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3. Survol des principales conclusions tirées des expérimentations à l’échelle laboratoire

3.3. L’inoculum, le stress et les performances

3.3.1. Évolution du protocole de propagation

A TGT foi um grande marco para a Terminologia; entretanto, esse modelo teórico chocava-se com os resultados práticos da Terminologia Descritiva e evidenciava-se como algo distante da realidade das línguas de especialidade.

Desse modo, muitos linguistas, terminólogos e especialistas da linguagem passaram a criticar esse modelo e a sugerir que um estudo terminológico devesse levar em conta a variação linguística e os aspectos sociais da linguagem, ou seja, os estudos terminológicos deveriam se basear em “uma teoria que atenda ao fato de que toda língua é um fenômeno social e cultural, submetido à influência de fatores como a visão de mundo, o contexto social ou a ideologia política e científica” 29 (ROJO, 2001, p. 44).

Os princípios que mais tarde deram origem ao que se chamou Socioterminologia surgiram nos anos 80, com Jean-Claude Boulanger. Porém, a primeira manifestação significativa deu-se em 1986, por parte de Yves Gambier, em um colóquio realizado em Paris (SANTOS BORBUJO, 2001, p. 661). Enquanto teoria, formalizou-se com François Gaudin, em 1993, quando este publicou sua tese de Doutorado Pour une Socioterminologie – des problèmes sémantiques aux pratiques institutionnelles, em forma de livro, pela Editora da Universidade de Rouen. Nesse trabalho, o autor faz críticas à política normalizadora que

29 “una teoría que atienda al hecho de que toda lengua es un fenómeno social y cultural, sometido a la influencia

vinha sendo empregada internacionalmente no tratamento das terminologias e procura “mostrar como, no mesmo movimento que conduziu a Linguística Estrutural à Sociolinguística, uma Socioterminologia pode levar em conta o funcionamento real da linguagem e restituir toda sua dimensão social às práticas linguísticas consideradas”30 (GAUDIN, 1993, p.16). Propõe, então, “uma visão ampliada da terminologia com base em uma pesquisa fundamental mais diversificada e, por esse fato, interdisciplinar”31 (idem, ibidem, p.16). Essa Socioterminologia deveria ir além dos limites da terminologia escrita e normativa; uma Socioterminologia que possibilitasse o estudo dos léxicos especializados efetivamente utilizados na comuniação entre profissionais de um domínio (seja ele científico ou técnico). Gaudin(1993) afirma que a prática terminológica não pode ser dissociada do conhecimento da área de atuação em que ela acontece. Assim, a socioterminologia pode ser entendida como uma disciplina científica que considera e estuda os termos no âmbito das “práticas linguísticas e sociais concretas dos homens que as empregam”32 (GAUDIN, 1993, p.216).

Nas palavras de Rojo (2001, p. 44), percebe-se a inquietação e o descontentamento generalizado pelos quais passavam os terminólogos e linguistas com relação à teoria normalizadora de Wuster. A realidade da prática terminológica era outra. Nesse sentido, Rojo afirmou na época (2001):

[...] é imprescindível começar a reconhecer que a diversidade terminológica nas linguagens científicas e técnicas é um fato natural, no sentido de que é um fenômeno intrínseco de toda língua e de todo setor da linguagem.[...] Dependendo, então, das condições de cada contexto de comunicação – situação interna e externa da língua, finalidade do trabalho terminológico, destinatários, área temática, nível de especialização, âmbito social, etc. – convirá aplicar uma ou outra forma de atuação terminológica. 33 (ROJO,

2001, p. 44)

30 « [...] montrer comment, dans le même mouvement qui a conduit de la linguistique structurale à la

sociolinguistique, une socioterminologie peut prendre en compte le réel du fonctionnement du langage et restituer toute leur dimension sociale aus pratiques langagières concernées. »

31 « une vision élargie de la terminologie sur la base d’une recherche fondamentale plus diversifiée et, de ce fait,

interdisciplinaire .»

