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PARTIE 3 - LES BIBLIOTHÈQUES UNIVERSITAIRES ET LES

2. Quelles actions pour les BU dans le développement des SI recherche ?. .98

2.3. Utilisation des SI recherche par les BU

1.2.1. Relations avec les autres services

A existência de uma terminologia variada relativa a ‘atração turística’ revela a necessidade de identificar uma definição rigorosa que possa ser operacionalizada de forma inequívoca em investigações em Turismo e que seja pertinente para todas as atrações. Segundo Fyall et al (2008) citados por Edelheim (2015, p.4), “as atrações representam um setor complexo da indústria turística não sendo verdadeiramente bem compreendidas”. Na mesma linha, Fernandes, Pais & Pereira (2009) citando Swarbrooke (1995) salientam que a dificuldade existente em definir atração [turística] deve-se:

i) à dificuldade em estimar o número de visitantes acima do qual um determinado local é classificado como uma atração;

ii) e a intenção com que se visita o local.

Muitas das investigações publicadas sobre atrações estão frequentemente relacionadas com categorias como a localização, tipo de produto, questões ligadas à gestão ou experiência do visitante (Leask, 2010) pelo que, segundo esta autora, a importância das atrações pode também ser vista de diferentes perspetivas, quer dos visitantes, dos recursos existentes ou da sua importância no desenvolvimento do destino.

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Quadro 5. Definições de atrações turísticas

Definição Autores

“De acordo com o mesmo autor, um fenómeno deve ter três componentes para ser considerado uma atracção: um turista, um local para ser visto e um marcador (meio de informação turística) que fornece informação sobre o local”.

MacCannell (1976) citado por Fernandes et

al. (2009, p.1449)

“Atrações turísticas são, por definição, tudo que atrai turistas”. Lundberg (1985) citado

por Fernandes et al. (2009, p.1448) “Atrações, por definição, têm a capacidade de atrair pessoas… têm como

objetivo satisfazer as necessidades recreativas dos visitantes. Podem ser desenvolvidas em qualquer lugar e atuar como indutoras de crescimento, com tendência a serem desenvolvidas em primeiro lugar em regiões turísticas”.

Mill & Morrison (1992, p.265)

“… existem três tipos básicos de atrações: ideográficas, cognitivas e organizacionais”.

Lew (1987) citado por Edelheim (2015, p.9) “Um determinado recurso permanente que é gerido e direcionado para o

prazer, divertimento, entretenimento e educação do público visitante”.

Middleton, 1988 citado por Fernandes et al. (2009, p.1448) “As atrações são elementos do ambiente do destino que, individualmente e

em conjunto, servem como principal motivação das visitas turísticas”

Middleton (1989, p. 573) citado por Caldeira (2014) “Uma atração turística é um sistema que compreende três elementos: um

turista ou elemento humano, um núcleo ou elemento central e um ‘marcador’ ou elemento informativo. A atração turística ganha existência quando os três se combinam”

Leiper (1990, p. 371) citado por Caldeira (2014, p.56) Uma atração turística é um sítio denominado, com uma característica

humana ou natural que é foco de atenção por parte de visitantes e sua gestão”.

Pearce (1991, p.46) citado por Kang, Lee, Kim, & Park, 2018, p.358)

“As atrações turísticas consistem em todos aqueles elementos do espaço ‘extra residência’ que arrastam viajantes discricionários para fora das suas residências. Incluem habitualmente paisagens para observar, atividades em que participar e experiências para recordar”

Lew (1994, p. 291) citado por Fernandes et

al. (2009) e Caldeira

(2014) “Atrações são aqueles locais desenvolvidos que são planeados e geridos

para o interesse, atividade e divertimento do visitante”

Gunn, 1994 citado por Fernandes et al. (2009, p.1448)

“Uma atração turística é um lugar de interesse que oferece aos turistas nacionais ou internacionais, bem como a residentes, de forma sazonal ou anual, atividades de lazer e/ou educação. Não inclui atividades desportivas tradicionais, apresentações teatrais ou cinematográficas ou eventos especiais com um período de operação limitado”.

