Nosso campo de pesquisa são as escolas municipais da cidade do Recife, mais precisamente 3 escolas localizadas na Região político administrativa RPA 6. O critério de escolha dessas escolas se deu devido ao uso dos tablets em sala, podemos elencar os seguintes critério:
-Organização para o uso, como por exemplo cronogramas e horário de uso; - Regularidade do uso, como por exemplo uso diário ou semanal;
- Uso atrelado a projetos vigentes na escola.
De acordo com o último censo IBGE cidades de 2016, Recife tem uma população estimada de 1.625.583 pessoas. Ainda de acordo com o censo cidades, 1.320.793 da população residente no município do Recife é alfabetizada e 487.718 pessoas frequentam creches ou escolas. Recife possui um total de 368 escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental, ou seja, esse número se refere às escolas de âmbito municipal.
Quanto ao território, Recife possui uma extensão de 218,435 km. De acordo com Cavalcanti, Lyra e Avelino (2008, p. 37),
O território do Recife, ao longo do tempo, passou por diversas divisões físicoterritoriais e político-administrativa (Distrito, Sub-Distrito, Zonas Administrativas, Setores, Regiões Político-Administrativas e Microrregiões). Essas divisões ocorreram de forma sucessiva, buscando sempre atender a objetivos específicos, cujas finalidades estiveram voltadas para a fiscalização, o licenciamento de obras e a aplicação da Legislação Urbanística, bem como para o Planejamento, o Sistema de Informações e o Censo Demográfico. Desde 1991, os 94 bairros da cidade foram oficializados e instituíram-se as Regiões Político-Administrativas (RPAs), a princípio dividindo-se o município em 12 RPAs. Alguns anos depois, foram revistas e agrupadas nas atuais 6 RPAs, legalmente instituídas pela Lei 16.293/97, sempre respeitando o limite dos bairros. Ainda para efeito de planejamento, cada RPA foi subdividida em três microrregiões.
O mapa ao lado ilustra a divisão territorial das RPAs do Recife; a RPA em destaque é a RPA 6, onde estão localizadas as escolas que fazem parte desta pesquisa.
A Região Político Administrativa I (RPA1) é composta pelos bairros: Recife; Santo Amaro; Boa Vista; Cabanga; Ilha do Leite; Paissandu; Santo Antônio; São José; Coelhos; Soledade; Ilha Joana Bezerra.
A Região Político Administrativa II (RPA2) é composta pelos bairros: Arruda; Campina do Barreto; Encruzilhada; Hipódromo; Peixinhos; Ponto de Parada; Rosarinho; Torreão; Água Fria; Alto Santa FIGURA5DISPONÍVEL EM:
HTTP://WWW2.RECIFE.PE.GOV.BR/SERVIC O/SOBRE-RPA-6?OP=NZQ0MQ==
Terezinha; Bomba do Hemetério; Cajueiro; Fundão; Porto da Madeira; Beberibe; Dois Unidos; Linha do Tiro.
A Região Político Administrativa III (RPA3) é composta pelos bairros: Aflitos; Alto do Mandu; Alto José Bonifácio; Alto José do Pinho; Apipucos; Brejo da Guabiraba; Brejo de Beberibe; Casa Amarela; Casa Forte; Córrego do Jenipapo; Derby; Dois Irmãos; Espinheiro; Graças; Guabiraba; Jaqueira; Macaxeira; Monteiro; Nova Descoberta; Parnamirim; Passarinho; Pau-Ferro; Poço da Panela, Santana; Sítio dos Pintos; Tamarineira; Mangabeira; Morro da Conceição; Vasco da Gama.
A Região Político Administrativa IV (RPA4) é composta pelos bairros: Cordeiro; Ilha do Retiro; Iputinga; Madalena; Prado; Torre; Zumbi; Engenho do Meio; Torrões; Caxangá; Cidade Universitária; Várzea.
A Região Político Administrativa V (RPA5) é composta pelos bairros: Afogados; Areias; Barro; Bongi; Caçote; Coqueiral; Curado; Estância; Jardim São Paulo; Jiquiá; Mangueira; Mustardinha; San Martin; Sancho; Tejipió; Totó.
A Região Político Administrativa VI (RPA6) é composta pelos bairros: Boa Viagem; Brasília Teimosa; Imbiribeira; Ipsep; Pina; Ibura; Jordão; Cohab.
Após determinarmos a natureza, o campo e os sujeitos do nosso estudo, seguiremos para o caminho que percorremos para chegar aos nossos resultados; para isso, essa pesquisa foi dividida em duas fases, começamos com um percurso exploratório, e, em seguida, toda a pesquisa se deu pelo método do tipo etnográfico, é importante esclarecer que não houve dois métodos distintos, pois esses métodos se complementam, dividimos a pesquisa em duas fases devido a quantidade de informações que foram encontradas no campo. Esses momentos da pesquisa serão descritos a seguir.
