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5. ANNEXES 75 

5.4. La valorisation scientifique et les publications et communications réalisées de 2010 à

A questão da moradia, no que se refere às precárias condições habitacionais e à falta de infra-estrutura ambiental, está fortemente associadas à desnutrição infantil e à vulnerabilidade social (Sawaya e cols., 2003; Arregui 2005).

Tabela 3 - Distribuição das famílias segundo situação de moradia e infra-estrutura ambiental, 2005

Características N %

Tipo de agrupamento habitacional

Bairro 15 35,7

Favela 24 57,1

Conjunto habitacional 03 7,2

Tipo de construção

No que se refere ao tipo de agrupamento habitacional, encontramos neste estudo que a maioria das famílias (57,1%) vive em favelas. A favela é caracterizada por se tratar de um tipo de invasão em terreno público ou particular, muitas vezes em áreas de preservação ambiental, sem infra-estrutura urbana adequada e carente de serviços públicos essenciais. As

Alvenaria sem acabamento 11 26,2

Madeira 09 21,4 Misto 04 9,5 Tipo de piso Cerâmica 18 42,9 Madeira 04 9,5 Contra piso 15 35,7 Terra/misto 05 11,9 Número de cômodos Até 2 25 59,5 > 3 17 40,5

Quantidade de pessoas no domicílio

Até 4 19 45,2

> 5 23 54,8

Destino do esgoto

Rede geral 20 47,6

Vala (córrego) 22 52,4

Tipo de chegada da água

Rede geral 40 95,2

Poço 01 2,4

Não possui agua encanada 01 2,4

Destino do lixo

Coletado por serviço de limpeza 35 83,3

Caçamba 05 11,9

habitações são normalmente formadas em vielas estreitas e desordenadas e apresentam graves problemas de ventilação e iluminação (Rodrigues, 2006).

Em 1973, a população residente em favela correspondia a 1% dos moradores do município de São Paulo, estima-se que atualmente 11% da população da cidade reside em favelas (Saraiva e Marques, 2005). A situação de moradia das famílias estudadas mostrou- nos que: o tipo de construção do domicílio era predominantemente de casas de alvenaria (69,1%), com até 2 cômodos 59,2%. A maioria dos domicílios possuía revestimento de piso, sendo cerâmica 35,7% e contra piso 42,9% .

Os nossos resultados podem ser confrontados com os estudos de Sawaya e cols. (2003) e Santos (2006), realizados com população de favela, que encontraram forte associação entre desnutrição infantil e domicílios sem revestimento em pelo menos um dos cômodos; a falta de revestimento pode trazer problemas causados pela enteropatia ambiental8, provocando doenças freqüentes nas crianças, como por exemplo, diarréia. No entanto, o presente estudo verificou uma maior prevalência de casas de alvenaria com revestimento nos cômodos, não evidenciando essa relação entre tipo habitacional e desnutrição infantil, embora esta exista em todas as famílias entrevistadas.

Em 54,8% das famílias existia a presença de 5 ou mais pessoas no domicílio. Santos (2006), em seu estudo comparativo com famílias de crianças desnutridas, residentes em cortiços e favelas, encontrou associação entre desnutrição infantil e grande número de pessoas por cômodo, confirmando risco como descrito em literatura precedente.

No que se refere à destinação dos dejetos, verifica-se que, na maioria das famílias (52,4%), o esgoto é lançado a céu aberto (valas ou córregos). Identificamos ainda que 95,2% recebem água pela rede geral e em 83,3% o lixo é recolhido pelo serviço de coleta pública.

8 “a enteropatia ambiental é definida como uma síndrome de intensidade que pode ser variável, de leve a grave,

afetando crianças provenientes de famílias com baixo nível socioeconômico vivendo em situação de promiscuidade, com elevada taxa de contaminação ambiental, ausência de saneamento básico, ingestão alimentar deficiente, desmame precoce e que apresentam surtos diarréicos de repetição ou diarréia crônica”

A infra-estrutura ambiental encontrada em nossos resultados é bem descrita por Rodrigues (2006) ,em seu estudo sobre “Moradia precária e violência na cidade de São Paulo”, mostrando que os serviços de luz e água, introduzidos em muitas favelas nos anos de 1980, têm uma abrangência maior nessas áreas do que os demais serviços urbanos, como drenagem e coleta de esgoto. Segundo a autora, a implementação destes programas de urbanização tem um custo elevado, sobretudo, por exigir “engenharias complexas” e um estudo da infra-estrutura interna e externa à favela, dificultando uma maior difusão desses serviços nestes locais.

A relação entre precária infra-estrutura ambiental e situação de vulnerabilidade pode ser encontrada nos estudos de Arregui (2005), que mostra como a primeira associada à baixa renda pode resultar em situações de risco de vida para as famílias, como por exemplo, nos casos de desabamentos e enchentes, situações comuns em muitas favelas. Fernandes e cols. (2002) faz uma correlação entre desnutrição energético-protéica e pobreza, evidenciando como, em populações com baixas condições sócio-econômicas, há uma prevalência desta doença; nas quais encontramos como um dos fatores etiológicos da “forma primária”9 dessa enfermidade, condições de moradias precárias.

Observamos que os entrevistados têm uma percepção da situação de moradia precária na qual vivem, pois, quando indagados sobre o seu maior desejo, a maioria explicitou a necessidade de “ter um lugar” ou de “ser feliz” concretamente associados a possuir uma casa:

[desejo] “Ter uma casa própria, poder um dia ter minha casa” (Família CREN, 2005).

[desejo] “Ter uma casa minha, onde eu possa trazer quem eu quiser, na hora que eu quiser e encontrar um trabalho” (Família CREN, 2005).

[desejo] “Ter uma casa própria um dia” (Família CREN, 2005).

[desejo] “Ter minha casa, minha de verdade, própria mesmo. Depois poder trabalhar e ver minha família feliz” (Família CREN, 2005)..

[desejo] “Ser feliz é o que eu mais quero, mudar de casa, morar num lugar onde eu não tenha que morar com rato ou ter enchente na minha casa” (Família CREN, 2005).

É importante salientar que, nos estudos como os de Moser (1996) e Katzman & Filgueira (1999), a casa é um “ativo” para o pobre, pois assegura uma estabilidade física e favorece relações e vínculos de pertencimento entre as famílias e sua comunidade. Ao contrário do que esses autores comentam, encontramos em nossos resultados uma relação frágil entre essas duas variáveis – família e moradia –, descrita pela precariedade do tipo de habitação e infra-estrutura ambiental, dificultando, portanto, a utilização desse recurso para o fortalecimento das famílias e enfrentamento da situação de pobreza em que estão expostas.