Essa etapa serviu de base para as outras etapas do estudo, além de fornecer informações para a contextualização da área de estudo. Foram coletados dados de uso e ocupação do solo e aspectos fisiográficos, como clima, pluviometria, vegetação e relevo, contexto geológico e hidrogeológico, que ajudaram na interpretação de como é o sistema de recarga do aquífero, condições de fluxo e contorno da bacia de estudo.
Foram utilizadas as médias mensais de temperatura e pluviometria da estação meteorológica Sete Lagoas (Figura 3.3) (INMET 2019), para calcular as quantidades de precipitação e evapotranspiração, além de outros fatores, resultando no balaço hídrico climatológico da região.
O tipo de vegetação existente na área foi retirado de Pessoa (1996) e Tuller et al. (2010). Porém, foi elaborado um mapa com base na operação das imagens de satélite Sentinel 2, retirada do Alaska Satellite Facility (Copernicus Sentinel Data 2018), com o objetivo de mapear os tipos de vegetação quanto ao seu porte e uso e ocupação do solo.
As drenagens e divisão das sub-bacias do município foram obtidas da Agência Nacional de Águas (ANA 2017) e foram necessárias na delimitação dos limites da bacia de estudo, além de serem utilizadas como feições na análise de sensoriamento remoto.
A topografia da área foi retirada do raster de elevação Alos Palsar, do serviço aeroespacial japonês (JAXA), com resolução espacial de 12,5 x 12,5 m, a qual foi utilizada para produção do mapa digital de terreno com a ferramenta Hillshade do ArchGIS 10.3, necessária para análise de sensoriamento remoto e delimitação dos lineamentos morfoestruturais.
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Foi utilizada uma imagem geofísica monopolar ASA (amplitude do sinal analítico) para destacar as estruturas profundas da região, como falhas, grabens e horsts, possibilitando a delimitação de lineamentos geofísicos. Foi obtida no banco de dados aerolevantados de magnetometria pertencentes à CODEMIG área 10 (Belo Horizonte-Curvelo-Três Marias). O voo foi realizado no ano de 2008, em uma altura de voo de 100 m, direção das linhas de controle E-W, direção das linhas de voo N-S, realizados pela LASA Engenharia e Prospecções S.A., com espaçamento das linhas de controle de 10 km, espaçamento das linhas de voo de 500 m, intervalo de 0,1s (mag) e 1s (gama) e apresentando linhas de voo de 87.212,45 km.
Em relação ao contexto geológico, foi utilizado o mapa geológico feito por Galvão (2015), escala 1:25.000, do município de Sete Lagoas, cedido em formato shapefile, assim como o mapa estrutural com falhas, fraturas e lineamentos. Também foram utilizados o mapa geológico de CPRM (2003) e de Tuller et al. (2010), escalas 1:50.000 e 1:100.000, respectivamente, para complementar o mapa mais detalhado, além do mapa de lineamentos de Pessoa (1996). Foram obtidas as localizações das entradas de cavernas, dolinas e sumidouros no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV 2009), e alguns sumidouros mapeados por Assunção (2019), além das nascentes cársticas cadastradas por Pessoa (1996), para delimitar as feições cársticas em superfície. Os dados geológicos em profundidade foram obtidos dos perfis litológicos dos poços cedidos pelo do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e Superintendência Regional de Meio Ambiente – MG (Supram), além daqueles encontrados no Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (Siagas), totalizando 161 perfis litoconstrutivos dentro da área de estudos. Além desses perfis, foram cedidas 30 perfilagens óticas por Galvão (2015), feitas com uma câmera R-Cam 1000 e perspectiva lateral de 360 graus. Todos esses dados foram importantes e necessários na discretização das unidades hidrogeológicas, estruturas e zonas carstificadas em profundidade durante a etapa de modelagem geológica.
O contexto hidrogeológico e geotécnico foram retirados de Pessoa (1996) e Galvão (2015), incluindo localização dos abatimentos de solo registrados e mapa de perigo geotécnico da região, mapa de superfície potenciométrica, área de influência dos poços e testes de aquífero. Estes dados resultaram nos parâmetros hidrodinâmicos das unidades hidrogeológicas, como porosidade, condutividade hidráulica (K) e transmissividade (T), nas escalas de matriz, poço e regional, além dos valores de vazão específica (Q/s), obtidos pelos testes de bombeamento realizados na perfuração dos poços ou alguns testes de vazão escalonada, resultando em 185 valores de Q/s e 32 valores de T.
A produtividade do poço está associada tanto com as características do próprio poço, como potência da bomba, grau de conservação, diâmetro do furo, filtros etc., quanto com as propriedades do aquífero, como porosidade, permeabilidade, espessura saturada. Por isso, neste estudo, considerou-se os valores de transmissividade e vazão específica, que indicam a quantidade de água que passa pela seção do poço em um determinado tempo e a relação entre vazão de bombeamento em função do rebaixamento do nível d’água do aquífero.
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Contudo, a vazão específica depende não só das propriedades do aquífero, mas também da eficiência do poço, ou seja, se um poço é 100% eficiente, não há perda de cargas durante o teste de bombeamento, resultando em um valor de Q/s máximo e mais representativo do local do poço. Se o poço for apenas 50% eficiente, a sua vazão específica estaria representando também os valores de perda de carga do poço, sendo assim menos representativo da região. Mas como não foram realizados testes de vazão escalonada em todos os poços para determinar sua eficiência, foi considerado que estes possuem aproximadamente a mesma eficiência. Dessa forma, a variação da vazão específica estaria relacionada apenas com as propriedades do aquífero, satisfazendo um dos objetivos deste estudo, que é a comparação da produtividade do poço com a favorabilidade hidrogeológica do aquífero.
Os valores de Q/s e T foram importantes na elaboração do mapa de favorabilidade hidrogeológica, servindo como parâmetros para calibrar o mapa por meio do método da retroanálise, de maneira que os poços mais produtivos deveriam se encontrar nas regiões com maior favorabilidade hidrogeológica.
Outras informações e caraterísticas dos poços públicos foram cedidas pelo SAAE e também puderam ser verificadas em dois trabalhos de campo realizados em setembro de 2017 e maio de 2018, nos quais foi possível medir o nível dinâmico (ND) estabilizado de 54 poços. O nível estático (NE) foi calculado a partir da profundidade do nível d’água medido por Pessoa (1996) em 1991. Foi feita uma verificação dos dados dos poços quanto a sua localização e correspondência com o proprietário, parâmetros hidrodinâmicos e perfil litológico, de modo que, no modelo geológico, foram considerados apenas os poços mais confiáveis para evitar a utilização de informações incoerentes.
Por fim, foi compilada uma planilha com todos os dados obtidos, como situação do poço, proprietário, coordenadas, profundidade, vazão medida e vazão outorgada, tempo de bombeamento, uso da água, perfil litoconstrutivo, vazão específica, transmissividade, NE e ND, etc.