4. La Cie Philippe Saire et ses archives
7.4 Valeurs primaires : durées d’utilisation et de conservation
Catalão (GO): pólo regional
54°0’0”W 52°0’0”W 50°0’0”W 48°0’0”W 46°0’0”W 14°0’0”S 16°0’0”S 18°0’0”S 0 65 130 260 390 520Km TO N C A T I N S MIN AS GE RA IS BA HI A M I N AS GER AIS M ATO G RO SS O DO L SU MA T O O GR SS O Goiânia 12°0’0”S
Projeção UTM - Datum SAD 69 BrasíliaDF
Goiás
Fonte:
SIG-Goiás - Superintendência de Geologia e Mineração
SIC Base de Dados Municípios (com alguns dados do censo 2000 - IBGE) da base cartográfica 1:1.000.000 IBGE - Municípios da Base Cartográfica Vetorial Digital ANA -revisão de topologia, alimentação, atualizações e edição da carta - SGM/SIC
SIEG- Sistema Estadual de Estatística e de Informações Geográficas de Goiás
49°0 0' "w 48°0 0' "w 17°0 0' "s 18°0 0' "s 19°0 0' "s Campo Alegre Corumbaíba Três Ranchos Cumari Anhanguera Nova Aurora Ipameri de Goiás Catalão
Cidade pólo da microrregião Fluxos
Segundo Silva (2002), todos esses fatores que inseriram Catalão na rede rodoferroviária, projetaram uma vantagem locacional importante para o município, o que atraiu investimentos de capitais públicos e privados. O setor de prestação de serviços para as cidades da sua Microrregião cresceu, tornando Catalão polarizador frente a esses municípios. Esses fatores foram acompanhados pelo crescimento da população total do município havendo, segundo Tristão (2011), um movimento migratório das demais cidades da Microrregião a partir de então, como mostram os dados da tabela 05:
Tabela 05 - População da Microrregião de Catalão (GO), 1970-1991
MUNICÍPIOS
POPULAÇÃO
RESIDENTE EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO RESIDENTE EM %
1970 1980 1991 70 a 80 80 a 91 Anhanguera 1.081 716 869 -33,8 21,4 Campo Alegre 4.457 4.380 4.534 -1,7 3,5 Catalão 27.338 39.168 54.486 43,3 39,1 Cumari 4.977 3.775 2.888 -24,2 -23,5 Davinópolis 3.205 2.449 2.119 -23,6 -13,5 Goiandira 6.033 5.718 5.374 -5,2 -6,0 Ipameri 20.510 20.388 20.764 -0,6 1,8 Nova Aurora 2.166 1.927 1.842 -11,0 -4,4 Ouvidor 3.928 3.441 3.702 -12,4 7,6 Três Ranchos 3.248 2.259 2.262 -30,4 0,1 Total 76.943 84.221 98.840 9,5 17,4
Fonte: SANTANA, A. T. de (2011). Org.: COSTA, C. L. da (2011).
Os dados da tabela 05 mostram que a população total de Catalão teve um significativo crescimento depois da década de 1970. A reestruturação do processo produtivo no município atraiu pessoas de outros municípios da Microrregião. O período selecionado é o que reflete o maior crescimento do município de Catalão, a ampliação industrial, urbana e de serviços que o tornaram polarizador de sua microrregião.
Assim, a partir dos anos de 1980, novos arranjos espaciais foram definidos no município de Catalão/GO. Cresceu o número de empregos, o comércio e o setor de serviços aumentaram e se diversificaram. Para atender a demanda por ensino foram criadas escolas, cursos profissionalizantes (SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), universidades, como o Centro de Ensino Superior de Catalão (CESUC) e o Campus da Universidade Federal de Goiás (CAC/UFG).
Na década de 1990, o Distrito Mínero-Industrial de Catalão (DIMIC), que tinha sido criado em 1978 mas que passara a década de 1980 ocioso, e a política de incentivos
fiscais e outros benefícios concedidos trouxeram para Catalão diversas empresas como a John Deere Brasil e a Mitsubish Motors Corporation Brasil (MMCB).