Deloitte (1999) citado por Edelheim (2015, p.16)

“Um destino estabelecido de forma permanente, tendo como um dos seus principais objetivos permitir o acesso do público para entretenimento, interesse ou educação, em vez de ser basicamente um ponto de venda ao público ou um lugar para a realização de manifestações desportivas, teatrais e cinematográficas. Deve estar aberta ao público em períodos divulgados todos os anos e deverá ser capaz de atrair excursionistas ou turistas, assim como residentes locais”

Comissão Europeia (2003, p. 36) citada por Caldeira (2014, p.57)

“As atrações consistem em clusters de características atrativas, nas quais várias necessidades podem ser satisfeitas, com o fator decisivo ‘tempo gasto na atração’ a ser a medida do seu desempenho.”

Botti et al. (2008) citados por Edelheim (2015, p.13)

“Uma atração turística é um recurso permanente que deriva todo ou em parte do pagamento de visitantes e que é administrado para o propósito primário de lazer e prazer do visitante”.

Fernandes et al. (2009)

“… TAs [Tourist attractions] são socialmente construídas, baseadas em textos consumidos antes, durante e depois dos turistas as terem experienciado… por conseguinte, uma atração turística é constituída por turistas, textos, histórias e uma fábula.

Edelheim, 2015 citado por Kang, Lee, Kim & Park, 2018, p.358)

Fonte: Adaptado de Caldeira (2014); Edelheim (2015); Fernandes et al. (2009); Kang, Lee, Kim & Park (2018); Leask (2010); Mill & Morrison (1992).

Se para a Comissão Europeia ou para o Scottish Tourist Board (Caldeira, 2014, p.56- 57) “lugares destinados à realização de eventos desportivos, teatrais ou

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cinematográficos não são considerados atrações, se não forem um destino de visita permanente”, também para Middleton & Clarke (2001) citados por Leask (2010, p.156) as atrações são “recursos permanentes orientados para a apreciação do visitante, entretenimento e educação”, excluindo eventos temporários de atração de visitantes. No entanto, para Lundberg (1985) e Mill & Morrison (1985) citados por Fernandes et al. (2009, p.1448), “tudo o que atrai turistas ou pessoas pode ser considerado uma atração”, reforçando a ideia defendida por Caldeira (2014, p.58) em que várias definições “têm presente uma espécie de força magnética ou influência gravitacional que liga as atrações aos seus visitantes".

Embora a utilização de definições mais técnicas facilitem a operacionalização das mesmas, segundo Leask (2003, pp.10-11) citado por Caldeira (2014, p.59), “estas definições não refletem a mudança dos padrões de lazer e de desenvolvimento do produto, não incluindo eventos temporários, atrações que não cobram entrada e novos complexos integrados, desportivos e comerciais que se combinam com outros equipamentos e serviços de lazer”.

Contextualizando-se esta investigação num destino urbano, onde se reconhece a existência de um variado número de atrações de diferentes tipologias, privilegiou-se a utilização de uma definição mais alargada, defendida por Caldeira (2014) na sua investigação sobre a análise do comportamento espacial do turista em visita a Lisboa. Sendo assim, para efeitos desta investigação, e a partir dos contributos de Middleton (1989, p. 573 citado por Caldeira, 2014), Lew (1994, p. 291 citado por Fernandes et al. 2009 e Caldeira 2014) e Mill & Morrison (1992) (quadro 5) consideram-se atrações turísticas todos os elementos existentes num território que individualmente e em conjunto, temporariamente ou em definitivo, servem como principal motivação das visitas turísticas (incluindo paisagens, atividades e experiências) sendo, por isso, capazes de atrair turistas.

Considerando a existência de diversos tipos de atrações e eventos, facilmente se entende o surgimento de inúmeras classificações, que utilizando diferentes métodos e critérios, dão origem a classificações de atrações turísticas, mais, ou menos complexas. A partir de Mill & Morrison (1992), Fernandes et al. (2009), Caldeira (2014) e Edelheim (2015), construiu-se o quadro 6, que apresenta um conjunto de critérios e variáveis que podem ser utilizados para classificar atrações.

