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I I MODE ALL II END

WCUS PROCEDURE

A inovação constitui o resultado de múltiplas interações entre atores cien‑ tíficos, de ensino, económicos, políticos e institucionais, que, atuando em rede, definem um “ecossistema de inovação” baseado na otimização das competên‑ cias complementares destes diversos atores e de escalas de cooperação diversi‑ ficadas (regionais, nacionais e internacionais). Subjacente ao conceito de “ecos‑ sistema de inovação” está a ideia de que não basta concentrar os esforços na geração de conhecimento, sendo imprescindível o envolvimento de todos os fatores que geram valor para a sociedade.

São vários os atores do ecossistema de inovação: Universidades, cen‑ tros de investigação, empresas, incubadoras, parques de ciência e tecnologia, municípios, associações empresariais, entidades financiadoras, de capital de risco e business angels, estruturas de interfaces e agências e instituições gover‑ namentais, bem como a própria sociedade em geral. Considera ‑se imprescin‑ dível que todos estes atores colaborem para além das suas fronteiras tradi‑ cionais, com uma focalização na geração de valor, na flexibilidade de resposta às constantes alterações do mercado, na adaptação à mudança e na acele‑ ração da transferência dos resultados da investigação para o mercado.

A abordagem do ecossistema de inovação constitui uma evolução dos mode‑ los de inovação genericamente aceites desde há algumas décadas, sejam:

1) os modelos de inovação lineares, nos quais o processo de inovação é o resultado de uma sequência linear, que se inicia com a investigação e que conduz, sucessivamente, ao desenvolvimento, à produção, ao marke‑ ting e à comercialização;

2) os modelos de inovação não lineares, como o das interações em cadeia/ interfaces, que pressupõem o estabelecimento de interfaces através dos quais se realiza a transferência do conhecimento produtivo entre a ati‑ vidade inovadora da empresa e o seu ambiente.

São dois os princípios base do ecossistema de inovação:

1) a aposta na partilha de conhecimento, seguindo o modelo de open inno‑ vation;

2) a aposta no capital humano e na sua interação/colaboração em rede. As interações entre as instituições de I&D (em que se integram as Uni‑ versidades), as empresas e o Estado constituem a denominada “hélice tripla”, modelo de análise e compreensão da dinâmica da inovação no Sistema Nacio‑ nal de Inovação (SNI). De facto, autores como Etzkowitz (2004), ao analisarem as relações entre os atores do SNI, dedicaram ‑se ao entendimento da dinâ‑ mica da cooperação para a inovação, propondo este modelo da “hélice tripla” no qual se verifica a evolução das parcerias até ao surgimento de redes trilate‑ rais, envolvendo as Universidades, as empresas e o Estado.

Outros autores, como Carayannis e Campbell (2009)1, avançaram nesta discussão e sugerem a “hélice quádrupla”, que corresponde à adição de uma quarta hélice ao modelo anterior, que associa o domínio sociedade em com‑ ponentes como media, indústrias criativas, cultura de inovação, valores e estilos de vida. Estes autores propõem que a estrutura e o processo de conhe‑ cimento ocorrem de forma global e local na sociedade, valorizando o plura‑ lismo e a diversidade de atores e organizações, pelo que a cooperação para a inovação ocorre, em simultâneo, dentro e entre redes da inovação e sub‑ conjuntos de competências muito diferenciados. Na “hélice quádrupla” é adotada uma perspetiva de inovação colaborativa, que envolve universida‑ des, empresas, Estado e utilizadores, fomentando um processo de inovação aberto e equilibrado entre as perspetivas science ‑led e user ‑driven e combi‑ nando os modos de Science, Technology, Innovation com os modos Doing, Using, Interacting (DUI).

Esta é uma visão que converge nas estratégias de inovação nacionais/regio‑ nais para a especialização inteligente (estratégias RIS3), promovidas no âmbito da Estratégia Europa 2020 da Comissão Europeia, que pretendem identificar as características e os ativos exclusivos de cada país e região, realçar as van‑ tagens competitivas de cada território e mobilizar numa visão comum as par‑ tes interessadas e todos os recursos “endógenos”, fortalecendo os sistemas

1 CARAYANNIS, E. G.; CAMPBELL, D. F. J. (2009) ‑ Mode 3 and Quadruple Helix: Toward a 21st Century Fractal Innova‑

107 2.0. ENSINO SUPERIOR. OFERTA FORMATIVA, INVESTIGAÇÃO, INOVAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO

P ARTE 2 GRANDE LISBOA · CENTRALIDADE METROPOLIT ANA

de inovação regional, maximizando os fluxos de conhecimento e difundindo as vantagens da inovação por toda a economia regional.

