7.3 Exp´ erience 2 : Stabilit´ e des gestes au regard de la r´ etroaction et de la fatigue
7.3.2 Variables ind´ ependantes
margem interna do acúleo peitoral com serrilhas delicadas e em pequeno número (5 a 9 serrilhas), mesmo em indivíduos com comprimento padrão acima de 80mm.... Pimelodella sp.
A alimentação de P. lateristriga no Rio Ubatiba (Bacia da Lagoa de Maricá) foi estudada por COSTA (1987), que caracterizou a espécie como generalista, consumindo principalmente insetos aquáticos, restos de vegetais terrestres, crustáceos e escamas, sugerindo a ocorrência de comportamento lepidofágico no taxon em questão. Tal proposta não foi corroborada por SOARES-PORTO (1991) que, estudando a mesma população analisada por COSTA (op. cit.), classificou a espécie como bentófaga e carnívora, considerando a presença de escamas como de caracter acidental, fato esse igualmente constatado por BIZERRIL (1995), para a população de P. lateristriga do Rio São João.
Na bacia do Rio Ubatiba foi verificada existência de desova múltipla em P. lateristriga, e de um período reprodutivo contínuo, com ocorrência de indivíduos maduros durante todo o ano (SOARES-PORTO, 1991).
Uma segunda família de bagres é a dos Auchenipteridae, conhecidos popularmente como cumbacas (do tupi ku’mbaka, língua virada). Consiste em um grupo menos diversificado do que a família anterior, contando com cerca de 20 gêneros e 70 espécies, dos quais apenas Parauchenipterus striatulus e Glanidium melanopterum (Figura 32) ocorrem na área em estudo, podendo ser diferenciados como na chave a seguir.
Anal longa, com mais de 30 raios ... Parauchenipterus
Menos de 30 raios na nadadeira anal; olhos em posição lateral, bem desenvolvidos. Largura do corpo quase igual ao tamanho da cabeça. ...
Glanidium
Figura 32 - Parauchenipterus striatulus e Glanidium melanopterum
IHERING (1937) foi o primeiro a observar que em P. striatulus os espermatozóides são introduzidos no oviduto das fêmeas antes da maturação dos óvulos e que a fertilização ocorre no momento da desova, independendo da presença do macho.
Os testículos, usualmente com estruturas lobulares, são modificados de forma que apenas a porção anterior produz esperma, enquanto o trecho posterior elabora substância gelatinosa não solúvel em água que, ao ser secretada, após o lançamento dos espermatozóides, atua como um tampão (matting plug), obstruindo a entrada do oviduto da fêmea. Neste processo, a fêmea torna-se incapacitada de receber esperma de outros machos, o que se enquadra dentro de um modelo de sperm competition (cf. HALLIDAY, 1983).
São peixes de hábitos noturnos ou crepusculares, que se alimentam principalmente de insetos, podendo ainda ingerir peixes e mesmo itens de origem vegetal.
Ambas as espécies são mais capturadas em áreas calmas e remansosas dos rios. P.
striatulus é um dos taxa mais abundantes, por exemplo, no reservatório de Ribeirão das
Lajes, tendo representado cerca de 40% do total capturado neste ambiente por ARAÚJO
et al. (1999). Estes autores estudaram indicadores reprodutivos da espécie no
reservatório em questão, observando um longo período de reprodução, com altos valores do índice gonadossomático de outubro a janeiro e uma fase de inatividade entre abril e setembro.
A relação peso(P)/comprimento(C) obtida neste ambiente foi de P = 0,0095C3,0862, para
machos, e P = 0,0116C3,0126, para fêmeas.
O ciclo reprodutivo de G. melanopterum na bacia do Rio Paraíba do Sul foi estudado dentro do convênio ENGEVIX/UFRJ (1991), tendo sido observado maior freqüência de machos e fêmeas em reprodução em agosto, com picos reprodutivos nas fêmeas em agosto e novembro.
Bagres da família Aspredinidae, também conhecidos como "banjo catfishes" pelos aquaristas, apresentam aspecto bastante peculiar, como se evidência, por exemplo na Figura 33, que ilustra a espécie ocorrente no Estado do Rio de Janeiro.
Este peixe foi originalmente descrito como Bunocephalus salathei por MYERS (1927), tendo como base espécimes coletados na localidade de "Morro Ajudo" (provavelmente Morro Agudo), situada dentro da bacia de drenagem da Baía de Guanabara. Posteriormente, MIRANDA RIBEIRO (1944) descreveu B. carvalhoi, baseando-se em exemplares coletados em Magé, portanto também dentro da macrorregião ambiental 1. MEES (1989) transferiu ambas as espécies para o gênero Dysichthys, tomando como base aspectos morfométricos que diferenciam tais taxa dos integrantes de Bunocephalus. O autor, não encontrando diferenças entre as formas estudadas e as pertencentes a espécie D. iheringii, as considerou sinônimo do taxa em questão.
Desta forma, as espécies ocorrentes no Rio de Janeiro passaram a ser designadas D.
iheringii, uma forma que, após a revisão do autor supracitado, distribui-se nas bacias do
Uruguai, Paraná-Paraguai e drenagens costeiras do Sul e do Leste Brasileiro. Curiosamente, MEES (1989) argumentou que seu "range is very acceptable as the range of a single species", o que é, no mínimo, questionável. Assim, é possível que estudos futuros venham a alterar o nome atualmente aceito para designar a espécie.
Fonte: RIBEIRO (1944)
Figura 33 - Dysichthys iheringii
No Estado do Rio de Janeiro, D. iheringii foi registrado apenas em alguns afluentes da Baía de Guanabara e das Lagoas de Saquarema e Araruama. Nada se sabe sobre a sua ecologia, exceto pelo fato de que consiste em uma forma amostrada exclusivamente em ambientes de baixada, setor no qual se oculta entre o substrato fino.
Peixes das famílias Callichthyidae, Loricariidae, Trichomycteridae e outras não ocorrentes no estado (i.e., Nematogenyidae, Scoloplacidae e Astroblepidae) compõem o maior grupo monofilético de bagres da região neotropical, os Loricarioidea.
Destes, os Callichthyidae são os que contam com menor número de representantes em águas interiores do Estado do Rio de Janeiro. São peixes de aspecto rústico, devido a presença de placas dérmicas sobre o corpo e de estrutura geral bastante robusta. São capazes de absorver ar atmosférico pela mucosa do aparelho digestivo, o que os habilita a ocuparem ambientes com baixa concentração de oxigênio dissolvido na água. O ar engolido neste processo também desempenha importante papel no balanço hidrostático. Os gêneros ocorrentes na região podem ser diferenciados pela chave abaixo:
1. Barbilhões curtos, não atingindo a base das nadadeiras peitorais;