32 “[…] au sein des pratiques langagières et sociales concrètes des hommes qui les emploient. »

33 “[…] es imprescindible comenzar por reconocer que la diversidad terminológica en los lenguajes científicos y

técnicos es un hecho natural, en el sentido de que es un fenómeno intrínseco de toda lengua y de todo sector del lenguaje.[…] Dependiendo, pues, de las condiciones de cada contexto de comunicación –situación interna y externa de la lengua, finalidad del trabajo terminológico, destinatarios, área temática, nivel de especialización, ámbito social, etc.–, convendrá aplicar una u otra forma de actuación terminológica.”

Assim, essa nova corrente teórica tem como um dos principais conceitos que a sustentam o de variação linguística:

O princípio subjacente da pesquisa socioterminológica é o registro de variante(s) que leva em conta os contextos social, situacional, espacial e linguístico em que os termos circulam; não abandona também a frequência de uso, se for este o método escolhido pelo especialista. (FAULSTICH, 1995)

Dessa forma, a Socioterminologia propõe uma análise in vivo das línguas de especialidade, privilegiando os aspectos sociais das mesmas e levando em consideração o uso real dos termos. Opõe-se, visivelmente, à TGT, uma vez que passa a reconhecer a existência e a utilidade da variação linguística mesmo em discursos especializados.

Assim, a Socioterminologia nasce para preencher lacunas deixadas pelos estudos normalizadores da escola de Viena; passa a ter como objeto de estudo o comportamento pragmático e variacionista das terminologias. Como já visto anteriormente, esses estudos linguísticos com ênfase no aspecto social influenciaram os estudos terminológicos de forma intensa e fizeram com que outros pesquisadores começassem a refletir sobre o fazer terminológico. Uma das maiores contribuições da Socioterminologia foi, então, o impulso dado para a instauração de um novo paradigma, alternativo à TGT, que foi a TCT, sobre a qual discorremos anteriormente.

Enilde Faulstich, em 1995, no artigo intitulado “Socioterminologia: mais que um método de pesquisa, uma disciplina”, comenta as bases dessa nova vertente: “Socioterminologia, como prática do trabalho terminológico, fundamenta-se na análise das condições de circulação do termo no funcionamento da linguagem (FAULSTICH, 1995).

Assim, a Terminologia e a Sociolinguística relacionam-se entre si e dão origem à Socioterminologia, vertente teórica na qual se estuda a variação terminológica existente nas línguas de especialidade.

Sabe-se que é no léxico que podemos observar de forma mais clara a variação. Assim, para Cabré, os tipos de variantes mais comumente produzidas no léxico geral, em cada “parâmetro de variação”, são:

a) do ponto de vista dos dialetos geográficos, encontramos no léxico variantes como: localismos, comarcalismos, regionalismos, internacionalismos, etc.

b) do ponto de vista dos dialetos sociais: cultismos, popularismos, vulgarismos, léxico infantil, gíria, etc.

c) do ponto de vista dos dialetos temporais: arcaísmos, neologismos etc. 34

(CABRÉ, 1996)

Dentro dessa classificação, as variantes ocorrem num eixo de gradação do mais para o menos (+ para o -), ou seja, elas são fluidas e móveis, estando sempre entre os extremos de cada tipo. Pode ser entre o culto e o vulgar, o arcaico e o novo, o local e o internacional, sendo que há sempre a possibilidade de tender tanto a um polo quanto a outro:

Å---Æ

+ 

Local Internacional Vulgar Culto

Arcaico Novo Figura 1 – Eixo de gradação das variantes

Ao tratar especificamente das línguas de especialidade, a autora diz que há também um eixo de gradação, que vai do mais geral ao mais especializado, pois leva em consideração “o grau de especialização ou o nível de abstração em relação ao léxico comum” 35. Entretanto, a autora não faz aqui uma proposta de classificação detalhada das variantes no interior de uma língua de especialidade.

