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Utilisation des forêts aléatoires sur la base de données

“Lettering differs from type in the same way that modeling clay differs from Lego bricks.” 29 (Mark Simonson n.d. apud Dias e Félix 2013)

Apesar de os tipos de letra serem construídos através do desenho e re- desenho dos caracteres tal como o lettering, esta construção é apenas o início

do processo tipográfico (Pohlen 2011 apud Dias & Félix 2013). Quando surgiram na Europa, no século XV, os tipos de letra eram compostos por peças de metal individuais (tipos), cada uma, um carácter, que se combinavam e recombinavam para formar diversas mensagens (composição de tipos) (Bai- nes & Haslam 2002, p. 90).

Na realidade, depois das letras serem desenhadas, estas eram gravadas invertidas num punção. De seguida, esse punção era premido contra uma placa de cobre, a matriz, que servia de mol- de para a fundição dos tipos e permitia definir um espacejamento base para estes. Estes, por sua vez, eram, mais tarde, compostos no formato desejado para serem impressos no papel (Haslam 2011).

Actualmente no processo digital, para além do próprio desenho dos caracteres, é necessário ter em conta o espaceja- mento de centenas de combinações de letras, para que a leitu- ra de qualquer mensagem composta seja fluída (Pohlen 2011 apud Dias & Félix 2013).

28 ► TL: “A caligrafia inclui todo o trabalho no qual o lettering foi escrito com uma caneta de ponta larga, uma caneta de ponta fina, um tira-linhas, um pincel fino ou largo, um marcador, um conta- gotas, batom ou outra ferramenta.”

29 ► TL: “Lettering difere do tipo de letra da mesma forma que o barro difere de peças de Lego.”

Fig. 062 Criação de um tipo de letra (Haslam 2011)

À medida que as tecnologias foram evoluindo, o trabalho com os tipos de letra acompanhou esta evolução. Assim, em vez da composição manual, co- meçou a ser possível compor tipos mecanicamente com a linotipia e a mono- tipia. Surgiram também variantes como a fotocomposição e os tipos de letra compostos por stencils metálicos e películas transferíveis através de fricção – o Letraset (Haslam 2011).

Atualmente, os tipos de letra digitais funcionam basicamente seguindo os mesmo princípios dos tipos de metal. Todavia, em vez de existir um tipo de letra físico, os tipos de letra digitais são ficheiros com toda a informação necessária para compor as mensagens que desejarmos: “o desenho de cada carác-

ter e inúmeras instruções como o espaço anterior e posterior de cada carácter, pares de kerning, hintting etc […].” (Dias & Félix 2013, p. 67)

“Além do seu próprio carácter, estilo e identidade, um tipo de letra permite com que diferentes utilizações apresentem uma comunicação completamente distinta.

Ao contrário dos exemplos referidos anteriormente so- bre aplicações da caligrafia e lettering, a uma determinada composição ou propósito de comunicação, um tipo de letra em si mesmo não constitui uma aplicação, mas sim um sis- tema que permite realizar inúmeras composições.” (Dias &

Félix 2013, p. 67)

Com apenas um tipo de letra, é possível realizar inúmeras peças gráficas diferentes entre si. Estes princípios de modu- laridade e duplicação são a essência da tipografia (Baines & Haslam 2002).

“ […] A tipografia trata-se de uma área do conhecimento que se refe- re essencialmente à utilização de tipos de letra, para o desenvolvimento gráfico da comunicação.” (Dias & Félix 2013, p. 68)

O termo deriva das palavras gregas τύπος (tipo) e γραφή (escrita) e refere-se à prática de selecionar e compor tipos de letra (Rosendorf 2009 apud Dias & Félix 2013).

Eric Gill (1931, p.93) define tipografia como a “reprodução da

grafia através do uso de caracteres móveis”.

