se escola de assentamento, contrapondo a lógica da nucleação neste espaço.

2. OACAMPAMENTO ELIAS GONÇALVES DE MEURA

A Fazenda Santa Filomena, tem aproximadamente 800 alqueires foi decla- rada em agosto de 1997 – como de interesse para fins da Reforma Agrária. De acor- do com o laudo do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), a fazenda é caracterizada como “grande propriedade improdutiva”.

Assim sendo, 400 famílias integrantes do MST, que esperavam pela “terra de trabalho”, na madrugada do dia 31 de julho de 2004, ocupam essa área, tentando acelerar o processo de desapropriação dessa fazenda. Entretanto, durante esse ato, funcionários da fazenda portando armas de grosso calibre, passaram a desferir tiros contra as famílias.

Em decorrência dos disparos, sete trabalhadores Sem Terra ficaram gra- vemente feridos. Entre estes, Elias Gonçalves de Meura, de 20 anos de idade, foi assassinado no local. Fato que em homenagem a este jovem lutador, deu-se ao acampamento o seu nome.

Durante todo o processo de ocupação da fazenda Santa Filomena, as famí- lias foram vítimas de várias ameaças. Uma delas foi em 07 de setembro de 2004, trinta e seis dias após o assassinato de Elias Meura, quando um ex-policial, sur- preendido pelos trabalhadores rurais acampados, fazia filmagens e intimidava as famílias.

No início, o acampamento chegou a comportar trezentas famílias, destas muitas desistiram, outras foram sendo assentadas ou foram compor outro acampa- mento da região. Atualmente têm-se oitenta famílias organizadas em oito núcleos de base, cada núcleo composto por dez famílias. São pessoas vindas de municípios da região como Tapira, Amaporã, Terra Rica, Planaltina do Paraná, Santa Mônica... inclusive do Paraguai. Todas têm vínculo direto e indireto com a terra e uma longa trajetória de direitos negados, dentre eles o acesso à escolarização.

Uma das demandas do acampamento, desde a sua organização, é a educação escolar das famílias, em especial das crianças. Desde o início da ocupação o mu- nicípio não dispunha de vagas nas escolas para as crianças estudarem e, diante da situação problemática, surgiu a demanda de garantir a educação escolar dentro do acampamento. O processo de construção da escola, as linhas políticas e pedagógicas, material para construção, educadores /educadoras e a própria característica da escola, foram frutos das discussões. Através de estudos, análises e reflexões aconteceram nas diversas instâncias, tais como, os núcleos de base, a coordenação do acampamento, a coordenação política e pedagógica, a direção da brigada (500 famílias) e o coletivo de educadores. Como resultado das discussões realizadas, definiu-se pela construção da Escola Itinerante do Acampamento Elias Gonçalves de Meura.