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A politique de la ville e o Centro Social Balzac (CSB)

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2.1 “Grand Ensemble Nº4” - Uma Brasília vermelha ao sul de Paris

3.3 A politique de la ville e o Centro Social Balzac (CSB)

Segundo as autoras do inventário da Mesa da Consciência e Ordens849 e segundo a informação disponibilizada pela Torre do Tombo850, o Registo de tombos de diversas comendas851 é da autoria de Pedro Álvares Seco. Porém, analisando este códice, verificamos, primeiro, que não tem os elementos estruturais que caracterizam as suas obras, como um título extenso, o alvará régio que ordena a execução da obra, um índice detalhado, o modo de proceder do autor, ou o prólogo. A caligrafia remete para uma cronologia anterior, para inícios do XVI852, bem como o conteúdo do texto: “qual se faz larga mençom no processo das visitações na visitação desta comenda que se fez quando este tombo se mandou fazer”853, provavelmente por ordem de D. Manuel no capítulo geral de 1503, visitações essas que decorreram entre 1504 e 1510854. E, finalmente, duas notas marginais em que uma remete para Pedro Álvares e outra para Pedro Luís Ortega, notário apostólico e do convento de Tomar: o fl. 32r tem uma longa anotação relativa a melhoramentos feitos no “chão de Berbelegam” pelos comendadores João da Silva e Fernão da Silva, “comendador que ora he della per foro e pensão de quinhentos reais em cada hum anno por aforamento feito pelo contador o doutor Pedro Alvarez aos 8 de fevereiro de 1556”855; no fl. 32v tem uma longa nota respeitante a uma confirmação apostólica de um aforamento feito a Fernão da Silva856,

849 “Registo dos tombos de diversas comendas, organizado pelo Dr. Pedro Álvares Seco”, datado de

1570, e enumerando em nota de rodapé as comendas descritas no manuscrito (FARINHA; JARA, 1997: 246 e nt. 3).

850 “Registo dos Tombos das comendas de Castro Marim, Longroiva, Santa Maria, a Grande, entre outras, organizado pelo Dr. Pedro Álvares Seco” e datado de 1570 (http://digitarq.arquivos.pt/details?id=4608566).

851 TT, OC/CT, liv. 236. Códice consultado em reprodução digital.

852 O texto relativo ao tombo da comenda de Rio Frio (TT, OC/CT, liv. 236, fls. 33v-96r) está publicado

em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas do Noroeste (1504-[a.1510]), 2008: 11-197, e, apesar de não estar datado, foi-lhe atribuído a data [a.1510], como se lê no título da publicação, em virtude de os tombos terem sido feitos na sequência do capítulo geral da Ordem de Cristo, de 1503. Este elemento reforça a nossa perceção de este Tombo de diversas comendas ser um códice redigido no início do século XVI.

853 TT, OC/CT, liv. 236, fl. 114r.

854 Ver capítulo “Organização eclesiástica da Ordem de Cristo”, em particular o título “Órgãos de

governo e controlo da Ordem”.

855 Esta mesma anotação pode ler-se no texto relativo à comenda de Portalegre, no vol. 1 dos Tombos da Ordem de Cristo, p. 197.

856 No Livro das Comendas, Pedro Álvares refere-se a Fernão da Silva no bispado do Funchal, onde

detém os dízimos das moendas de pão das ilhas da Madeira e Açores, avaliada em 200 mil reais, em 1560 (BNP, Fundo Geral, nº 226, fl. 41r); e no bispado da Guarda, onde detém a comenda de Alpalhão

comendador de Alpalhão “per Fernão da Silva comendador d’Alpalhão cuja igreja he Santa Maria a Grande da dita cidade de Portalegre, o qual aforamento foi confirmado per autoridade apostolica como constou por hum breve sub annulo piscatoris do papa Pio 4 sub Datum Rome apud Sanctum Marcum die vicesima octava septembris M D LX IIII pontificatus nostri anno quinto que eu notairo do convento de Tomar e scrivão do cartorio delle vi e a verba acima aqui escrevi e de mandado do muito reverendo padre frey Augustinho dom prior e geral da Ordem de Nosso Senhor Jesu Christo ho assinei A 25 d’agosto de M D LX VIII annos [ASSINATURA] PETRUS LUDOVICUS AB ORTEGA APOSTOLICUS NOTARIUS”.

É um documento em pergaminho com 192 fls., incompleto, mutilado, com alguns fólios rasgados, manchados e muito deteriorados. Apresenta caldeirões a vermelho e azul. Falta o início do documento, já que o exemplar começa no fl. 3, e vai oferecendo, com detalhe, medições e confrontações de propriedades. Sobre a margem superior desse fólio, escrito a lápis de mão posterior, lê-se: Evora. Em branco estão os fls. 17r; 23v; 96v; 110v, e em falta os fls. 1-2; 5-8; 11-12; 109-115; 136; 160. Há também diversas anotações marginais de época e posteriores. Apresenta numeração de época e contemporânea. Detetou-se um erro na encadernação, já que passa do fl. 108 para o fl. 116, e do fl. 118 passa para o fl. 109, e do fl. 115 para o fl. 119, mas a numeração recente é seguida. No início de cada tombo, a primeira letra é sempre um T, de Tombo, consistindo numa inicial ornada e filigranada a ouro. Falta, contudo, no início do tombo da comenda do Marmeleiro da Beira (fl. 137r) e no início do tombo da comenda de Pinheiro de Ázere (fl. 179v). Por fim, assinale-se que há fólios cortados na margem inferior, eliminando parte do texto, entre os fls. 173 e 184.

com os bens de Santa Maria de Portalegre, avaliada em 200 mil reais, em 1556 (BNP, Fundo Geral, nº 226, fls. 75r-75v).

