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C. A PPLICATIONS POSSIBLES DES MARQUEURS CELLULAIRES

1. Utilisation de ces marqueurs

A entrevista é um instrumento/recurso utilizado para coleta/construção de dados e pode apresentar-se em várias categorias: a estruturada, a não estruturada e a semiestruturada. Foi utilizada na pesquisa a entrevista semiestruturada, que, de acordo com Trivinos (1987), é uma entrevista que parte de questionamentos, apoiados em teorias e hipóteses; a partir da resposta do informante, o entrevistador se depara com novas interrogativas e hipóteses sobre o assunto. “Favorece não só a descrição dos fenômenos sociais, mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade [...]” (TRIVINOS, 1987, p. 152).

Esse tipo de entrevista possibilita o enriquecimento da investigação já que oferece meios para que o informante alcance liberdade para falar da temática em questão, conferindo- lhe espontaneidade para emitir seu posicionamento e ainda valoriza a presença do investigador que pode seguir os passos do entrevistado em suas colocações e aumentar o rol de dados, apoiando-se em mais questionamentos que possam surgir no momento.

Trivinos (1987) salienta que a entrevista semiestruturada oferece melhores resultados quando se pode recorrer a diferentes grupos de pessoas que participam do contexto da pesquisa, isto é, quando se realizam entrevistas individuais com pessoas dos diferentes setores envolvidos na problemática. O entrevistado se torna um participante ativo na pesquisa, por meio de suas colaborações.

Autores como Ludke e André (1986); Yin (2001); Szymanski, Almeida e Prandini (2002); Flick (2004); Minayo (2009); e Lakatos e Marconi (2003) citam a entrevista como importante fonte na pesquisa qualitativa, principalmente aquelas com características da entrevista semiestruturada, que não se detém rigidamente em um seguimento de questões, ou um roteiro fechado, mas parte de um roteiro aberto, em que as falas podem emergir a qualquer momento.

Szymanski, Almeida e Prandini (2002) falam da entrevista como sendo semidirigida e apontam o seu caráter interativo, afirmando que

[...] face a face é fundamentalmente uma situação de interação humana, em que estão em jogo às percepções do outro e de si, expectativas, sentimentos, preconceitos e interpretações para os protagonistas: entrevistador e entrevistado (SZYMANSKI; ALMEIDA; PRANDINI, 2002, p. 12).

Do mesmo modo, Ludke e André (1986, p.33) confirmam que “[...] na entrevista a relação que se cria é de interação, havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde.”.

Essas interações são muito preciosas em uma trama investigativa envolvendo assuntos como a aprendizagem dos sujeitos e suas supostas dificuldades. O medo de se expor ou de manifestar suas experiências pode levar o entrevistado a certo constrangimento em exprimir suas vivências educacionais e profissionais, mas a entrevista semiestruturada tem a característica de produzir confiabilidade entre entrevistador e entrevistado e mudanças nos modos de agir no momento de sua aplicabilidade.

Por não apresentar rigidez, a interatividade construída deixa o momento mais tranquilo e agradável, de modo que proporciona uma reflexão no entrelaçar das falas do entrevistado e entrevistador. Szymanski, Almeida e Prandini (2002) entendem a reflexão como uma forma de refletir a fala do entrevistado, expressando a compreensão das proposições colocadas pelo participante a ele mesmo, dando-lhe a oportunidade de discordar ou de modificar suas proposições durante a entrevista.

Posto isso, para a realização deste estudo, colaboraram por meio de suas falas e concepções sobre as aprendizagens ou de dificuldades no aprender, por meio da entrevista, docentes de cada curso técnico, Eletrotécnica e Química; estudantes de cada curso mencionado que apresentaram problemas de aprendizagem em diversas disciplinas; responsáveis legais pelos referidos alunos; a Diretora/gestora e a equipe que atua na área pedagógica e psicossocial, sendo escolhido um de cada área, o pedagogo, o psicólogo e o assistente social.

A entrevista semiestruturada foi utilizada como um instrumento expressivo para ouvir as colocações dos participantes; suas falas foram gravadas com a finalidade de permanecer na íntegra o que foi exposto e com isso não perder nenhum dado ou relato. Após as análises, as gravações foram destruídas. Para a realização das entrevistas, foi feito contato via telefone com os participantes e responsáveis pelos alunos menores de idade, para marcação do dia, local e horário para esclarecimentos quanto aos objetivos da pesquisa. No dia e horário marcados, os participantes compareceram à escola para assinatura do termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexos A, B e C) e agendamento do dia da entrevista. Os participantes escolhidos aceitaram colaborar e se sentiram à vontade para fazer suas colocações. As

entrevistas duraram em torno de 40 a 60 minutos e ocorreram com bastante tranquilidade. A escola, na figura da Diretora, reservou uma sala para a realização delas; algumas ocorreram no período da manhã, outras à tarde. Seguidamente foram feitas as transcrições e encaminhadas aos participantes via e-mail para verificações e possíveis correções; houve poucas mudanças nas proposições transcritas.

