Este estudo investigou as percepções dos profissionais das equipes de saúde da AB sobre o seguimento do bebê pré-termo e/ou de baixo peso egresso da UN e à sua família, e a interface com a terceira etapa do MC.
Os resultados mostram que a Organização do seguimento na Atenção Básica na realidade estudada é constituído por um adequado relacionamento entre a equipe de saúde, o que favorece o atendimento
86
multiprofissional. As consultas intercaladas entre médicos e enfermeiros são apontadas como uma feliz estratégia adotada pelo MS. No entanto, destaca-se a necessidade de capacitação e treinamento profissional para a realização desta atividade. A VD se mostra como estratégia fortalecedora da puericultura na AB, porém muitas vezes dificultada devido a falta de carro ou disponibilidade dos profissionais para sua realização. Sendo assim, são necessários investimentos e maiores estudos para identificar estratégias sobre como potencializar essa atuação, bem como sensibilização de profissionais e gestores sobre sua importância para o incentivo de sua prática.
A categoria O enigmático bebê pré-termo e/ou de baixo peso e sua família na Atenção Básica, desvelou que o bebê pré-termo ainda é um mistério para os profissionais da AB, que se sentem muitas vezes desamparados e despreparados para atender esta clientela. Apesar do sentimento de insegurança, os profissionais, na sua maioria, se mostram capacitados sobre o atendimento ao bebê pré-termo, no entanto, esse cuidado ainda é centrado no modelo biomédico, devendo ser incentivadas ações de promoção à saúde.
Quanto As interfaces da terceira etapa do Método Canguru com a Atenção Básica, no cuidado ao bebê pré-termo e/ou de baixo peso, esta relação se apresenta ainda tímida, bem como o conhecimento dos profissionais limitados sobre a temática. Sendo assim, são necessárias ações de divulgação e capacitação dos profissionais sobre o método e pactuações entre os diversos níveis de atenção à saúde para a efetivação da terceira etapa do MC também na AB.
O estudo aponta a necessidade de maiores investimentos na AB, de modo a garantir ampla cobertura da ESF, já que este modelo de atuação garante melhor territorialização e mapeamento da comunidade, favorecendo o vínculo dos usuários com os profissionais e ampliando a resolutividade. Capacitar os profissionais de saúde da AB garante o fortalecimento da relação entre a equipe e a comunidade, além de conferir mais segurança para o acompanhamento do bebê pré-termo e/ou de baixo peso. O Programa Bebê Precioso se evidencia como uma ação importante, através de protocolos de atendimento e capacitação dos profissionais, servindo de modelo para a atenção do bebê de risco.
As limitações deste estudo estão no enfoque dos sujeitos que se deu, apontando exclusivamente as percepções dos profissionais de saúde sobre o atendimento ao pré-termo e/ou de baixo peso na AB. Sendo assim, recomenda-se a realização de estudos semelhantes que investiguem as percepções dos familiares e profissionais das UN sobre esse processo. Sugerem-se ainda novas abordagens após serem
87 realizadas as capacitações da AB para a atuação no MC, para a comparação das realidades encontradas.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, H., et al. Impacto do método canguru nas taxas de aleitamento materno exclusivo em recém-nascidos de baixo peso. Jornal da Pediatria, Porto Alegre, v. 86, n. 3, p. 250-253, mai./jun. 2010.
ARAUJO, C.L. et al. Método mãe canguru: uma investigação da prática domiciliar. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.15, n.1, p. 301-307, jan. 2010.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011. BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano - compaixão pela terra. Petrópolis (RJ): Vozes; 1999.
BORCK, M.; SANTOS, E. K. A. Terceira etapa método canguru: convergência de práticas investigativas e cuidado com famílias em atendimento ambulatorial. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 31, n. 4, p. 761-8, 2010.
BORCK, M.; SANTOS, E. K. A. Método canguru: práticas
investigativas e de cuidado de enfermagem no modelo de adaptação de Roy. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 263-269, 2012.
BUCCINI, G. S. et al. Acompanhamento de recém-nascidos de baixo peso pela atenção básica na perspectiva das Equipes de Saúde da Família. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 11, n. 3, p. 239-247, jul./set. 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Agenda de compromissos para a saúde integral da criança e redução da mortalidade infantil. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. ______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
88
do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde Brasília: Ministério da Saúde, 2011. 4 v.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília: Ministério da Saúde, 2012a.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012b.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: Método Canguru. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2013a.
______. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Resolução n° 466, de 12 de dezembro de 2012. Dispõe sobre diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 jun. 2013b. Seção 1, p. 59.
______. Ministério da Saúde, Portaria no 1.290, de 5 de setembro de 2013: Institui a Estratégia Nacional para Promoção do Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável no Sistema Único de Saúde (SUS) - Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil. Diário Oficial da União, Brasília, DF 06 nov. 2013c, p.16.
CHAGAS D. O. et al.Comparação da adesão materna às orientações do método mãe canguruno pré e pós-alta do Hospital Sofia Feldman. Revista Médica de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 21, n. 1, p. 5-8, 2011.
COSTA, G. D. et al. Avaliação da atenção à saúde da criança no contexto da Saúde da Família no município de Teixeiras, Minas Gerais (MG, Brasil). Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 7, p. 3229-3240, 2011.