E prossegue explicando o processo tipográfico:

“A tipografia [...] fazia-se originalmente, premindo, contra uma superfície de papel ou pergaminho, a superfície, ou ‘olho’, impregnada de tinta, de uma letra feita em ma- deira ou metal.” (Gill 1931, p.93)

Stanley Morrison (1936, apud Dias & Félix 2013 p. 68) completa a defini- ção de Eric Gill:

“[Typography] may be defined as the craft of rightly disposing prin- ting material in accordance with specific purpose; of so arranging the let- ters, distributing the space and controlling the type as to aid to the maxi- mum the reader’s comprehension of the text.” 30

30 ► TL: “[Tipografia] poderá ser definida como a arte de dispor corretamente o material de impressão de acordo com um propósito específico; consiste no arranjo das letras, distribuição do espaço vazio e controlo dos tipos de letra com vista a maximizar a leitura de um texto.”

Fig. 064 Uso da Gill Sans [1] (Crowcombe AI 2009)

Fig. 065 Uso da Gill Sans [2] (Duncan 2009)

Com a difusão e vulgarização desta tecnologia como forma de reprodu- ção de objetos gráficos do quotidiano (mesmo para o utilizador leigo), Baines e Haslam (2002) apontam para uma acepção mais ampla do termo tipografia, e para um significado que varia ligeiramente de designer para designer.

Assim fornecem uma definição contemporânea: “Typography: the mechani-

cal notation and arrangement of language.” 31 (Baynes & Haslam 2002, p. 7). No dicionário de Houaiss e Villar (2001, tom. VI, p. 3524) tipografia é definida como a “a arte e a técnica de compor e imprimir com o uso de tipos”, mas é também definida como o “estabelecimento destinado à composição, paginação e

impressão tipográfica”. Nos dias de hoje, este espaço é normalmente designado

por Gráfica.

Antes da difusão do computador pessoal e do uso dos tipos de letra digitais, cabia ao tipógrafo – e não ao designer – compor graficamente as peças de comu- nicação (Dias & Félix 2013). A definição de Shaw (2011) inclui o trabalho destes dois protagonistas: “Typography is design work that is entirely set in type.” 32 Assim, independemente do processo ser com peças de metal ou digital, o resultado de trabalhar com tipos de letra é tipografia (Dias & Félix 2013).

Atualmente, são os tipos digitais que os designers mais utilizam para criar peças gráficas, tendo os tipos de metal ficado reduzidos a um contexto mais ar- tesanal, por não conseguirem competir comercialmente com outras formas de impressão como o offset ou a impressão digital (Dias & Félix 2013).

As três formas de registo da letra explicadas neste capítulo coexistem nos dias de hoje.

Com a disseminação do uso do computador poderíamos pensar que a ti- pografia faria extinguir as outras formas de registo. Dias e Félix (2013, p. 69) apontam exatamente para uma situação contrária: “um crescente interesse à es-

cala global” por cada técnica/forma de construção/desenvolvimento da letra.

Os autores apontam ainda para uma provável razão para nenhum destes registos se extinguir. Cada um tem as suas características e propriedades, e cada um serve melhor determinado objetivo.

Mesmo com o uso das tecnologias informáticas, o conceito de cada pro- cesso mantem-se, apenas as ferramentas mudaram. Ferramentas essas que estão a permitir novas formas de trabalhar e a fazer surgir novas possibilida- des no desenvolvimento de projetos (Dias & Félix 2013).

Claramente, as definições apresentadas neste capítulo não podem ser consideradas absolutas; essa não seria a intenção dos autores referenciados (Dias & Félix 2013). Foram sim, um ponto de partida para a análise realizada nesta investigação e uma base para a forma como o projeto apresentado nesta dissertação se desenvolveu.

31 ► TL: “Tipografia: a notação e arranjo mecânico da linguagem.”

32 ► TL: “Tipografia é o trabalho de design composto inteiramente com tipos de letra.”

4.2. Anatomia da letra