Com relação aos docentes, a primeira parte da entrevista refere-se a informações sobre o seu perfil, a formação acadêmica inicial e continuada, o tempo de atuação no magistério. Na segunda parte, a finalidade foi levantar a visão que possuem sobre os problemas de aprendizagem; assim os questionamentos, orientados por roteiro, permitiram um entendimento sobre a situação em que estão inseridos, no que concerne a problemas de aprendizagem e práticas de ensino (Apêndice C).

Em se tratando dos pais participantes, destaca-se que a entrevista contribuiu para levantar informações importantes sobre o histórico da vida estudantil dos adolescentes e a forma de acompanhamento da educação dos filhos. Foi relevante, à medida que estimulou a fala espontânea, mostrou as considerações que a família tinha sobre o aprendiz e possibilitou, ainda, entender como agem os responsáveis pelos educandos, diante das supostas dificuldades dos seus filhos na escola. Conhecer os seus movimentos no acompanhamento escolar de seus filhos foi uma das tarefas para aprofundamento rumo aos objetivos da pesquisa (Apêndice D).

Quanto aos discentes, pontuar suas colocações foi bastante significativo, pois os cursos apresentam disciplinas diferenciadas, podendo ter graus de dificuldades características. Os estudantes puderam expor seus pontos de vista sobre o seu rendimento escolar, sua maneira de participar das questões estudantis, como se percebem diante da problemática, seus graus de iniciativas ou de introspecção. Além do já dito, mostrou o que eles pensam sobre as práticas de ensino na escola, o acompanhamento dos pais nos estudos, e seus sentimentos a respeito de suas dificuldades e os fatores causadores das mesmas (Apêndice E).

Quanto à equipe de profissionais da escola (Diretora, pedagoga, psicóloga, e assistente social), foi realizada a entrevista para obter um entendimento da dinâmica dos atendimentos no espaço escolar e como se efetiva o trabalho. Todas as entrevistas seguiram um roteiro contendo perguntas sobre Educação, aprendizagem, dificuldades de aprendizagem, práticas educativas no ambiente escolar, de tal modo que respondesse aos fins da pesquisa (Apêndice F).

As falas dos gestores sobre as questões das aprendizagens refletiram os tipos de ações que foram desenvolvidas pela unidade escolar, por meio das áreas adminsitrativas e acadêmicas, para sanar ou diminuir as incidências de reprovações nos cursos. Essa

interlocução resultou na percepção dos pensamentos e atitudes dos que não estão trabalhando diretamente com o aluno em sala de aula, mas têm muito a contribuir com suas visões em torno do problema. Saber seus pontos de vista sobre as supostas dificuldades apresentadas pelos alunos representou uma riqueza a caminho de uma investigação mais coerente com a finalidade em obter um resultado mais próximo das reais causas dos problemas nas aprendizagens.

A entrevista permitiu um intercâmbio de opiniões e ideias. Por isso, foi importante realizá-la com os vários sujeitos participantes do ato educativo, já que o assunto tratado foi o ensino e aprendizagem, o que implica a participação ativa de todos envolvidos no processo como ensinantes e aprendentes. Fernández (1991) salienta que a aprendizagem se concretiza a partir do ensinante e do aprendente, nas relações que se estabelecem entre eles. Segundo a autora, na maioria das vezes, o foco dos problemas é centrado no aprendente por se tratar de fracasso de aprendizagem, mas o “[...] problema de aprendizagem deve ser prevenido e curado a partir dos dois personagens e no vínculo” (FERNÁNDEZ, 1991, p. 32). A autora ainda postula que

[...] para aprender é necessário um ensinante e um aprendente que entrem em relação. Isto é algo indiscutível quando se fala de métodos de ensino e de processos de aprendizagem normal; não obstante, costuma-se esquecê-lo quando se trata de fracasso de aprendizagem. Aqui pareceria, então, que só entra em jogo o aprendente que fracassa. Como se não se pudesse falar de

ensinantes ou de vínculos que fracassam ou produzem sintomas. Por ensinantes entendo tanto o docente ou a instituição educativa, como o pai, a

mãe, o amigo ou quem seja investido pelo aprendente e/ou pela cultura, para ensinar (FERNÁNDEZ, 1991, p. 32, grifo da autora).

O ensinante é o professor e, porque não dizer um familiar, ou um pedagogo, ou um aluno. O aprendente, em um primeiro momento o aluno, mas o docente também aprende com seus alunos. Todos são aprendizes e ensinantes., e assim, se existe fracasso, ele é de todos, os que estão ensinando e aprendendo ao mesmo tempo. Justificam-se, portanto, as interlocuções realizadas nesta pesquisa com todos esses personagens, os alunos, os pais, os professores e vários outros que fazem parte do cenário educativo.