Por outro lado, encontramos em Jean-Louis Rousseau (1996) uma reflexão em que ele aponta as três principais categorias de variação que o trabalho terminológico deve considerar e avaliar, quando busca descrever os usos dessas variantes. Em suma, ele assim as descreve:

- variação geográfica ou topoletal – depende notadamente da pluralidade dos lugares de criação terminológica; abre caminho para tradições terminológicas diferentes, sendo

34 “Las variedades más usuales que se producen en cada uno de los parámetros de variación son bien conocidas:

a) desde el punto de vista de los dialectos geográficos encontramos en el léxico variantes como: localismos, comarcalismos, regionalismos, internacionalismos, etc;

b) desde el punto de vista de los dialectos sociales: cultismos, popularismos, vulgarismos, léxico infantil, argot, etc;

c) desde el punto de vista de los dialectos temporales: arcaísmos, neologismos, etc.”

35 “El léxico que puede organizarse en un eje que tenga en cuenta el grado de especialización o el nivel de

também uma consequência da elaboração das terminologias isoladas em que não há ajustes entre os interlocutores/falantes.

- variação sociotecnoletal – corresponde a diferentes níveis de tecnicidade, diferentes níveis de “literaridade”, diferentes níveis socioprofissionais, diferentes estratos de comunicação em um determinado meio. Para examinar esse tipo de variação, seria necessário conseguir distinguir o conhecimento passivo do uso real dos termos, levar em conta o oral e o escrito; seria necessário estudar os fenômenos de alternância de código terminológico, além de outros fenômenos, como as gírias profissionais, com o intuito de observar como funciona a comunicação real em um determinado meio profissional.

- variação técnico-comercial – proveniente dos responsáveis pelo marketing de diferentes empresas de um mesmo setor econômico que escolhem deliberadamente denominações diferentes para os produtos de suas empresas, a fim de particularizá-los, com objetivos estritamente comerciais.

Como se pode notar, encontramos, no segundo tipo de variação descrito por esse autor, uma tentativa de elucidação de princípios metodológicos para se estudar o termo em uso dentro de determinado meio profissional. Tenta mostrar o caráter multifacetado dos termos, ressaltando que seu estudo deve levar em conta tanto o conhecimento passivo quanto o uso ativo, in vivo, ou seja, real dos termos. É exatamente assim que buscamos tratar do fenômeno da eponímia neste trabalho, especialmente no que concerne ao uso em comunicação.

Faulstich (1998) propõe uma tipologia de variantes terminológicas, baseada na natureza de cada variação. Ela divide as variantes em dois grupos gerais, a saber, variantes terminológicas linguísticas e variantes terminológicas de registro.

No que concerne às primeiras, essas são resultado do processo de variação do fenômeno propriamente linguístico, e são as seguintes:

1. variante terminológica fonológica, em que o registro pode surgir de formas decalcadas da fala;

2. variante terminológica morfológica, a que apresenta alternância de estrutura de ordem morfológica na constituição do termo, sem que o conceito se altere;

3. variante terminológica sintática, em que há alternância entre duas construções sintagmáticas que funcionam como predicação de uma UTC (unidade terminológica complexa);

4. variante terminológica lexical, em que algum item da estrutura lexical da UTC sofre apagamento ou movimento de posição, mas o conceito do termo não se altera;

5. variante terminológica gráfica, a que se apresenta sob forma gráfica diversificada de acordo com as convenções da língua. (FAULSTICH, 1998, p. 7)

O segundo tipo, chamado de variantes terminológicas de registro, inclui:

1. variante terminológica geográfica, aquela que ocorre no plano horizontal de diferentes regiões em que se fala a mesma língua. Pode decorrer ou de polarização de comunidades linguísticas geograficamente limitadas por fatores políticos, econômicos ou culturais, ou de influências que cada região sofreu durante sua formação;

2. variante terminológica de discurso, a que decorre da sintonia comunicativa que se estabelece entre elaborador e usuários de textos científicos e técnicos;

3. variante terminológica temporal, aquela que se configura como preferida no processo de variação e mudança, em que duas formas (X e Y) concorrem durante um tempo, até que uma forma se fixe como a preferida. (FAULSTICH, 1998, p. 7-8)

Notamos, então, que a variação terminológica vem sendo estudada e sistematizada por alguns pesquisadores e sua inclusão, evidenciando a ligação entre terminologia e o fator social, só traz benefícios e amplia as possibilidades de análise e entendimento do funcionamento das terminologias em seu contexto real de utilização.