Regista o tombo de 12 comendas: Mendo Marques857; Elvas858; Castro Marim859; Santa Maria a Grande de Portalegre860; Rio Frio861; Reigada862; Mogadouro863; Longroiva864; Muxagata865; Meda866; Marmeleiro da Beira867; Pinheiro de Ázere868. Para cada comenda, o autor faz uma descrição de todos os bens que a Ordem de Cristo tem nessa área senhorial. Indica a invocação das igrejas; descreve tanto herdades, como casais, moinhos, olivais, vinhas, figueirais e casas, identificadas pelo nome das ruas, bem como os direitos que a Ordem tem nessas áreas jurisdicionais; refere ainda a quem estão emprazados os bens da Ordem, e quanto pagam por eles, e

857 TT, OC/CT, liv. 236, fls. [?]-16v. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas a Sul do Tejo, vol. 1,

2002, pp. 61-128, está publicado o tombo da comenda de Mendo Marques, datado de 1509, e cujo texto é semelhante ao do livro 236.

858 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 17v-23r. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas a Sul do Tejo, vol. 1,

2002, pp. 159-186, está publicado o tombo da comenda de Elvas, datado de 1509, e cujo texto é semelhante ao do livro 236.

859 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 24r-30r. No título da comenda de Castro Marim, o autor inclui os bens, em

Évora, que ficaram à Ordem de Cristo por morte de Frei João Fernandes, claveiro da Ordem e comendador de Castro Marim (TT, OC/CT, liv. 236, fls. 29r-30r). Em Tombos da Ordem de Cristo:

Comendas a Sul do Tejo, vol. 1, 2002, pp. 129-158, está publicado o tombo da comenda de Castro Marim,

datado de 1509, e cujo texto é semelhante ao do livro 236, mas mais reduzido.

860 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 30v-33r. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas a Sul do Tejo, vol. 1,

2002, pp. 187-202, está publicado o tombo da comenda de Santa Maria a Grande de Portalegre, datado de 1509, e cujo texto é semelhante ao do livro 236.

861 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 33v-96r. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas do Noroeste (1504- [a.1510]), vol. 4, 2008, pp. 11-197, está publicado o tombo da comenda de Rio Frio, transcrito

integralmente do livro 236. Na publicação não foi atribuída data, apenas [a.1510], e insere-se nos tombos resultantes das visitações de D. João Pereira e Frei Diogo do Rego, ordenadas em capítulo geral de 1503.

862 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 97r-103v. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas de Trás-os-Montes e Alto Douro, vol. 7, pp. 3-37, está publicado o tombo da comenda de Reigada, datado de 1507, e cujo

texto é semelhante ao do livro 236.

863 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 104r-110r. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas de Trás-os-Montes e Alto Douro, vol. 7, pp. 141-164, está publicado o tombo da comenda de Mogadouro, datado de 1507,

e cujo texto é semelhante ao do livro 236.

864 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 11r-114r. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas de Trás-os-Montes e Alto Douro, vol. 7, pp. 39-52, está publicado o tombo da comenda de Longroiva, datado de 1507, e

cujo texto é semelhante ao do livro 236.

865 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 114r-115v. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas de Trás-os-Montes e Alto Douro, vol. 7, pp. 125-133, está publicado o tombo da comenda de Muxagata, datado de 1507, e

cujo texto é semelhante ao do livro 236.

866 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 116r-135v. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas de Trás-os-Montes e Alto Douro, vol. 7, pp. 53-123, está publicado o tombo da comenda de Meda, datado de 1507, e cujo

texto é semelhante ao do livro 236.

867 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 137r-179r. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas da Beira interior centro, vol. 6, pp. 3-152, está publicado o tombo da comenda de Marmeleiro, datado de 1508, e cujo

texto é semelhante ao do livro 236.

868 TT, OC/CT, liv. 236, fls. 179v-194v. Em Tombos da Ordem de Cristo: Comendas do vale do Mondego, vol. 3, pp. 71-124, está publicado o tombo da comenda de Pinheiro de Ázere, datado de 1508,

os direitos que a ordem tem nas diferentes comendas. O autor também descreve o castelo de Castro Marim869.

Pelo dito acima, não existem indícios de que este livro seja da autoria de Pedro Álvares Seco, mas poderá ter sido usado pelo próprio. Parece, antes, tratar-se de um livro interno do convento que reúne os tombos de diversas comendas da Ordem de Cristo, visitadas na sequência do ordenado no capítulo geral de 1503, e que ficaria à guarda do convento870, em virtude de os tombos individuais serem depositados em cada uma das comendas871. Deste modo, os administradores do convento poderiam exercer um controlo mais efetivo sobre o património da instituição.

869 “Tombo da comenda de Castro Marim villa e terra da Hordem no regno do Algarve bispado de Silves. Primeiramente tem a Hordem na dita villa dentro na cerqua huum castello nesta maneira.” (TT, OC/CT,

liv. 236, fl. 24r). Veja-se sobre este tema JÚNIOR, 1962.

870 Segundo o cap. XXXVII das Definições de 1503, os visitadores “traram ao capitolo as vesitações

que assy fezerem pera hy darem conta e rezam de sua vesitaçam” (publ. VASCONCELOS, 1998: 82),

podendo resultar daí a compilação em tombo do registado nessas visitas.

871 As Definições de 1503, cap. LXVIII, Dos tombos que os comendadores ham de teer, são taxativas

relativamente a esta obrigação “Todo comendador sera obrigado de teer tombo de todas as rendas direitos e posissõoes herdamentos e propriedades da sua comenda e de quando for chamado a capytollo o trazer pera hy ho mostrar se lhe for requerido ou aos vesitadores quando forem visitar” (publ.

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