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Quadro 6. Critérios de classificação das atrações

Critérios de classificação

Variáveis Autores

Origem Natural, modificado pelo homem,

feito pelo homem

Pearce et al., 1998; Wall, 1997; Yale, 1996; Lavery and Van; Doren, 1990 citados por Fernandes et al. (2009, p.1455)

Natural, feito pelo homem, feito pelo homem com fins turísticos, eventos especiais

Swarbrooke, 1995 citado por Fernandes et al. (2009)

Raio de atração Internacional, nacional, regional,

local

Pearce et al., 1998; Wall, 1997; Swarbrooke, 1995; Mill & Morrison (1992, p.268); Fernandes

et al. (2009, p.1455); Leask (2003, p.7) citado

por Caldeira (2014, p.62).

Mercado Nichos, todos os turistas,

sobretudo visitantes locais

Weaver & Lawton (2010) citado por Edelheim (2015, p.13)

Estruturas/ Equipamentos

Interior (cobertas) v. exterior (ar livre)

Wall, 1997; Yale, 1996 citados por Fernandes et

al. (2009, p.1455) e Caldeira (2014, p.62).

Natureza jurídica da propriedade

Pública v. Privada Mill & Morrison (1992); Pearce et al., 1998; Wall,

1997; Gunn, 1994 citados por Fernandes et al. (2009, p.1455); Gunn & Var, 2002; Leask , 2003 citados por Caldeira (2014, p.62).

Permanência Permanente, sazonal, occasional Mill & Morrison (1992); Wall, 1997 citado por

Fernandes et al. (2009, p.1455) e Caldeira (2014, p.62).

Taxa de acesso Entrada paga v. entrada gratuita Yale, 1996 citado por Fernandes et al. (2009,

p.1455); Leask, 2003 citado por Caldeira (2014, p.62).

Finalidade Com ou sem fins lucrativos Weaver & Lawton (2010) citado por Edelheim

(2015, p.13)

Nº de visitas Nº de visitas Pearce et al., 1998; Swarbrooke, 1995 citados

por Fernandes et al. (2009, p.1455). Capacidade de

carga

Reduzida, elevada Weaver & Lawton (2010) citado por Edelheim

(2015, p.13)

Escala/Âmbito Primário (estada prolongada) v.

Secundário (excursão)

Swarbrooke, 1995; Mill & Morrison (1992); Gunn, 1994 citados por Fernandes et al. (2009, p.1455) e Caldeira (2014, p.62).

Circuito v. Longa estada Gunn & Var, 2002 citado por Caldeira (2014,

p.62).

Localização Rural, litoral, urbana Swarbrooke, 1995; Gunn, 1994 citados por

Fernandes et al. (2009, p.1455)

Dimensão do sítio Swarbrooke, 1995 citado por Fernandes et al.

(2009, p.1455) Distribuição

espacial

Aglomerado v. Isolado Robinson, 1976 citado por Fernandes et al.

(2009, p.1455).

Acessibilidade Acessível, quase inacessível Weaver & Lawton (2010) citado por Edelheim

(2015, p.13)

Autenticidade Simulada, encenada, negação da

autenticidade, autêntica, imitação

Cohen, 1979 citados por Fernandes et al. (2009, p.1455) e Caldeira (2014, p.62); Weaver & Lawton (2010) citado por Edelheim (2015, p.13).

Imagem Familiar, negativa, positiva Weaver & Lawton (2010) citado por Edelheim

(2015, p.13) Ocupação do

espaço/ configuração espacial

Ponto, linha, área Wall, 1997 citados por Fernandes et al. (2009,

p.1455) e Caldeira (2014, p.62).

Nodais, lineares Holloway, 2002 citado por Caldeira (2014, p.62);

Weaver & Lawton (2010) citado por Edelheim (2015, p.13)

Importância das atrações

Atrações primárias, secundárias e terciárias

Leiper, 1990 citado por Botti, Peypoch, & Solonandrasana (2008, p.594)

Fonte: Adaptado de Botti et al., (2008); Caldeira (2014); Edelheim (2015); Fernandes et al. (2009); Mill & Morrison, (1992).

As atrações localizadas no espaço urbano do Porto são bastante diversificadas, maioritariamente de origem humana, com dimensões distintas e dispersas pelo território

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embora se denote uma maior concentração das mesmas no chamado centro histórico da cidade, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade. São na sua maioria atrações de natureza pública, embora existam atrações privadas que recebem um grande número de visitantes, como por exemplo, os jardins e museu de Serralves, o Museu do Futebol Clube do Porto ou as caves do Vinho do Porto5, o que justifica a existência de taxas de acesso para visitar as mesmas. A maioria das atrações são também permanentes, embora alguns eventos ocasionais e ou sazonais, como festivais, exposições e eventos desportivos atraiam um grande número de visitantes.

