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Os dados analisados mostram que, quanto ao fenômeno do Controle, o corpus apresenta verbos (volitivos, psicológicos e reflexivos como partir-se) que selecionam completivas infinitivas de Controle Sujeito, sendo que o verbo prometer se constrói, no corpus, tanto com completivas de Controle quanto com completivas subjuntivas em que o sujeito nulo co-refere com o sujeito do verbo principal.

Quanto ao Controle objeto, tanto direto quanto indireto, o corpus sugere que, exceção feita a poucos casos, em configurações específicas de completivas nominais, subjetivas, relativas e adverbiais, o português trecentista não dispunha de completivas de Controle de objeto direto nem indireto (selecionada por verbos como obrigar e dizer, por exemplo), figurando em lugar destas a subordinação subjuntiva em que o sujeito nulo é co-referencial ao objeto.

As infinitivas de Marcação Excepcional de Caso apresentam um comportamento notavelmente constante no que se refere ao mecanismo de atribuição casual ao sujeito da oração encaixada; não há registros de infinitivo flexionado nestas construções, mesmo em situações em que o sujeito é uma expressão referencial no plural, do que se conclui ser o sujeito destas infinitivas, de maneira invariável, marcado com Caso pelo predicado matriz, nos dados do corpus.

Em relação às construções com verbos de alçamento, os modais revelaram-se os mais numerosos, sendo que a preposição regente da infinitiva oscila para cada verbo.

O exame das construções conjuntivas veio a confirmar, por fim, que os verbos de Controle Objeto da língua atual optam, invariavelmente, no corpus, por completivas subjuntivas.

Levantou-se a hipótese, baseada em uma visão de língua como um sistema altamente interconectado (CECCHETTO e ONIGA, 2001), de que o tipo de complementação subjuntiva

que ocorre, no corpus, em estruturas equivalentes às atuais construções de Controle objeto, constitui um reflexo do Problema da Incompatibilidade latino; devido a uma reanálise provocada pela proximidade semântica em alguns casos de completivas de Controle e adverbiais finais na língua arcaica, o novo padrão de complementação infinitiva passou a aumentar de freqüência. O aparecimento do infinitivo flexionado fizera ressurgir, sob forma simétrica à do latim, o Problema da Incompatibilidade; o recrudescimento tardio do infinitivo flexionado, no português atual, inclusive em direção às completivas de Controle, novamente incompatíveis com PRO devido à possibilidade de flexão do infinitivo em construções de Controle objeto, provoca então em um movimento “de vácuo” no sentido de ocupar os espaços esvaziados pelas completivas subjuntivas, entre outros espaços sintáticos, a fim de superar o Problema da Incompatibilidade.

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