COSTA, L. et al. Significado da consulta de enfermagem em
puericultura: percepção de enfermeiras de estratégia saúde da família. Ciência, Cuidado e Saúde, Maringá, v. 11, n. 4, p. 792-798, 2012.
89 COUTO, F. F.; PRAÇA, N. S. Recém-nascido prematuro: suporte materno domiciliar para o cuidado. Revista Brasileira de
Enfermagem, Brasília v. 65, n. 1, p. 19-26, jan./fev. 2012.
CUSTÓDIO, Z. A. O. Redes sociais no contexto da prematuridade: fatores de risco e de proteção para o desenvolvimento da criança ao longo dos seus dois primeiros anos de vida. 2010. 284 f. Tese (Doutorado em Psicologia). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010.
CUSTÓDIO, N. et al. Alta da unidade de cuidado intensivo neonatal e o cuidado em domicílio: revisão integrativa da literatura. Revista Mineira de Enfermagem, v. 17, n. 4, p. 984-999, out./dez. 2013.
ERDMANN, A. L.; SOUSA F. G. M. Cuidando da criança na atenção básica de saúde: atitudes dos profissionais da saúde. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 33, n. 2, p. 150-60, abr./mai. 2009.
FILHO, F. L. et al. Avaliação dos resultados neonatais do método canguru no Brasil. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro (RJ), v. 84, n. 5, p. 428-435, set./out . 2008.
FONTANELLA, B. J. B.; RICAS, J.; TURATO, E. R. Amostragem por saturação em pesquisas qualitativas em saúde: contribuições teóricas. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 1, p. 17-27, jan. 2008.
GAIVA, M. A. M.; DIAS, N. S.; SIQUEIRAS, V. C. A. Atenção ao neonato na Estratégia Saúde da Família: avanços e desafios para a atenção integral. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v. 17, n. 4, p. 730- 737, out./dez. 2012.
JOINVILLE (Cidade). Prefeitura de Joinville. Secretaria Municipal de Saúde. Gerência de Unidade de Atenção básica. Programa Bebê Precioso. Joinville, 2011.
______. Prefeitura de Joinville. Secretaria Municipal de Saúde. Gerência de Unidade de Atenção. Linhas-guia de atenção básica: pequeno príncipe. Joinville, 2013.
90
______. Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville - IPPUJ (Org.). Cidade em Dados 2014. Joinville, 2014. Disponível em:
<https://ippuj.joinville.sc.gov.br/arquivo/lista/codigo/442-
Joinville%2BCidade%2Bem%2BDados%2B2014.html>. Acesso em: 10 jan. 2015.
LAMY, Z. C. et al. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso – Método canguru: a proposta brasileira. Ciência Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 10, n. 3, p. 659-668, jul./set. 2005.
MARCH OFDIMES et al.Born too soon: the global action report on preterm birth. Edited by Howson CP, Kinney M, Lawn JE. Geneva: World Health Organization, 2012.
MARTINIANO, C.S. et al. Análise dos cuidados de puericultura e da relação puericultor-criança-cuidador na atenção básica. Revista Brasileira de Pesquisa em Saúde, Vitória, v. 15, n.1, p. 40-48, jan./mar. 2013.
OLIVEIRA, F. F. S. et al. Consulta de puericultura realizada pelo enfermeiro na estratégia saúde da família. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, Fortaleza, v. 14, n. 4, p. 694-703, 2013. RIVOREDO, C.R.S.F.; OLIVEIRA G.N.; MENDES R.T. A prática pediátrica no SUS: reflexões sobre o papel dos pediatras na Estratégia de Saúde da Família. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 10, p. 4221-4228, out. 2011.
SANTANA, J. C. B. et al. Método mãe canguru e suas implicações na assistência: percepção da equipe de enfermagem. Enfermagem Revista, Belo Horizonte, v. 16, n. 1, p. 34-48, jan./abr. 2013.
SILVA, S. O. BUDÓ, M. L. D.; SILVA, M. M. Concepções e práticas de cuidado na visão de homens. Texto & Contexto Enfermagem, v. 22, n. 2, p. 389-396, 2013.
SILVEIRA, R.C. (Coord. e Org). Manual prático de atendimento em consultório e ambulatório de pediatria. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2006. 116 p.
91 ______. Departamento Científico de Neonatologia. Seguimento
ambulatorial do prematuro em risco. 1a. ed. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2012. 76 p.
TRONCO, C. S. et al. Cuidado domiciliar de recém-nascidos egressos da terapia intensiva: percepção de familiares. Revista enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 108-113, jan./mar. 2010.
VASCONCELOS, V. M. et al. Puericultura em enfermagem e educação em saúde: percepção de mães na estratégia saúde da família. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 326-31, abr./jun. 2012.
VIEIRA, V. C. L. et al. Puericultura na atenção primária à saúde: atuação do enfermeiro. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v. 17, n. 1, p. 119- 125, jan./mar. 2012.
VIERA, C. V.; MELLO, D. F. O seguimento da saúde da criança pré- termo e de baixo peso egressa da terapia intensiva neonatal. Texto &Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 18, n.1, p. 74-82. jan./mar. 2009.
4.2 MANUSCRITO II - REFERÊNCIA E CONTRARREFERÊNCIA DO BEBÊ EGRESSO DA UNIDADE NEONATAL NO SISTEMA DE SAÚDE: PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA ATENÇÃO BÁSICA
REFERÊNCIA E CONTRARREFERÊNCIA DO BEBÊ EGRESSO