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A economia portuguesa para retomar o crescimento de forma sustentada necessita de enriquecer a sua inserção geoeconómica num duplo sentido:
· Diversificar a oferta de bens, serviços, conteúdos e conceitos e ascen‑ der na cadeia de valor dos polos de competitividade com maior expres‑ são atual nas exportações, por forma a explorar segmentos com maior potencial de crescimento na economia global e não apenas no mercado europeu;
· Aprofundar o relacionamento comercial, de investimento e de tecnolo‑ gia com regiões mundiais de crescimento, inovação e estabilidade cujos agentes empresariais encontrem razões para integrar Portugal nos seus planos de localização global.
É à luz deste duplo imperativo que ganha importância crucial o papel do Arco Metropolitano de Lisboa para a conetividade internacional de Portugal,
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explorando valências endógenas ‑ posição geográfica, infraestruturas portuárias e aeroportuárias existentes e suscetíveis de ampliação ou construção nova, disponibilidade de espaço na proximidade das referidas infraestruturas para fins logísticos ou industriais, possíveis ligações terrestres e marítimas ao norte e centro da Europa. Com efeito, no Arco Metropolitano de Lisboa pode vir a concentrar‑se um conjunto integrado de interfaces portuários ‑ com diferentes funções na inserção geoeconómica ‑ e de interfaces aeroportuários, situados na proximidade uns dos outros e suscetíveis de articulação com corredores terrestres ferroviários e rodoviários e com um corredor rodo marítimo para a Europa.
Após 40 anos de orientação predominantemente continental, resultante do processo de integração europeia, abrem‑se ‑ potencialmente ‑ a Portugal novos mercados, novos fluxos:
· As negociações para a formação de uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, envolvendo de início os EUA e a União Euro‑ peia ‑ mas posteriormente extensível ao Canadá e ao México ou aos estados da EFTA ‑ abre oportunidades para o aumento das exporta‑ ções europeias para os EUA/Canadá e para a eventual implantação na Europa de empresas do Continente norte‑americano interessadas em vender para a Europa, Africa e Médio Oriente;
· O dinamismo exportador das economias emergentes em direção às eco‑ nomias da Europa e dos EUA/Canadá continuará a gerar os mais impor‑ tantes fluxos de mercadorias a nível global mas está também a deter‑ minar uma vaga de investimentos diretos por parte das multinacionais quer das economias emergentes ‑ China, India e Brasil ‑ quer de outras multinacionais asiáticas (Japão, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan) nes‑ ses mercados desenvolvidos;
· A reorganização das rotas marítimas e aéreas globais, para fazer face ao aumento do tráfego das Ásias com a América do Norte e com a Europa, bem como as limitações à expansão de grandes portos e aeroportos loca‑ lizados em regiões densamente povoadas da Europa pode abrir espaço à evolução nas funções de portos e aeroportos localizados em espaços mais periféricos na Europa;
· A transformação do Atlântico Sul num nexo de bacias energéticas de importância mundial, quer na margem latino americana, quer na mar‑ gem africana, estendendo‑se à costa africana do Índico, vai originar
um forte crescimento das exportações de petróleo e gás natural ori‑ ginados nessas bacias; por sua vez, a maior autonomia energética dos EUA, após a revolução do shale gas e do tight oil, vai libertar uma parte mais substancial dessa nova capacidade de produção de petróleo e gás natural para o abastecimento da Europa Ocidental (em vez dos fluxos atuais vindos do espaço euroasiático), enquanto as grandes descober‑ tas no Mediterrâneo oriental (em Israel, Chipre e possivelmente Gré‑ cia) vão modificar por completo a geografia do abastecimento energé‑ tico da Europa de Leste.