Estas estratégias estabelecem a ligação entre os vários atores de inova‑ ção, incentivam à governação multinível e ajudam à criação de capital criativo e social no âmbito da comunidade.

Tendo como ponto de partida este breve enquadramento teórico relativo aos “ecossistemas de inovação”, apresenta ‑se de seguida uma análise desta

Figura 30

Dos Modelos Lineares de Inovação ao Ecossistema de Inovação

Adaptado de: Campbell, D.; Carayannis, E. (2011) – Open Innovation Diplomacy:

The Quadruple Innovation Helix Concept and the “Mode 3” Knowledge Production System in a 21st Century Fractal Research, Education and Innovation (FREIE) Ecosystem, Journal

abordagem da cooperação para a inovação centrada nos principais estabele‑ cimentos de ensino superior do Arco Metropolitano de Lisboa. Nesta análise, o ecossistema de inovação das Universidades baseia ‑se na proposta de defi‑ nição dos seguintes “anéis” do ecossistema:

· Núcleo central: integra as Universidades e entidades dentro das Uni‑ versidades com NIF próprio;

· 1.º anel: integra as entidades que as Universidades controlam (através de participação indireta ou de participação financeira);

· 2.º anel: integra entidades que têm ligação com as Universidades mas sem ligação financeira (ex: associações, fundações, parques tecnológi‑ cos). Este anel integra também empresas que têm ligações fortes com as Universidades, os financiadores de laboratórios e as entidades que têm protocolos com as Universidades. O objetivo deste anel é sobre‑ tudo o de mapeamento, muito importante para a identificação da qua‑ lidade e quantidade das relações de cooperação para a inovação. Na análise a que se procedeu para as Universidades do Arco Metropolitano de Lisboa procurou ‑se abranger, igualmente nos seus ecossistemas de inova‑ ção, entidades que fazem parte dos sistemas regionais de inovação da macror‑ região – os Institutos Politécnicos, os Centros Tecnológicos e de Engenharia e as empresas com centros de I&D de maior expressão na macrorregião – inde‑ pendentemente de, na atualidade, terem cooperação desenvolvida nas áreas de formação e investigação com as Universidades.

109 2.1. A UNIVERSIDADE DE LISBOA P ARTE 2 GRANDE LISBOA · CENTRALIDADE METROPOLIT ANA 2.1.

A UNIVERSIDADE DE LISBOA

A Universidade de Lisboa (ULisboa) resulta da fusão das anteriores Uni‑ versidade de Lisboa e Universidade Técnica de Lisboa, bem como do Estádio Universitário de Lisboa, integrando as respetivas unidades orgânicas e conser‑ vando a totalidade das atribuições, competências, direitos e obrigações exis‑ tentes à data da fusão.

A ULisboa compreende 18 Escolas que têm a designação de Faculdade ou Instituto e são unidades orgânicas de ensino e investigação dotadas de órgãos de governo próprios: Faculdade de Arquitetura (FA); Faculdade de Belas ‑Artes (FBA); Faculdade de Ciências (FC); Faculdade de Direito (FD); Faculdade de Far‑ mácia (FF); Faculdade de Letras (FL); Faculdade de Medicina (FM); Faculdade de Medicina Dentária (FMD); Faculdade de Medicina Veterinária (FMV); Facul‑ dade de Motricidade Humana (FMH); Faculdade de Psicologia (FP); Instituto de Ciências Sociais (ICS); Instituto de Educação (IE); Instituto de Geografia e Orde‑ namento do Território (IGOT); Instituto Superior de Agronomia (ISA); Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP); Instituto Superior de Econo‑ mia e Gestão (ISEG); Instituto Superior Técnico (IST).

A dimensão da ULisboa projeta ‑a para um nível de destaque no panorama nacional mas também internacional.

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