sur satellite
4. PROPOSITION D’UNE ARCHITECTURE HYBRIDE
4.1.2. Accès Internet
Tem-se, portanto, uma lógica que favorece a capacidade constante de adaptação e readaptação do capital, no sentido de manter-se atualizado na sua capacidade de atualização tecnológica, visando ao atendimento da demanda seletiva do consumidor, combinada com sua possibilidade de se transformar em capital financeiro. Esta é a
economia evolucionária schumpeteriana43.
A expressão Destruição Criativa é adequada para descrever o processo pelo qual informação e tecnologia da comunicação destruíram soluções tecnológicas prévias e eliminaram velhas companhias para deixar campo para novas. Portanto, entender o
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“The opening up of new markets, foreign or domestic, and the organizational development from the craft shop and factory to such concerns as U. S. Steel illustrate the same process of industrial mutation – if I may use that biological term – that incessantly revolutionizes the economic structure from within, incessantly destroying the old one, incessantly creating a new one. This process of Creative Destruction is the essential fact about capitalism. It is what capitalism consists in and what every capitalist concern has got to live in” (SCHUMPETER, 1975, p. 83).
conceito de Destruição Criativa, em sua origem e evolução, torna-se fundamental para compreender a economia evolucionária schumpeteriana44.
A origem desse conceito encontra-se na filosofia indiana45, que penetra a cultura ocidental por meio da tradição filosófica e literatura alemã. Essa é a tese defendida por Reinert & Reinert. Para eles, o conceito da Destruição Criativa foi incorporado às ciências econômicas por Werner Sombart por meio da absorção da filosofia de Nietzsche, que, por sua vez, utilizava-se do conceito de Destruição Criativa para atingir o objetivo de regenerar a cultura ocidental, em seu ataque às decadentes instituições e tradição filosófica46.
Nietzsche, percebendo tanto a impossibilidade de basear um moderno sistema moral sobre Deus, quanto o iminente perigo representado pelo niilismo47, procura fixar
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A ideia de que a criação é algo fundado sobre a destruição do que pré-existia é antiga. Os gregos herdaram dos egípcios o mito de Fênix. Fênix tem um ciclo de 500 anos, perto do fim de seu ciclo, ela constrói um ninho com ramas de cinnamon e o acende com o bater de suas asas, deixando-se, então, queimar junto com o ninho, reduzindo-se a cinzas; das quais, renasce para viver mais um ciclo. No cristianismo medieval, o mito de Fênix simboliza a ressurreição de Cristo, sua imortalidade e vida após a morte; um exemplo de Destruição Criativa. No hinduísmo temos um dos exemplos mais complexo da Destruição Criativa. No centro dessa descrição temos os três deuses do Pantheon: Brahma, o criador; Vishnu, o preservador; e Shiva, o destruidor: Brahma cria o universo; Vishnu protege o que acontece na existência: sua tarefa inclui salvar a humanidade em tempos de necessidade; Shiva, ao seu turno, é o destruidor do universo, fado para poder acarretar sua regeneração. Assim, após Shiva concluir seu trabalho de destruição, Brahma torna a realizar seu trabalho de criação do universo: assim, o ciclo é infinito. Em outras tradições Shiva representa, a um só momento, o criador e o destruidor: nesta potência ele é representado freqüentemente como Shiva Nataraja, o Senhor da dança. Sua dança é a dança do universo como interminável movimento da criação para destruição; destruição para criação. Essa é a natureza da incorporação de ambos – criação e destruição – pois um não é possível sem o outro.
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“Os artistas indianos dos séculos X e XII representaram a dança cósmica de Shiva em magníficas esculturas de bronze de figuras dançantes com quatro braços, cujos gestos soberbamente equilibrados e, não obstante, dinâmicos expressam o ritmo e a unidade da Vida. Os diversos significados da dança são transmitidos pelos detalhes dessas figuras através de uma complexa alegoria pictórica. A mão direita superior do deus segura um tambor que simboliza o som primordial da criação; a mão esquerda superior sustenta um língua de chama, o elemento da destruição. O equilíbrio das duas mãos representa o equilíbrio dinâmico entre a criação e a destruição no mundo, acentuado ainda mais pela face calma e indiferente do Dançarino no centro das duas mãos, no qual a polaridade entre criação e destruição é dissolvida e transcendida. A segunda mão direita ergue-se num gesto que significa ‘não tenha medo’, expressando manutenção, proteção e paz; por sua vez, a mão esquerda remanescente aponta para baixo, para o p[e erguido e que simboliza a libertação da fascinação de Maya. O deus é representado dançando sobre o corpo de um demônio, símbolo da ignorância do homem e que deve ser conquistado antes que seja alcança a libertação” (CAPRA, 2006, p. 183/184). 46
“Behind the contemporary highly fashionable Schumpeterian and evolutionary economics towers Nietzsche, his Übermensch entrepreneur and his creative destruction” (REINERT; REINERT, 2006, p. 76). 47
Segundo Abbagnano (1982, p. 682), niilismo trata-se de “termo usado mais frequentemente com intento polêmico para indicar doutrinas que se recusam a reconhecer realidades ou valores cuja admissão se julga
uma alternativa, a qual é representada pela imanente moralidade do “Super-Homem” (Ubermensch). Assim, a fim de criar essa nova moralidade, Nietzsche precisa destruir a antiga moralidade transcendente: a nova moralidade do Super-Homem precisa, literalmente, ser erguida sobre as ruínas da antiga.
