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2. The Western Fuels Association and the ICE Campaign
Os estereótipos, conceito já abordado no presente trabalho, são um fenómeno que pode ser considerado como universal. É importante fazer uma breve referência à presença do fenómeno. Reierson (1966) foi um dos autores que desencadeou investigações sobre os enviesamentos da investigação do efeito país de origem. Procurou perceber se as noções preconcebidas que os consumidores têm acerca de produtos estrangeiros são, ou não, realmente estereótipos nacionais, em vez de opiniões relativas a produtos específicos. Os resultados apontaram para uma evidência clara da existência do fenómeno designado de estereótipo. Os respondentes consideraram os produtos “made in USA” como sendo os melhores, e assim, o estudo sugeria que quando os consumidores têm noções preconcebidas acerca de produtos estrangeiros, as atitudes caracterizam-se realmente como estereótipos nacionais e não como opiniões acerca de produtos específicos.
Também nos trabalhos de Schooler (1965), o primeiro a examinar o enviesamento do país de origem, foi percebida a afetação da avaliação de um determinado produto chegando à conclusão da real presença desse enviesamento, secundado por Nagashima (1970) que encontrou evidências para justificar que os estereótipos variam entre os consumidores e que os estereótipos nacionais variam ao
longo do tempo. Aprofundando a questão, outros estudos revelaram resultados que apontam para uma diferença significativa entre as perceções dos consumidores acerca de estereótipos relacionados com produtos estrangeiros face a nacionais e as imagens de produtos específicos de um país – por exemplo na relação entre a perceção de produtos de um país e o produto de um setor específico desse país (Etzel & Walker, 1974). Situação similar foi encontrada por Abdul-Malek que evidenciou a preferência de certos segmentos em lidar com os mercados norte americanos cujos compradores eram percecionados como sendo superiores (Abdul-Malek, 1975). Também encontrou diferenças resultantes da perceção das assimetrias e características socioeconómicas percebendo que exportadores com mais experiência tinham tendência a ser mais favoráveis a produtos importados (Abdul-Malek, 1975).
Numa outra dimensão, outro estudo avança que as variáveis como a experiência
passada, ou a reputação poderiam ser consideradas quando se investiga o impacto do
“made in”. Conclui-se que a etiqueta do produto providencia muita informação ao consumidor como resultado da sua experiência passada em relação a produtos nacionais, estereótipos aprendidos e reputações de produtos nacionais, e talvez imagens mais gerais de tradições e costumes de estrangeiros (Bannister & Saunders, 1978; Darling & Kraft, 1977; White, 1979).
Crawford e Lamb (1981) estudaram até que ponto os consumidores estão dispostos a comprar produtos de origem estrangeira e qual a origem preferencial desses produtos. Os resultados revelaram que os inquiridos eram influenciados pelos países, individualmente, e pelos níveis de desenvolvimento económico e de liberdade política. Ao mesmo tempo, o estudo revelou um certo estereótipo já que demonstrou que os compradores preferiam adquirir nos países mais desenvolvidos (Crawford & Lamb, 1981), o que confirma os estudos de Cattin et al. (1982) que revela que os estereótipos são percecionados de forma diversa pelos consumidores em países diferentes, já que consumidores que partilham valores culturais idênticos tendem a ser semelhantes nas suas avaliações em relação ao país de origem (Cattin et al., 1982). Esta tendência também se verificava nos estudos de Wang e Lamb (1983) onde se valida que os consumidores estavam mais inclinados a adquirir produtos oriundos de países desenvolvidos economicamente, politicamente livres e com uma base cultural tipo europeu, australiana, ou neozelandesa (Wang, 1983). Na mesma linha seguem as investigações de Khanna (1986) que revelam que o país de origem tinha um efeito maior em novos clientes (Khanna, 1986).
Os estudos de Yavas e Alpay (1986) confirmam igualmente a presença de estereotipagem (Yavas, 1986) assim como os estudos de Papadopoulos que revelaram que os consumidores têm pontos de vista estereotipados em relação aos diferentes países (Papadopoulos, 1987, 1989) elementos confirmados igualmente por Lawrence et
al. (1992) que encontraram a presença da imagem estereotipada da Alemanha, com a
sua reputação em produzir e montar automóveis com fiabilidade, com performances competentes (Lawrence, 1992).
A questão da informação e da sua relevância vai ganhando importância nos estudos. Na sua investigação Smith (1993) concluiu que havia a demonstração de algum grau de enviesamento regional no consumo, já que os produtos asiáticos receberam uma avaliação mais positiva do que os das restantes regiões, o que não acontecia em estudos anteriores. Os resultados evidenciaram também que as pessoas de idade faziam melhores apreciações.
Por seu lado Maheswaran (1994) identificou o conhecimento do consumidor e o tipo de informação do atributo como moderadores dos efeitos de país de origem em avaliações de produtos. Os resultados evidenciaram que quando a informação não é ambígua, a avaliação ao bem por consumidores esclarecidos é baseada na força do atributo, enquanto os novatos confiam no país de origem. Se a informação é ambígua, ambos tratam o país de origem diferentemente (Maheswaran, 1994). Podemos aqui aproximar os trabalhos de Strutton et al. (1994) onde a relação da informação com o país de origem tem um papel determinante (Strutton, 1994) complementada pela posição relativa do produto no seu ciclo de vida. Verifica-se uma alteração nas estratégias de posicionamento ao longo do ciclo, o que significa que os requisitos de informações precisas pelo consumidor decrescem, uma vez que o consumidor conhece o bem, incluindo a sua origem (Niss, 1996).
Voltando à questão dos estereótipos, deve ainda realçar-se que Parameswaran e Pisharodi (2002) investigaram o papel da aculturação e assimilação no estudo aplicado ao consumidor. São poucos, mesmo raros, os estudos relacionados com os aspetos próprios da assimilação e as imagens do país de origem. O estudo baseou-se muito na extensão da assimilação de estereótipos no país de origem. Estes são examinados em relação a imigrantes, de primeira geração e mais enraizados. Os autores (Parameswaran, 2002) referem, no entanto, que não deixam de ser processos graduais e lentos, pelo que
poderíamos considerar que os estereótipos ligados ao efeito país de origem são bastante afetados pelo etnocentrismo. Este termo tem algum impacto na escolha do consumidor por via da avaliação de atributos, e por via de fatores afetivos tendo em consideração a compra em si (Yaprak, 1991).