Em 2011, Catalão possuía indústrias de diversos setores, de acordo com Santana (2011).
Seu parque industrial atualmente é diversificado, 25 (vinte cinco) empresas estão instaladas dos ramos de adubos e fertilizantes, peças e acessórios para veículos, equipamentos para irrigação agrícola, tecelagem de fios de algodão, fabricação de artefatos para o uso da construção civil, montagem de veículos e montagem de máquinas agrícolas. (SANTANA, 2011, p. 90).
A década de 1990 marcou a desconcentração industrial da Região Sudeste do Brasil e, na disputa pela instalação das empresas, os municípios passaram a oferecer, a partir de então, vantagens fiscais, dentre outros incentivos. Catalão entrou nessa disputa, recebeu e continua recebendo, em 2012, diversas indústrias.
O município de Catalão, embora tenha pouco mais de 80 mil habitantes, em 2012, dos quais a maior parte vive no meio urbano, conforme o IBGE é uma cidade pequena, mas, por possuir características singulares, como indústrias e serviços, dentre outras, alguns autores, como Batista de Deus (2002), Silva (2002), Pires (2008), caracterizam-no como cidade média nas suas pesquisas. Segundo Silva (2002), além das riquezas do subsolo e em água e da grande área agricultável, Catalão apresenta como vantagens para a instalação dos mais diversos tipos de indústria a rede rodoferroviária de transportes e a localização estratégica em relação aos grandes centros urbanos do Brasil.
No entanto, o avanço do capitalismo na ocupação do Cerrado pela monocultura trouxe consigo intensa degradação ambiental, concentração de terras, exploração dos trabalhadores e expropriação de muitos pequenos produtores. Os pequenos produtores que permaneceram em suas propriedades se viram obrigados a adequar sua produção para poder direcioná-la ao mercado. Por isso, inicia-se logo após a instalação dos grandes projetos agropecuários da década de 1980, uma produção com finalidades comerciais de hortifrutigranjeiros, principalmente frango, tomate e alho.
O alho cultivado na região, principalmente na Comunidade Morro Agudo (Cisterna), foi uma importante cultura para o município, colocando-o em posição de destaque no cenário goiano. A produção do alho começou em Catalão em 1980, intensificando-se a partir de 1986. No entanto, com o aumento da importação do alho chinês, entre 1994 e 1996, devido à queda do preço no mercado internacional, houve uma significativa redução da área cultivada no município.
Mendonça (1998) trata da modernização agrícola em Catalão, da persistência dos pequenos produtores e do cultivo de alho na região pesquisada.
A modernização agrícola não eliminou os pequenos produtores que
desenvolveram estratégias – algumas – consequências do processo
modernizador. Dentre elas destaca-se a especialização de cultivos para o mercado, associada à manutenção da agricultura de subsistência, ambas com trabalho predominantemente familiar. A expansão do cultivo de alho e de outras culturas (hortaliças, feijão, tomate, frutas etc.) evidencia que a tese modernizadora não se efetivou como anunciada pelos progressistas, que preconizavam o fim do modo de viver e produzir dos camponeses. (MENDONÇA, 1998, p. 59).
Segundo Mendes (2005), que contou com a estatística da AGR/CAT (Secretaria de Agricultura de Catalão), aproximadamente 90% da produção do alho ocorre em áreas menores de cem hectares. O alho precisa ser plantado em solos férteis e receber irrigação. Quanto à mão-de-obra envolvida nessa cultura, a autora destaca que:
A cultura de alho envolve o emprego de muitos trabalhadores temporários, principalmente para o plantio (março a maio) e para a colheita (setembro e outubro). Geralmente, a tarefa é realizada entre 2 e 4 dias o que depende do tamanho da área cultivada (em média ½ha a 6ha) e do número de
trabalhadores contratados (em média 4 – 15 trabalhadores). Nos últimos
anos, a forma de contrato usual é o empreito. Nessa fase, os produtores recorrem ao excedente de trabalhadores volantes disponíveis na periferia da cidade de Catalão, porque nesse período, todos os trabalhadores das comunidades estão ocupados com o seu plantio e, posteriormente, com a limpeza e colheita em suas propriedades, não sendo possível a troca de dias de serviço ou a demão entre eles, justificando o grande emprego de trabalho externo. A limpeza da área cultivada (alho) é feita pela mão-de-obra familiar, exceto quando a área cultivada é muito grande. (MENDES, 2005, p. 212).
