E TUDE DE DANGER
X. 2. A NALYSE DES R ISQUES
A Teoria Geral dos Sistemas surgiu após o término da 2º Guerra Mundial quando Ludwig von Bertalanffy publicou, em 1950, a sua obra “Teoria Geral dos Sistemas”. Essa teoria influenciou vários estudiosos em várias áreas da ciência, dentre elas os da teoria das organizações, segundo Fernando Motta e Vasconcelos (2006).
Como já dito, e dada a complexidade e profundidade da Teoria dos Sistemas e bem como do seu impacto nas organizações, o propósito que ora nos move nesta dissertação, de abordar as bases do pensamento administrativo, é tão só de trazer a sua ideia nuclear, de modo a ampliar o campo de análise das organizações, da administração e da atividade do administrador. De acordo com Fernando Motta e Vasconcelos, Bertalanffy constatou que “[...] diversos ramos do conhecimento constituíam parte de um sistema maior, podendo ser explicados parcialmente a partir de regras gerais aplicáveis a todos [...]” (MOTTA; VASCONCELOS, 2006, p. 164). A partir daí, Bertalanffy desenvolveu o modelo “sistema aberto”, que concebeu “[...] como um complexo de elementos em interação e em intercâmbio contínuo com o ambiente” (MOTTA; VASCONCELOS, 2006, p. 165). Ainda de acordo com eles, os pressupostos básicos da Teoria dos Sistemas Abertos eram, notadamente, a tendência da interação entre as várias ciências naturais e
sociais e o desenvolvimento de princípios unificadores que atravessariam verticalmente os universos particulares das diversas ciências.
Com o intuito de melhor aclarar a teoria dos sistemas para o fim desta dissertação, vamos ao texto de Bertalanffy. Valendo-se de estudos da biologia para aclarar a sua Teoria dos Sistemas, Bertalanffy considerava que os estudos feitos – até então sob a ótica mecanicista – envolviam fenômenos de partículas atômicas e processos parciais. Mas a seu ver, em uma visão organicista, do todo, que identificava como moderna, tais estudos não deveriam ser focados apenas nas partes e processos isoladamente, mas na “organização e na ordem que os unifica, resultante da interação dinâmica das partes, tornando o comportamento das partes diferente quando estudado isoladamente e quando tratado no todo” (BERTALANFFY, 2015, p. 55).
Para deixar mais claro as bases da sua teoria, Bertalanffy utilizou a evolução da tecnologia (ainda que nos anos 50) ao dizer que bastava um engenheiro treinado para dar conta de um veículo ou mesmo um receptor de rádio entretanto, quando se passou para um míssil balístico ou mesmo para uma nave espacial – um organismo complexo – apresentava-se como necessário um enfoque mais amplo dada a heterogeneidade das suas partes componentes. E ainda ponderou que dentro desta relação homem-máquina, dever- se-ia também levar em consideração os aspectos financeiros, econômicos, políticos e sociais (BERTALANFFY, 2015). Para ele, qualquer ramo da ciência deveria considerar o todo organizado, o contexto no qual o fenômeno se dá, em razão da interação entre seus vários elementos constitutivos. Ele considera ainda que os sistemas podem ser fechados ou abertos: são fechados aqueles que os elementos ficam isolados em determinado ambiente; são abertos aqueles onde há uma troca de energia contínua entre o ambiente interno e o externo – característica própria de um organismo vivo (BERTALANFFY, 2015). Daí a concepção e criação, como anotado acima por Fernando Motta e Vasconcelos (2006), do modelo do “sistema aberto”, a trazer uma visão integradora das ciências, passível de ser estendida para outras áreas e campos do conhecimento.
Na linha dos estudos desenvolvidos por Bertalanffy, Daniel Katz e Robert L. Kahn, psicólogos e pesquisadores da Universidade de Michigan, desenvolveram estudos de aplicação da Teoria Geral dos Sistemas junto às organizações – ponto que nos interessa para o fim deste trabalho acadêmico. Para tais estudiosos, toda e qualquer organização social é flagrantemente um sistema aberto, pois, “o input de energias e a conversão do produto em novo input consiste em transações entre a organização e o seu meio ambiente” (KATZ; KAHN, 1976, p. 32). É essa renovação constante do influxo de
energia que mantém a organização viva: tal como em uma fábrica, são necessários o ingresso e a metabolização de vários fatores, como recursos humanos e materiais (input), para que determinado produto seja elaborado e nessa condição devolvido ao meio externo (output). Este resultado obtido pela organização (output) a ela retorna (como, por exemplo: na forma de lucro, nas organizações industriais/comerciais; como um legado ou a melhoria das condições de vida, o avanço da ciência, para organizações públicas e/ou educacionais) sob o influxo de uma nova energia que a faz reiniciar o ciclo e assim indefinidamente. Para manter-se como tal e evitar a “morte” da organização é preciso que haja o que os estudiosos denominam de “entropia negativa”, ou seja, que a importação de energia (input) seja maior do que a sua saída (output) (KATZ; KAHN; 1976).
Para Katz e Kahn (1976), a organização humana tradicional tem se assemelhado a um sistema fechado, no qual desconsidera o ambiente organizacional e a relação entre a organização e o próprio ambiente no qual se insere. Esses estudos, para os fins organizacionais, apontam que dada essa dependência entre o ambiente interno e externo, no âmbito de um sistema aberto, qualquer alteração em um repercutirá no outro, seja a mudança de origem tecnológica, no ambiente físico ou mesmo nas praxes existentes entre os empregados e o administrador (WAHRLICH, 1986). Daí decorre que os administradores têm que olhar e tratar a organização como um todo orgânico e dinâmico, de partes que guardam uma interdependência entre si (HAMPTON, 1983). A organização social, sob a ótica sistêmica, deve ser vista como um ente “vivo” e que assim demanda uma visão mais ampla por parte daqueles que têm a incumbência de dirigir-lhe – a não comportar, de outro modo, uma visão linear, estática e parcial da organização. Como bem considera Maximiliano (2012), a visão sistêmica propõe a superação tanto da administração científica tradicional, que centra os seus estudos na eficiência do funcionamento interno da organização, como também da escola das relações humanas, focada mais nos aspectos sociais, através da busca de uma visão integrada e global da organização. Pelo que decorre desses estudos, o impacto dessa visão seria enorme para o gestor: seu olhar teria que ser mais refinado, para além das estruturas e processos internos organizacionais.