De forma a lidar com as rápidas mudanças sociais e tecnológicas, mais do que nunca as pessoas procuram competências para resolver problemas e para que lhes permitam lidar com situações novas e não familiares, na sua vida pessoal e profissional. Esta atenção nas competências complexas ou competências profissionais implica a integração de conhecimento, competências e atitudes de forma a melhorar a transferência da aprendizagem. Segundo Merriënboer & Stoyanov (2008), a educação já não se deverá concentrar essencialmente em alcançar determinados objetivos educativos mas sim na capacidade para aplicar de forma flexível aquilo que foi aprendido em situações com novos problemas (Cf. “alquimia da aprendizagem”, Lundvall, 1994, 1999, 2006).
A capacidade para resolver problemas é vastamente reconhecida como a competência mais importante que os formandos devem adquirir para terem o desempenho adequado nos vários contextos profissionais (Ge & Land, 2004; Jonassen, 2004; Merrill, 2002).
No contexto da aprendizagem, quais as características constituintes do conceito de “problema”?
Segundo Jonassen (2004) existem vários atributos variáveis nos problemas. Os problemas variam relativamente ao conhecimento necessário para os solucionar, à
Estrutura
Os problemas dentro de um domínio e entre domínios variam consoante a sua estrutura. Jonassen (1997) descreveu os problemas desde os “bem estruturados” aos “mal estruturados”. Os problemas bem estruturados necessitam da aplicação de um número de conceitos, regras e princípios limitados e conhecidos que estejam a ser estudados no âmbito de um domínio restrito. Têm um estado inicial bem definido, um objetivo ou solução conhecida e um conjunto de operadores lógicos (um procedimento conhecido para resolver problemas). Os problemas bem estruturados também apresentam todos os elementos do problema aos alunos, tendo soluções que podem ser conhecidas e compreendidas.
Os problemas mal estruturados, por outro lado são o tipo de problemas que se encontram com maior frequência na prática diária e profissional. Também conhecidos como problemas complexos, estes problemas não se conformam necessariamente com o conteúdo dos domínios estudados, pelo que as suas soluções não são sempre previsíveis nem convergentes. Os problemas mal estruturados são também interdisciplinares, ou seja, não podem ser resolvidos através da aplicação de conceitos e princípios de um único domínio. Por exemplo, a solução para problemas como a poluição local pode requerer a aplicação de conceitos e princípios da matemática, ciência, ciência política, sociologia, economia e psicologia. Os problemas mal estruturados possuem frequentemente aspetos desconhecidos (Wood, 1983) e múltiplas soluções ou métodos de soluções, podendo por vezes não ter qualquer solução (Kitchner, 1983). Muitas vezes são necessários múltiplos critérios para avaliar soluções para problemas mal
Complexidade
Os problemas variam de acordo com a sua complexidade. A complexidade de um problema é determinada pelo número de aspetos, funções ou variáveis envolvidas no problema; do grau de conetividade entre estas variáveis; do tipo de relações funcionais entre estas propriedades e a estabilidade entre as propriedades do problema ao longo do tempo (Funke, 1991). Problemas simples, como os descritos nos compêndios, são compostos por várias variáveis, enquanto os problemas mal estruturados podem incluir vários fatores ou variáveis que podem interagir de formas imprevisíveis. Por exemplo, os problemas políticos internacionais são complexos e imprevisíveis.
A complexidade também está relacionada com a quantidade, a clareza e a fiabilidade dos componentes representados no problema. Sabemos que a dificuldade de um problema está relacionada com a sua complexidade (English, 1998).
A complexidade e estrutura sobrepõem-se. Os problemas mal estruturados tendem a ser mais complexos, especialmente os resultantes da prática quotidiana. A maioria dos problemas bem estruturados tende a ser menos complexa; contudo alguns problemas bem estruturados podem ser extremamente complexos e os problemas mal estruturados podem ser bastante fáceis.
Dinâmica
estáticos são aqueles em que os fatores se mantêm estáveis ao longo do tempo. Os problemas mal estruturados tendem a ser mais dinâmicos, e os problemas bem estruturados tendem a ser mais estáveis.
Especificidade do domínio (Contexto) /Abstração
A maioria da pesquisa contemporânea e a teoria da resolução de problemas afirma que as competências de resolução de problemas são específicas de acordo com o domínio e com o contexto. Ou seja, as atividades de resolução de problemas são situadas, incorporadas e dependentes da natureza do contexto ou conhecimento do domínio. Os matemáticos resolvem problemas de forma diferente das dos engenheiros, que resolvem problemas de forma diferente dos cientistas políticos, e assim sucessivamente. Os problemas organizacionais são resolvidos de forma diferente consoante o contexto.
Os problemas de determinado domínio dependem de operações cognitivas que são específicas desse domínio (Mayer, 1992; Smith, 1991; Sternberg & Frensch, 1991). Por exemplo, os alunos das ciências probabilísticas de psicologia e medicina apresentam uma melhor performance em problemas de raciocínio estatísticos, metodológico e condicional do que os alunos de direito e química, que não aprendem estas formas de raciocínio (Lehman, Lempert, & Nisbett, 1988). As operações cognitivas necessárias para resolver problemas dentro de um determinado domínio ou contexto são aprendidas através do desenvolvimento de raciocínio pragmático e não através dos resultados da resolução desse tipo de problemas.
Em suma, os problemas dentro de um determinado domínio ou contexto variam na sua estrutura, complexidade, e dinâmica, mas todos os problemas também variam ao longo de outra dimensão, entre domínios e contextos. Não é conhecido o que afeta mais os problemas, se o contexto ou o tipo de problema.