A autora afirma em sua pesquisa que a produção de alho no município de Catalão levou ao aumento da prestação de serviços de assistência técnica pelo governo aos pequenos produtores na região, com mais efetividade e regularidade, que tinha se iniciado na década de 1970 com a criação da EMATER (Associação de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural). Além disso, também aumentaram o acesso ao crédito, o cultivo irrigado, a melhor remuneração do trabalho, dos rendimentos e da qualidade de vida (MENDES, 2005). Em 2011, a comunidade ainda o tinha como principal produto cultivado e comercializado.
Foto 04 – Produção do alho na Comunidade Morro Agudo (Cisterna) em Catalão (GO): a foto retrata uma das áreas onde pequenos produtores cultivam alho. Há na Comunidade áreas onde antes se produzia em regime de cooperativa. Em 2011 foram separadas, sendo a produção individual.
Autora: COSTA, C. L. da (2011).
A remuneração dos capitais investidos na agricultura do munícipio dita novas exigências à cidade e ao campo. Os espaços urbano e rural se transformam para atender aos novos interesses. A reestruturação do processo produtivo demanda novas habilidades e conhecimentos que chegam à educação e às escolas do município.
Assim, é nesse contexto de transformações e de exigências que apresenta-se o lugar pesquisado, a Comunidade Morro Agudo (Cisterna), analisando-se as relações que se estabelecem entre a Comunidade e a escola e, a partir de uma leitura em que se utiliza os conceitos-chaves da Geografia, destacando as relações espaço-lugar, a paisagem e as redes sociais.
2.2 Comunidade Morro Agudo (Cisterna): formação socioespacial e histórica
A Comunidade Morro Agudo (Cisterna), na qual se localiza a Escola Municipal Maria Bárbara Sucena, dista aproximadamente 25 km da cidade de Catalão. O acesso se dá pela BR-050, no sentido Catalão-Brasília, sendo 17 km de rodovia asfaltada até um trevo de
acesso e depois mais 8km em estrada de terra até a sede da comunidade, onde se localizam a escola atual e a antiga sede, uma quadra de esportes, um “orelhão” (telefone público) e a Vila Sucena.
Conforme a legislação (LDB – Lei de Deiretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394/96), cabe aos municípios oferecer a Educação Infantil e de forma pública e gratuita. O município de Catalão é responsável pelo funcionamento, fora de sua sede, de algumas turmas no núcleo urbano de Pires Belo e pela Escola Municipal Maria Conceição M. Silva, que atende do berçário ao 3º ano do Ensino Fundamental, pela Escola Municipal Santa Inês, localizada na Fazenda Martírios, e que oferece do 1º ao 9º anos do Ensino Fundamental, a Escola Municipal São Bento, que tem do 1º ao 5º anos do Ensino Fundamental e localiza-se na Fazenda Vale do Rio Grande – todas essas no distrito de Santo Anônio do Rio Verde.
A Escola Municipal São Bernardes, localizada na fazenda Tambiocó, espaço rural de Catalão, atende do 1º ao 5º anos do Ensino Fundamental. A Escola Municipal Maria Bárbara Sucena (EMMBS), localiza-se na Comunidade Morro Agudo (Cisterna) e oferece do Jardim II da Educação Infantil ao 9º ano do ensino fundamental. A Escola Municipal Arminda Rosa de Mesquita oferece do 1º ao 9º anos do Ensino Fundamental e situa-se na Fazenda São Domingos. No mapa 07 localizam-se as escolas municipais situadas no campo em Catalão, com destaque para a EMMBS (foto 05).
Foto 05 – Escola Municipal Maria Bárbara Sucena: a foto mostra a sede atual da escola, em alvenaria, que fica na Vila Sucena e recebe alunos de toda a Comunidade e de outras próximas.