A constatação de que Portugal tem a sua posição geográfica valorizada por estes processos pode encaminhar‑se na reflexão sobre as oportunidades que se abrem ao Arco Metropolitano de Lisboa em três direções distintas:
· Soluções que sejam mais eficazes e sustentáveis em termos ambien‑ tais, para colocar as atuais exportações portuguesas de bens e serviços na Europa e no mundo e atrair mais visitantes da Europa;
· Soluções, que utilizando o território de Portugal, contribuam para a conetividade internacional da Europa, e nesse processo reforcem também a conetividade de Portugal e abram novas perspetivas para o escoamento de exportações e a atração de visitantes;
· Soluções que, respondendo ao objetivo anterior, permitam posicionar Portugal no contexto da Península Ibérica com maior autonomia e dife‑ renciação, questão que se prende naturalmente com a posição a adotar pelo País face ao modelo tradicional de organização territorial de Espa‑ nha, que se organizou numa rede com centro em Madrid e eixos radiais para a periferia.
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Considerando as oportunidades de conetividade internacional do Arco Metropolitano de Lisboa na sua configuração mais abrangente pode afirmar‑ ‑se que:
· O Arco Metropolitano de Lisboa, como referimos anteriormente, tem condições geográficas, naturais e construídas e disponibilidade de espaço em terra para dispor de um complexo intermodal europeu ‑ portuário e aeroportuário com acesso a rotas mundiais, quer de trans‑ porte marítimo quer de transporte aéreo, em termos de carga e em ter‑ mos de movimentação de passageiros. Podendo funcionar como nó do transporte marítimo de curta distância e ponto de partida de um cor‑ redor rodo marítimo para o Norte da Europa. Este complexo funciona‑ ria como um atrator de novos investimentos industriais e de serviços para exportação;
Figura 29
Corredores Radiais de Transporte em Espanha Fonte: PEIT.
· O Arco Metropolitano de Lisboa, integrado como está na fachada atlân‑ tica da Península Ibérica, tem condições para funcionar como interface energético seguro entre a América do Norte, a América do Sul e a África Ocidental e Oriental e a União Europeia, num período em que as ques‑ tões de segurança de abastecimento se estão a colocar com maior acui‑ dade. Por sua vez, essas funções energéticas podem alargar‑se à pres‑ tação de serviços de manutenção industrial e engenharia oceânica ao gigantesco investimento em instalações offshore no Atlântico Sul e no Índico Ocidental.
Mas o Arco Metropolitano de Lisboa para desempenhar estas funções na área dos transportes precisa de resolver de forma definitiva a questão das solu‑ ções de transporte para o centro e oeste da Europa. Ora, sendo Portugal o único país europeu que tem um só vizinho cujo território se interpõe entre ele e a Europa central e ocidental e tendo Espanha uma organização territorial com corredores de transporte radiais a partir do centro continental que é Madrid para as periferias, Portugal pode escolher diferentes combinações de soluções para o referido transporte para o centro e oeste da Europa.
A) A combinação de:
· Um corredor ferroviário na fachada atlântica da Península Ibérica ‑ em direção à Galiza ‑ em que se insira Lisboa como principal metrópole; · Um corredor rodo marítimo Atlântico, articulado com as funções de
transhipment que venha a desempenhar em termos de transporte marí‑ timo de contentores;
· Um corredor terrestre ferroviário ligando Lisboa a Madrid e através desta ligação acedendo a várias periferias na Península, e completado por um corredor ferroviário ligando igualmente Lisboa a importantes cidades de Espanha situadas no corredor mediterrânico.
B) A combinação de:
· Um corredor ferroviário na fachada atlântica da Península Ibérica, em que se insira Lisboa como principal metrópole;
· Um corredor ferroviário Atlântico e uma ligação ferroviária de Lisboa a Madrid para carga e passageiros.
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C) O Arco Metropolitano de Lisboa até pode simplesmente acabar por ficar à margem das redes transeuropeias e apenas construir ligações radiais com Madrid e a partir desta metrópole ligar‑se por via terrestre à Europa.
Atualmente, não é possível com segurança antever qual será a escolha que acabará por ser efetivamente concretizada, quer em temos de complexo por‑ tuário e aeroportuário, quer quanto às interligações ibéricas e terrestres com a Europa central e ocidental.
BIBLIOGRAFIA
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