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Etude des transferts de matière et de fluide dans la croûte continentale : exemple du

II. B.2 Les zones de cisaillement

Essa pergunt a olha a infância com um a idéia universalizável. Com a razão universal de t ornar- se adult o. Com o alguém incom plet o... É preciso percebê- la com o alguém que “ é” , est á em processo de vida, com seus dois ou oit o anos... Claro que querem os que as crianças cresçam , t ornem - se adult os, vivam . Todavia, é preciso respeit ar a pessoa com a idade que ela t em , com o ela é. Em geral, nas escolas, nas m ídias e nas fam ílias, as crianças e os adolescent es ficam à espera do ingresso no m undo adult o. Usam os expressões com o: “ ele não consegue” , “ não t em m at uridade” . Não consegue, não t em m at uridade em relação a que, a quem ? Aos adult os? Bom , convenham os que est e t ipo de com paração é, no m ínim o, aut orit ária, em desacordo com o desenvolvim ent o corponect ivo infant o- j uvenil, e nega o t em po real.

COHN68 ( 2005) dialoga conosco ao t razer a idéia de que a

infância é um a const rução social. Diz que cult uras diferem na cronologia quant o à duração da infância. A t eseaula propõe que há um a convenção de infância com o passagem para a vida adult a, que se m anifest a am plam ent e na adult ização da criança (v. p. 25) .

“ As crianças não são apenas produzidas pelas cult uras, m as t am bém produt oras de cult ura. Elas elaboram sent idos para o m undo e suas experiências, com part ilhando plenam ent e de um a cultura. Esses sent idos t êm um a part icularidade, e não se confundem e nem podem ser reduzidos àqueles elaborados pelos adult os; as crianças t êm aut onom ia cult ural em relação ao adult o” . Clarice Cohn infere que, de

t odo m odo, a aut onom ia não é isolada, pois há um com part ilham ent o de sist em as sim bólicos m út uos. Do contrário, em inversão apenas,

68 Clarice Cohn é doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo e professora da Escola de sociologia e Polít ica de São Paulo.

seria criar “ um a cisão ent re os m undos ( adult o e infant il) . Seria

t ornar esses m undos incom unicáveis” ( p. 15) .

DETERMI N I SMOS E LI VRE- ARBÍ TRI O COM SUAS METÁFORAS O conceit o de det erm inism o e seu correlato inverso, o de livre- arbít rio servem a int eresses m idiát icos e educacionais dout rinários e, por essa m esm a razão, suas aplicações são investidas de variações de paroxism os.

Det erm inism o, em um a explanação que se pret ende sim ult aneam ent e concisa e abrangent e, é um a dout rina que afirm a que t odos os acont ecim ent os, inclusive vont ades e escolhas hum anas, t êm causas sobre as quais não t eríam os nenhum a at it ude enat iva (v. enação, p. 59) , no sent ido em que, um a vez ident ificada um a

causa, pode- se prever a sua conseqüência. Os educandos são, m uit as vezes, conduzidos a um a aceit ação conform ist a e desprezo por si próprios devido um m edo exist encial do det erm inism o ( PI NKER 2004: 243) . O que nos leva a lem brar da quest ão, t ão prem ent e, da em ancipação.

Muit os são os ent endim ent os dos det erm inism os. A t eseaula argum ent a que os replicam os à larga, sem algum t raço de reflexão crít ica. Há o cham ado det erm inism o am bient al. Esse ent endim ent o det erm ina que as inst ruções e/ ou saberes recebidos e experiências vividas, sej a na criação, na educação, na cult ura, na art e, ou no

esport e são as causas de t odos os nossos com port am ent os, at it udes e correlações. Há o det erm inism o “ m ent al” ou m et afísico, no qual os pensam ent os t eriam um a causa, assim com o as ações deles decorrent es. Há o det erm inism o biológico, ou físico, ou genét ico. Nesse ent endim ent o, as causas dos com port am ent os viriam det erm inadas nos genes de form a inevit ável e/ ou inat a. Mat t Ridley ( 2004) é quem nos ensina que ent endem os inat o com o sendo inevit ável.

“ Meu argum ent o, em resum o, é est e: quant o m ais revelam os sobre o genom a, m ais os genes parecem ser vulneráveis à experiência” ( RI DLEY 2004: 12) .

E ainda:

Da m esm a form a, sem dúvida im port a m enos saber se a nat ureza hum ana é m ais inat a ou m ais aprendida, m as exat am ent e de que m odo ela é as duas coisas” ( RI DLEY 2004: 94) .

É possível ent ender, de acordo com Ridley, que um fat o e/ ou um com portam ento inat o não foi produzido sem experiência, pois ele é frut o das longas t ransform ações ( por via de experiências) da seleção natural.

A dout rina inversam ent e correlat a ao det erm inism o é a do livre- arbít rio, que declara a vont ade hum ana livre para t om ar decisões e det erm inar suas ações, t ant o genet icam ent e ( ou neuralm ent e, ou fisicam ent e) quant o am bient alm ent e ( ou m ent alm ent e, ou m et afisicam ent e) . Daniel Dennet t , apud PI NKER 2004, argum ent a que o livre- arbít rio, j ust am ent e t iraria t oda a responsabilidade da pessoa, pois ela não se det eria ant e nenhum a am eaça punit iva e sem pre poderia afront á- la. Diant e de várias opções oferecidas por um a sit uação, a pessoa poderia escolher “ racionalm ent e” e agir livrem ent e, de acordo com a escolha feit a ( ou não agir se o

quisesse) . Quant o a esse “ racionalm ent e” , WEGNER69 ( 2002) diz que

é um a ilusão acharm os que nossos pensam ent os, desej os, crenças ou int enções causam “ diret am ent e” as nossas ações.

“ A vont ade conscient e pode, ent ão, surgir de um a t eoria da pessoa, designada para dar cont a da relação ent re pensam ent o e ação. A vont ade conscient e não é um a percepção diret a dessa relação, ao cont rário é um sent im ent o baseado na inferência casual que alguém faz sobre os dados que se t ornam disponíveis à consciência – o pensam ento e o ato observado” ( p. 67) .

At enção a essas, m et áforas que são diariam ent e dissem inadas: