Duas questões foram propostas aos sujeitos participantes, a fim de obter informações sobre as contribuições da Filosofia da Educação para a formação do pedagogo docente e a futura atuação profissional. Foram elas: a) os estudos de Filosofia da Educação I e II contribuíram para sua formação acadêmica em uma perspectiva crítica? Justifique sua resposta; b) considerando 4 (quatro) anos de curso de graduação realizados, quais as relações que você faz entre Filosofia e Educação?
Sobre as contribuições das disciplinas para a atuação profissional, o DSC8 revela a opinião dos estudantes:
DSC8 - Sim, pois contribuíram para minha formação enquanto ser crítico, principalmente ao que se refere à educação, às relações na sociedade, os interesses e conflitos envolvidos, as relações de poder, de dominação e entre outros. A contribuição se deu na mudança da forma como enxergar a escola, de forma mais crítica, problematizando as questões. As leituras foram bem reflexivas e nos dão um viés crítico na elaboração de um diagnóstico da situação social das sociedades através do tempo e das correntes de pensamento que nos influenciam até hoje. Hoje eu percebo que somos capazes de modificar a realidade.
E ainda:
DSC9 – Sim, pois a mesma nos faz pensar o âmbito educacional em sua totalidade, em seus aspectos humanos, sociais e históricos. As contribuições da disciplina proporcionaram compreender a sociedade atual e as influências históricas no mundo contemporâneo. A disciplina "abre os olhos", orienta o olhar e elimina o senso comum.
Por outro lado, verificou-se que a metodologia definida pelo professor, bem como questões relacionadas à transposição didática, não alcançou os acadêmicos na totalidade. Em alguns momentos há dificuldades em relação à aprendizagem das disciplinas e contribuição na ação profissional, como revelam os depoimentos do DSC10:
DSC10 – Em parte. Acredito que, se fossem mais bem trabalhados os conteúdos do 2° ano, diria que a formação seria mais completa. No que diz respeito ao aproveitamento dos conteúdos (valor), contribuem para qualquer sujeito e despertam, sim, o pensamento crítico/analítico. Em algumas partes, sim: o que mais contribuiu foi a Filosofia da Educação I, pois como o professor conduziu as aulas, eu entendi melhor. A disciplina de Filosofia da Educação I promoveu essa perspectiva, pois incentivou o debate e a criticidade por meio de leituras, etc.; já a disciplina de Filosofia da Educação II deixou esse quesito a desejar. A Filosofia da Educação I contribuiu significativamente, preenchendo lacunas que trazemos na nossa construção subjetiva. Entretanto, na Filosofia da Educação II, se houvesse um direcionamento concreto, as possíveis lacunas que ficaram do primeiro ano teriam sido preenchidas de forma que houvesse uma perspectiva crítica. Acredito que, no 2° ano, a formação crítica emancipatória foi mais significativa, pelas metodologias adotadas pelo professor e pelos autores, pois permitiu a leitura do mundo através de diferentes perspectivas, relacionando-as com a sociedade educacional atual.
Quanto às relações entre Filosofia e Educação os depoimentos evidenciaram:
DSC 11 – Relações históricas: Articula-se Filosofia à Educação quando entendemos que essa Educação possui sentido histórico, intencional e lógico. A Filosofia ajudou a pensar no ideal de Educação, tanto historicamente quanto na realidade de hoje. Análise da realidade educacional, através de diferentes pontos de vista e conhecimento histórico que explica a figuração atual da educação.
Entender a realidade: Bem, a Filosofia nos ajuda a desenvolver um conhecimento da realidade, uma compreensão de tudo que há e é, e também nos ajuda a refletir sobre nossas ações e concepções. Para trabalhar com a educação em todos os níveis, é indispensável que tenhamos desenvolvido isso para que possamos realizar uma práxis educativa de qualidade. É importante o conhecimento da realidade, para se refletir que educação se quer, que homem queremos formar e para que finalidade queremos alcançar.
Para refletir a prática pedagógica: A Filosofia nos proporciona uma visão de mundo geral, nos fazendo entender como surgiu a Educação e, a partir disso, todo o processo que a norteia até
os dias atuais, assim como as concepções. A Filosofia e a Educação são indissociáveis, pois a filosofia nos faz compreender a Educação em todos os sentidos, permite aguçar um olhar crítico e reflexivo diante da educação. A Filosofia fez-me refletir que aluno querer – se é um aluno crítico ou não crítico e que não devo, na minha prática, ter meu aluno como uma „tábula rasa‟, um mero receptor de conhecimento, mas um aluno ativo que questiona, contribui com suas experiências, visto que ambos, professor/aluno, são sujeitos da aprendizagem.
Pensamento crítico, cidadania, transformação da realidade, emancipação: Acredito que seja uma relação de dualidade, sendo que não é possível educar um cidadão crítico sem estar pautada nos princípios filosóficos. Como mencionado anteriormente, percebemos que é indispensável a reflexão, análise e criticidade, pois precisamos melhorar as perspectivas atuais e emancipar os sujeitos para a cidadania. O estudo da filosofia possibilita, ao aluno, ter uma visão mais reflexiva, crítica de mundo, podendo, assim, transformar a sua realidade. Filosofia e educação estão intrinsecamente ligadas, na compreensão do mundo e da sociedade e, consequentemente, na formação do sujeito. Assim, Filosofia e Educação desenvolvem-se juntas e se complementam.
No entanto, alguns acadêmicos informaram não conseguir estabelecer relações entre Filosofia e Educação. O DSC 12 revela:
DSC12 – Não consigo fazer essa relação. Pra mim é difícil fazer essa relação, pois foi muito vago os conteúdos apresentados nesta disciplina. Não consigo citar nenhuma relação, pois possuo pouco conhecimento em Filosofia.
Acredita-se que é importante que os professores de Filosofia da Educação retomem coletivamente as possíveis causas dessa dificuldade de aprendizagem e relação entre as áreas da Filosofia e da Educação. Corrobora-se com a perspectiva de Severino (2017, p. 28) que, para a Filosofia da Educação, permanece em aberto um programa para o desenvolvimento de sua “condição de elucidadora do sentido das práticas que concretizam a existência dos homens nos diferentes momentos de sua história. A cada tempo histórico específico uma tarefa que se impõe, sempre renovada e atenta às características que a vida social vai assumindo”.