De acordo com o MECC e DGT (2009) tem-se notado um forte investimento na indústria hoteleira em Cabo Verde, com o intuito de acompanhar a procura crescente. De acordo com os dados do INE (2010b), de acordo com a legislação cabo-verdiana, os estabelecimentos de utilidade turística, podem ser classificados nos seguintes grupos e categorias:
Grupo 1: Hotéis6 de cinco, quatro, três e duas estrelas;
Grupo 2: Pensões7 de quatro, três, duas e uma estrela;
Grupo 3: Pousadas8 de quatro e três estrelas;
6 O hotel deverá ocupar a totalidade de um edifício ou uma parte dele, completamente independente, constituindo as suas instalações um
todo homogéneo e dispor de acesso aos andares para uso exclusivo dos clientes. Para ser classificado de hotel, o estabelecimento tem de possuir no mínimo vinte quartos.
7 São estabelecimentos hoteleiros que, pelas suas instalações, equipamentos, aspecto geral, localização e capacidade, não obedeçam às
normas estabelecidas para a classificação como hotel e satisfaçam os requisitos constantes das disposições estabelecidas pelos diplomas sobre a indústria e similar. Uma pensão deverá ocupar a totalidade de um edifício ou fracção autónoma dele e ter, no mínimo, dez quartos.
8 São estabelecimentos hoteleiros situados fora dos centros urbanos, em edifício próprio, oferecendo boas condições de conforto e
Capitulo 5 – Caracterização da ilha de Santiago
Turismo e Desenvolvimento Económico: segmentação do mercado a ilha de Santiago Cabo Verde
91 Grupo 4: Hotéis–apartamentos9 de quatro, três e duas estrelas;
Grupo 5: Aldeamentos turísticos de luxo10, 1ª e 2ª;
Grupo 6: Residenciais11.
Em 2009 Cabo Verde possuía 173 estabelecimentos hoteleiros (Figura 5.8), com uma taxa de crescimento em relação ao ano 2000, de 97%. Estes estabelecimentos possuíam na sua totalidade 6.367 quartos, 11.720 camas e uma capacidade de alojamento de 14.096 pessoas, como se pode verificar na Figura 5.9.
Figura 5.8: Evolução do número de estabelecimentos de alojamento (2000-2009)
Fonte: INE (2010b).
Figura 5.9: Evolução da capacidade de alojamento e do pessoal ao serviço (2000-2009)
Fonte: INE (2010b). Cabo Verde apresentava, portanto, em 2009, uma taxa de crescimento da capacidade de
alojamento de 2,8, em relação ao ano 2008 (Figura 5.10) (INE, 2010b).
Figura 5.10: Evolução dos estabelecimentos, da capacidade de alojamento e do pessoal ao serviço (2000-2009)
Fonte: INE (2010b).
9 São os estabelecimentos constituídos por um conjunto de apartamentos mobilados e independentes, instalados em edifício próprio e
explorados em regime hoteleiro.
10 São os estabelecimentos constituídos por um conjunto de instalações interdependentes e contíguas, objecto de uma exploração turística
integrada que se destinem, mediante remuneração, a proporcionar aos seus utilizadores serviço hoteleiro, acompanhado de serviços acessórios e com equipamento complementar e de apoio.
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Capitulo 5 – Caracterização da ilha de Santiago
Turismo e Desenvolvimento Económico: segmentação do mercado a ilha de Santiago Cabo Verde
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Os estabelecimentos de alojamento empregavam em 2009, 4.120 pessoas, isto é, com uma taxa de crescimento relativamente ao ano 2008 de 1,0% (Figuras 5.9 e 5.10), sendo os hotéis, os estabelecimentos com maior número de pessoas empregadas, isto é, com cerca de 73,3% do total, seguidos pelas pensões e os aldeamentos turísticos, com 8,6% e 7,7%, respectivamente (INE 2010b).
As pensões e as residenciais são os estabelecimentos de alojamento em maior número,
representando cerca de 30,6% e 27,7% do número total de estabelecimentos de alojamento, respectivamente, logo seguidos pelos hotéis, com 24,3% do total (Figura 5.11).
Figura 5.11: Estabelecimentos de alojamento em Cabo Verde (2000-2009)
Fonte: INE (2010b).
De acordo com os dados do INE (2010b) relativamente à oferta de alojamento por ilhas, a ilha de Santiago era a que detinha o maior número de estabelecimentos de alojamento em 2009, isto é, 38 estabelecimentos, que correspondem a cerca de 22% do total de estabelecimentos de alojamento de Cabo Verde (Figura 5.12). Seguidamente, encontra-se a ilha do Sal, com 20,2% dos estabelecimentos, São Vicente com 16,2% e Santo Antão com 13,3% (Figura 5.13).
Figura 5.12: Evolução do número de estabelecimentos de alojamento por ilha (2000-2009)
Fonte: INE (2010b).
Figura 5.13: Taxas de estabelecimentos de alojamento por ilha (2009)
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A maioria dos estabelecimentos é de participação maioritária do capital privado nacional (69,9%), sendo seguidos daqueles que possuem participação privada estrangeira, que representam cerca de 23,7% (INE, 2010b).
5.3.2.2 Outras infra-estruturas de apoio ao turismo
Relativamente às outras infra-estruturas de apoio ao turismo, Cabo Verde tinha, por exemplo, em 2009, ao nível da saúde, diversas unidades de saúde pública como 2 Hospitais Centrais, 3 Hospitais Regionais, 26 Centros de Saúde, 5 Centros de Saúde Reprodutiva, 1 Centro de Terapia Ocupacional, 34 Postos Sanitários e 112 Unidades Sanitárias de Base (MECC e DGT, 2009). Além dessas infra-estruturas públicas, existiam ainda unidades de saúde privadas principalmente nas cidades da Praia e do Mindelo. Relativamente ao fornecimento de água, em quatro das ilhas (São Vicente, Sal, Boavista e Santiago) existe dessalinização enquanto nas restantes ilhas é fornecida, essencialmente, água extraída de fontes naturais. Contudo, por questões de ordem técnica, as necessidades do país em termos de abastecimento de água não têm sido colmatadas na totalidade, representando assim um dos mais sérios constrangimentos ao desenvolvimento do turismo em Cabo Verde (MECC e DGT, 2009).
De acordo com o MECC e DGT (2009), ao nível da estrutura do saneamento, em 2002 somente 12% dos domicílios do país estavam ligados à rede de esgotos, 14% utilizavam fossa séptica e 73% utilizavam a rua (redor da casa). A rede de esgotos nas principais ilhas receptoras de turismo é insuficiente ou mesmo inexistente. Contudo, o Governo tem previsto investimentos na ordem dos 76 milhões de Euros no sentido da melhoria das infra-estruturas de água e saneamento básico (MECC e DGT, 2009).
Ao nível das telecomunicações Cabo Verde dispõe de uma rede de comunicações bem estruturada, suportada em tecnologia moderna e cobrindo o país inteiro, com internet de banda larga disponível em quase todo o país. Há ainda a realçar a construção de mais três aeroportos internacionais em 2005, nas ilhas de São Vicente, Boavista e Santiago, que veio descongestionar o fluxo de turistas do aeroporto internacional Amílcar Cabral na Ilha do Sal, até então o único aeroporto internacional de Cabo Verde, bem como a modernização da rede viária em várias ilhas (MECC e DGT, 2009).