Dessa forma, podemos arguir que essa nova moralidade é baseada sobre o conceito de Destruição Criativa, na medida em que demanda de cada homem individualmente considerado a inscrição de sua própria tábua de valores, destruindo, de conseguinte, as tábuas antigas. Por isso, Zaratustra constitui, simultaneamente, tanto uma meditação sobre a Destruição Criativa, uma vez que esta apresenta a nova moralidade de inovação, quanto prático exemplo da mesma; porquanto, ataca a existente moralidade e procura substituí-la por essa nova moralidade.
É isso que explica por que Nietzsche, ao levar sua Destruição Criativa e seu Super- Homem para o contexto social, faz que com esses adquiram dimensões heróicas e novos vocabulários. Aliás, sãos esses, de fato, os principais elementos caracterizadores da economia schumpeteriana: o empreendedor, ou seja, o instigador de mudanças, com seu “desejo de poder”, e a Destruição Criativa, que perfazem verdadeiras criaturas nietzschenianas.
Outro aspecto importante da Destruição Criativa é que ela se relaciona com uma particular visão histórica que se remete ao tempo mitológico, como o pássaro Fênix, com seu ciclo de 500 anos. Assim, a Destruição Criativa lida com o tempo cíclico, ao invés do
importante [...]. Somente Nietzsche fez um uso não polêmico do termo, servindo-se dele para qualificar sua oposição radical aos valores morais tradicionais e às tradicionais crenças metafísicas”.
tempo linear dos padrões históricos: um exemplo disso constitui os clustering of
innovations schumpeterianos como causa básica dos ciclos empresariais/econômicos48.
Em Assim Falou Zaratustra encontramos o principal e mais consistente trabalho de Nietzsche na tentativa de apresentar uma alternativa à decadente moralidade cristã. Para Zaratustra, Criação e Destruição são inseparáveis: o criador precisa, sempre, destruir. Dessa forma, torna-se axiomático que toda nova criação é precedida, sempre, pela destruição do velho, das formas existentes49.
O empresário schumpeteriano assume uma posição de líder, mas não na concepção habitual, e sim no sentido de que supera todas as forças contrárias ao novo. Indo contra a lógica do fluxo circular, ele introduz as inovações.Sua conduta provém do desejo de criar, conquistar, de exercitar a engenhosidade. Esse comportamento assumido pelo empreendedor schumpeteriano é que endogeniza a inovação no modelo50.
O Desejo de Poder, de tornar a vida realizadora; essa é a força dinâmica que procura incessantemente criar e se superar: “E eis o segredo que a vida me confiou: – ‘Vê – disse-me ela – eu sou aquela que deve sempre superar-se a si mesma” (NIETZSCHE, 2008, p. 158).
São, no sentido desenvolvido neste trabalho, o conhecimento e a inovação as forças dinâmicas que devem impulsionar o ciclo de desenvolvimento, transformando-se, pois, em instrumentos para a criação futura. Assim, o Desejo de Poder não pode ser confundido com
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“Sombart finds that what social sciences can learn from the natural sciences in terms of the return of identical (or presumably also similar) situations, i. e. the cyclicality of history” (REINERT; REINERT, 2006, p. 63 e 73).
