Chapitre 6 Les mécanismes responsables de la surinfection bactérienne
2 Comment expliquer la diminution du nombre de progéniteurs de cDC?
2.5 Altération dans les facteurs de différenciation des DC
Na primeira metade dos anos 1980, a articulação entre subjetividade e verdade adquire novos contornos e maior clareza no pensamento foucaultiano como é possível observar na passagem a seguir:
[...] penso efetivamente que não há um soberano, fundador, uma forma universal de sujeito que poderíamos encontrar em todos os lugares. Sou muito cético e hostil em relação a essa concepção de sujeito. Penso, pelo contrário, que o sujeito se constitui através das práticas de sujeição ou, de maneira mais autônoma, através de práticas de libertação, de liberdade, como na Antiguidade – a partir, obviamente, de um certo número de regras, de estilos, de convenções que podemos encontrar no meio cultural (FOUCAULT, 2004c, p. 291).
Para Foucault, somos sujeitos “hermenêuticos” constituídos a partir das tecnologias do poder, delimitados pelo binômio sujeito-verdade. Dessa forma, as práticas do sujeito consigo mesmo foram estudadas por Foucault (2004) que, em entrevista concedida em 1984, ressaltou o seu objeto de estudo, qual seja: o sujeito humano e seus encontros com jogos de verdade. Desse modo, o que é considerado como “verdade” pode assumir a forma de ciência, modelo científico ou enunciado produzido nas instituições e práticas de controle. Ademais, as relações instituídas entre o sujeito e os jogos de verdade podem ocorrer de várias formas, dentre elas a práticas de si, isto é, a partir do trabalho do próprio sujeito consigo mesmo.
Foucault (2006), enfim, procura distanciar-se de uma concepção essencial e universal da verdade. Seu pensamento buscará pelas articulações, pelas técnicas de produção e por efeitos de jogos de verdade ocorridos ao longo da história que possibilitaram a concepção de uma verdade originária e universal. Foucault contrapõe-se, ainda, a tal concepção da verdade mostrando que ela é produzida como acontecimento em um tempo histórico específico. Nesse sentido, a produção de verdade ocorre por meio de práticas históricas que podem ser divididas em práticas discursivas, práticas sociais e práticas de si.
Assim, a concepção que Foucault (2006) tem de verdade é que não há “a verdade”, mas “jogos de verdade”, que ele compreende como um conjunto de regras de produção de verdade e essas regras, por sua vez, estão sujeitas às intervenções histórico-sociais; logo, mudando as epistemes do momento histórico, mudam-se as verdades. Em outras palavras, segundo Revel (2005, p. 87), “jogos de verdade”, para Foucault, “não [é] a descoberta do que é verdadeiro, mas das regras segundo as quais aquilo que um sujeito diz a respeito de certo objeto decorre da questão do verdadeiro e do falso”. O que implica dizer que, para o filósofo francês, os jogos de verdade são “as relações por meio das quais o ser humano se constitui historicamente como experiência – que permitem o homem pensar-se […]” (REVEL, 2005, p. 87).
Arrisco afirmar que jogos de verdade é o conjunto de regras de produção de verdade, bem como conjunto de procedimentos que conduzem a um determinado resultado, que pode ser considerado – em função de seus princípios e de suas normas de procedimento – como válido ou não. Pode ser também lugar de enfrentamento social e de debate político, encarado sob a forma de “lutas ideológicas”, cada lado defendendo seu ponto de vista sem se interrogarem. Assim, “constitui historicamente como experiência – que permite o homem pensar-se quando se identifica como louco, doente, desviado, trabalhador, como quem vive, como quem fala, ou ainda como homem de desejo” (REVEL, 2005, p. 87). A esse respeito, em Foucault, encontramos uma sequência de interrogações.
Através de quais jogos de verdade o homem se dá seu ser próprio a pensar quando se percebe como louco, quando se olha como doente, quando reflete sobre si como ser vivo, ser falante e ser trabalhador, quando ele se julga e se pune enquanto criminoso? Através de quais jogos de verdade o ser humano se reconheceu como homem de desejo? (FOUCAULT, 1984, p.13-14).
Essa retrospectiva inscreve-se no projeto amplo foucaultiano de uma história da verdade. A relação entre subjetividade e verdade, por sua vez, evidencia-se ainda mais em sua investigação quando, no curso Hermenêutica do Sujeito (FOUCAULT, 2004c), é desdobrada a diferença entre filosofia e espiritualidade, nas articulações entre cuidado de si e conhecimento de si, conhecimentos úteis e inúteis, cuidado de si e conversão a si, ascese e verdade. A partir desse cursos, é possível, então, compreender que o exercício do cuidado de si é uma forma de síntese, um ponto de conexão entre a história da subjetividade e as formas de governabilidade. Ademais, esse exercício está ligado a duas grandes zonas: ao poder e à governabilidade, ambos intrinsecamente ligados à ética.
Desse modo, o fio condutor da articulação entre subjetividade e verdade é o cuidado de si. Logo, cuidar de si, ocupar-se de si, ocupar-se da alma, implica que o indivíduo tenha uma melhor compreensão da sua relação com os outros e com o mundo que o circunda. Em última instância, cuidar de si significa conhecer-se. No modo atual de subjetivação, “a constituição de si como sujeito é função de uma tentativa indefinida de conhecimento de si, que não se empenha mais do que em reduzir a distância entre o que sou verdadeiro e o que creio ser; o que faço, os atos que realizo só têm valor enquanto me ajudaram a melhor me conhecer” (GROS, 2004, p. 634).
Empenhei-me, portanto, na busca de uma teoria que pudesse me possibilitar uma investigação que fizesse sentido tanto na área da Linguística Aplicada quanto na da formação de professores de língua inglesa. Mesmo com muita dificuldade de desfazer-me das amarras que me perseguiam durante a compreensão da teoria escolhida, como dito na introdução deste estudo, eu sabia que precisaria romper com as correntes teórico-metodológicas tradicionais, quando optei por trabalhar com os estudos pós-estruturalistas de Michel Foucault e seus comentadores, pois minha intenção desde início era me lançar a um novo olhar para a construção de subjetividades desses professores de inglês. Acreditei, assim, que os estudos interdisciplinares da LA poderiam me proporcionar essa chance. Enfim, pensar com Foucault é arriscar a pensar diferentemente do que se pensa.
Reafirmo, ainda, que tomo os conceitos operadores sobre o cuidado de si e as tecnologias de eu, e trago-os para o território das escritas de si, adotando essas escritas como um dispositivo, problematizando e analisando como os professores no processo de formação continuada, provocados/implicados por um outro, colocam-se
em um processo de experimentação de si, na escrita de si, concebida como práticas discursivas. Assim, espero dar voz aos envolvidos na produção de sentidos que, por conseguinte, poderá constituir-se em produção de suas subjetividades ao ocuparem a posição de professores de língua inglesa.
CAMINHO METODOLÓGICO
Neste capítulo, apresento o desenho de pesquisa, orientada pela teoria foucaultiana, por um lado, e pelo próprio objeto, por outro. Ainda, neste capítulo, detalhei a seleção do corpus e o contexto de pesquisa, delineei o contexto das escritas de si os procedimentos de descrição.