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WiCoP Control Message Description

4. WiCoP Format

4.2. WiCoP Control Packet

4.2.3. WiCoP Control Message Description

Frente às profundas mudanças que a sociedade contemporânea vem exigindo, novos desafios se colocam para as Instituições de Ensino que, embora não sendo o único espaço educativo, é o espaço formal gerador de produção do conhecimento construído pela humanidade ao longo da história. Muitas são as discussões sobre o papel da Educação e do professor para atender às demandas da sociedade, incluindo-se nesta discussão as mudanças profundas que ainda necessitam ser realizadas. Precisamos estar preparados para lidar com as incertezas que surgem de maneira veloz, bem como com a necessidade de

construção de novos saberes, marcados pela complexidade. Somos protagonistas de um mundo complexo, no qual o sentido do conhecimento e da informação se modifica muito rapidamente. Nesse viés, a docência para Zabalza, Cerdeiriña e Vitória (2018, p. 142): “es una profesión compleja, singular y cambiante”.

As formas identitárias profissionais se configuram nas relações sociais e de trabalho; são um processo de construção, reconstrução e desconstrução que acontece ao longo da existência do ser humano. A identidade é “[...] resultado a um só tempo estável e provisório, individual e coletivo, subjetivo e objetivo, que, conjuntamente, constroem os indivíduos e definem as instituições” (DUBAR, 2005 p. 36). A identidade é um processo de construção social de um sujeito histórico. Para Dubar (2005, p. 156),

A identidade social não é ‘transmitida’ por uma geração à seguinte, cada geração a constrói, com base nas categorias e nas posições herdadas da geração precedente, mas também através das estratégias identitárias desenvolvidas nas instituições pelas quais os indivíduos passam e que eles contribuem para transformar realmente. Essa construção identitária adquire uma importância particular no campo do trabalho, do emprego e da formação, que conquistou uma grande legitimidade para o reconhecimento da identidade social e para a atribuição dos status sociais.

Nesse sentido, com o passar dos anos, algumas profissões deixaram de existir, outras surgiram e muitas outras profissões surgirão. Dubar (2005, p. 26) afirma como se efetiva a inserção profissional na construção da identidade social:

Entre as múltiplas dimensões da identidade dos indivíduos, a dimensão profissional adquiriu uma importância particular. Por ter se tornado um bem raro, o emprego condiciona a construção das identidades sociais; por passar por mudanças impressionantes, o trabalho obriga a transformações identitárias delicadas; por acompanhar cada vez mais todas as modificações do trabalho e do emprego, a formação intervém nas dinâmicas identitárias por muito tempo além do escolar.

A construção das identidades acontece por meio de constantes movimentos e transformações, são construções sociais que se dão na interação dos percursos pessoais e profissionais (emprego e trabalho). Sendo assim, Zabalza, Cerdeiriña e VITÓRIA (2018, p. 143) ressaltam: “Una de las cuestiones básicas al hablar de

identidad es partir de la idea de que las identidades son múltiples y variables. Cada sujeto y cada grupo construye su identidad en torno a ejes diferentes, simultáneos y cambiantes”. As identidades são múltiplas, mutáveis e construídas de maneira

individual e coletiva. Marcelo García e Vaillant (2018, p. 54) expressam que: “Existen

identidades múltiples que dependen de los contextos de trabajo o personales, y de las particulares trayectorias de vida profesional”. As identidades profissionais

García e Vaillant (2018, p. 54) explicam que “La construcción de la identidad

profesional se inicia durante el período de estudiante en las escuelas, pero se consolida luego en la formación inicial, y se prolonga durante todo el ejercicio profesional”.

Dessa forma, a construção da identidade profissional é concebida como um processo de construção, contínua, ao longo do processo formativo, constituído de vivências, experiências, transformação de referenciais que dinamizam a profissão de professor, uma aprendizagem ao longo da vida. Os professores estreantes têm uma história de vida que engloba diferentes experiências, saberes e vivências que contribuem para a aprendizagem docente e que também simbolizam um período de socialização profissional. Sendo que o professor estreante bacharel pode que se identificar mais com a profissão de origem do que com a docência. Zabalza (2004b, p. 107) ressalta essa possibilidade e aponta que:

Sua identidade (o que sentem sobre o que são, sobre o que sabem; os livros que lêem ou escrevem; os colegas com quem se relacionam; os congressos que frequentam; as conversas profissionais que mantêm, etc.) costuma estar mais centrada em suas especificidades científicas do que em suas atividades docentes. [...] é difícil, a princípio, construir uma identidade profissional vinculada à docência.

Muitas vezes os bacharéis que se tornaram professores se veem mais como os profissionais de uma determinada área e como pesquisadores do que como docentes. O desafio é construir a identidade profissional na profissão escolhida, a identidade profissional não aparece de maneira automática ao ingressar na profissão pelo Concurso Público e/ou pela titulação, mas, é resultado de um processo de construção a identidade profissional docente. Os docentes da Educação Profissional e Tecnológica precisam construir uma identidade profissional nesta modalidade de ensino, pois é diferente e plural em função da verticalização do ensino, que é uma das finalidades e características dos IFs. A propósito disso, Nóvoa (2016, [s.p.]) destaca que:

É preciso construir essa identidade profissional desde o primeiro dia de aula, ter um programa de formação docente em que a reflexão sobre a identidade profissional exista. Nenhum de nós nasce professor, nós nos tornamos professores. A formação deve ser um processo de constituição de uma cultura profissional, de um gesto profissional, de uma maneira de ser profissional. Formar um professor é conseguir que alguém aprenda a conhecer, a pensar, a sentir e a agir como um profissional docente.

Assevera Marcelo García (2009b, p. 11) que é através da nossa identidade: “[...] que nos percebemos, nos vemos e queremos que nos vejam. A identidade profissional é a forma como os professores se definem a si mesmos e aos outros. É

a construção do eu profissional que evolui ao longo da carreira docente [...]”. A sala de aula e as instituições de ensino são espaços privilegiados para aprender a ensinar, de constituição da identidade profissional, por meio da ação-reflexão-ação constante da prática pedagógica. Para Gallego e Marcelo García (2018, p. 47):

Pero es en los primeros años de ejercicio profesional cuando la identidad profesional docente va tomando ya una definición que empieza a ser relativamente permanente. Los docentes principiantes se enfrentan a situaciones conocidas y a la vez desconocidas [...]. Sufren tensiones internas entre la identidad deseada y la realidad del aula que exige acción y toma de decisiones.

Então podemos inferir que os primeiros anos na profissão representam um período relevante da carreira, já que é na prática docente que se aprende a ser professor e que se constrói a identidade profissional. É preciso renovar-se, reinventar-se de todas as maneiras possíveis, na interação com os pares, no trabalho coletivo e colaborativo, pois, o ser, o estar e o fazer-se professor é uma construção que deve acontecer em equilíbrio e ao longo da trajetória pessoal e profissional. A Educação Profissional e Tecnológica também precisa construir a sua própria identidade enquanto modalidade de ensino, que é diferente dos outros níveis de ensino e modalidades.

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