No âmbito deste trabalho, consideramos os termos eponímicos como variantes dos termos científicos estruturados com base em formantes e afixos gregos e latinos. Do ponto de vista linguístico, os termos eponímicos podem se enquadrar em diversas categorias. Em nosso córpus, dentre os termos eponímicos da Dermatologia, encontramos casos de:

- variantes terminológicas morfológicas:

epitelioma calcificante de Malherbe epitelioma calcificado de Malherbe. - variantes terminológicas sintáticas:

camada de Malpighi camada Ø malpighiana

Nesse caso, observa-se também a ocorrência de uma variação morfológica, ou seja, além da exclusão da preposição de, que constava no termo eponímico camada de Malpighi, observamos uma modificação com relação ao epônimo (de Malpighi Æ malpighiana). Se, no

primeiro exemplo, ele está em forma original (Malpighi), no segundo, o epônimo aparece em forma banalizada adjetival (VAN HOOF, 2001), isto é, o epônimo Malpighi sofre alterações morfológicas e, ao juntar-se ao sufixo –ano (nesse caso, -ana, na forma feminina), que é muito produtivo na formação de adjetivos derivados de antropônimos (ex. agostiniano, machadiano), torna-se um adjetivo de camada.

- variantes terminológicas lexicais:

Epitelioma intra-epidérmico de Borst-Jadassohn

Epitelioma Ø de Borst-Jadassohn.

- variantes terminológicas gráficas:

angioceratoma de Mibelli angioqueratoma de Mibelli.

São várias as classificações que se propõem a respeito das variantes terminológicas. Neste trabalho, com base nos objetivos a que nos propusemos, não procedemos a uma análise e nem a uma classificação aprofundada dos tipos de variantes terminológicas que os termos eponímicos podem assumir. Vamos considerar os termos eponímicos enquanto variantes terminológicas de registro (de acordo com a classificação de Faulstich), sendo, mais especificamente, variantes terminológicas de discurso, ou seja, que não se encontram no mesmo nível de língua que os termos considerados científicos e criados com base nos formantes e afixos gregos e latinos. As variantes terminológicas de discurso ocorrem quando diferentes designações de um mesmo conceito existem em diferentes níveis de discurso (nível popular, científico, técnico ou de divulgação científica) para que haja entendimento do texto pelos diferentes públicos, ou seja, essas variantes decorrem da relação entre os interlocutores, podendo até mesmo refletir características mais ou menos formais entre eles. A escolha dessa variante discursiva pode estar relacionada às concepções científicas e sócio-culturais do emissor, uma vez que este seleciona a unidade terminológica que julga mais adequada para a especificação do conceito e à situação comunicativa. O uso dos termos eponímicos, por serem mais informais (se comparados aos termos com base erudita), distingue-se daquele dos termos científicos, sendo, consequentemente, empregados em situações comunicativas diferentes.

Consideremos que todas as variantes mantenham entre si, do ponto de vista cognitivo e semântico, uma relação de quase-sinonímia. Utilizamos a denominação variante para salientar a característica de termo marcado sociolinguisticamente, ou seja, que possui valores sociolinguísticos agregados. Neste caso, os termos eponímicos são termos populares ou, pelo

menos, mais informais do que os termos que aqui chamamos de científicos (formados por meio de radicais e afixos gregos e latinos). Por serem variantes terminológicas discursivas, são responsáveis por uma comunicação eficaz, que atende às mais variadas necessidades pragmáticas.

4.4. VARIAÇÃO TERMINOLÓGICA E NORMALIZAÇÃO EM LINGUAGEM MÉDICA