Há também atrações mais importantes do que outras e de acordo com Leiper (1990) citado por Botti, Peypoch, & Solonandrasana (2008, p.594) podem ser objeto de uma classificação hierarquizada que distingue entre atrações primárias, secundárias e terciárias. A atração "primária" corresponde ao propósito da visita, desempenhando um papel decisivo na escolha do destino. As atrações "secundárias" e "terciárias" não desempenhando um papel decisivo na escolha do destino, distinguem-se pelo facto dos turistas conhecerem ou não a sua existência antes da sua chegada. Esta classificação pode ser, por isso, muito útil na descrição e explicação dos padrões de comportamento dos turistas, e, por ventura, na estratégia de marketing, planeamento e gestão dos destinos (Edelheim, 2015).

De qualquer modo, as áreas urbanas caracterizam-se por reunirem um conjunto diversificado de atrações sendo mais provável, segundo Hunt & Crompton (2008) que as pessoas visitem uma área com múltiplas atrações do que uma área onde existam poucas atrações, já que estas procuram variedade e uma redução do risco de insatisfação com uma atração, satisfazendo as preferências de vários elementos do grupo de viagem e reduzindo constrangimentos financeiros e temporais (Lue i., 1996 citados por Hunt & Crompton, 2008, p.238). Além disso, as viagens efetuadas a destinos urbanos são, frequentemente, viagens multiatração, em que o turista, durante a sua estada, visita várias atrações existentes na cidade (Caldeira, 2014; Grinberger et al., 2014; Hunt & Crompton, 2008; McKercher, Wong & Lau, 2006; Shoval, McKercher, Birenboim, & Ng, 2015; Tchetchink, Fleischer, & Shoval, 2009).

Como habitualmente, “a maioria das atrações está localizada no centro das cidades, existe uma maior densidade de atrações no centro que diminui em direção à periferia” (Jung, 2010, p.15 citado por Caldeira, 2014, p.68) – e o Porto não é exceção.

5 Nota: Apesar das caves de vinho do Porto estarem localizadas numa freguesia do concelho de Gaia estão

intimamente ligadas à história da cidade do Porto sendo habitualmente incluídas nos roteiros turísticos do destino Porto. Por conseguinte, serão referidas neste estudo como atrações do destino Porto.

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Consequentemente, os fatores temporais devem também ser tidos em conta, já que turistas com mais constrangimentos temporais tendem a procurar uma maior eficiência espaciotemporal enquanto visitam as atrações (Xia, 2007).

A partir dos critérios de classificações de atrações, descritos no quadro 6, podemos concluir que alguns critérios e respetivas variáveis poderão dar um contributo importante na análise dos padrões de comportamento espaciotemporal dos turistas, nomeadamente do segmento backpacker:

i. Raio de atração - Internacional, nacional, regional, local;

ii. Importância das atrações - atrações primárias, secundárias e terciárias; iii. Escala/Âmbito - Primário (estada prolongada) v. Secundário (excursão);

Circuito v. Longa estada;

iv. Permanência – Atrações permanentes ou sazonais

v. Ocupação do espaço - Ponto, linha, área; atrações nodais ou lineares; vi. Distribuição espacial - Aglomerado v. Isolado;

vii. Taxa de acesso - Entrada paga v. Entrada gratuita.

Os constrangimentos financeiros de muitos backpackers poderão limitar o tipo e número de atrações a visitar e atividades a desenvolver durante a visita a um centro urbano, com maior probabilidade das atrações gratuitas serem mais visitadas. Por conseguinte, a distribuição espacial das atrações poderá também ser fundamental, já que aquelas mais isoladas, e eventualmente pior servidas pela rede de transportes públicos, poderão ser menos visitadas, sobretudo se não se tratar de atrações primárias.

No capítulo 7, referente à caracterização do destino, procede-se à identificação e operacionalização das principais atrações do destino urbano Porto.