8 FASE 1: PERCURSO EXPLORATÓRIO
Como referido anteriormente, a pesquisa em questão teve início com um método exploratório; no entanto, é importante deixar claro que a pesquisa não é de toda natureza exploratória, mas sim sua fase inicial. Esse momento se fez necessário pois se trata de um assunto ainda pouco explorado, no que diz respeito à inserção dos tablets como mudança na aprendizagem em sala de aula, uma vez que os tablets começaram a ser usados pelas escolas do Recife a partir de março de 2016. Dessa forma, estava diante de algo novo e precisava saber se de fato o uso dessas ferramentas estava acontecendo e se era possível seguir com a pesquisa; a pesquisa exploratória nos possibilitou esse norte.
De acordo com nossos objetivos, a pesquisa exploratória foi utilizada pois, segundo Gil (2008, p. 27),
Pesquisas exploratórias são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato. Esse tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis.
Ainda de acordo com Gil (2008), a pesquisa exploratória por ser muitas vezes a fase inicial de uma pesquisa, para então seguir para algo maior, requer revisão de literatura e discussão com especialistas e outros procedimentos. Optamos por começar nossa pesquisa com uma revisão de literatura do tipo sistemática. A revisão da literatura nos permitiu identificar como outros autores relacionaram o uso de ferramentas digitais à aprendizagem, por isso fizemos várias buscas por artigos, dissertações e teses nos bancos de dados Scielo e BDTD, com determinados descritores, a fim de entender um pouco mais o problema em questão a partir de pesquisas já produzidas. Esse exercício de revisão nos permitiu situar a discussão do nosso trabalho a partir das pesquisas já feitas e obter mais clareza sobre os objetivos determinados. A revisão de literatura feita pode ser vista na seção 1 dessa dissertação.
Sigo o estudo exploratório buscando informações através de entrevistas com os responsáveis que lidam com as questões de tecnologia e aprendizagem na DGTEC (Diretoria Geral de Tecnologia na Educação e Cidadania), órgão da prefeitura do Recife responsável pelo monitoramento e pela manutenção das tecnologias nas escolas municipais. As entrevistas, muitas vezes, conversas rápidas, devido aos afazeres dos entrevistados, foram entrevistas semiestruturas e livres, pois não havia um roteiro a ser seguido na ordem das
perguntas, estas entrevistas foram feitas com 3 pessoas da DGTEC e seguiram a seguinte ordem:
Fonte: Próprio autor.
Os entrevistados nos forneceram respostas que dizem respeito às suas respectivas funções e à realidade que acompanham. A entrevista que nos forneceu o maior número de informações foi a da técnica educacional, isso devido à sua relação direta com o uso e a manutenção dos projetos de tecnologias nas escolas, inclusive os tablets. A partir das informações colhidas com as entrevistas, seguimos para campo a fim de confrontar com as informações que tínhamos e dar andamento à pesquisa.
As escolas escolhidas para fazermos as primeiras observações foram escolas citadas pelos entrevistados como escolas com experiências exitosas e que provavelmente devido ao perfil dessas escolas haveria bons resultados. Visitamos inicialmente três escolas localizadas na RPA 6 (Região Político Administrativa, essa região compreende os bairros de Boa Viagem, Brasília Teimosa, Imbiribeira, Ipsep, Pina, Ibura, Jordão, Cohab).
A partir das visitas feitas às escolas da RPA6, montamos o quadro a seguir onde estão descritas as situações encontradas nas escolas visitadas, todas as observações feitas foram registradas em um diário de bordo, que foi muito importante para resgatar as informações durante a escrita do texto, bem como cruzar as informações no momento das análises. As escolas serão identificadas como E1, E2, E3, E4 e E5 a fim de resguardamos as identidades dos sujeitos que fazem parte dessas instituições. As visitas a campo foram feitas de acordo com a disponibilidade dos professores e autorização da coordenação das respectivas escolas.
Fonte: Próprio autor.
Quadro 13 - Descrição das visitas ao campo
CAMPO Nº DE
VISITAS
SITUAÇÃO
E1 2 Uso dos tablets sem planejamento prévio pela professora, porém é a única professora que faz uso dos tablets na escola em uma única turma mensalmente.
E2 4 Uso planejado por todas as turmas semanalmente.
E3 2 Professoras ainda em fase de treinamento.
E4 1 Uso inicial dos tablets por professores e alunos.
E5 1 Alunos como multiplicadores do uso dos tablets
Diretor de tecnologias
Responsável pela distribuição dos tablets nas escolas
Técnica educacional
Essas conclusões foram feitas a partir de mais de uma visita, conversando com as professoras, diretoras e coordenadoras das respectivas escolas e observando os momentos em que os alunos utilizavam os tablets. Após essas observações, que foram necessárias para dar andamento à pesquisa, uma vez que era necessário saber se as práticas com os tablets de fato existiam, caracterizando esse momento como uma coleta de dados exploratória. De acordo com o quadro 13 foi possível perceber quatro situações diferentes: O uso ainda inicial do tablet, o uso planejado, o uso inicial por parte do professor, e a participação dos alunos. Essas situações encontradas permitiram nortear as demais observações realizadas.