AND AGENT-BASED MODELS 1
3. Agent-Based Models and economic policy
A educação é proposta pelo espanhol Jorge Bondía Larrosa como possibilidade existencial e estética ao pensá-la com base na experiência e no sentido atribuído a esse par por parte do sujeito. O sujeito e o processo de aprendizagem tornam-se elementos dialéticos e correlacionados aos sentidos atribuídos por esses durante as experiências vivenciadas (BONDÍA LARROSA, 2002).
Bondía Larrosa se debruça sobre os saberes provenientes da relação do sujeito com a experiência e estabelece diferentes formas interpretativas de compreendê-la. De acordo com o autor, a experiência pode ser compreendida como aquilo que nos acontece, fica e nos marca durante a vida. Do contrário, o que se passa não nos oferece ferramentas significativas para a compreensão de mundo.
De forma epistêmica, Bondía Larrosa se fundamenta nas contribuições sociológicas de Walter Benjamin. O sociólogo alemão salienta a pluralidade de acontecimentos constituintes em um mundo contemporâneo. Porém, essa pluralidade de ofertas não grava marcas nos sujeitos e se configura como “pobrezas de experiências”. De modo geral, a experiência estaria cada vez mais rara (BONDÍA LARROSA, 2002).
Por meio disso, o autor busca compreender esse movimento de escassez de experiências significativas atribuindo, assim, alguns sentidos influenciáveis a uma concepção de passiva experiência. O primeiro sentido refere-se ao excesso de informações inseridas no mundo em que vivemos. A presença da informação não leva necessariamente o sujeito a apropriar-se de
forma concreta dos conhecimentos contidos. Pelo contrário, a informação não deixa lugar para a experiência. O conhecimento não se dá apenas pela informação e aprender não é apenas adquirir e processar informação. O excesso de opinião também contribui para a escassez da experiência, ao adotar o mundo moderno como palco principal. O sujeito moderno é um sujeito informado e de opinião, todavia a formulação de opiniões ampara-se nos meios de comunicação de massa. De acordo com o autor (2002, p. 23):
A informação seria o objetivo, a opinião seria o subjetivo, ela seria nossa reação subjetiva ao objeto. Além disso, como reação subjetiva, é uma reação que nos tornou automática, quase reflexa: informados sobre qualquer coisa, opinamos.
A falta de tempo em consonância com a velocidade dos acontecimentos também se tornam elementos influenciadores para a escassez da experiência. Bondía Larrosa (2002, p. 23) ratifica que “[...] ao sujeito de estímulo, da vivência pontual, tudo o atravessa, tudo o excita, tudo o agita, mas nada lhe acontece”.
O sujeito moderno está em vários lugares simultaneamente, assume diversos compromissos, porém transita por eles de forma mecânica e passageira. Como resultado, tal situação distancia-se de um momento de interrupção para reflexão.
Outro ponto contribuinte para a escassez da experiência também estaria relacionado ao homem moderno. O excesso de trabalho seria um dos fatores que contribuem para que o sujeito esteja sempre em atividade, mobilizado e distante de uma realidade significativa. Os momentos não são percebidos nem analisados como deveriam ser.
Do ponto de vista da aprendizagem no ambiente escolar, a dinamicidade, alertada pelo autor, no processo de aprendizagem por meio da pluralidade de experiências passivas na realidade dos sujeitos também pode ser percebida nesses espaços. Nota-se, na organização dos currículos, uma gama de conteúdos a serem desenvolvidos no decorrer do ano, que, porventura, podem ser vivenciados pelos alunos, porém de forma passiva.
Para que a experiência nos toque, é necessário, segundo o autor, um gesto de interrupção na tentativa de aguçar os sentidos e as percepções dos sujeitos:
[...] requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demonstrar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço (BONDÍA LARROSA, 2002, p. 24).
O autor se apropria das considerações do filósofo alemão Martin Heidegger13 e sua definição de experiência, ao considerá-la como algo a alcançar que nos apodere e nos transforme. A experiência deve incitar a capacidade de formação e transformação do indivíduo.
O saber da experiência, portanto, é um saber que se distingue dos outros: do saber científico, do saber da informação, da técnica e do trabalho. O saber da experiência é aquele que estabelece relação entre o conhecimento e a vida humana. É um saber encarnado, particular, subjetivo, relativo, contingente e pessoal.
O saber da experiência é um saber que não pode separar-se do indivíduo concreto em que encarna. Não está, como o conhecimento científico, fora de nós, mas somente tem sentido no modo como configura uma personalidade, um caráter, uma sensibilidade ou, em definitivo, uma forma humana singular de estar no mundo, que é por sua vez uma ética (um modo de conduzir-se) e uma estética (um estilo) (BONDÍA LARROSA, 2002, p. 27).
O autor diferencia o saber da experiência dos demais conhecimentos e traz elementos que consideram o sujeito como ator no processo de apropriação desse saber, ao dar sentido à forma de estar no mundo.
A centralidade do sujeito no processo de aprendizagem também pode ser percebida nos estudos de Larrosa Bondía (2002). O autor sinaliza a importância dos sentidos atribuídos, por parte dos sujeitos, às experiências
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Em pesquisas mais recentes, Heidegger afasta-se da fenomenologia, ao buscar compreender o sentido mais profundo da existência humana, o significado da metafísica e as suas influências para o pensamento ocidental (JAPIASSÚ; MARCONDES, 2001).
vivenciadas para que, de fato, elas façam sentido. Para tanto, o sujeito necessita estar mergulhado em suas ações, de forma aberta, receptiva e passiva. Entretanto, o sentido do termo “passivo” em Larrosa Bondía remonta a outro significado e se aproxima das características relacionais e de singularidade dos sentidos de Charlot (2000, p. 27), ao afirmar que esse é um saber encarnado, que não se separa do indivíduo concreto que o encarna e não se configura fora de nós, pois “[...] somente tem sentido no modo como configura uma personalidade, um caráter, uma sensibilidade ou, em definitivo, uma forma humana singular de estar no mundo”. Esse saber engloba sua relação com a existência, com a vida singular e concreta.
2.3 O ENSINO EM VALORES POR MEIO DO ESPORTE E A EDUCAÇÃO