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“Creation in thus inseparable from destruction. This relationship exists only in one direction and does note function when reversed. Denies does not imply affirmation, destruction itself does not lead to creation; this to Nietzsche is the of the anarchist or the nihilist. Following the allegory of the three transformations, these two qualities or processes – creation and destruction – are personified in the recurrent textual figure of Der Edle, the ‘noble man’ who embodies Zarathustra’s moral and spiritual ideals” (REINERT; REINERT, 2006, p. 64). 50
“We use de entrepreneur in anew light as the agency that destroy existing patterns of understanding by establishing new patterns of economic knowledge” (HARVEY; METCALFE, disponível em: <http://philo.at/wiki_stuff/bw/polyani_schumpeter_amrket.pdf>)
o mero desejo de dominação sobre os outros, uma vez que mais que um conceito social ele é uma medida de saúde da alma humana. No processo criativo, entre outras coisas, o Desejo de Poder dirige-se à própria criação (e recriação) do eu. Torna-se, dessa forma, o Desejo de Poder a força-motriz atrás de todo processo de mudança, progresso e evolução, tanto individual, quanto social.
É nesse sentido que Nietzsche afirma ser a ciência a mais definida forma de Desejo de Poder. O Desejo de Poder é o desejo de criar e, consequentemente, a força diretriz do desenvolvimento econômico. Sombart usa, pois, a teoria de Nietzsche para afirmar que o conhecimento possibilitado pela ciência deve servir a vida51.
Contudo, quando o Desejo de Poder enfraquece, tornando-se inábil para superar a si mesmo, ocorre a estagnação. A maré se reverte e chega-se ao niilismo, que é o sintoma da alma decadente, cuja melhor expressão é o espírito asceta voltado para si mesmo, para sua preservação e para negação dos desejos e dos prazeres52.
A degenerescência do Desejo de Poder ocorre quando o homem sem esperança, enfraquecido, perde-se em sua liberdade destituída de sentido e, desacoplando a destruição da criação, fomenta o potencial destrutivo do Desejo de Poder, ou seja, há a destruição sem criação. Assim, a liberdade que foi conquistada pelo homem e que constitui atributo capaz de libertá-lo da prisão das contingências e dos medos, a se ver carente de sentido, não
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“But science, and above all the social sciences, should ‘serve life’. This is the demand that anyone will make today, after Nietzsche’s admonition a couple of generations ago, which we all in the depth our souls consider justified, more so toady than ever. We want no armchair erudition, no padding of petty antiquities, no dead knowledge” (SOMBART, apud REINERT; REINERT, 2006, p. 73).
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“Creation demands destruction, and it is here that the capacity for extremes is and it’s most important: in the noble man the capacity for creation is mirrored by an equivalent potential for destruction. Driven as he is, he will never stop to indifference: the risk is that if he cannot create he will turn to nihilism, destroying ference: the risk is that if he cannot create he will turn to nihilism, destroying without creating [...]” (REINERT; REINERT, 2006, p. 64).
possibilita levá-lo para o além do homem, não possibilita, pois, o desenvolvimento pessoal e social53.
A degenerescência do Desejo de Poder pode ser verificada no atual movimento de integração internacional dos mercados, principalmente na sua vertente financeira, em que o termo “inovação” passa a ser utilizado para designar simples ausência de regulamentação, eliminação de regras e liberdade de fluxo financeiro54.
Tal disfuncionalidade, em que os Estados não conseguem criar mecanismos de coordenação econômica, exemplifica o niilismo do homem contemporâneo, que, ao abrir mão de sua possibilidade criadora e reguladora do porvir, destrói as estruturas existentes sem substituí-las por outras, deixando-se conduzir pela lógica tecno-econômica.
Tem-se, pois, a vida humana determinada pelas “necessidades” do mercado: “O espírito é também voluptuosidade” – diziam – “E quebram as asas do seu espírito; agora se arrastam aqui, manchando tudo o que roem. Outrora pensavam fazer-se heróis; agora são gozadores. O herói é para eles aflição e espanto” (NIETZSCHE, 2008, p. 64).
A tecno-economia, na efetivação de seu desejo de poder e expansão dos espaços de atuação, requer novos arranjos institucionais e organizações produtivas que implicam a necessidade de um direito próprio aos seus desígnios: o tecno-direito.
Mas, antes, se faz necessário verificar como a tecno-economia acompanhou e fomentou as mudanças do sistema social de produção e o consequente emaranhamento institucional global.
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Interessante, neste ponto, a Tese IX de Walter Benjamin (em Sobre o Conceito de História), supra. 54
“La globalizzazione non è senza precedenti. Il mercato ha cambiato scala altre volte, in passato, in uma storia di espansione che è stata anche uma storia di ‘salti’ (in primo luogo normativi), in alcune occasioni traumatici. Ma finora, appunto, alla nascita di uma situazione economica nuova si accompagnava quella di um nuovo diritto, mentre ora accade esattamente il contrario: alla distruzione dell’ordine preesistente sembra non far seguito nulla” (ROSSI, 2006, p. 61).